quinta-feira, Novembro 29, 2007

Alvarinhos 2006

Depois da prova que fiz o ano passado com os Alvarinhos de 2005, este ano voltei a repetir o mesmo, com Alvarinhos de 2006, todos em prova cega. Já se sabia que 2006 não tem sido um ano de excelentes vinhos, e que 2005 foi um ano muito especial para os Alvarinhos com excelentes pontuações. Este ano provei alguns vinhos que não tinha provado no ano passado. Vou colocar por ordem de pontuação, sendo que dois tiveram a mesma nota.

Quinta da Pigarra 2006
No nariz, carregado de fruto citrino e de boa dose vegetal. Fresco e elegante no aroma, aparece a dar alguma complexidade ligeiras notas de especiarias assim como um toque de fruto maduro. Está bem no nariz a mostrar um bom equilíbrio entre as notas frescas e jovens com um lado mais quente e amadurecido. Na boca, está mais tímido, com uma boa acidez, mas com a fruta meio escondida, num final seco, persistente, com vegetal e alguma mineralidade a marcar. Bem no nariz mas um pouco sizudo na boca. Talvez o Alvarinho mais típico dos que estiveram em prova.
Nota 15,5

Aveleda Follies 2006
No nariz, mostra logo um primeiro tom atraente, com muito fruto tropical. Boas as notas vegetais, frescas e bem integradas. Aroma fino e bem desenhado, torneado por um fundo citrino lembrando toranja. Na boca, mostra-se largo e com bom volume. As notas citrinas estão bem presentes. Perfumado e com alguma gordura, de acidez elevada faz-nos ter noção de um vinho de bom porte, mas bastante fresco. Final intenso, vincadadamente mineral. Belo Alvarinho!
Nota 16

Rolan 2006
No nariz é claramente o mais exuberante e diferente dos outros exemplares. Notas de casca de laranja, flores, folha de limoeiro, algum exotismo e uma curiosa lembrança de rebuçado. Está um aroma bem intenso e bastante arrumado. Na boca, mostra-se de bom corpo, com algum estrutura capaz de aguentar o inverno, acidez elevada. As notas de laranja voltam a imperar, assim como alguma especiaria. Final com alguma profundidade, saboroso e bastante persistente. Apesar de não ser de Melgaço/Monção ( é de Valença) merece todo o respeito e ainda bem que por ali há Alvarinho plantado! Uma surpresa!
Nota 16

Reguengo de Melgaço 2006
No nariz, este Alvarinho mostra-se também bastante típico, com algum floral, intenso nas notas minerais e citrinas. Tem um aroma mais sério e menos exuberante que os outros, talvez a precisar ainda de tempo para abrir. Na boca, mostra-se nervoso, com a acidez alta e cheio de fruto tropical, a mineralidade volta a trazer uma frescura intensa ao vinho. Enérgico na boca, pede-nos ou para evoluír em garrafa, ou para ser servido com umas entradas especiadas ou mesmo com alguns fritos. Final de bom nível, fino, longo e perfumado. O exemplar mais capaz de evoluír em garrafa.
Nota 16,5

terça-feira, Novembro 27, 2007

Grand'Arte Alicante Bouschet 2005

Depois de apresentar a DFJ e o seu DFJ Merlot&Touriga Franca 2002, provo agora um monocasta de Alicante Bouschet, também da Estremadura. Esta casta, bastante bem trabalhada no Alentejo, dá origem a vinhos muito estruturados, cheios de cor e com muita identidade. Este Grand'Arte, é fermentado em inox, com estágio de 6 meses em barricas Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13,5%Vol tem uma cor rubi escuro profundo.
No nariz a primeira sensação é a de um vinho que parece que foi retirado no momento de uma barrica, não pelo exagero da madeira mas pelo impacto aromático jovem e muito crú. Cheio de notas mentoladas, químicos e muito fruto preto. A madeira está integrada e dá alguma graça ao conjunto, com uma tosta presente de bom nível que apoia as notas saltitantes e viçosas do lado frutado. Tinta da China e alguns fumados perfilam por este aroma nervoso e apelativo.

Na boca, bem mais calmo, com uma entrada harmoniosa, taninos bem maduros e muita, muita fruta preta. Acidez bem colocada traz alguma frescura. Torrados e achocolatados enchem-nos o palato com profundidade. Está um vinho bastante presente na boca, nada duro, com um perfil bem extraído, mas sem enjoar. Estilo after-eight e bastante extraído, parece fazer as delícias dos adeptos dos vinhos chamados de novo mundo. Apesar de todo o nervo que apresenta no nariz, na boca está muito bem. Final elegante e mentolado e com apontamentos da madeira. O final é surpreendente, fino e com classe. O Alicante Boushcet mostra-se muito bem, conseguindo ter um perfil próprio e bastante convincente. Belo vinho a um excelente preço! Certamente irá evoluír bem em garrafa.

Nota 16,5
Preço 7,90 Euros

terça-feira, Novembro 20, 2007

JM 2006

Continuando na CVD Vinhos do Douro, tive oportunidade de provar o JM 2006, versão branco, depois do lançamento do JM Grande Escolha 2003 tinto. É um branco fermentado em inox, mas com estágio de 6 meses em barricas de carvalho. As castas são a Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol. apresenta uma tonalidade amarela, jovem e de média concentração.
No nariz, com uma entrada citrina e floral, bem harmoniosa com subtis notas tostadas. Um aroma equilibrado e apesar das notas da barrica, mostra-se fresco e primaveril, com algumas notas mais verdes, relva cortada, rebuçado de limão e um tom tropical. A madeira deu algum aconchego ao aroma, tornando-o bem harmonioso e com alguma complexidade.

Na boca, mostra-se com bom corpo, notando-se o trabalho da madeira a dar alguma untuosidade. A acidez é alta nunca deixando o vinho caír em doçuras ou em exageros da madeira. Parece no entanto faltar aqui alguma largura de boca, mais uma nota por escrever na pauta, pois o estilo está ligeiramente monocórdico. Suave e frutado, o final de boca peca um pouco, pois esperava-se mais alguma persistência e intensidade aromática. Apenas algumas notas citrinas e uns toques tostados. Uma boa estreia nos vinhos com estágio em madeira, e se se melhorar alguns aspectos, poderemos ter aqui mais um vinho com madeira do Douro de grande gabarito.

Nota 16
Preço 11 euros

Fagote 2006

Voltando aos vinhos de José Miguel Almeida (CVD Vinhos do Douro) provei o branco Fagote da colheita de 2006. É um vinho vinificado em inox, com as castas Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol apresenta um cor amarela esverdeada e brilhante.
No nariz, fresco e com entrada floral, flores brancas da primavera, muito alegre e perfumado. Fruta em boa quantidade, maça verde, com citrinos e alguma fruta tropical. Um aroma bem trabalhado, baseado na frescura, graças ao perfil mineral que tempera o conjunto.

Na boca, de corpo mediano, aposta num perfil redondo e fresco, com muitas notas minerais e uma acidez bem elevada. Esta boa acidez dá uma boa intensidade no palato, onde a fruta e um lado vegetal aparecem lado a lado. Final de boa duração, com frescura citrina. Um vinho bem mais equilibrado na boca que o seu antecessor, mais fresco e sobretudo mais alegre. À mesa, para umas entradas ou para pratos de peixe simples, é o ideal. Como melhorou, a nota sobe um pouco.

Nota 16
Preço 7 euros

terça-feira, Novembro 13, 2007

Campolargo 2005

Este vinho, do produtor Bairradino com maior área de exploração da região, cerca de 170Ha, sofreu alterações desde a sua primeira colheita. Já foi um varietal de Pinot Noir, passou em 2001 para um vinho de lote, sendo nesta colheita de 2005 um vinho com 90% de Pinot Noir e 10% de Baga. Lógicamente, vinificados em separado, pois a casta borgonhesa é muito precoce e foi vindimada em finais de Agosto, enquanto que a Baga só no ínicio de Outubro/ finais de setembro é que atinge o seu estado ideal. Estagiou depois, o lote em barricas de carvalho francês até Fevereiro de 2007.

Com 14,5%Vol e uma cor granada de média/baixa concentração.
No nariz, exuberante e aliciante, mostra muitas notas de fruto vermelho, groselhas e morangos e um lado vegetal nervoso. Impressiona pela jovialidade, com a madeira bem presente e bem tostada, com notas de café, tabaco, cana de açucar tudo num nível elegante e fresco. Este aroma mostra já alguma complexidade, desenvolvendo no copo aromas subtis, podendo mesmo ficar o tempo que quisermos a tentar descobrir mais uma lembrança. Apesar desta exuberância, o vinho está fino e elegante no aroma, muito equilibrado e sem cansar.

Na boca, nota-se ainda a falta de maior ligação entre as partes, com a acidez ligeiramente espigada (típica do Pinot e da Baga jovens), com o álcool presente, trazendo um lado mais doce e quente. De corpo ligeiro mas bastante atraente, textura sedosa onde os taninos estão finos. A madeira está bem vincada, em conflito com a fruta fresca. O final é de bom comprimento, longo e saboroso, com notas de chocolate de leite e frutos secos. É um vinho muito interessante, largo, com o Pinot claramente a marcar pontos ( também são 90%), embora se note que precisa de tempo em cave para consertar o conjunto. Certamente valerá a pena esperar, principalmente porque não são muitos exemplares disponíveis... É um dos melhores exemplares de Pinot Noir do país, sem qualquer margem para dúvida.

Nota 17
Produção 3.600 garrafas

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2002

De um ano mau no Douro, apeteceu-me no outro dia, sentir o pulso a este branco, que quando bebido em novo, dá a sensação de ter potencial de guarda. A Quinta de Cidrô, perto de S.tem as vinhas de Chardonnay plantadas desde 1993, pertencentes à Real Companhia Velha. Por ser de uma casta não autorizada, no rótulo vem a informação de Vinho Regional de Trás-os-Montes, em vez de DOC Douro. 100% Chardonnay, é fermentado e estagiado em barricas de carvalho francês e americano durante 6 meses.

Com 13,5%Vol apresenta já uma bonita coloração amarelo escuro, com reflexos dourados.
No nariz, com uma boa componente de fruta madura, pêssego e manga, mostra-se ainda bem vivo, com alguma exuberância e frescura. A madeira já não tem as habituais notas de baunilha, mas nota-se que fez um bom trabalho e deu complexidade ao aroma. Forte componente vegetal, lembrando um dia chuvoso de outono, casca de árvore, mel e fumo.

Na boca, de corpo arredondado, gordo e com bom volume. Está num ponto extremamente apetecível, com a acidez equilibrada, nada caído, com boa dose de fruto exótico, especiaria e mel, com uma textura típica de um branco com algum idade. O final de boca é de bom comprimento, com notas de fruto maduro e algum exotismo. Um branco bem capaz de aguentar um prato de carne, ou um peixe assado no forno sem qualquer problema! Ainda está cá para as curvas. É preciso é ter sorte na garrafa.

Nota 16
Preço 8 euros

terça-feira, Novembro 06, 2007

Douro Boys - Os Quinta de Vale Dona Maria Tintos de 2005

Tarde e a más horas venho colocar a ultima levada de tintos provados na MasterClass do dia 5 de Setembro no Aquapura. Sem querer mostrar-me preguiçoso ao não querer apresentar a Quinta onde Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva fazem os seus vinhos, sugiro que leiam este belo registo do próprio Cristiano, no seu site. Se tiverem paciência para o lerem, verão que vale a pena pois é uma bela apresentação.

Casa de Casal de Loivos 2005
Este rótulo, recordando a espectacular casa do Séc.XVIII que está instalada no cimo do Pinhão. Feito em lagares de granito, com estágio em barricas novas de carvalho francês durante 18 meses ( 50% novas). Mostra um aroma bem maduro, carregado de fruto vermelho, alguma esteva, com a madeira integrada com boas notas de tabaco e alguma baunilha. Na boca está bem volumoso, com alguns taninos secos e alguma aspreza no final de boca. Embora no nariz se preveja um estilo madurão, a acidez elevada traz alguma frescura no final de boca. São 3800 garrafas.
Nota 16

Quinta Vale Dona Maria 2005
Ícone do produtor, este vinho é fermentado os lotes separados em lagares, passando depois para barricas novas (70%) e usadas de várias casas de Carvalho Francês. Com um aroma austero e muito profundo, carregado de personalidade, nota-se muita fruta preta refinada e alguma dose mineral. Excelente madeira, tom especiado e aroma a café fresco trazem ao conjunto um nariz muito complexo e fresco. Na boca está muito fino, com taninos luxuosos, estruturado q.b. conseguindo ter uma elasticidade enorme, pois a elegância é ponto assente, apesar do bom volume de boca. Acidez elevada mas não exagerada, num final longo e mineral. Para quem já esteve no Douro sabe que não é fácil fazer 20.000 garrafas desta qualidade.
Nota 17,5

CV-Curriculum Vitae 2005
Topo de gama, feito com todos os cuidados e criteriosa selecção, este vinho provém de vinhas velhas ( 80 anos), viradas de Norte a Oeste. Estagiado em 100% de barricas novas, e com 15%Vol mostra um aroma elegante, muito fino, cheio de terroir, ainda mais persuasivo que o anterior, mas também um pouco mais fechado, a pedir mais atenção. Chocolate, tabaco fresco, fruto preto e algum floral dão-nos ideia de uma complexidade em ascenção. A madeira está bem vincada e dá uma ideia de requinte. Na boca, mostra um estilo bem estruturado, cheio de vigor, com taninos elegantes. Acidez uma vez mais fantástica, tostado, com um final longuíssimo e muito profundo nas notas especiadas. Grande vinho, cheio de expressão do Douro.
Nota 18

Van Zellers 2004
Este vinho é uma nova marca, a um preço mais acessível ( 15 euros). Feito com vinhas novas ( 7 a 20 anos, com estágio em barricas de carvalho francês de 2º ano. Bem mais quente no aroma, com notas tostadas, café, erva seca e alguma componente vegetal a mostrar um estilo completamente diferente do produtor, e do ano de colheita claro. Um pouco marcado pela madeira e pelas notas tostadas, quer no aroma, quer no palato. A fruta está presente, com um comportamento na boca polido, já arranjadinho para se beber, com bom volume de boca. Taninos calmos, acidez bem colocada, dá-nos um final mediano, fumado e com notas de terra bem marcadas. Um vinho a conhecer, mas que não prima pela diferença. 5750 garrafas.
Nota 15,5

DFJ Merlot & Touriga Franca 2002

A DFJ Vinhos é uma companhia de vinhos 100% portuguesa, fundada em 1998, e orientada para a exportação, maioritariamentepara o Reino Unido, Alemanha, USA, Canadá e paises nórdicos. Em 2005 (apenas 6 anos após ter sido fundada) a DFJ recebeu em Portugal da “Revista de Vinhos” o prémio da “Empresa de vinhos do ano”. A DFJ controla directamente a produção de mais de 400 ha de vinhas em Portugal, em quintas, maioritariamente nas regiões vitivinícolas da Estremadura, Ribatejo, Douro e Alentejo. Esta empresa é encabeçada pelo enólogo José Neiva. O portfólio da empresa é bastante extenso, sendo talvez dos produtores nacionais com mais referências disponíveis!
Este Touriga Franca&Merlot, oriundo da Estremadura, é feito com partes iguais de cada casta, estagiando depois 5 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol mostra uma cor granada de média concentração com ligeiro rebordo evoluído.
No nariz, mostra um aroma já bem evoluído, com algumas notas de carne, geleias e algumas notas terrosas. O lote é curioso e mostra-se com alguma complexidade, com boa componente vegetal típica do Merlot, com muito fruto vermelho e alguma menta.

Na boca, uma entrada suave e macia, com os taninos bem arredondados. Com a acidez ligeiramente espigada, o vinho parece já ter tido uma melhor fase, pois está tudo muito redondo e nota-se um ligeiro desequilíbrio no conjunto. Especiarias e fruto vermelho dão um bom perufme na boca. O final é algo curto, com notas de geleia e algumas lembranças tostadas da madeira. Um vinho com um lote bem feito e que parece ter potencial, mas este ano de 2002, não muito famoso, parece já ter dado as últimas. Beba-se já! A rolha também não estava com vontade de aguentar muito mais tempo.

Nota 15,5
Preço 5,9 euros

Odisseia 2005

Já não é a primeira vez que publico no Vinho da Casa esta marca. Publiquei um excelente e poderoso Touriga Nacional 2004 e um Little Odisseia 2005. Este é um vinho intermédio, um tinto da colheita de 2005 com Tinta Roriz e Touriga Franca do vale do Távora, Douro. Vinificados em lagares de granito, e fermentados em inox, apenas 10% do lote estagia em barricas de carvalho Francês.

Com 13%Vol e uma cor rubi jovem de boa concentração.
No nariz, austero, bastante jovem e com algum nervo, mostra claramente um bom perfil mineral. O fruto está presente, cerejas, amoras, mirtilios, aliado a um tom herbáceo. A madeira está discreta mas integrada, assim como um certo aroma químico mostram um aroma equilibrado, ainda que muito jovem.

Na boca, de corpo médio/alto, o vinho volta a mostrar a sua raça, com alguma dureza taninosa até. Acidez alta, uma vez mais nota-se neste produtor o estilo de fazer vinhos mais durões e capazes de evoluír em garrafa, sem nunca optar por marcar muito a madeira. Chocolate e fumo dão algum aspecto mais alegre. Fruto denso e perfil balsâmico proporcionam um bom final, frio, vincado e ligeiramente seco. É um vinho virado para a mesa, com o álcool muito bem comedido, a precisar de pratos tradicionais e que o tempo arrefeça mais um pouco. Em frente à lareira este vinho certamente agradará.

Nota 16
Preço 7 euros
Produção 9.700

Chaminé 2006

Este tinto, oriundo das Cortes de Cima, prestigiado produtor Alentejano, foi dos vinhos que eu bebia com alguma frequência quando me estava a iniciar nesta paixão. Aliás, lembro-me mesmo de ter bebido um Chaminé 2001 em Ponte de Lima com a minha irmã e cunhado e de ter ficado deliciado. Os tempos passam, o paladar afina-se, o nariz apruma-se mas o vinho continua igual, a ser feito com paixão, com esforço com muita dedicação. Anos diferentes, a filosofia do Chaminé é a mesma. Um vinho de entrada de gama, feito para agradar no dia-a-dia. Com base em Aragonês e Syrah, o vinho é desengaçado por completo e totalmente vinificado em inox.

Com 14%Vol mostra um cor granada de média concentração.
No nariz, alegre e com vontade de alegrar, mostra muita cereja e muita compota. Boa dose vegetal, lembrando vegetação primaveril. Alguma especiaria desenvolve no copo dando um toque mais exótico. O aroma é muito limpo e arejado sem grandes rodeios, mas também não foge muito da linha.

Na boca, directo e ligeiro, a dose de fruta compotada e a componente vegetal voltam a mostrar-se. A acidez mediana não deixa o vinho caír, apesar da doçura estar presente. Final especiado e frutado de média duração. Um vinho que cumpre com aquilo para que foi definido, que se portará muito bem ao lado de pastas e pizzas com os amigos, mas sempre ligeiramente refrescado ( 14/15ºC). Mas não se pense que é um vinho assim tão básico. Dentro da sua gama, apresenta qualidade colheita após colheita e dá muito prazer a quem o bebe.

Nota 15
Preço 6 euros
Produção 900.000 garrafas

segunda-feira, Novembro 05, 2007

Azamor 2004

O primeiro contacto que tive com este vinho, da colheita de 2003, foi na sua terra natal. Na altura, quando fui visitar o Copo de 3, provámos entre outros um vinho de Vila Viçosa, bastante fresco e com alguma complexidade no aroma, com ares de um lote um pouco diferente do habitual... Pois bem, agora tive a possibilidade de ir a jogo com este 2004. Este Azamor, é feito essencialmente com Syrah, Merlot, Alicante Bouschet e Touriga Nacional com parte do lote (30%) a estagiar em barricas de Carvalho Francês e Americano durante 7 meses.

Com 13,5%Vol. e uma cor granada de boa concentração.
No nariz, o aroma está maduro e composto, com o fruto vermelho a marcar o primeiro impacto. Um lado mais quente aparece, com alguns toques de borracha/alcatrão e terra. Apesar de estar mais Alentejano que o 2003, está com um perfil muito próprio. Aparece também um lado vegetal, (menta) a dar alguma frescura. A madeira surge bem integrada, dando alguma harmonia.

Na boca está bem estruturado, com taninos já bem macios. Boa acidez, fruto fresco, sempre num tom fresco e sem pesar. Acidez média/alta a dar alguma elegância na boca. O bom volume de boca aliado à suavidade no palato, dá a ideia de o vinho estar num bom momento para ser bebido. Redondo e subtil nas notas da madeira perfeitamente ligadas ao vinho. O final é longo e persistente com notas torradas e de compotas.
Um vinho que dá prazer, a mostrar que não precisa de mais tempo de garrafa, pois está pronto para ser bebido.

Nota 16
Preço 8 Euros
Produção 70.000 garrafas