quinta-feira, Maio 31, 2007

7ª jornada da Prova à Quinta - Quinta da Bacalhôa 2003

Provar um vinho de um produtor que já produza vinhos há mais de 20 anos.
A Bacalhôa Vinhos de Portugal é nos dias de hoje, o resultado de um percurso iniciado em 1922, atrás conhecido por JP Vinhos. Em 1972, a pedido de Thomas Scoville, então dono da Quinta da Bacalhôa, António d’Avillez instalou uma vinha a fim de produzir um vinho com um encepamento semelhante ao que é usado em Bordéus, nomeadamente no Médoc. As castas escolhidas foram Cabernet Sauvignon e Merlot. O primeiro vinho com esta marca foi o da colheita de 1979, sendo o primeiro Cabernet Sauvignon de fama no país. Esta colheita é feita com Cabernet Sauvignon, temperado com Merlot. Estagia 11 meses em barricas novas de carvalho francês.



Com 13.5%Vol de cor granada, embora algo cansada no anel do copo.
No nariz, complexo e maduro, de perfil quente e austero, o aroma está claramente inundado de especiarias, hortelã, ameixa, mentolado refrescante(quase lembrando pasta dentífrica). Tudo muito exuberante e cativante em plena ligação com as notas tostadas, baunilha e chocolate preto. O lado vegetal ( pimentos verdes) que se podia esperar, não aparece aqui a perturbar.

Na boca, o vinho tem uma entrada com uma acidez elevada, com um volume de boca mediano, taninos delicados, forrando o palato com suavidade. Picante e achocolatado, com frutos secos, onde a fruta fresca não parece querer dar de si. Final de boca é de boa duração e claramente ascendente, personalizado e com uma lembrança de fumo e de madeira exótica.
Um belo vinho, diferente do que se produz por cá, embora este seja bem Português, da região de Setúbal. Claramente longe dos vinhos frutados e encorpados. Falta-lhe um pouco mais de harmonia na boca, pois a acidez parece estar um pouco deslocada. Com o tempo tudo se afinará certamente. Mais não seja temos aqui o lote bordalês.

Nota 17
Preço 13 euros

segunda-feira, Maio 28, 2007

Altas Quintas Crescendo Rosé 2006

E os rosés não param de aparecer...
Do Alentejo, a marca Altas Quintas lança o Crescendo Rosé 2006, feito apenas com Aragonês e uma longuíssima maceração durante 5 meses em inox.

Com 13,5%Vol e uma cor salmão, com reflexos alaranjados.
No nariz, curioso e muito particular, o aroma faz-nos incrivelmente pensar que o vinho passou pela madeira, com um lado tostado bastante presente, café fresco, muito vegetal, chá, frutos secos, morango, cereja, associado a um perfume floral, cativante e sobretudo elegante. O nariz aponta claramente para um rosé austero e de perfil difícil.

Na boca, de acidez bem colocada, com algum corpo guloso, a entrada é seca e com toques vegetais, num final perfumado, com fruto vermelho e com uma persistência elegante e fresca.
Um rosé diferente, dando trabalho a percebê-lo, o que significa que não é indicado para a petiscada, mas sim para uma prova atenta. Aconselhadíssimo para quem gosta de vinhos sui generis. Cheio de personalidade.

Nota 15,5

quinta-feira, Maio 24, 2007

Batuta 2004

"Batuta é um vinho de extremos, que deve sempre conciliar concentração com elegância, taninos presentes mas muito finos, frescura bastante para proporcionar um fim de boca muito longo. Tem como base a vinha do Carril, com mais de 70 anos virada a norte que permite maturações mais lentas e mais equilibradas. Esta vinha tem um aspecto muito curioso: os seus solos são atravessados por lençóis de água, tornando os terrenos menos secos do que é habitual na região o que permite maturações mais lentas, principalmente em anos quentes e secos. Estas vinhas raras no Douro têm produções diminutas, e o facto de ser um vinho que exige uma atenção e rigor excessivos em todas as fases, torna o processo complicado e dispendioso... O Batuta 2004 é um vinho extraordinário que resulta de uma vinificação delicada, de macerações levadas ao limite onde todos os detalhes são levados em conta, para que se obtenha um vinho complexo fino e elegante. O resultado é um vinho de grande equilíbrio, profundo e denso e ao mesmo tempo fresco e muito longo, só possível num ano equilibrado como foi 2004."

O Batuta é actualmente o vinho de topo da Niepoort, com uma produção considerável, tendo em conta a situação dos grandes Douro's. 12.000 garrafas que fazem os olhos de qualquer enófilo brilhar assim que se rasga a cápsula laranja. Lá dentro está um lote de castas durienses da vinha que tem cepas entre 60 e 120 anos. O estágio é feito durante 20 longos meses em barricas de Carvalho Francês, parte delas, novas.

É favor desligar os telemóveis e só aplaudir no fim.
1ª parte
Com 14%Vol. o vinho mostra uma cor granada brilhante de boa concentração, mas não preto.
No nariz, ultra-fino e complexo, o fruto vermelho, morango e framboesas misturam-se com violetas, envolvidos por raspas de cacau e toffee. A complexidade do vinho é assustadora, pois de cada vez que damos uma volta no copo e levamos o nariz, ele parece querer-nos mostrar algo mais. É como se fosse cada elemento de uma orquestra a solar na sua vez. Especiaria, noz moscada, mineralidade q.b. e algum veludo ( não sei muito bem explicar este aroma ), dá-nos a sensação de elegância extrema numa tosta dada pela barrica de grande nível.

2ª parte
Na boca, de entrada fresca e mineral, estruturado e perfeitamente geométrico, tudo está a toque de batuta dada pelo maestro. Os taninos, trazem ao concerto o lado da percussão, mas num tom pianíssimo, pois tal é a finesse. Acidez alta e perfeitamente ligada a um perfil balsâmico, trazendo o grupo dos metais ao palco. O grupo das madeiras entra no concerto com a barrica a mostrar-se uma vez mais em perfeita ligação com o vinho, dando uma harmonia brutal no conjunto tostado/mineral/floral. Café, especiarias e lembranças de seda. Final refrescante, longo e sedoso, com toda a orquestra em allegro.

3ª parte
É um vinho excelente, milimétrico, e que mostra uma vez mais a qualidade dos vinhos Niepoort. Pleno de elegância, luxo e requinte. Merece até um coral para o embelezar. O único contra é quando se vê o fundo da garrafa, maldito Requiem. Afinadíssimo, só Mozart conseguia melhor.
Bis Bis Bis!

Nota 18
Produção 12.000 garrafas


PS - Embora pareça contraditório, acabei por dar 18,5 ao Redoma 2004. Penso que a diferença baseia-se no prazer que ele nos dá. Sendo o Batuta seja mais afinado e requintado, o Redoma tem um perfil que me agrada mais. É mais carnudo, mais Douro.

segunda-feira, Maio 21, 2007

Castello D'Alba Reserva 2005

Esta marca, disponível em vários supermercados, com rótulos dinâmicos e modernos, aposta num leque de vinhos a preços simpáticos, mas com uma qualidade e rigor acima da média. Para quem participa nas mostras de vinhos, certamente já reparou que o stand da VDS ( Vinhos do Douro Superior) é dos únicos ( senão o único) que leva um refrigerador para servir quer os brancos quer os tintos a uma temperatura correcta. Tantas e tantas vezes nos queixamos de provar os vinhos a 20 e muitos graus. Ora aqui está uma engenhoca que qualquer produtor devia e podia levar para os eventos. Vá lá... Não custa nada.

Este branco de 2005, já o bebi muitas vezes ao longo do ano, mas só agora lhe dei a devida atenção. E foi merecida. Feito quase exclusivamente com uma casta perdida, mas muito apreciada. São 95% de Códega do Larinho, de vinhas com mais de 60 anos plantadas entre 350 e 650 metros. O lote passa ainda 5 meses em Carvalho Francês e Americano com battonage.

Com 14%Vol. e uma cor amarelo dourado com ligeiros reflexos verdes.
No nariz, o aroma é muito limpo e elegante, com alguma exuberância liberta flores brancas, pólen, espargos, folha de limoeiro, fruto tropical, sempre enrolado numa tosta fina, com caramelo e ums ligeiríssima oxidação. Muito apelativo no perfil mineral, um nariz complexo, em plena forma e a mostrar harmonia no conjunto.

Na boca, austero e encorpado para um branco deste patamar, muito elegante e fresco, com alguma untuosidade e com uma acidez fantástica a contrabalançar. O ano que passou nota-se na boca, onde alguma complexidade aromática parece querer sobrepor-se à frescura de vinho branco de verão/outono que era o ano passado, pedindo mais atenção a quem o prova. Está um vinho muito equilibrado, com notas de fruto tropical, pão torrado e baunilha. Bom final de boca, persistente e perfumado. Talvez continuar a guardá-lo poderá ser uma hipótese plausível. Mas já se sabe, perde-se frescura, mas ganha-se complexidade.
Excelente para o preço. Parabéns.

Nota 16,5
Preço 4,50 Euros

JM Grande Escolha 2003

A Companhia de Vinhos do Douro, empresa bem conhecida pelos vinhos Fagote e Oboé, lançou recentemente uma nova marca, a marca JM. Talvez sejam as iniciais do seu produtor e enólogo José Miguel. É um vinho feito com todos os cuidados, com macerações prolongadas, onde as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca que fazem o lote estagiam 18 meses em barricas de carvalho francês.

Tem 14%Vol. e uma cor rubi carregada com ligeiros reflexos púrpura.
No nariz, de grande impacto inicial, com aromas muito curiosos, cheio de menta, leite creme queimado, algum tomate em compota, ameixa. O aroma é muito exuberante, cheio de força e sobretudo cativante. Com o tempo a fruta vai aparecendo muito madura, num perfil não muito enjoativo graças ao toque rústico do couro e ao fundo mineral refrescante. Os 18 meses da madeira estão aqui bem presentes, mas já perfeitamente integrados com notas abaunilhadas e uma tosta exótica.

Na boca o vinho mostra uma boa concentração, num estilo encorpado e austero. O perfil é ligeiramente rústico e frio, quase lembrando engaço, misturado com a modernidade da baunilha e a fruta bem madura, o que mostra alguma complexidade. Acidez correcta que lhe confere frescura, com os taninos ligeiramente secos, num final menos promissor do que se esperava. Um pouco mais de persistência não ficava nada mal. Ainda assim é um tinto de respeito, bastante cativente graças à sua exuberância e singularidade aromática e certamente com potencial de guarda.

Nota 17

quinta-feira, Maio 17, 2007

Quinta Seara D'Ordens Reserva 2003

Já abordei este produtor por duas vezes, com o Quinta do Carqueijal 2004 e com o Quinta Seara D'Ordens Col.Sel. 2003. Subindo um pouco a gama, provei agora o Reserva. É um tinto feito com 40% de Tinta Roriz, 30% de Touriga Franca e 30% de Touriga Nacional. Feito em lagares tradicionais, o estágio é prolongado, com 6 meses em inox, 12 meses em barricas de carvalho francês e 12 meses em garrafa.

Com 13,5%Vol. o vinho mostra uma cor rubi de grande concentração.
No nariz, com uma entrada austera e bastante expressiva, com notas florais e herbáceas violetas, esteva e azeitona em perfeita ligação com a fruta silvestre, o chocolate preto e um mentolado refrescante. Este lado vegetal remete-nos também para um pouco de erva seca associada a uma tosta bem elegante. A madeira está aqui bem vincada, mas sem excesso, pois o vinho tem uma aroma fresco, graças ao fundo mineral que o suporta.

Na boca, a frescura é algo que vem logo ao de cima, com uma acidez bem alta, remetendo o vinho para um perfil mais rústico e sóbrio. Taninos ainda bem presentes e de boa nível, estruturado, com muita fruta fresca, mentol onde a madeira parece querer passar por cima. Este pequeno desconcerto, dá-nos a ideia de ainda estar em construção, o que mostra que pode ser vinho para durar. O final de boca é ligeiramente seco, com um toque fumado e lembranças de madeira exótica, com boa persistência. Para já está melhor no nariz do que na boca. O vinho dá a sensação de estar sempre fresco demais, ( provado a 16/17ºC) o que por um lado é bom, pois não enjoa de forma alguma, mas por outro lado mostra-se pouco persuasivo para se beber sozinho.

Claramente em fase ascendente.
Um vinho muito expressivo da dureza do Douro, extremamente aliciante à mesa, com pratos tradicionais. No meu caso acompanhou umas favas com entrecosto na perfeição. A ligação foi excelente.

Nota 16,5
Preço 11 euros
Produção 5.441 garrafas

segunda-feira, Maio 14, 2007

PaPe 2005

Fui há duas semanas até Pinhanços, no sopé da Serra da Estrela. Entre caminhadas, passeatas a pé, e claro como qualquer bom português, quem vai à Serra tem que ir lá acima! Entrei por Seia e só saí em Gouveia! Foram mais de 100 kms percorridos com calma, tentando absorver tudo de bom que a Estrela tem para nos dar. Riachos, plantas bonitas, nascentes, pedacinhos de neve, lebres, raposas e até um pequeno ouriço se meteu à frente do meu bólide. Quando dei por mim já era de noite e ainda estava em Manteigas. Juro pela minha saúde que nunca mais farei a estrada de Manteigas para Gouveia de noite! É um autêntico massacre. Curvas e curvas sempre a subir e a descer com nuvens metediças a taparem-nos a visão sem nos avisar.

Bem mas falemos de vinhos.
Álvaro de Castro tem na aldeia de Pinhanços a Quinta de Saes, Quinta da Pellada e Quinta da Passarela. Como pessoa inovadora que é, decidiu há já algumas colheitas atrás arrancar com este vinho, oriundo das melhores vinhas da Passarela com as melhores da Pellada e chamou-lhe portanto PaPe. A vinificação é feita em conjunto, ao contrário por exemplo do Dado, onde os lotes só são misturados já na altura do estágio. Outra curiosidade neste Pape, é o lote das castas, 50% de Baga e 50% de Touriga Nacional. A Baga no Dão parece comportar-se de forma mais madura, enquanto que a Touriga Nacional, originária talvez desta região, mostra-se mais fina, mais floral e mais elegante aqui que em qualquer região portuguesa.
Após fermentação em inox, o lote estagia 14 meses em barricas de Carvalho Francês Allier.

Com 13,5%Vol o vinho tem uma concentrada cor rubi, cheia de vivacidade.
No nariz, alegremente floral, com violetas a inundarem o aroma, alfazema, esteva, fruto silvestre, balsâmico e um curioso aroma químico lembrando glicerina. Este aroma muito fresco está bastante harmonioso, super exuberante, onde a madeira de grande elegância se mostra, com uma tosta muito fina e notas de chocolate amargo.

Na boca, encorpado, austero e com muita garra mas sem pesar, pois a frescura balsâmica e a excelente acidez suportam toda esta juventude taninosa, onde os frutos silvestres voltam a aparecer, bem ligados a notas de baunilha e cedro. Final claramente ascendente de boa duração, com a tosta da madeira a vir ao de cima. Se houvesse aqui um pouco mais de complexidade, por troca da exuberância aromática, poderia estar aqui um grande vinho, ainda assim até pode vir a ser digno desse nome. Para já, está ainda um pouco monocórdico. De certeza que irá melhorar em garrafa. Aguarde-se e os momentos de prazer serão enormes.

Nota 17,5

Resta-me agradecer ao bom tempo que esteve enquanto estive na Serra, ao João Chêdas pelo convite que me fez e à simpatia da Maria Castro ( filha de Álvaro de Castro) pela excelente visita que nos proporcionou à Quinta da Pellada.

PS - Que belo turismo rural que dava a centenária Quinta da Pellada.

quinta-feira, Maio 10, 2007

Sugestões

Esta semana é a Queima das Fitas do Porto. Já muito saltei, já muito bebi e já muito festejei.
Por agora, como não há aulas, vou até à praia da Amorosa, na Costa Verde, bem lá para cima para perto de Viana do Castelo. Caminhadas na praia, peixe fresquinho e água do mar a gelar os ossos. Para não vos deixar a seco, aqui vão algumas sugestões despreocupadas mas que de certo não vos deixarão desiludidos. Tudo abaixo dos 5 euros. Como vou para a praia e o tempo quente já espreita, falo só de brancos

Couteiro-Mor 2006
Foral de Melgaço 2006
Muralhas de Monção 2006
Casal da Coelheira Chardonnay 2005
Prova Régia Arinto 2005
Quinta de Saes Reserva 2005
Encosta do Sobral 2005
Solar de Merufe 2003 ( sim 2003)
Covela 2005
Casa de Santar 2006
Catarina 2006
Castello D'Alba Reserva 2005

Até Segunda!

segunda-feira, Maio 07, 2007

2ª Prova Cega - Touriga Nacional 2003 e 2004

Como prometido, voltei a repetir o estilo de prova cega. Desta vez optei por vinhos iguais, mas de anos diferentes. Em prova esteve então o Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2003 e 2004. Para evitar alguma precoce descoberta, muito embora eu não seja perito em avaliar a tonalidade dos vinhos, não comparei os vinhos na coloração.
A Quinta das Marias foi adquirida em 1991 por Peter Viktor Eckert, de origem helvética. Em Oliveira do Conde, perto de Carregal do Sal, a Quinta das Marias conta com oito hectares de vinha, situada entre as margens dos rios Dão e Mondego, no meio de colinas granito.
Os vinhos têm ambos 100% de Touriga Nacional, com estágio em Carvalho Francês (Allier) e Americano durante 12 meses, sendo que um terço das barricas são novas e o resto de segundo ano.

Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2003
13,5%Vol.
Nariz bastante fechado, mas austero e com classe. Vai soltando por vezes um outro aroma, sempre apoiado numa elegância balsâmica, com perfil mineral. Aromas esses que lembram fruto preto, chocolate preto, esteva e alguma erva seca, com a madeira perfeitamente integrada e de bom nível, com baunilha e tabaco.

Na boca, o perfil elegante continua cá, com uma grande harmonia de conjunto, embora encorpado e com taninos bem presentes, a frescura e a mineralidade trazem classe e complexidade, pleno de notas especiadas e de chocolate negro, sem grandes doçuras. Acidez alta, com uma estrutura bem alicercada e ainda em fase de construção, pois os taninos estão cá e a arredondar. Final longo, elegante, ligeiramente seco, especiado e abaunilhado.
Uns tempos mais em cave não lhe farão nada mal, ainda que já esteja muito afinado, mas com já quatro anos e ainda com taninos desta nobreza, temos aqui um belo vinho.
Nota 16,5
Preço 13 euros
Produção 2300 garrafas

Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2004
13,5%Vol.
No nariz o perfil austero e sóbrio impera, muito fino, barrica de grande qualidade a soltar um aroma envolvente e elegante. Ligeiro toque químico, fruto preto, amoras, menta, violeta, chocolate negro, fumo e grafite enchem o nariz com uma boa complexidade. Muito equilibrado e com a madeira perfeitamente integrada no vinho, embora mais presente que o 2003, mas também o aroma é mais exuberante.

Na boca, o estilo poderoso e concentrado, estruturado mas uma vez mais bem suportado por uma boa acidez, num perfil sedoso e suave, com os taninos finos sem marcar a prova. A fruta parece estar ainda em segundo plano, com a tosta da barrica a envolver todo o palato, num toque fumado e mineral. Final longo, mais comprido e complexo que o 2003, com erva seca e baunilha. Um verdadeiro relógio suíço feito por um suíço.
Curiosamente está mais pronto para beber que o 2003, pois os taninos são mais sedosos aqui, nota-se claramente uma evolução de uma colheita para a outra, onde a exuberância e a finesse aumentaram.
Nota 17,5
Preço 15 euros
Produção 1340 garrafas

Ambos os vinhos têm quantidades reduzidas, embora o preço não fuga muito à qualidade, aliás, estão aqui dois belos vinhos, numa excelente relação qualidade-preço, capazes de ombrear com muitos outros, e que podem proporcionar grandes momentos de prazer, principalmente para quem aprecia vinhos elegantes e finos.

quinta-feira, Maio 03, 2007

Quinta D'Amares 2006

Voltando às iniciativas lançadas pela nossa comunidade de eno-blogs, a Prova à Quinta desta vez comandada pelo Pingus Vinicus do Blog Pingas No Copo consistia em provar um branco português monocasta. A minha escolha cai talvez na casta mais "barata". Será? Falo-vos do Loureiro que muitas vezes é trabalhado sozinho. Junto a Póvoa de Lanhoso, em Amares fica a Quinta de Amares.




Com 11%Vol. e uma cor muito ligeira, amarela com laivos esverdeados.
Nariz alegre, vivo, fresco, cheio de notas citrinas, limão, banana, maçã reineta e algum aroma típico a louro. O lado vegetal aparece aqui ligeiro bem casado com um aroma mais adocicado, lembrando rebuçado.

Na boca, pleno de juventude, acidez moderada para este tipo de casta, deixando o vinho ter algum corpo "à vista", com toques de fruto citrino, tropical. Algum açucar residual torna-o guloso e muito muito fácil de beber. Com 11%Vol, pode chegar a ser perigoso, pois a garrafa vai num instante. Pico muito muito ligeiro, num final ligeiramente doce mas sobretudo equilibrado.
Ao preço de venda é uma excelente RQP. Um bom Loureiro, a um passo dos melhores que temos.

Nota 15
Preço 2 euros