sexta-feira, Junho 22, 2007

Quinta da Pigarra Alvarinho Espumante Bruto 2005

Parece cada vez mais ponto assente que os produtores de Alvarinho da região dos Vinhos Verdes se interessam em fazer vinhos espumantes. São já algumas boas referências no mercado, e será talvez, atrás da Bairrada a segunda região com mais espumantes produzidos.
Da sub-região de Melgaço, a M.B. Agricultores lança pela primeira vez um espumante da Quinta da Pigarra, feito pelo método clássico, exclusivamente com Alvarinho.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada com a bolha muito viva e cheia de vigor, algo desordenada.
No nariz, o perfil da casta mostra-se logo, com um perfil floral e primaveril. O aroma tem alguma exuberância, com citrinos, bolacha e muito mineral. Apesar da sua juventude e nervura no aroma, está um nariz equilibrado, com uma boa envolvência de aromas, onde uma ligeira tosta harmoniza todo o conjunto.

Na boca, vincado, de acidez elevada e com a bolha bem presente. A textura é crocante, com muita energia, muito fresco, predominando notas de maçãs verdes e citrinos. Esta personalidade faz com que a boca fique completamente limpa de tudo o que possamos estar a comer, o que será bom para alguns pratos mais gordos, onde esta fantástica acidez e frescura contrabalançem muito bem. O final é seco, fresco e com muito perfume floral. Um espumante que talvez melhore com o tempo, para ganhar alguma elegância, mas se se quiser apanhar esta fase vivaça é melhor não lhe dar tempo.

Nota 15,5

Quinta de Roriz Vintage 2003

Esta quinta do Douro, que está nas mãos da família Van Zeller desde 1815, foi a primeira referência no mercado Inglês como Vintage de Quinta. 2003 como se soube, foi um ano excepcional para Vintages como se veio a reflectir na declaração generalizada e nas pontuações atribuídas. Provei este vinho por volta do Natal. Feito essencialmente com 35% de Vinha Velha, 28% de Touriga Nacional, e 22% de Tinta Roriz.

Com 20%Vol, apresenta uma densa cor, brilhante,com reflexos púrpura.
No nariz, austero e extremamente apelativo, cheio de complexidade, nada fechado como se poderia temer. Surge muita fruta compotada, muitos morangos, cerejas, amoras, algum toque de iogute natural, algum aroma químico, com perfume de violetas. Aroma muito intenso e poderoso, não se pense que é só fruta, há aqui um conjunto muito bem integrado, vegetal fresco, algum chá preto, especiarias e raspas de chocolate. O nariz é típico de um Vintage denso, cheio de vigor, fresco e claramente com enorme classe.

Na boca, a entrada é gorda, encorpadíssimo, cheio de força e guloso. Taninos, super-maduros e cheios de classe, com uma doçura bem presente, mas sem pesar. Cremoso e viciante, a textura é delicada, forrando o palato com enorme subtileza. Chocolate de leite, amoras, compotas, o esquema repete-se. Final muito longo, profundo, crescente, picante e com alguma mineralidade. Grande comportamento na boca.
Um Vintage muito agradável para ser bebido desde já, mas de certeza que com o passar dos anos se recolherá ainda mais prazer. Está num patamar de grande qualidade, com alguma doçura viciante, muito profundo.

Nota 18
Produção 24.000 garrafas

terça-feira, Junho 19, 2007

Quinta de Porrais 2005

Francisco Olazábal, sobejamente conhecido pelo trabalho desenvolvido na Quinta do Vale Meão e na Quinta do Vallado, pegou em vinhas velhas plantadas perto de Murça, a mais de 600 metros de altitude, com as castas Códega do Larinho e Rabigato e Viosinho e fez este vinho branco Quinta de Porrais.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada de média concentração.
No nariz, apesar de não muito exuberante, o que salta mais à vista é a forte mineralidade, numa frescura arrepiante, com muitas notas citrinas, folha de liomeiro, lima, ervas frescas, algumas flores brancas, onde um lado tropical, equilibra o nariz correcto mas não cativante à primeira. O aroma é claramente equilibrado, mas falta aqui qualquer coisa para nos convidar a bebê-lo com prazer.

Na boca, untuoso e de perfil fresco, com alguma doçura a dar-nos logo ideia de que a sua acidez natural das vinhas de altitude está um pouco escondida. Gordo, floral na boca e claramente prazenteiro, com um final de boca perfumado e mineral. Um vinho que se comporta ligeiramente melhor na boca que no nariz. A expectativa de serem vinhas trabalhadas por quem são, por terem mais de 60 anos e estarem plantadas em altitude, talvez me tenham deixado um pouco relutante em relação ao vinho, mas quando vi o preço que dei por ele, se calhar está aqui um bom vinho. Para 5 euros não se pode pedir muito mais.

Nota 15
Preço 5 euros

quarta-feira, Junho 13, 2007

Malhadinha 2004

Depois de provado aqui no Vinho da Casa o Monte da Peceguina, Malhadinha branco e Pequeno João, é hora de provar a coqueluche da Herdade da Malhadinha Nova. É sempre daqueles vinhos que em qualquer prova todos falam bem e todos querem provar. Este produtor tem carisma e é sem dúvida inovador no toca as questões de mercado. Os rótulos são apenas um dos exemplos.

Esta vaquinha que vem no rótulo foi desenhada pela pequena Matilde.
É um tinto feito com um lote de Alicante Bouschet e Aragonês, ligeiramente temperado com um pouco de Cabernet Sauvignon tudo de vinhas plantadas em solos xistosos. Fermentado em pequenos lagares estagia depois 14 meses em carvalho Francês.

Com 14,5%Vol e uma densa cor granada, quase preta.
No nariz, o recorte aromático é extremamente maduro, cheio de fruto, chocolate preto, especiaria, com umas notas já recorrentes neste produtor de cravinho. Não se pense que é um aroma muito pesado, pois aparecem algumas notas florais e uns aromas químicos que acabam por trazer alguma frescura. Aroma complexo, com a evolução no copo, surgem os tostados, alguma erva seca e notas de leite creme queimado.

Na boca, pastoso e bem estruturado, bastante guloso, cheio de fruto preto e chocolate amargo num equilíbrio enorme. A acidez é moderada, com taninos finos e acetinados. A madeira surge plenamente integrada no vinho, com notas torradas mescladas com o fruto. Complexo na boca, num final longo, ascendente, perfumado e com notas de café e especiarias. Um vinho austero, gordo e corpulento, cheio de fruto, mas não enjoativo. Tem uma grande capacidade de evoluir no copo, ficando horas e horas a dar prazer.
Um alentejano cheio de carácter.

Nota 18
Produção 17200 garrafas

terça-feira, Junho 12, 2007

Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004

Provavelmente um dos Tourigas Nacionais mais respeitados do país, pois já Jancis Robinson no seu guia de vinhos portugueses atribuiu 18 valores ao 100% Touriga Nacional de 1996. Como sabemos, em 1996, um 18 para Portugal era um resultado excelente e quase impossível de atingir! Nessa altura poucos lá chegavam...
Este Dão de 2004 é feito exclusivamente com Touriga Nacional da Quinta da Pellada, onde faz a fermentação em inox e sofre depois um estágio de 14 meses em Carvalho Allier.

Com uns moderados 13%Vol o vinho mostra uma cor rubi com reflexos violetas brilhantes.
No nariz, complexo, o aroma é tal forma tão exuberante que até nos faz questionar como é possível isto num tinto. Estupidamente floral, as notas de alfazema, violetas, amoras, invadem o copo juntamente com um curioso aroma a sabão azul. A elegância e a finesse deste aroma também é impressionante, uma frescura balanceada pelas notas químicas e pelo fundo mineral completamente harmonizados com a tosta da madeira digna de um grande tinto . É um dos melhores vinhos que tenho provado na prova de nariz. Com alguma paciência continuam-se a descobrir aromas e aromas que nem vale a pena estar a enumerar.

Na boca, completamente enérgico e cheio de estrutura, mas sempre num tom afinado e elegante, pois a boa acidez e as notas de fruto fresco não deixam o vinho pesar. Taninos maduros e sedosos, o vinho mostra um bom nível, mas um pouco abaixo da excelência do nariz. O final é longo, fresco, floral e tostado, mas parece que se fica a pedir um pouco mais de profundidade. Será problema dos monocastas? Embora muito equilibrado e de bom nível, com mais boca tinhamos aqui um caso sério. Talvez o tempo lhe traga complexidade. Espera-se. Mas quem quiser perceber a energia deste nariz é melhor abri-lo já. Vale bem a pena. Grande Touriga Nacional. Grande Álvaro de Castro.

Nota 17,5

terça-feira, Junho 05, 2007

Gravato 2004

Depois do original palhete aqui publicado, vem agora da região de Mêda, o tinto de 2004 da marca Gravato. Feito apenas com Touriga Nacional da Quinta dos Barreiros, sem passagem pela madeira, apenas com estágio de um ano em inox e 6 meses em garrafa.

Com 14%Vol apresenta um cor granada, jovem e com reflexos violáceos.
No nariz, algo fechado e austero, o aroma é bem vincado e característico desta casta. Muitos aromas florais, frutos silvestres envolvidos numa refrescante e atraente alfazema e menta. Este lado fresco e de bom nível é suportado pelo fundo balsâmico. Nariz bem harmonioso mas não muito complexo, apostando no equilíbrio.

Na boca, com uma acidez elevada, nota-se aqui a ausência de madeira, pois o vinho está bem nervoso, com os taninos ainda por limar, com muito fruto, especiarias e uma frescura de realçar. Esta parte nervosa faz-nos crer que poderá evoluir em garrafa, mas bebê-lo já é possível, pois dá prazer e tem muita garra. O final é de boa duração, apontando num só sentido, num final balsâmico e muito frutado. Um Touriga Nacional feito só em inox, cheio de força e com muita alegria. Talvez um pouco de madeira e o conjunto só tinha a ganhar. Bom exemplar da casta.

Nota 16
Preço 9 euros
Produção 12.000 garrafas

segunda-feira, Junho 04, 2007

Apegadas Rosé 2006

Depois do lançamento o ano passado dos tintos colheita e reserva 2004, a Quinta das Apegadas vem agora para o mercado com uma nova aposta. É um Rosé das Terras Durienses, feito com Touriga Nacional e Touriga Franca.

Com 12%Vol. apresenta um brilhante cor rosada.
No nariz o impacto inicial remete-nos para um lado vegetal muito fresco, combinado com a fruta vermelha, morango, framboesas. Um aroma correcto e convidativo e acima de tudo muito alegre, sem enjoar, pois há aqui um fundo mineral inebriante que ajuda a vincar a frescura.

Na boca, algo directo e ligeirinho na boca, não compromete a sua função de aperitivo, com fruto fresco e algum perfume floral, A acidez é bem alta, onde as notas vegetais voltam a marcar presença. Final mineral e com ligeira doçura, que o torna guloso e extremamente apetecível. Com12%Vol não temos que nos preocupar muito... Um rosé bem feito, equilibrado, mas nada mais. A beber com os amigos ou a ver a bola. Obrigatóriamente bem fresco.

Nota 15
Preço 5 euros