quinta-feira, Março 29, 2007

Alvarinhos

A casta Alvarinho é provavelmente a grande casta branca cultivada em Portugal e que faz vinhos extremes de bom nível e que tem bom potencial de envelhecimento.
Em prova esteve um Soalheiro de 2002, e dois de 2004, Casa do Capitão-Mor e Quintas de Melgaço. Deixo aqui uns breves apontamentos.

  • Soalheiro 2002 Concentrado na cor amarelo-limão, com muitas notas florais, citrinos, mineral e com um nariz elegante e bastante atractivo, com grande classe e nenhuma timidez. Na boca, a acidez está ainda para durar, com um forte carácter mineral, muito fresco e com um corpo harmonioso, permitindo uma excelente prova de boca com fruta, maçã, kiwi e uns toques vegetais. Final harmonioso e de grande persistência. Excelente vinho e cheio de força e ainda com juventude. Os 5 anos que passaram por cima parece que só lhe deram qualidade. Um dos melhores Soalheiros que já provei. Nota 17

  • Casa do Capitão-Mor 2004 Bem na cor amarelo palha, com ligeiros toques dourados e uma lágrima muito pouco comum para um alvarinho feito só em inox. Perfumado no aroma, com muita fruta, pêssego, melão, banana e algum mel. Aroma bem mais "quente" que o Soalheiro, com ligeira mineralidade, mas com um carácter frutado muito mais presente. Com grande untuosidade na boca, volumoso e harmonioso, com aromas de frutos tropicais, algum exotismo, acidez mediana, deixando ser um vinho um pouco mais pesado, mas que não desequilibra, num final de bom nível, comprido e marcado pelas frutas tropicais. Nota 16


  • Quintas de Melgaço 2004 Com cor amarelo palha de média concentração, o aroma é marcado por notas vegetais, citrinos e alguma casca de laranja num fundo fumado e elegante. A mineralidade está também muito presente, o que confere um carácter fresco e vincado no nariz. A boca, com algum volume, untuoso e onde a acidez está ainda bem presnte, com fruta citrina, tropical e com grande harmonia. Com um final marcado pela mineralidade e algum mel, parece estar num óptimo ponto para ser bebido, pois está muito equilibrado. Nota 16


terça-feira, Março 27, 2007

Diálogo 2005

"O vinho a procurar diálogos, ilustrado por Luís Afonso, é o novo desafio da Niepoort em 2007.
Esta é a estreia de um vinho feito para o prazer da boa mesa que procura harmonia e o equilíbrio para todos os dias e não apenas para momentos especiais. Sem pretender ser o melhor vinho do mundo é um vinho que apetece beber, fresco, jovem e apelativo, um vinho com o carácter de um Douro que encanta pela sua simplicidade. No Diálogo a madeira é utilizada em pequena quantidade para que o vinho possa preservar toda a sua jovialidade"

Apesar de ser novidade em Portugal este tinto já teve experiências anteriores sob o nome Fabelhaft, dirigido para os mercados da Alemanha, Suiça e Áustria. Como o próprio texto acima indica, é um vinho para ser bebido despreocupadamente, e feito de forma mais simples. Com Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Amarela e Tinta Roriz de vinhas com idade até 40 anos, onde apenas 20% do lote estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 13%Vol tem uma cor rubi acentuada, claramente cheia de juventude com reflexos púrpura.
No nariz, o primeiro impacto é interessante, pois parece que estamos perante um LBV, com muita especiaria, pimenta verde e menta, envolvido num manto de fruta fresca, com um floral de fundo, garantindo alguma harmonia num conjunto com algumas raspas de chocolate preto. Um nariz acima de tudo jovem e alegre, com um suporte mineral e fresco.

Na boca, o vinho deixa-se entrar sem perturbar, com taninos bem redondos, com boa acidez, muito fresco e elegante, com a fruta vermelha e uns toques vegetais a perfilarem num final harmonioso e sobretudo equilibrado. Juventude e equilíbrio, são as palavras de ordem deste diálogo. Um vinho que convida a ser bebido sem grandes preocupações, mas sempre num toque de escola britânica, com tudo no sítio e sem dar um toque em falso.

É talvez uma grande pedrada no charco (no bom sentido claro), onde a Niepoort, que sempre fez vinhos de patamar superior, mostra que afinal fazer um vinho que sirva para se beber a ver a bola ou a descansar ao fim da tarde é fácil.
Bebam e dialoguem.

Nota 15,5
Preço 7,5 euros
Produção 33.500 garrafas



Dirk Niepoort

Dirk Niepoort é sabido que é um dos grandes mentores do actual Douro, encabeçando a Niepoort e remando no projecto Douro Boys. Atento a tudo, dá atenção ao maior eno-jornalista mundial, como dá atenção a um simples apaixonado ( ou um crítico amador como gosto de dizer) como eu... O jornal Valor Económico fez uma excelente entrevista, que qualquer enófilo curioso certamente vai gostar de a ler. É muito curiosa a forma como Dirk vê o vinho, e a maneira como fala deles.



"Maluqueira" e muita auto-suficiência



"O herdeiro Dirk Niepoort não economiza em reconhecer seu talento na modernização da empresa centenária. Por Jorge Lucki, de São Paulo
Dirk Niepoort, que comanda a casa de vinho do Porto Niepoort, desde os anos 90: "Nunca fiz nada pensando nos críticos".

O mundo do vinho está repleto de personagens interessantes, uns extrovertidos, outros menos, uns mais refinados, outros meio toscos. São muitas as categorias em que cada um pode ser enquadrado -na verdade a lista é grande -, e é isso que torna o contato pessoal com qualquer um deles uma experiência sempre rica.
Vem daí, inclusive, um projeto que algum dia deve se materializar, com meu amigo chileno Patrício Tapia, editor do melhor guia de vinhos do Chile, o Descorchados e editor associado da influente e confiável publicação mensal americana Wine & Spirits, de reunir num livro as idiossincrasias de uma série dessas figuras, em particular, as mais cativantes e diferenciadas, para não dizer meio malucas, que existem espalhadas pelos quatro cantos do planeta.

Um dos nomes que foi sem dúvida lembrado, quando falamos de Portugal, foi o de Dirk van der Niepoort, que comanda desde meados da década de 90 a Niepoort, uma casa de Vinho do Porto que continua em família desde sua fundação em 1842. Representante da 5ª geração, o irrequieto Dirk, hoje com 42 anos, mudou os rumos da empresa e não parou de inventar novas maluquices, como ele mesmo disse várias vezes, a si se referindo, na entrevista exclusiva que deu para o Valor, durante sua passagem por São Paulo na semana passada. Dirk fala de suas crenças, assumindo em boa parte das vezes a paternidade delas, e de como seus vinhos evoluíram para chegar no grau de excelência que têm hoje, um fato que ele também não se inibe de enaltecer.

É preciso da mesma forma reconhecer que, afora tudo o que Dirk Niepoort promoveu dentro de sua própria vinícola, ele foi talvez o maior responsável pela criação e mola propulsora dos Douro Boys, grupo de cinco produtores assim informalmente chamado, que reúne, além da Niepoort, a Quinta do Vale Meão, a Quinta do Vale Dona Maria, a Quinta do Vallado e a Quinta do Crasto, nomes que a partir de um trabalho conjunto conseguiram grande projeção internacional.

Valor: Quais foram seus primeiro passos no vinho?
Dirk Niepoort: Foi curioso. Depois de ter feito o curso secundário em Portugal, eu fui estudar economia na Suíça numa escola particular e parte desse estudo envolvia um estágio. Por sorte ou coincidência, foi numa empresa de vinhos. Até aquela data eu não tinha interesse particular por vinho.

Valor: O seu objetivo não era estar ligado ao setor?
Niepoort: Era economia e talvez houvesse algum interesse por vinho maior do que o normal, mas não havia nenhuma pressão dos meus pais para eu vir a trabalhar na empresa.

Valor: E como foi o estágio?
Niepoort: Nesse estágio, na Mövenpick, tinha duas pessoas muito ligadas a vinho que não sei porque tiveram muito carinho comigo. Isso me deu um click e comecei a me interessar pelo assunto. Depois de acabarem os estudos fui para os Estados Unidos fazer um estágio numa vinícola, sem função especial.

Valor: Daí você voltou a Portugal?
Niepoort: Sim e comecei a trabalhar com meu pai em 1987 e meu interesse em vinhos de mesa era grande. Eu queria fazer e não consegui não fazer.

Valor: Até então a Niepoort não produzia nada de vinho de mesa.
Niepoort: A Niepoort era um negociante de Vinhos do Porto. Nós não tínhamos vinhas. Comprávamos o vinho pronto logo depois da colheita e depois envelhecíamos e negociávamos. Era como todas as casas de Vinho do Porto normalmente são. Quando eu cheguei, uma das primeiras coisas que fiz, quer dizer, meu pai é que me deixou fazer, foi comprar a Quinta de Nápoles. Em 88 compramos a Quinta do Carril, que fica ao lado, e depois fomos comprando e arrendando pequenas parcelas até chegar aos 43 hectares que temos hoje.

Valor: Não é tudo junto, não?
Niepoort: A Quinta de Nápoles junto com a do Carril tem 25 hectares plantados. Temos arrendado vinhas velhas no Vale do Mendiz e uma no Ferrão.

Valor: Isso foi o começo da mudança?
Niepoort: A grande diferença da Niepoort relativamente ao que era é que, primeiro somos proprietários de várias coisas. Nem o armazém onde estávamos e onde ainda estamos era nosso. A segunda alteração é que hoje vinificamos 95% do nosso Vinho do Porto e 100% do nosso vinho de mesa. A terceira é que o vinho de mesa não existia.

Valor: Quando você comprou as duas Quintas, de Nápoles e a do Carril, você já tinha pensado em utilizá-las para vinhos de mesa?
Niepoort: Não, e nós compramos a Quinta de Nápoles contra a minha vontade. Eu insistia que tínhamos de ter uma Quinta só que eu não queria aquela. Meu pai comprou por outras razões em que eu não via lógica. Mas aquela zona é, depois me dei conta, muito boa para vinhos de mesa. Isso me ajudou a criar algumas lógicas diferentes do que se pensava na época, que são vinhedos virados para o norte (bate menos sol, o que é, no Douro, no hemisfério norte, bom para esses vinhos).

Valor: Quando percebeu isso?
Niepoort: Isso nasceu em 1990, quando eu fiz um vinho da Quinta do Carril e esse vinho saiu muito melhor do que pensávamos. É o que eu chamei de Robustus. O engraçado é que meu pai não acreditava no começo. Ele achava que o vinho não prestava para nada e deu uma boa parte para o pessoal da empresa beber no dia a dia. Hoje em dia é talvez o vinho mais mítico de Portugal. Há alguns ingleses que acham que ele o melhor vinho já feito no país. A verdade é que o vinho hoje está muito bom.

Valor: O Robustus 90 nunca foi comercializado?
Niepoort: Nunca. Na época eu, chateado com o mundo, resolvi não mostra-lo a ninguém, e disse que era um vinho para meu filho que já havia nascido. Passou quatro anos em madeira, engarrafei e deixei quieto. Foram só umas 700 garrafas e a vantagem de não ter mostrado a ninguém é que ainda temos algumas garrafas.

Valor: E quando veio o Redoma?
Niepoort: No fundo o Redoma é um sucessor do Robustus. É baseado nas mesmas vinhas, tudo muito parecido. O Redoma foi nosso primeiro tinto de mesa comercialmente vendido.

Valor: Ambos eram então de vinhas velhas, com castas misturadas, como era praxe antigamente?
Niepoort: No alto plantamos 15 hectares de vinha nova que agora têm 20 anos. Mas o Redoma é essencialmente de vinhas velhas que têm castas misturadas.

Valor: Você gosta de vinhos de lote (corte de várias uvas e/ou vários vinhedos). Quando plantou novas parcelas fez uma mescla de variedades seguindo alguma lógica?
Niepoort: Fiz duas vinhas misturadas que eu escolhi, mas para ser sincero nem me lembro o que misturei. Peguei mudas de uma vinha muito velha que eu gostava muito e que hoje é nossa. Quer dizer é arrendada mas é como se fosse nossa. É a parcela que dá os melhores vinhos da Quinta de Nápoles.

Valor: O Redoma passou basicamente a década de 90 como único tinto de mesa de vocês. Até que veio o Batuta. E o Redoma branco?
Niepoort: O Batuta veio em 99. O Redoma branco veio em 95, de uma vinha de Celeiros com 70 anos de idade. É gozado que eu queria vinificar separadamente as três castas que lá existiam. O lavrador colheu as três separadas, mas me entregou todas juntas. Ou seja foi a primeira vez que tentei fazer um vinho por casta e não funcionou. Nunca mais tentei vinificar castas em separado.

"A fruta é banal. O frescor é a espinha dorsal de um vinho. Não se pode fazer um vinho com muito músculo se não tiver costas boas."


Valor: E mudou alguma coisa no Redoma branco?
Niepoort: Hoje não usamos mais essa vinha até porque na época eu achava que o Gouveio. Ela tem boa acidez, porém eu sou muito sensível a amargor. Hoje trabalhamos com muitas uvas de zonas diferentes, todas de mais altitude. Minha "maluqueira" é utilizar vinhedos mais altos para ter boa acidez.

Valor: Frescor é fundamental.
Niepoort: É e nos tintos também, cada vez mais. Há uma coisa muita importante a dizer. A Niepoort passou três fases no vinho de mesa. Primeiro foi começar a fazer. Não tínhamos condições nenhuma, não tinha dinheiro e meu pai também não ajudava muito. Era tudo feito como dava e ainda penso que é um milagre alguns vinhos serem tão bons nas condições em que eram produzidos. Depois em 99 disse a meu pai que precisaríamos investir. Contratamos, então, um enólogo e criamos condições mínimas - barricas melhores e novas e algumas cubas de fermentação porque as primeiras foram desenhadas por mim. Então a partir de 99, a Niepoort deu um passo muito grande e os vinhos melhoraram consideravelmente.

Valor: E a terceira fase?
Niepoort: Foi em 2004, quando um novo enólogo veio trabalhar conosco e independentemente da mudança, eu tomei uma atitude mais agressiva de não usar química. Em termos de vinhedo ainda utilizamos algum herbicida, mas é pouco e o objetivo é acabar. Quero que o Luís Seabra, nosso enólogo, tome a decisão. Acredito que de 2004 para cá a Niepoort deu dois ou três saltos qualitativos. Quando adotei essas atitudes achei que tinha assumido grandes riscos, que os vinhos poderiam se estragar. É muito irônico porque desde 2004 não temos nenhum problema com as fermentações, os vinhos são muito bons e mais equilibrados, mais sãos. A rigor é interferir menos no vinho. É acompanhá-lo e não fazê-lo. É deixar as uvas serem o que são e nós só temos que guia-las um pouco.

Valor: O divisor de águas foi então 2004?
Niepoort: Eu acho que a diferença entre um bom vinho e um grande vinho são pequenos detalhes que em si quase não são visíveis. Tecnicamente temos mais ou menos o que é preciso e penso que estamos trabalhando melhor e na direção certa.

Valor: No caso dos Vinhos do Porto este salto não é mais sentido nos Vintages, porque nos tawnies vocês já eram conceituados?
Niepoort: Em termos históricos não tenho dúvidas que a Niepoort é uma das melhores casas. Só que esse mundo era gerido pelos ingleses (a maioria das casas de Vinho do Porto eram dominadas por ingleses) e assim nós nunca fomos levados a sério. Talvez nos anos 80 não estivemos jogando bem, mas eu diria que a partir de 2000 voltamos a estar no nível dos melhores.

Valor: Você estendeu bastante a linha de mesa nos últimos anos. Você pode resumir?
Niepoort: Temos crescido muito. Em quantidade, nosso carro chefe é um vinho mais comercial que temos duplicado as vendas. No Brasil vai se chamar Diálogo. Antes da reviravolta (de 2004) ele tinha uma razão de ser. Achei que estava na hora de contrariar a lógica e fazer um vinho que não fosse quase preto, frutado, alcoólico. Que fosse simples, com frescor e não pesado, para dar prazer de beber e que tivesse a tipicidade da região. E está indo muito bem.

Valor: Voltando aos seus vinhos clássicos, tops de linha. Quando você sentiu necessidade de fazer o Batuta?
Niepoort: O Batuta deveria ter nascido em 95. Eu já tinha o vinho e eu gostava muito. Era para ser um tinto na linha do Robustus 90, em que deixei mais tempo em madeira. O enólogo que havíamos contratado não ligou muito para terminar ele, e acho que se estragou. Não é que estragou, mas era muita responsabilidade e o vinho não estava perfeito. Também tem a história meio absurda que não podíamos utilizar o nome Robustus. Foi meu pai que sugeriu o nome Batuta. Em todo caso, Robustus é uma palavra pesada que demonstra estrutura, peso, álcool e extração, bem na linha do que vi na Califórnia em 87. Com a idade eu iria evoluir e fazer vinhos mais finos. Mas eu não entendia de vinhos finos na época e não sabia como fazê-los. Quando começamos a pensar a sério em fazer o 99, eu já sabia algo, queria elegância e não um brutamontes. O Batuta é mais ou menos isso. Pretende ser mais refinado, mais polido. O Redoma, por outro lado, é o nosso vinho mais importante , representa melhor o Douro - é mais selvagem, autêntico.

Valor: Aí vem o xodó, o Charme. Como e quando você o concebeu?
Niepoort: Isso foi em 2000, quando numa prova às cegas me deram um vinho, que logo de cara achei que era um Rhône do norte, mas eu nunca havia visto um Syrah tão fino. Só poderia ser um Pinot Noir, mas com aquela estrutura só se fosse um vinho do Domaine de la Romanée Conti. Era um La Tâche 91. Algum tempo depois aconteceu a mesma coisa só que aí eu acertei, o mesmo acontecendo mais tarde, com um La Tâche 96. Eu me perguntei como era possível um vinho ter a potência, estrutura e taninos como eles têm e ao mesmo tempo terem essa fineza. Cheguei a conclusão que a razão era o trabalho que eles fazem com o engaço (eles não eliminam os engaços -- os galhinhos que seguram os bagos - como a maioria faz). Trabalhar com o engaço é complicado e eu estava habituado a fazer isso com os Vinhos do Porto, mas era bem diferente. Em 2000 fiz uma experiência e acho que exagerei, o mesmo acontecendo no ano seguinte. Em 2002 fiz o que eu achava do princípio ao fim , algo que fosse tão bom que pudesse engarrafar. E assim veio o 2002 e depois o 2004.

Valor: Com que castas?
Niepoort: São vinhas muito velhas do Vale do Mendiz, na zona do Pinhão. Tem Tinta Roriz e Touriga Franca mas com muitas outras. Mas ainda estou procurando outra vinhedo e outra casta. O segredo do Charme, em todo caso, é partir de vinhas muito velhas com produções muito pequenas.

Valor: O estilo que você busca hoje nos teus vinhos é privilegiar mais o frescor do que a fruta, não?
Niepoort: Eu não gosto de vinhos com fruta, eu gosto de vinhos frescos. É muito importante e a maior parte das pessoas não percebe a diferença. E ela é muito grande. A fruta é uma coisa banal e o frescor é essencial e difícil de conseguir. O frescor é a espinha dorsal de um vinho. Não se pode fazer um vinho com muito músculo se não tiver costas boas. O que segura nosso corpo é a espinha e a espinha é a acidez.

Valor: Foi com esse objetivo que você propôs fazer uma parceria com o Álvaro de Castro, da Quinta da Pellada, no Dão, e resultou no Dado?
Niepoort: É isso. Ainda hoje zombam de mim dizendo que sou maluco, mas tenho a certeza que as vinhas altas são o futuro. A idéia é juntar a espinha dorsal do Dão, cujos vinhos têm mais acidez, com os músculos do Douro.

Valor: Dizem que o Barca Velha chegou a fazer isso.
Niepoort: Eles dizem que não é verdade, mas meu pai até me disse o mesmo. Na verdade, o velhinho (Fernando Nicolau de Almeida, o mentor do Barca Velha), juntava os altos e os baixos e tinha razão.

Valor: Já que o assunto é parceria, você tem também com o Telmo Rodriguez, da Espanha.
Niepoort: O Telmo é uma pessoa que eu adoro e tenho muito respeito por ele. Fomos apresentado há 15 anos como sendo o maluco correspondente a mim na Espanha. Eu sabia que era uma parceria que iria acontecer cedo ou tarde, e agora está se realizando. Eu perguntei ao Telmo como ele queria fazer o vinho e ele respondeu que faríamos juntos. Eu disse para ele fazer como queria. Discute daqui, discute dali, e eu disse que ele fazia os vinhos sempre com luvas brancas, tudo direitinho, muito perfeito. Mas para ser sincero, eu lhe falei, "nos teus vinhos falta qualquer coisa. Esse qualquer coisa vou ser eu a dar". Não sei como, nem quando nem o que, mas primeiro eu precisava saber o que fazer. Não sei se ele achou muito engraçado, mas efetivamente fizemos o vinho como Telmo quis e devo confessar que aprendi muito com ele. Aprendi coisas que a gente sabe mas não faz. Só mesmo fazendo é que se percebe certas coisas

Valor: Isso te ajudou no que você chamou de nova fase da Niepoort a partir de 2004?
Niepoort: Sem dúvida que o Telmo ter aparecido nessa altura foi parte dessa revolução. Ele veio de certa forma ajudar a ter atitudes mais fundamentalistas no que eu mudei. Estou convencido que a partir de 2004 nossos vinhos estão duas ou três categorias acima. Em 2005 é tudo tão perfeito também devido ao que aprendi em 2004.

Valor: E o vinho com o Telmo, como ficou?
Niepoort: É um vinho feito no Douro e é do Douro. Vem de duas vinhas arrendadas do mesmo proprietário, mas teríamos de ter um controle maior sobre ela. Estamos sonhando com um vinhedo que siga uma escola biodinâmica.

Valor: O estilo mais elegante e fresco dos teus vinhos não segue bem o padrão internacional que os críticos influentes do mercado internacional tanto apreciam. Isso não te preocupa?
Niepoort: Não. Desisti. Tenho até sorte de que os críticos gostem dos nossos vinhos, mas eu nunca fiz nada pensando neles."

In Valor Económico em 27/03/2007

segunda-feira, Março 26, 2007

Altas Quintas Reserva 2004

Ainda se lembram do Altas Quintas 2004?
Pois bem, agora chega a vez do Reserva.
Um senhor vinho que só de olhar para a forma como é feito, assusta. Paulo Laureano e João Lourenço optaram por fermentar as castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet em grandes balseiros de carvalho, e onde depois, e leiam bem, se fez uma maceração prolongada de mais de quatro meses. Depois de este perpétuo processo,o vinho passou para barricas novas de carvalho Francês e Americano durante 12 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada brilhante e de grande intensidade.
No nariz, profundo e impressionante, há uma panóplia de aromas, todos bem integrados e muito intensos, com uma parte floral muito fresca e elegante, amoras, framboesas, muito chocolate preto, terra molhada, casca de árvore, café, com um toque de baunilha e uma tosta bem presente trazem uma enorme complexidade e uma grande empatia para que o fiquemos a cheirar, sem nos preocuparmos a passar para o próximo passo.

Na boca, embora possante, o vinho é delicado e tem uma textura sedosa que nos camufla o palato, cheio de classe e cheio de requinte. Taninos excelentes, com uma estrutura de betão, bem suportada pela acidez e pela frescura perfumada que nos mostra, permitindo um final único, personalizado, longuíssimo e elegantissimo, com notas da barrica de baunilha e muito tabaco, mescladas com a fruta e o chocolate preto. O vinho tem um final de boca brutal, com um final quase interminável, todos os pontos da boca por onde passou ficam a aclamá-lo.

Grande vinho alentejano, e tendo em conta que é o primeiro reserva que se fez, é de bradar aos céus. Se há quem diga que o marketing desta empresa é fenomenal, eu digo que fenomenal é este vinho.

Nota 18
Preço 29 euros
Produção 6.600 garrafas

sexta-feira, Março 23, 2007

Herdade do Portocarro 2003

Em 2006 nasceu mais uma nova marca, a Herdade do Portocarro, liderada por José Mota Capitão, juntamente com o enólogo Paulo Laureano. Para o mercado lançaram um primeiro tinto da colheita de 2003. A Herdade fica nas Terras do Sado, no Torrão, a paredes meias com o Oceano Atlântico.
O principal objectivo deste produtor é tentar transmitir para o vinho o terroir da sua herdade, aliando frescura e elegância.
Este tinto com o nome da Herdade, sure da junção de três castas, Aragonês, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, que estagiaram em barricas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e uma cor rubi de média concentração evidenciando já uma ligeira evolução.
No nariz, aromático qb, o primeiro impacto é de muita fruta vermelha bem madura e notas florais, com ligeiros apontamentos de mel. Nota-se uma boa complexidade, com algumas notas de grafite, cravinho, bolacha e uma tosta muito elegante e envolvente, garantindo um aroma fresco e charmoso sem cair em tons muitos quentes.

Na boca, os 4 anos já se notam, pois o vinho entra com suavidade apesar de volumoso, com os taninos arredondados, embora que ainda com uma boa acidez, não deixando nunca o vinho ficar "mole". Fruta e chocolate fazem um bom par, integrados perfeitamente com as notas do estágio.O Cabernet, maduro, parece aqui muito bem integrado com as duas castas e garante complexidade na prova de boca, e quando assim é vale a pena pelo menos não notei os tais pimentos verdes). As especiarias e o café marcam o final de boca, de qualidade ainda que com persistência razoável.

É um vinho afinado, com uma boa complexidade aromática e que merece ser provado.
Para primeiro vinho está muito bem e promete!

Nota 16,5
Preço 12 euros
Produção 30.000 garrafas

segunda-feira, Março 19, 2007

Malhadinha 2005

Nova incursão pela Herdade da Malhadinha Nova, ( já aqui se provou o Pequeno João 2005) provo agora o Malhadinha Branco 2005.

É um branco feito exclusivamente com Antão Vaz fermentado totalmente em barricas de Carvalho Francês e Americano ( 60% e 40%), com um posterior estágio de 8 meses.

Com13,5% e uma cor impressionante amarelo dourado de grande concentração.
No nariz com uma entrada tostada não esconde a passagem pela madeira que sofreu, lembrando pão caseiro torrado, cereal, conjugado com um aroma limpo a pera rocha madura, banana, pólen, mel e as evidentes notas abaunilhadas, tudo muito exuberante e alegre, num conjunto interessante e bem equilibrado. As notas derivadas da madeira notam-se mas estão perfeitamente ligadas com o vinho.

Na boca entra fresco, volumoso e com uma certa untuosidade. Com boa complexidade, dá uma prova muito interessante, irreverente, com o vinho a percorrer toda a boca e perfumando tudo com notas tropicais e deixando uma suavidade torrada, ainda que com a acidez algo espigada, e com a madeira sempre presente a tomar o lugar da fruta. O final é longo, mineral e com ligeira baunilha.
Como diz o Copo de 3 ( e bem), o vinho ainda pode esperar mais uns tempos para ser bebido. O nariz está muito aprumado e equilibrado, mas na boca ainda não está muito arrumado. Mais uns meses portanto e o vinho ganha ainda mais complexidade e concerteza que, com esta estrutura vai dar bom resultado. Este "parece-me" ser um vinho para 17(+) valores, no entanto e para já (Janeiro de 2007) fica com:


Nota 16,5
Preço 12 Euros
Produção 3500 garrafas

Montes Claros Reserva 2004

É o primeiro vinho da Adega Cooperativa de Borba que tem lugar no Vinho da Casa, apesar de os seus vinhos estarem disponíveis em muitos locais, e a preços bem simpáticos.

Este Montes Claros tinto, é feito com quatro castas, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Tinta Caiada que estagiam 12 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com14%vol e uma cor granada de média concentração quase translúcida.
No nariz, o aroma é elegante e fresco, com notas de morangos, ameixas, groselhas, com alguma borracha, num estilo muito perfumado e afinado. O lado floral também aqui está presente, trazendo alguma complexidade aromática, onde o estágio da barrica está em segundo plano, com uma boa tosta bem casada no vinho.

Na boca, é fresco, tem uma acidez bem viva, dando alegria ao vinho, que enganosamente se mostra musculado e bem estruturado, ( a pouca concentração em nada o previa) com taninos com T grande, onde as notas da barrica, chocolate e a fruta fresca nos dão alguma suavidade neste estilo que tenta ser potente. O vinho mostra-se portanto muito equilibrado na boca, com um bom final, onde sobressai o fumo e as especiarias.
Um vinho muito interessante e curioso, com pouca extracção mas com grande volume de boca.
Elegante no nariz e aguerrido na boca.
Excelente relação qualidade-preço.

Nota 17
Preço 6 euros
Produção 120.000

terça-feira, Março 13, 2007

Pontual Touriga e Trincadeira 2004

Depois de provado o Reserva 2004 ( aqui ) e o Syrah 2003 ( aqui ) é provado agora mais um vinho da Companhia de Vinhos do Alandroal.
Este é feito exclusivamente com duas castas plantadas em terrenos xistosos, Touriga Nacional e Trincadeira que estagiam em barricas de carvalho francês e americano durante 10 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada de média concentração.
No nariz, o estilo aromático vem no sentido do Syrah, no toque à frescura e finesse e longe dos quentes aromas tradicionais alentejanos. Com complexidade, muito floral, com notas típicas de violeta, fruta vermelha fresca, mentolados e um fundo mineral com a madeira muito bem a envolver todo o conjunto, com uma boa tosta e especiarias.

Na boca o vinho entra delicado, sem excessos, de médio porte, com os taninos finos e uma boa acidez. Aparece ao lado da fruta um ligeiro toque herbáceo, chocolate e torrados, com a madeira uma vez mais aqui em harmonia, com um bom final, ascendente, floral e com notas de café.
Um vinho muito elegante, harmonioso, sem muita extracção, com a parte floral das duas castas em destaque. Muito bem para o preço apresentado.

Nota 17
Preço 10 euros

segunda-feira, Março 12, 2007

Muxagat 2005

Depois de provado o tinto, ( ver aqui ) vem agora para cima da mesa o branco.
É um vinho branco feito por Mateus Nicolau de Almeida, de vinhas que rondam os 40 anos e uma altitude média de 350 metros, com 90% de Rabigato e o restante de Gouveio, Códega e Viosinho, com 20% do lote a passar por barricas novas de carvalho francês durante 8 meses.

Com 13%Vol e uma cor amarelo palha com alguma concentração.
No nariz é muito fresco e incisivo, com um mineral intenso, limão e maracujá juntamente com um leve toque fumado. Rapidamente somos transportados logo para o Vale do Côa, curiosamente nesta altura das amendoeiras em flor, pois pode ser sugestão, mas o aroma a amendoas juntamente com as notas florais estão cá presentes. Tem um aroma muito afinado e de bom nível.

Na boca, fresco e de elevada acidez, bem equilibrada pelo bom volume de boca, mostra-nos que é um vinho branco para todo o ano, inclusivé os tempos mais frios. Perfumado q.b. na boca com notas frutadas e ligeiro vegetal fresco, com um final mineral de bom nível e persistente.
Pela mineralidade que apresenta e pela boa acidez, guardá-lo uns tempos em garrafeira não será uma hipótese descabida para ganhar um pouco mais de harmonia.
Um vinho branco muito bem feito.

Nota 16
Preço 8 euros
Produção 10.000 garrafas

O Copo de 3 também já provou este vinho. Vejam aqui.

Solar dos Loendros Cabernet Sauvignon 2003

Mais um vinho ribatejano e de Tomar em prova, desta feita um tinto monovarietal Cabernet Sauvignon da colheita de 2003 do Solar dos Loendros.
Às portas de Tomar e a circundar este solar moderno, estendem-se 30 hectares das castas brancas Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay e as tintas Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon.

Com 13%Vol, de cor granada e com mediana concentração, evidenciando já algum envelhecimento parecendo quase um tinto de Castelão na cor.
No nariz, os aromas iniciais cativam, com algum chocolate e fruto vermelho, mas com o arejamento surgem aromas a leite creme queimado, verdes, algum couro e o nosso bem conhecido pimento verde, ainda que um pouco enjoativo mas não em excesso.

Na boca, a primeira sensação é de rusticidade, com a acidez algo desequilibrada, pois pelo pouco corpo que apresenta, esta vem ao de cima, com notas de lagar, de engaço, muito vegetal, alguma fruta, lembrando-me de casca de maçã vermelha e ameixa. Os taninos estão bem redondos e o final de boca é aceitável, com notas de especiarias e algum tabaco.
Um vinho feito para o seu público, algo desajustado dos padrões modernos e que sinceramente, não faz o meu estilo.

Nota 13,5
Preço 4 euros

quarta-feira, Março 07, 2007

Redoma Reserva 2005

Muito haverá para dizer sobre este vinho... Mas pouco de novo haverá para contar.
Posso dizer que é o vinho branco mais pontuado do país... posso acrescentar que o João Paulo Martins o coloca ao nível dos melhores brancos do mundo... posso acrescentar que os consumidores andam sempre malucos para o comprar... posso acrescentar que tem um preço muito inferior aos grandes brancos mundiais...

Ora, para quem não anda distraído no mundo do vinho sabe que este vinho nasce de um sonho de Dirk Niepoort em fazer um grande branco borgonhês, com as castas tradicionais do Douro, aproveitando as vinhas de altitude. Todas as vinhas que dão uva para este sonho têm mais de 60 anos, e estão todas plantadas entre 400 e 800 metros de altitude.
Esta colheita de 2005 é a sétima desde que se produziu Redoma Reseva pela primeira vez em 1995.
As castas do lote são o Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, que fermentam e estagiam em barricas novas e usadas de Carvalho Francês durante 8 meses.

Com 13%Vol o vinho tem uma brilhante cor amarelo-ouro.
No nariz impressiona-nos, com uma complexidade aromática ímpar, com pólen, fumo e as notas tostadas a ambientarem o aroma intenso de frutos citrinos e uns ligeiros toques de fruto exótico. Para complicar ainda mais este aroma cativante, o traço mineral envolve todo o copo. Tudo aqui está muito aprumado e arrumado, garantindo uma grande frescura, um limpidez aromática, e, não fosse palavra-chave nos vinhos Niepoort, elegância. A barrica bem integrada e de grande nível sente-se ao longo da prova, assim como algumas notas verdes, com hortelã-pimenta, jasmim e algumas folhas de chá.

Na boca, entra harmonioso e com carácter, acidez firme e crispante sem se sobressaír, com bom volume. Conseguindo perfumar toda a boca, nota-se uma vez mais a madeira integrada com o vinho, num tom fresco e amanteigado, mostra mais uma vez grande complexidade, permitindo um final mineral e especiado de luxo, longuíssimo e super equilibrado.

Este vinho é sem dúvida o corolário da expressão "Néctar dos Deuses".
Este é daqueles vinhos que deixa qualquer um de rastos.
Agora que estamos numa de enumerar as 7 maravilhas de tudo e mais alguma coisa, este é para mim umas das 7 maravilhas vinícolas.
Elegância e delicadeza invioláveis e um comprimento infinito.
Espectacular.

Nota 18,5
Preço 30 euros
Produção 10.000 garrafas


Parece que o sonho de Dirk está concretizado... Mas de certeza que não se fica por aqui, pois como disse Bernardo Soares no Livro do Desassossego:
"Viver não é necessário. Necessário é criar."

sábado, Março 03, 2007

Gambozinos Reserva 2004

Não, não é nenhuma reserva natural de Gambozinos no Douro...

Este nome peculiar é uma marca de vinhos de um pequeno produtor no Douro, de seu nome Paterno Dias, que tem uma quinta com vinhas velhas no Vale do Rio Torto que tem a seu cargo o énologo Jean Hugues Gros.
Este tinto, reserva de 2004 vem loteado com uma grande variedade de castas, não estivessemos nós a falar de vinhas velhas, onde predominam a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Após a fermentação clássica em lagares, apenas 20% do lote estagia em barricas de carvalho francês, ficando o resto a estagiar em inox.

Além da minha prova, vejam também esta do Saca-A-Rolha
Com 14%Vol. e com grande concentração na cor, bem rubi e retinto.
No nariz, o vinho tem uma entrada muito fresca, irrequieto, transportando-nos logo para um dia primaveril no Vale do Douro, com muitas e muitas notas violetas, muita vegetação fresca, esteva, rosmaninho, ligeiras notas de tinta da china e um fundo balsâmico que ainda ajuda mais a alegrar o conjunto. Nesta frescura imensa, a fruta também dá de si, com as bagas silvestres a predominarem. Bem equilibrado o nariz, apesar do nervo que ainda apresenta. Por vezes dá ideia de se sentir os aromas do engaço. O pequeno estágio em madeira não se quer mostrar, mas talvez tenha sido ponto influente para esta afinação aromática.

Na boca, muito extraído e de acidez elevada, com um bom volume de boca, muito concentrado, quase pastoso, a fruta fresca é predominante, com os taninos bem presentes mas não desconcertantes. Está ainda um pouco novo o vinho, e tem alicerces para dormir mais um pouco, até os taninos arredondarem um pouco mais. O final de boca é afinado, fresco e anisado mas com uma duração e complexidade que poderiam ser um pouco maiores.
É um tinto muito carregado, cheio de garra, um pouco monocórdico e a precisar de acalmar ainda um pouco. No entanto, para o preço está muito bem. Uma boa opção para pratos pesados.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 9800 garrafas

sexta-feira, Março 02, 2007

Vinho Português Parkerizado?

Há uns tempos, o país vinícola abanou...
Não se tratou de nenhuma réplica de um sismo, mas a notícia da chegada de um "Wine Taster", Mark Squires, do grupo Robert Parker ( talvez o nariz mais independente e afinado do mundo, pelo menos é o que consta ) com o objectivo de provar o vinho Português.

Pelos vistos, as ondas negativas que se geraram não foram assim tão importantes, pois os produtores não tiveram tempo de fazer vinho à moda americana ( com as castas que eles tanto gostam, com as maturações excessivas, ao estilo novo mundo), e os resultados foram simplesmente os seguintes...

Vinhos acima de 90 ( Mark Squires para já provou só quase Douro's):

2003 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 96
2004 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 95
2001 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 95
2004 Batuta 95
2004 Abandonado 95
2000 Quinta Do Fojo 95
2000 Quinta Da Manuela 94
2005 Redoma Reserva Branco 94
2004 Curriculum Vitae 94
2004 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 94
2003 Duas Quintas Reserva Especial 94
1999 Barca Velha
94
1994 Reserva Ferreirinha 93
2004 Quinta do Vale Meao Tinto 93
2003 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 93
2003 Quinta do Crasto Tinta Roriz 93
2000 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 93
2004 Chryseia 93
2004 Quinta Vale D Maria 93
2003 Curriculum Vitae
93
2004 Charme 93
2004 Redoma 92
2005 Redoma Branco 92
2003 Casa de Casal de Loivos 92
2001 Domingos Alves de Sousa Grande Escolha
92
2003 Cortes de Cima Reserva 92
2000 Quinta Da Gaivosa 92
2004 Poeira 92
2003 Chryseia 92
2004 Quinta do Crasto Touriga Nacional 92
2003 Quinta Do Vallado Reserva 92
2004 Duas Quintas Reserva Especial 92
1989 Reserva Ferreirinha 92
2003 Xisto 92
2003 Quinta Da Leda 92
2003 Pintas 92
2000 Carm Cm 91
2004 Carm Grande Reserva 91
2003 Quinta de San Joanne Escolha
91
2000 Quinta Da Leda 91
2003 Duas Quintas Reserva 91
2003 Quinta Do Portal Auru 91
2004 Dorado 91
2002 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 91
2004 Casa de Casal de Loivos 91
2003 Quinta Vale D Maria 91
2003 Lavradores de Feitoria Grande Escolha 91
1999 Vinha Do Fojo 90
2003 Dona Maria Reserva 90
2004 Herdade de Malhadinha Nova
90
2003 Marques de Borba Reserva
90
2003 Domingos Alves de Sousa Quinta Da Gaivosa 90
2003 Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 90
2004 Incognito 90
2004 Quinta Dos Quatro Ventos 90
2004 Quinta Da Terrugem 90
2002 Quinta Da Terrugem 90
2003 Quinta do Crasto
90
2003 Quinta Do Portal Grande Reserva 90
2002 Quinta de Roriz Reserva 90
2004 Quinta de la Rosa Reserve 90
2005 Quinta de Covela Escolha Branco 90
2001 Casa de Santar Touriga Nacional
90
2001 Casa de Santar Reserva
90
2004 Quinta Da Leda 90
1998 Colheita Ferreirinha 90
2003 Vinha de Mazouco Reserva
90
2004 Duas Quintas Reserva 90
2003 Carm Reserva 90


Que dizer?
Estamos em grande?

As tais castas "esquisitas" que o Douro tem não têm potencial?
É que neste primeiro relato só quase vejo vinhos do Douro!
Parece-me que o Sr. Mark Squires não diria o mesmo agora na entrevista que deu à Blue Wine...

Parabéns a todos os vinhos com estas magníficas pontuações.