domingo, Setembro 30, 2007

Douro Boys - Os Quinta do Crasto Tintos de 2005

As primeiras referências conhecidas referindo a Quinta do Crasto datam de 1615, tendo sido posteriormente incluída na primeira Feitoria juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Um Marco Pombalino datado de 1758 pode ser visto na Quinta.

O Douro Boy Miguel Roquette ofereceu-nos talvez o momento mais hilariante e cómico do dia quando pediu desculpa ao Hotel por ter urinado na cascata de água que havia na casa-de-banho dos homens ( pelos vistos na das senhoras também havia...). Eu, tal como muita gente presente, não me contive e "parti-me"a rir, virando-me depois para o Luís Antunes da Revista dos Vinhos dizendo-lhe, "Nós fizémos o mesmo!!" Lembro-me que na altura até aplaudimos o facto de ser um urinol bastante limpo!

Bem, falemos de vinhos, e que vinhos!

Quinta do Crasto Reserva ( old vines) 2005
Este vinho, muito apreciado por todos os enófilos, é feito de vinhas com mais de 60 anos, onde se contam cerca de 30 castas misturadas. Estagiou em barricas de carvalho americano e francês durante 20 meses até ao engarrafamento em Abril de 2007. Com um aroma inicialmente mineral, cheio de fruto preto, denso e floral. Austero e até algo tímido no aroma, longe de se querer mostrar logo à primeira, nota-se um vinho complexo com a madeira bem integrada no aroma, com especiarias e algum fumado. Na boca, generoso e com vivacidade, os taninos são finos mas ainda com algumas arestas por limar. Forte dose de fruto fresco e notas de baunilha, o final é longo e perfumado. São 85.000 garrafas a bom preço, cerca de 15 euros lá fora!
Nota 17


Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Apenas engarrafado nos anos em que se atinge um alto nível de qualidade, este vinho é feito com 100% de uvas da casta Touriga Nacional. Estas vinhas de Touriga têm apenas 20 anos. Pisado a pé e fermentado em lagares, o vinho estagia depois em barricas de carvalho francês durante 18 meses. Com um nariz muito apelativo e exuberante, embora não enjoativo, pois a Touriga mostra-se densa e bem madura. Perfumado de violetas, fruto preto refinado, amoras q.b. algum químico. A madeira mostra-se bem integrada, com um lado tostado e uns toques especiados. Explosivo no aroma, muito complexo e cheio de profundidade. Na boca é volumoso, sedutor e mastigável. Chocolate preto e notas de tabaco juntam-se ao conjunto complexo. Taninos finos e excelente acidez, num final longo, cheio de intensidade e claramente crescente. Uma das melhores Tourigas que provei. Excelente mesmo! 7.000 garrafas produzidas.
Nota 18

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005
Quem espera sempre alcança. Pela primeira vez tive oportunidade de me encontrar com este ícone da Quinta do Crasto ( agora falta-me a Vinha da Ponte). A Vinha Maria Teresa com cerca de 90 anos é uma das mais antigas da Quinta do Crasto.
Cheio de expressão, nota-se aqui talvez o terroir, com aromas de terra húmida, fumo, café fresco, fruto fresco, bálsamo e um perfil floral expressivo. Nariz ultra-complexo e a pedir tempo para se desembrulhar no copo. Fruta aqui, floral ali, toque mentolado acolá, tudo está aqui arrumado e a pedir a atenção do provador, tudo muito apoiado pelas excelentes notas tostadas da barrica. Com grande estrutura na boca, taninos ainda algo duros e com boa acidez, o vinho tem um comportamento fantástico na boca, conseguindo ser incisivo e cheio de carácter. Com muita fruta em compota e uma brisa floral fresca, oferece-nos um final lôngevo, sedoso e compridíssimo com boas notas de tabaco e fumo. A elegância e a classe aparecem no fim como que a dizer que assim que os taninos se arrumarem, terá um comportamento no palato de grande nível e muito fino. Um vinho a beber nos próximos anos e a precisar de muito tempo de cave para atingir o seu auge, certamente. Para primeira experiência, convenceu-me e de que maneira.
Nota 18,5

Este produtor apresentou 3 belíssimos vinhos, onde os dois últimos foram umas autênticas flechas ao coração. Um Touriga diferente de todos os outros, e nada enjoativo na exuberância e um Maria Teresa belo, com charme e classe suficiente para despertar qualquer enófilo.

quarta-feira, Setembro 26, 2007

Quinta do Cerrado Encruzado 2006

Este branco feito exclusivamente de Encruzado da Quinta do Cerrado, ao contrário do outro monocasta deste produtor, apenas passa em inox.

Com 13%vol. e um cor amarelo citrino de leve concentração.
No nariz é menos expressivo que o Malvasia Fina como se esperava, no entanto é mais profundo e apresenta umas notas minerais intensas, flores brancas, com algum vegetal fresco que lhe dá um nervo interessante. Citrino e bastante fresco, precisa talvez de um pouco mais de tempo para se mostrar, tal como os bons encruzados.

Na boca, com alguma estrutura, acidez bastante alta, fresco e novamente mineral. Com uma boa dose de fruta de caroço, ameixa branca e temperado com notas citrinas. O final é incisivo, com alguma complexidade, muito equlibrado e sobretudo fresco. Um vinho mais frio que o Malvasia, mas também com mais elegância e com maior potencial de guarda certamente.

Nota 16
Preço 5 euros

Quinta do Cerrado Malvasia Fina 2006

A Quinta do Cerrado, que pertence à União Comercial da Beira, apresenta em 2007 dois brancos monovarietais de castas bem conhecidas e que têm dados bons resultados no Dão, Malvasia Fina e Encruzado. Este Malvasia Fina 100%, foi em parte fermentado em Carvalho Nacional, onde estagia depois durante dois meses.

Com 13%vol apresenta uma cor amarelo citrino de média concentração.
No nariz dá-nos a noção de um aroma já bem integrado, com harmonia e muita expressão. Esta exuberância mostra notas de maçã golden, alguns frutos exóticos, ervas aromáticas e uma envolvência ligeiramente abaunilhada da tosta da barrica. Está bastante alegre e cativa-nos para o provar.

Na boca, com alguma untuosidade, fresco e com bom corpo e uma vez mais forte presença aromática. Não se torna minimamente enjoativo graças a uma acidez bem colocada. Notas de fruto citrino e exótico, o final é prolongado e algo adocicado apostando na fruta branca e alguma especiaria. Um vinho a conhecer, monocasta nada cansativo, onde a ligeira doçura que apresenta convida a ser bebido à mesa com comida oriental. Muito bem para o preço.

Nota 16,5
Preço 5 euros

segunda-feira, Setembro 24, 2007

Douro Boys - Os Niepoort Tintos de 2005

Dirk Niepoort apresentou os seus vinhos tintos de 2005, explicando que, na opinião dele e dos que trabalham com ele, desde 2004 que se têm feito "coisas" que estão dentro daquilo que para eles é a definição de vinho de grande qualidade, frescos, com boa acidez, bom potencial de envelhecimento e, sobretudo, que sejam melhores à mesa que nas mesa de prova. É bem sabido que 2004 foi um ano espectacular para os tintos da Niepoort, mas Dirk insiste em dizer que 2005 é melhor, e que o objectivo é sempre fazer algo melhor. Em prova este o Vertente, Redoma, Batuta e Charme.

Vertente 2005
As uvas são provenientes da Quinta de Nápoles, vinha com cerca de 20 anos no vale do Tedo e de vinhas velhas próximas do Pinhão. O vinho fermentou em lagares de inox e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês. O lote é essencialmente com as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela e Touriga Nacional. Apresenta-se já com um nariz bem apelativo, com muito fruto vermelho, cereja, violetas, especiaria e uma boa componente balsâmica. Na boca é fresco, ligeiramente mentolado, com os tanino bem domados e equilibrado. Final com carácter, mineral e com toques tostados. Um bom vinho para quem se quer aventurar ( um pouco mais de 10 euros) no universo Niepoort.
Nota 17

Redoma 2005
O Redoma é como o Douro, com grande carácter e personalidade. O 2004 foi um vinho que me encheu as medidas e que é difícil de o esquecer. Já o disse e provei ultimamente outra vez e fiquei deliciado. Este 2005 fermenta 50% em lagares e 50% em inox, indo depois para as barricas durante 18 meses. As vinhas que dão origem ao Redoma têm mais de 60 anos e são quase todas viradas a norte, para as uvas conseguirem ter maturações mais prolongadas e equilibradas. Cheio de expressão no aroma, intenso e complexo. Terra, ameixa, forte mineralidade, ervas aromáticas ( esteva, urze) e alguma marmelada, finamente casado com a madeira, tabaco, com alguma tosta e ligeiros fumados mostram um aroma muito complexo. Na boca, cheio de fruta e boa estrutura, com taninos presentes mas sem marcar demasiado a boca, o final é longo, fresco e com toques do estágio na madeira. É um prazer enorme ter este vinho no copo, embora ainda precise de um pouco mais de tempo em cave para se libertar.
Nota 17,5

Batuta 2005
A base deste vinho é a vinha do Carril, com mais de 70 anos, situada numa encosta virada a norte e outras vinhas velhas com cerca de 100 anos, próximo da Quinta de Nápoles. Fermentou em cubas onde teve uma maceração prolongada que durou até aos 60 dias. Estagia depois durante 20 meses em barricas. Com um aroma muito elegante e fino, com notas de barrica de elevada qualidade, parece que vem vestido de fraque, com fruto preto requintado, fumo, grafite, pimenta da jamaica... Bastante profundo e complexo e que impressiona qualquer nariz mais atento. Na boca, de enorme estrutura e com uma acidez alta, faz com que o vinho passe na boca por todos os lados deixando a sensação de seda, taninos finos e uma vez mais com a madeira a deixar o seu contributo num final longo, mineral, intenso e de grande nível. Um grande vinho em qualquer altura e em qualquer lugar! Como me confidenciou Dirk uma vez num tom de brincadeira, Batuta até com ostras vai bem...
Nota 18

Charme 2005
Um vinho feito de uma forma peculiar, onde os cachos que vêm dos cestos vão, depois de seleccionados, inteiros para dentro dos lagares de pedra de Vale Mendiz. Vai mesmo todo o engaço lá para dentro, bago, pele, graínha, ramada da videira... Tudo! O lote do Charme são vinhas muito velhas de Vale Mendiz, com idades entre os 70 e mais de 100 anos. Depois de fermentado nos lagares, adormece nas barricas durante 16 meses. Mal entra no copo, tem-se a noção que o vinho é diferente de todos os vinhos do Douro, pois a cor e a concentração do vinho é muito pouca. Assim que se mete o nariz no copo, sente-se uma lufada fresca e aromas muito intensos, chá verde, café, folhas de tabaco, muita especiaria, ervas secas... Tudo a um nível de elevada qualidade. Cereja, amoras e alguma maçã vermelha perfazem o conjunto aromático. Na boca mostra-se um vinho muito delicado, com taninos muito elegantes, fresco, a apontar nas boas notas tostadas, num final único, longo e muito perfumado. Um vinho espectacular, expressivo e que nos deixa um enorme sorriso na boca e a vontade de ter umas quantas caixas em casa, para ver como esta obra de arte evolui com o tempo. Fantástico.
Nota 19


Em suma, um produtor de excelência, com vinhos únicos mas também com preços por vezes inacessíveis ao consumidor Português. Para os Americanos e para o resto dos Europeus é bem mais fácil e até agradecem... Beber vinhos de classe mundial por menos de 80 euros às vezes não é fácil, e com estes e outros produtores Portugueses parece ser viável.

quarta-feira, Setembro 19, 2007

Apegadas Quinta Velha 2005

Este produtor que se apresentou no mercado em 2004 com dois tintos, um colheita e um reserva, achou que em 2005 não tinha qualidade suficiente para um novo reserva, optando portanto por reunir esforços num único vinho. Muitas vezes, quando não saiem reservas, o colheita acaba por saír beneficiado e o consumidor só tem a ganhar com isso. O lote provém da combinação de uvas escolhidas de diferentes parcelas da Qta. Velha (Douro), situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional. Estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês, húngaro e americano durante 12 meses.

Com 13%Vol o vinho apresenta um bela cor rubi de boa concentração.
No nariz, com um primeiro impacto floral, alfazema e violetas a perfumarem o copo. Um nariz apelativo e fresco, com amoras, menta e um fundo balsâmico interessante. A madeira, discreta, mostra-se bem integrada, num aroma muito equilibrado onde o baixo álcool permite que o vinho suba a temperatura e desenvolva alguns aromas mais maduros, torrados e alguma baunilha.

Na boca, aposta na boa dose de fruta, aliada a uma frescura balsâmica. Não muito encorpado, com a acidez mediana e os taninos bem integrados, nota-se um vinho já redondo e prazenteiro, a beber com facilidade. Final com algum comprimento apostando nas notas de rebuçado de frutos e ligeiramente abaunilhado.
Está um vinho muito equilibrado, de boa qualidade e onde se nota que o produtor teve mais cuidado com o álcool apresentado. O 2004 apresentava algum desequilíbrio neste aspecto, na minha opinião claro. Veja-se aqui a nota de prova do 2004.

Nota 16
Produção 5.800 garrafas
Preço 7,5 euros

terça-feira, Setembro 18, 2007

Douro Boys - Os Vallado Tintos de 2005

Neste texto apenas vou colocar as minhas breves considerações sobre os tintos da Quinta do Vallado de 2005 provados no Douro Boys Master Class. Seguir-se-á a Niepoort, Quinta do Crasto, Quinta Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão nos próximos dias. Por ordem de prova:

Quinta do Vallado 2005
Loteado com as castas típicas da região apenas 15% do lote estagia em barricas de carvalho francês durante 12 meses, onde o resto obviamente fica no inox. 30% do lote provém de vinhas com mais de 70 anos, sendo o restante de vinhas novas com 8 a 12 anos. Com 13,5%VOL e claras notas de ameixa madura, toque de chocolate e algum floral. Na boca mostra um estilo bem alegre, com algum fruto maduro, fresco e de acidez mediana num final ligeiramente fumado e com lembranças minerais. Depois de alguns anos um pouco mais madurões no Vallado (2003 e 2004), parece que se encontrou outra vez um perfil bem mais interessante, talvez lembrando o belo tinto de 2001 que ainda há bem pouco tempo bebi. São 135.000 garrafas produzidas o que é impressionante (em Portugal) face à qualidade do vinho.
Nota 16

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2005
100% Touriga de uma vinha plantada em 1994, com um estágio de 20 meses em carvalho francês. É o primeiro Touriga em extreme desta vinha. Com 14%Vol e um perfil que não esconde a casta, cheio de violetas, embora muito exuberante, o vinho acaba por se mostrar um pouco crú ainda, cheio de força, com a madeira bem vincada e um lado verde algo nervoso. Balsâmico e com notas químicas, o final é ligeiramente seco e amargo a mostrar claramente um tinto de respeito, mas a precisar de repouso. São 12.000 garrafas deste monocasta.
Nota 17

Quinta do Vallado Reserva 2005
Um vinho bem conhecido e sempre muito bem pontuado por todo o mundo, é feito com 70% de uva proveniente de castas misturados de vinha velha ( + de 80 anos). O estágio é feito em carvalho francês durante 17 meses. Menos marcado na madeira que o Touriga, pois também tem um aroma mais austero. Cheio de fruto preto, mirtilios, amoras, chocolate preto com um traço mineral que traz alguma frescura. Nariz bem maduro e complexo. Na boca, balsâmico e com fruto fresco, mostra-se encorpado e com taninos ligeiramente duros que mostram toda a bravura deste vinho. O final é longo, elegante e profundo, com suaves toques de tabaco. Belo tinto, com vigor e muita seriedade. A precisar também claramente de tempo em garrafa. 27.000 garrafas e 1.200 Magnums. Quantidade e qualidade uma vez mais...
Nota 17,5

Quinta do Vallado "No Name" 2005
Esta novidade apresentada pela Quinta do Vallado, ainda não tem nome definido. Trata-se de um vinho feito exclusivamente de umas vinhas muito velhas, com mais de 80 anos, com uma produçao de 500 gramas por videira... O vinho, fermentado em inox, estagia depois durante 20 meses em carvalho francês. Com 14,8%Vol, apresenta-se com vontade de impressionar, cheio de austeridade combinada com elegância. Fumo, fruto preto refinado, ligeira baunilha e uma boa dose de especiarias. Aroma muito complexo e que se desdobra no copo com muita elegância, onde o álcool apesar de elevado não se nota. Na boca, carnudo, hiper-concentrado, cheio de chocolate preto e fruto fresco, apoiado pela barrica muito bem integrada. Final muito longo, expressivo e acima de tudo crescente. Um vinho intenso, onde a acidez é ponto essencial para segurar todo o volume e potência do vinho. Grande tinto. As 2.000 garrafas produzidas serão alvo de cobiça!
Nota 18

Prometo ser breve nos próximos capítulos... Até já!

segunda-feira, Setembro 10, 2007

Douro Boys - Prova Master Class


Os Douro Boys acabam de celebrar 5 anos. Juntaram-se em 2002 com o objectivo de pôr o Douro no mapa. E de facto esse objectivo está conseguido! Provavelmente é a região actualmente mais inebriante do país, aquela de onde saltam novidades como pipocas, e de onde topos de gama a preços elevados abruptam nas prateleiras das lojas... Mas quem são os Douro Boys? Pois bem, é um grupo de pessoas essencialmente bem-dispostas, com uma enorme capacidade de trabalho eficaz e sobretudo com uma visão única para o vinho. É deste grupo que saiem vinhos tão badalados como C.V., Batuta,Vale Meão, Charme, Vinha da Ponte, Vinha Maria Teresa, Vallado Reserva (o tal vinho do Mourinho). Temos então Cristiano van Zeller, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira, Francisco Olazábal e Tomás Roquette, todos eles com quintas espalhadas pelo Douro.

No passado dia 5 de Setembro, fui convidado a estar presente numa prova Master Class onde foram apresentados os tintos de 2005, os brancos de 2006 e os Vintages de 2005. O local da prova foi o fantástico, luxuoso e novíssimo Aquapura Douro Valley. Um Hotel e Spa de grande categoria. Depois da prova houve um jantar magnífico criado pelo Chef Emmanuel Soares,que ja trabalhou numa serie de restaurantes com estrelas Michelin (com Gérard Vié, Alain Ducasse, etc.) antes de chegar no restaurante Alma Lusa no Aquapura Douro Valley. Posteriormente houve festa junto à piscina até a lua se cansar de nos iluminar. Estiveram presentes jornalistas portugueses e estrangeiros, onde destaco o grupo da Revista de Vinhos, Blue Wine e Público. Estiveram também presentes alguns produtores e muitos distribuidores e importadores. Toda a prova foi gerida pela Dorli Muhr da empresa Wine-Partners. A si, dou-lhe os meus sinceros parabéns por toda a excelente organização e pelo magnífico evento.



Por razões de logística apenas vou colocar para já os vinhos brancos provados, ficando os tintos e os Vintages para um próximo artigo. Afinal de contas foram provados 33 vinhos antes do jantar.
Destaco ainda um vinho que foi apresentado pelos Douro Boys, o Douro Boys Cuvée 2005, que apenas foi engarrafado em Magnum (712), onde o lote é feito com uma das melhores barricas de cada um. Serão leiloadas dia 30 de Novembro 500 magnuns... Mais tarde publicarei também a nota de prova respectiva.

Deixo também registada a proposta do Chef:
Viagem Inversa de Salmão com um encontro de camarão
Medalhões de Porco Bísaro com um toque vermelho de legumes e flan verde amarelo
Buffet de Sobremesas - Ópera, Frasier, Delícia de Pêra, Tarte de Limão, Queijos, etc...



Brancos (por ordem de prova)

Tiara 2006

Um branco só em inox, vinhas de 400 a 800 metros, com 40% de Códega e 60% de vinha velha ( 60 anos). Com uma clara componente de fruto tropical, cheio de intensidade e mineralidade. Citrino e fresco na boca, com boa acidez e com algum corpo. Final bastante aromático nas notas de lima.
Nota 16,5

Redoma 2006
Fermentado em madeira usada, e com estágio em madeira nova (50%) durante 8 meses, o aroma é neste momento marcado pela tosta e por um lado vegetal, com complexidade, um fundo fresco citrino e mineral. Final longo e harmonioso a lembrar frutos brancos. Belo vinho!
Nota 17

Redoma Reserva 2006
Feito da mesma forma que o "normal", onde apenas foram seleccionados as melhores parcelas. Menos exuberante que o anterior, mas muito mais mineral e incisivo no aroma. Foge um pouco ao perfil de 2005, mas na boca o vinho está muito bem. Cheio de vigor, acidez firme, com um final explosivo e de grande largura. Elegância e acidez natural parece ser a chave para este grandioso branco.
Nota 17,5

Quinta do Vallado 2006
Aroma simpático, algo vegetal lembrando relva fresca. Os aromas frescos imperam neste vinho, ananás, lima e ligeiro floral. Vinho correcto de acidez mediana, com um final com boas notas citrinas.
Nota 15,5

Quinta do Vallado Reserva 2006
Um pouco pesado no aroma, com um excesso de madeira. Intenso e cheio de notas citrinas, embora menos fresco que o Vallado. Com bom corpo, untuoso, mas que acaba por ter uma vez mais a madeira por integrar. Provado um pouco quente também. Por esse facto não atribuo nota.

VZ 2006
Uma brincadeira feita pela Sandra Tavares da Silva e pelo Christiano Van Zeller.
Aroma tostado e cheio de elegância, fortíssimo nas notas de lima, toranja e algum vegetal. Boca de acidez fantástica, quase crocante e intensamente perfumado. Final longo e picante. Um belo vinho, uma excelente novidade. Promete!
Nota 17

Deixo os meus agradecimentos pessoais aos Douro Boys, à Dorli Muhr e ao Aquapura Douro Valley pelo excelente dia e noite que me proporcionou. Foi um graaaaande evento.


PS - A 1ª foto foi retirada do CD que os Douro Boys ofereceram à imprensa. As outras duas são, obviamente tiradas por mim.

Quinta Seara D'Ordens Touriga Nacional 2004

Voltando aos vinhos da Seara D'Ordens (Douro), falo agora do extreme de Touriga Nacional. Este tinto é vinificado em lagares tradicionais com pisa a pé, onde fermenta, tendo um estágio posterior em inox e 6 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14%Vol, escuro e um tom violáceo de boa concentração.
No nariz, o perfil da casta mostra-se logo apesar de não ser tão exuberante como outros exemplares, o que acaba por não enjoar tanto. Violetas, algum toque químico e mentolado, num estilo profundo e intensamente floral. A madeira está bem integrada e traz-lhe um toque moderno, com um ligeiro aroma caramelizado e abaunilhado. Nariz apelativo e fresco, cheio de carácter.

Na boca, com algum volume e bastante alegre, com chocolate e fruto de compota. A acidez é boa e os taninos estão presentes mas não altivos. Fresco e elegante no perfil floral, o final é médio/longo, ligeiramente seco, com algum fumo e notas de terra. O vinho está muito bem feito, com energia e com necessidade de mais um tempo de garrafa para ganhar ainda mais complexidade. Mas para quem quer o carácter exuberante da Touriga, talvez não opte por este vinho. No entanto quem quer um bom Touriga e que dê prazer, a este preço é uma muito boa opção. A produção é que é pequena...

Nota 17
Preço 12 euros
Produção 2000

Altas Quintas Crescendo 2005

Depois do atípico rosé provado pelo Vinho da Casa, chega agora a altura de provar o tinto deste inovador e já bastante reconhecido produtor. Este tinto de entrada de gama da marca Altas Quintas (Alentejo) é feito apenas com Aragonês e Trincadeira, cujo lote estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Tem 14%Vol e uma cor granada de boa concentração com reflexos violeta escuro.
No nariz, jovem e com algum nervo, mostra um lado quente e fumado. A madeira está bem presente e a garantir alguma complexidade aromática. Notas químicas (alcatrão), muito fruto preto maduro e um perfil ligeiramente vegetal aparecem com o evoluír no copo.

Na boca, bem estruturado e com um toque acetinado da madeira que este produtor já tem carimbado na minha memória gustativa. Taninos bem elegantes, com algum corpo e uma acidez média. Com profundidade, o vinho propõe um toque balsâmico, chocolate e um final com algum comprimento apostando nas notas tostadas e no fruto bem maduro.
Um vinho bem feito, talvez mais adequado ao preço que o Altas Quintas "normal", mas também talvez mais fácil de se beber. É um tinto que dá prazer à mesa, sempre com o perfil típico mas sem pesar. Paulo Laureano está a fazer mais um belo projecto. Para os mais curiosos, fiquem a saber que ainda falta aparecer no mercado um topo de gama da marca Altas Quintas. Será talvez um garrafeira 2004. A ver vamos.

Nota 16
Preço 8.50
Produção 60.000

terça-feira, Setembro 04, 2007

Aneto Late Harvest 2005

Longe vão os tempos em que se dizia: a Touriga Nacional é Portuguesa, o Chardonnay é francês, o Semillon é Bordalês... Pois bem, o enólogo Francisco Montenegro, optou por alargar a gama Aneto, criando agora um Late Harvest, feito exclusivamente com Semillon apenas vindimado em Novembro. Com este tempo tardio de vindima, as uvas estavam botrytizadas, ou seja, atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Após a vindima, optou-se por estagiar o vinho durante 18 meses em barricas novas de Carvalho Francês. O resultado mostrou-se em garrafas de 0,375l com um rótulo ao estilo Sauternes.

Com 12,5%Vol apresenta uma bela cor dourada com laivos alaranjados de média concentração.
No nariz, cheio de expressão e de vontade de impressionar, os primeiros aromas que se mostram fazem-nos lembrar uma tarde chuvosa de outono, com terra molhada e húmus. Os aromas típicos dos LH aparecem em grande evidência, com laranja cristalizada, leite creme queimado, fumo, baunilha e uma clara envolvência de baunilha. A madeira está ainda um pouco por cima do vinho, que apenas nos diz que precisa de um pouco mais de tempo para casar. Ainda assim temos um nariz complexo, exuberante e muito profundo nas notas aromáticas.

Na boca, talvez pensando um pouco no Grandjó ( até à data o único exemplar no Douro estilo Sauternes), dá a sensação de ser mais fresco, menos encorpado, mas sobretudo com uma acidez fantástica. Este Aneto é uma autêntica flecha ao coração para quem gosta de vinhos frescos. Algum fumo, muita fruta branca, onde o vinho nos oferece um final longo, sem pesar, com uma doçura bem presente que se vai evaporando e deixando um toque glicerinado e abaunilhado.

Um grande vinho, talvez não ao nível dos grandes LH, mas na minha opinião é o melhor Português que provei até hoje. Fresco, incisivo e muito muito longo na boca. A precisar ainda de integração madeira/vinho. Bem sabemos que naquela região quem manda é o Porto, mas com apenas 12,5%Vol este Aneto marca pontos.

Nota 17,5
Preço 15 euros