sexta-feira, Maio 26, 2006

Boa Memória 2004




Com o calor a apertar cada vez mais, voltamos outra vez para o Alentejo solarengo, novamente no Monte Seis Reis, em Estremoz.
Desta casa, já tinha sido provado o Bolonhês.

Agora o Vinho da Casa é este branco de 2004, feito apenas com Antão Vaz, tendo estagiado em meias pipas de carvalho francês novas durante 6 meses. O nome Boa Memória foi atribuído como homenagem a D. João I, 10º rei de Portugal.

Iniciando a prova a 11º, apresenta uma cor amarela dourada, com ligeiros toques esverdeados.

No nariz, a presença dos aromas provenientes da madeira nova são inevitáveis e de resto muito agradáveis, com baunilha a encher o copo, as notas de torradinhas de pão de forma com manteiga. Nota-se também a presença de ananás,de rebuçado, o que mostra que a fermentação em madeira foi bem conseguida, encaixando tudo no sítio.

Na boca, o vinho é fresco, com uma acidez bem regulada, com notas de alperce ainda verde, ananás e um pouco de kiwi, e alguma especiaria, pimenta branca, a perfazerem um cocktail curioso na boca. O final de boca é muito agradável, com a baunilha a aparecer em grande plano, ficando, ficando e ficando. Belo final.

Nota 16,5

Este vinho andará na casa dos 6 euros, pelo que é uma compra recomendada, quer pela qualidade aromática que evidencia, quer para quem for adepto de Antão Vaz, pode sempre descobrir aqui um bom exemplo desta casta.

Quinta do Alqueve Tradicional 2002




Tendo passado toda a minha infância no Ribatejo, acho que o Vinho da Casa já merecia ser do Ribatejo, por isso proponho-vos um belo vinho feito naquelas bandas, mais precisamente na Sociedade Agrícola Pinhal da Torre, de Alpiarça.
É um vinho de entrada de gama da Quinta do Alqueve, feito com um lote de castas tintas,sendo elas a Touriga Nacional, Trincadeira,Tinta Roriz e Castelão.

O termo Tradicional tem a ver com o modo como o vinho é feito.
É vinificado então em lagares com pisa a pé, pelo processo tradicional de curtimenta, com ligeira maceração, tendo estagiado durante 12 meses em barricas de carvalho.

Em relação à prova o vinho apresenta um cor violácea com boa concentração.

No nariz tem um aroma muito agradável, madeira muito presente, com notas de charuto, terra húmida, com fruta silvestre, alguma menta e uns ligeiros toques de perfume a perfazerem um belo convite para a prova de boca.

Na boca então, as notas de frutos secos sao predominantes, começando na avelã, passando por toques amendoados, tendo um final algo longo e deixando a boca com um travo doce, com notas gulosas de amoras e cerejas... com taninos ainda presentes, mas finos, o que faz com que o vinho seja muito suave e delicado na boca, com uma acidez bem controlada.

Nota 16

Este vinho anda na casa dos 7,50 euros, pelo que é uma boa compra, tendo sido referenciado por um dos maiores críticos mundiais, Robert Parker de seu nome, atribuindo-lhe 88 pontos ( 0 a 100), tendo mesmo sido o único vinho Português recomendado no site do Robert Parker como "Wine of the day".
Foi também aconselhado como Boa Escolha no Programa da RTPN " A Hora de Baco"

domingo, Maio 21, 2006

Sancerre Cuvée Prestige 1994




Ora bem, pela primeira vez o Vinho da Casa já tem alguns anitos, 12 por sinal...
Trata-se de um vinho francês da zona de Bué, com a Appellation Sancerre, produzido por um dos melhores produtores de Sancerre, Lucien Crochet.
É feito apenas com Sauvignon Blanc, com 13º.
Os vinhos Cuvée Prestige só são lançados nos melhores anos e são oriundo vinhas mais velhas.

Portanto temos todos os pontos para um grande grande vinho, resta apenas saber se os 12 anos que a garrafa já tem foram benéficos ou não.

Optei por iniciar a provar a 10º, deixando evoluir até aos 13º, tentando descobrir o ponto ideal de prova.

Tem um cor amarela dourada bem concentrada.

Está um vinho pleno de aromas, intensos, parece não ter perdido nada, com notas fortíssimas de maça cozida, e notas florais, malmequeres, milho, transportando para dentro do copo uma tarde quente de verão no campo.

Na prova de boca, a acidez ainda está presente, bastante melado, com notas de manga e melão. Termina intenso com suavidade e melado deixando a boca repleta de amendoa amarga. Perfeito.

Grande vinho, é pena é não haver mais exemplares, quer para repetir a dose, quer para vocês poderem perceber o quão perfeito estava este vinho.

Não querendo atricuir nenhuma nota, pois penso que não se justificaria, mas menos de 18 não arriscaria.

Concurso Mundial de Bruxelas




Já estão disponíveis os resultados do maior e talvez melhor concurso mundial de vinhos, onde Portugal é medalhado em largos vinhos, mais de 150!

Resultados disponíveis numa tabela de Excel em
Tabela do Concurso

O Vinho da Casa dá os parabéns a todos os vinhos medalhados.

International Wine Challenge 2006




Meus amigos, Portugal está mais uma vez no topo do mundo, desta vez em 3º lugar no International Wine Challenge 2006 com 43 medalhas de ouro.

Sem grandes surpresas, os vinhos fortificados, Porto e Madeira, dominam as medalhas de Ouro, mas há 15 medalhas superiores para vinhos de mesa também. A maioria destes é do Douro (Tinto e Branco), com exemplares bem-vindos do Dão e do Alentejo.

Em 1º e 2º lugar ficaram a França e a Austrália com cerca de 50 medalhas cada.

Parabéns a Portugal

Campolargo Arinto 2004




Vindo das mão de Manuel dos Santos Campolargo, um dos melhores produtores da Bairrada, embora com o hábito de produzir poucas garrafas, como é exemplo disso este Arinto de 2004, em que apenas 2130 garrafas foram engarrafadas.
Tem um rótulo simples, mas bastante origianl, em que o título da garrafa vem inserido num texto descritivo do modo como foi feito o vinho.

É então um vinho branco feito apenas a partir da casta Arinto, tendo estagiado 6 meses em madeira usada.

Provado a 12º, embora no guia do JPM fosse indicado para nunca o beber abaixo dos 14º, parecendo-me a mim que o vinho ficaria muito pesado...

Aparece com uma cor amarela com um fundo verde, com ligeiras nuances douradas.

No nariz a presença da madeira é inevitável, tudo num conjunto elegante e convidativo, com a amêndoa e a ameixa branca a marcar papel principal, aparecendo o chá branco em segundo plano, mas que lhe confere uma harmonia muito boa.

Na boca a acidez é elevada mas não exagerada, com uma frescura enorme, mostrando-se um vinho seco, mas com umas ligeirissimas notas doces, com um estilo perfumado, com o côco e pimenta branca a preencherem por completo a boa, deixando um final de boca longo e com elegancia.

É um vinho muito elegante e suave, com uma frescura e acidez contrabalancante, tornando-se num dos grandes Arintos com madeira a meu ver.
Apesar da sua reduzida produção é possível adquirir este vinho por cerca de 8 euros.

Nota 17

Sugestão:
Acompanhem com pratos de marisco, liga muito muito bem.

quinta-feira, Maio 18, 2006

Altano 2003 tinto




Aqui estamos mais uma vez nas encostas do Douro, mais precisamente no Alto Douro, onde a família Symington produz vinho desde o Séc. XIX, apresenta este Vinho da Casa elaborado com duas castas bem conhecidas da zona, Tinta Roriz e Touriga Franca.

Apresenta uma boa cor grená, de concentração média.
Nos aromas está muito correcto com toques florais, menta e alguns frutos silvestres, não conseguindo esconder de forma alguma de que se trata de um típico "Douro". No entanto o alcóol aparece em demasia, embora só tenha 13º ( coisa rara nos dias que correm ) e a temperatura continue nos níveis recomendados ( 15/16º).

Na boca, a situação mantém-se, com uma acidez bem conseguida, com alguma estrutura, de fácil prova, algo directo, com a fruta madura a evidenciar-se a uns ligeiros toques de amoras pretas, no entanto um pouco curto.

Um bom vinho do Douro para o dia a dia, atendendo ao preço de 3 euros, para acompanhar pratos ligeiros de carne, ou umas "pastas", pois não tem porte pra mais vôos.

Nota 14

segunda-feira, Maio 15, 2006

Michel Laroche 2001 Syrah




Mais um Syrah como Vinho da Casa, desta vez vindo lá de fora, do Sul de França, mais precisamente da Appellation Vin de Pays d’Oc.

Vinho decantado e com temperatura controlada a 15º, chegando até aos 17º com o decorrer da prova.
Cor grená ( ou granadina, em bom português :) ), com alguma lágrima, evidenciando cores mais quentes no anela, não conseguindo esconder a idade que já tem.
Bastante depósito, pelo que a decantação torna-se necessária.

Enquanto o vinho vai “respirando”, começa a aparecer aromas nunca antes experimentados por mim num vinho tinto… talvez por não provar muitos vinhos estrangeiros… não sei, mas digo-vos que a experiência foi fenomenal. Mel, fruta em passa, figos… isto tudo só no nariz, ficando a pedir para provar rapidamente na boca a ver o que nos mostra! Aparecem também notas especiadas típicas desta casta, noz-moscada, pimentas.

Levando então o copo à boca, o chocolate preto mais uma vez toma conta da degustação, sendo nobremente acompanhado por avelã, frutos secos, com boa estrutura e com uma acidez ainda presente, nada “morto” o vinho, no entanto com os taninos já bem arredondados, terminando com um bom final, sedoso e bastante especiado.

Encontrando este vinho no nosso país a cerca de 7.50 é de experimentar pois tem uma boa qualidade.

Nota 15

Syrah Cortes de Cima 2003




O Vinho da Casa desta vez é um monocasta, dum produtor apreciado por grande parte dos consumidores.

Provado em prova cega.

No copo mostra-se retinto e bastante concentrado, evidenciando um vinho com bom corpo de certeza.

Quando se leva o nariz ao copo, os resultados são apaixonantes… Começando pelo chocolate, pelas folhas de tabaco, algumas notas de farmácia e, para mim o melhor de todos, o aroma a pinheiros, a terra húmida… lembrando um final de tarde de Outono.

Ora bem, com estes argumentos, o rótulo de alentejano já não lhe escapa.
Fazendo a prova de boca, a fruta aparece com grande qualidade, com boa estrutura, amoras pretas, groselhas, um pequeno toque de morangos, tudo muito maduro, com um final bastante especiado… Para quem conhece as Cortes de Cima, este não engana…

Eu na altura apontei a hipótese de ser o Incógnito… Foi ao poste.
Em suma, um vinho regional alentejano, produzido com as mais velhas vinhas de syrah em Portugal, anos 80, na zona da Vidigueira por um Dinamarquês que viajava de veleiro à procura de vinhas e, que, aterrou no nosso país por acaso. E muito bem fez ele, pois com este vinho consegue mostrar todo o seu esplendor desta casta, mas nunca fugindo ao perfil Cortes de Cima, e que belo perfil…
Cerca de 13 euros a garrafa.

Nota 16,5

Quinta da Pedreira Espumante Branco Bruto 2003

Provado em prova cega.

Bolha sempre presente, com um início muito sulfuroso no nariz, que desaparece com ao longo da oxidação no flute, com notas de ananaz, lima-limão, bastante intenso e seco, como seria de esperar de um bruto, com um açúcar residual nulo ou quase nulo. Na boca, deixa um final amanteigado, lembrando a casta Chardonnay.

Espumante produzido na Bairrada, com um lote de castas, Maria Gomes, Bical, Chardonnay e Rabo de Ovelha.

Um bom espumante português a um preço ainda melhor, 7 euros.

Nota 15,5

domingo, Maio 14, 2006

Pequena paragem

O Vinho da Casa informa que o seu anfitrião esteve durante toda a semana na Queima das Fitas do Porto, tendo por esse motivo, compreensível suponho, a impossibilidade de actualizar convenientemente o blog.

No entanto já no dia de amanhã, o Vinho da Casa apresenta 3 novas provas.

PS: Ainda não há livro amarelo! queixem-se à DECO!

Um abraço

quarta-feira, Maio 03, 2006

Irreverente Tinto 2003




Variando mais uma vez na região, aparece este vinho da casa, proveniente das Beiras, produzido pela Udaca (União das Adegas Cooperativas do Dão), onde foram produzidas 66657 garrafas, tendo o vinho o estágio em madeira por apenas 4 dias, seguido de 5 meses em garrafa.
A mim coube-me a garrafa nº13735

Sendo um Regional das Beiras, com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro Preto, apresenta-se com 13º, tendo uma boa concentração na cor rubi e com boa vivacidade.
Nos aromas, mostra-se muito fresco e frutado, com notas de ameixa madura, groselhas, aparecendo também alguma menta( segundo a minha namorada, com o qual concordei).
Na boca, o perfil é clássico, bom corpo, boa acidez, de bom porte como as Beiras nos habituam, terminando na boca com notas de caramelo e ameixas em passa, no entanto tudo desaparece num ápice... Final curto

Nota 14

É um vinho a experimentar, mas que de Irreverente nada tem, a não ser o nome.
Deverá andar à volta dos 3 euros em qualquer loja.
Para concluír, devo referir que o vinho teve um prémio internacional:
Medalha de Prata Wine Masters Challenge 2004

segunda-feira, Maio 01, 2006

Amostras para Prova

O Vinho da Casa, espaço de crítica e divulgação do vinho na Internet, tem todo o prazer em publicar qualquer vinho. Caso os seus vinhos ainda não tenham sido provados pelo Vinho da Casa, pode enviar amostras para prova, bastando apenas entrar em contacto por uma das seguintes formas para ser combinado o local da entrega:

Telefone - 916005100
E-mail - vinhodacasa@gmail.com


Todos os vinhos são provados em copo de prova Riedel e com controlo de temperatura.

Obrigado,
Paulo Miguel Silva.

Caladessa Branco 2004




Continuando no Alentejo, passamos agora para um branco, feito na Herdade da Calada,onde é também feito o Baron de B.
É um vinho DOC, com 40% de Antão Vaz e 60% de Verdelho.

Seria de esperar um vinho branco um pouco mais doce, mais frutado e menos mineral, pois é produzido numa região solarenga. Por esse mesmo motivo, aquando da prova (cega), ninguém se arriscava a dizer que era um vinho alentejano, houve mesmo quem dissesse que era um vinho de trás-os-montes e de outras zonas frias...

Apresenta-se muito fresco nos aromas, floral, perfumado e profundo, com pequenas notas de frutos tropicais e lima... nunca se mostrando um vinho muito doce como já referi.
Na boca, é explosivo para quem pensava que este vinho é um branco alentejano, elevada acidez, seco, com o Verdelho a mostrar toda a sua potência para este tipo de vinhos,tudo num perfil elegante e com um final longo.
Muito boa qualidade neste vinho feito plas maos de um dos grandes enólogos portugueses, Paulo Laureano, que rondará os 12 euros por garrafa.

Nota 17

Bolonhês Tinto 2003




Desta vez o vinho da casa é um tinto alentejano, do Monte dos Seis Reis.

Este vinho apresenta 13,5º, com um lote de 5 castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Tinta Caiada, tendo estagiado em madeira durante 8 meses.

Em relação à prova, é muito concentrado na cor, com um perfil intenso nos aromas, com a madeira sempre presente,com baunilha, folhas de tabaco e algum chocolate preto, deixando a fruta escondida, notando-se apenas alguma framboesa... mas muito discreta.
Na boca mostra-se com taninos suaves, a mostrar que está no ponto optimo pra ser bebido, com notas de frutos secos, avelãs e alguns frutos do bosque.
Termina com um bom final e muito abaunilhado.

Para o preço apresentado,cerca de 10 euros, este vinho enquadra-se já no patamar dos bons vinhos do Alentejo, podendo acompanhar perfeitamente uma refeiçao de carnes ligeiras ou mesmo apreciá-lo sozinho.

Nota 16,5