quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Perfil 2005

Luís Soares Duarte, enólogo sobejamente conhecido no Douro, faz vinhos em imensos locais do Douro. Ele é na Quinta do Infantado, ele é na Bago de Touriga(Gouvyas), ele é Quinta Seara D'Ordens, Kolheita de Ideias... No entanto, há cerca de dois anos, este enólogo Duriense lançou um projecto a solo, vinhos com Perfil para serem servidos em alguns Momentos. Este Perfil, um vinho com um rótulo muito original, retratando a sua face vista de perfil, é feito com Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca, com um estágio de 3 meses em Carvalho Francês e Americano.

Com 13,5% apresenta uma tonalidade rubi de boa concentração.
No nariz, algo sizudo, mostra aos poucos aromas frescos e mentolados. Chocolate preto e algum fruto de baga dão alguma alegria ao aroma, bem acompanhado por um lado vegetal. Mostra-se correcto e equilibrado de aromas, com um fundo mineral.

Na boca, a entrada é muito macia e suave, com estrutura mediana. Os taninos estão bem integrados, com uma acidez elevada. Outra vez pouco falador na boca, prefere ser equilibrado. Parece ser um vinho muito gastronómico, pois não cansa e pode ser bastante versátil. Mostra algum garra no final de boca com um comprimento médio, ligeiramente seco e mineral.

Nota 15
Preço 9 euros

Casa de Santar 2005

Esta casa nobre, tem uma longuíssima história, com recortes históricos do ano de 1212. O vínculo ou morgadio da Casa é instituído em 1616 por Francisco e Francisca Pais do Amaral, quando foi constituída a capela dedicada a São Francisco de Assis, aonde seriam rezadas 24 missas todos os anos, pelas almas dos fundadores. As obras da capela são terminadas pelo filho, o Licº António Pais do Amaral, em 1678. Nesta altura, a casa de Santar já tem uma dimensão razoável e pelos documentos existentes já haviam vinhas. São portanto mais 300 anos de história naquele terroir.
informação retirada de www.daosul.com
Hoje em dia, as vinhas da Casa de Santar são propriedade da Dão Sul, gigante do mundo do vinho Português, mas que continua a manter a história e a tradição bem viva neste vinho. Basta olhar para o formato e rótulo da garrafa para se perceber isso...
Actualmente, a Casa de Santar tem 103 hectares de vinha plantada, dos quais 90 são de castas tintas. O lote deste vinho é feito com Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz, estagiando cerca de 6 meses em Carvalho Americano.


Com 13,5% apresenta uma cor violeta de boa concentração.
No nariz, repleto de notas florais, violetas, bergamota e alfazema Este perfil fresco e perfumado está bem balançado com notas mais quentes de caramelo, cravinho e uma tosta envolvente. Está bem alegre e vivaço o aroma, mostrando alguma complexidade e muito equilíbrio. Não é senhor de um nariz genial, mas o que está cá está presente com subtileza e harmonia.

Na boca, de corpo médio, a fruta aparece em boa dose, com cerejas, amoras, num tom não muito maduro e convincente. O vinho ainda está pleno de juventude, com a acidez assertiva, onde os taninos ainda se mostram aqui e ali com algumas arestas. Algumas especiarias e grafite dão um final de boca fresco, de boa duração e com intensidade. É um vinho que embora não pareça, tem austeridade, é muito afinado e caminha numa linha recta, sem dar um passo fora. Não surpreende os adeptos dos vinhos fáceis, mas surpreende quem procura equilíbrio. Bela surpresa esta colheita de 2005!

Nota 16
Preço 5 euros

segunda-feira, Janeiro 28, 2008

Cavalo Maluco 2005

Depois do sucesso apoteótico que foi a novidade do ano anterior da Herdade do Portocarro, com o Anima, um vinho feito exclusivamente com uma casta elegante e oriunda de Itália, a Sangiovese, este produtor inicia uma nova ideia. Cavalo Maluco, foi um dos grandes chefes Sioux, povo que habitava nos USA, em Dakota. Apenas viveu 33 anos, mas sempre liderou muitas batalhas contra a invasão geográfico dos novos índios americanos. Todos os anos, a Herdade do Portocarro vai homenagear alguém com este rótulo. Na colheita de 2005 o Cavalo Maluco honrado foi Luis Mota Capitão, pai do apaixonado produtor José da Mota Capitão. O lote é feito com Touriga Nacional e Touriga Franca em igual parte, 45% cada, e 10% de Petit Verdot. Estagia em barricas de Carvalho Francês durante 12 meses sem ser filtrado.

Com 14%Vol e uma cor retinta, não muito limpo, praticamente negro com reflexos purpura.
No nariz, tem um impacto inicial muito austero e generoso na dose de fruta preta e violeta. Tudo aqui é extraído ao máximo, mas não se baseia apenas em fruta. Menta, algum tabaco e muita erva aromática. Um vinho ao estilo after-eight com uma vertente tostada e inclusivé com alguma frescura. A madeira está presente e consegue-se fazer mostrar perante este aroma tão denso.

Na boca, o vigor e a extracção dão continuação ao que se previa. Pastoso, fresco e cheio de aromas frutados e balsâmicos. Apesar de toda esta violência, o vinho tem elasticidade e acaba por não pesar. Acidez firme, mineralidade e taninos bem educados, acabam por ser as rédeas necessárias para trazer alguma serenidade neste Cavalo Maluco. Final longo, vibrante e com muita especiaria e cacau. Pena é a quantidade de sedimentos que este vinho mostra, mesmo decantado com algum cuidado, o copo fica pintado e marcado de pequenas partículas. Não faz mal à saúde, mas não é muito elegante. É mais um excelente vinho das Terras do Sado, e que mostra que o Capitão da Portocarro não brinca em serviço.

Nota 17,5
Preço 20 euros
Produção 3.000 garrafas

quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Rolan Colheita Seleccionada 2005

Depois de provado o Alvarinho Rolan 2006, apresento agora o Rolan Colheita Seleccionada 2005, um Alvarinho de Valença do Minho, com as vinhas plantadas ao longo do Rio Minho. Este colheita seleccionada é feito um pouco ao estilo do Albariño, com fermentações prolongodas em inox sobre as borras durante 5 semanas. Este aspecto vai buscar muito mais corpo e muito mais personalidade, mas no entanto perde-se a frescura habitual de um vinho menos extraído. Apesar de ser um Alvarinho, não pertence à sub-região de Monção, logo não tem no rótulo Vinho Verde mas sim Vinho Regional Minho.

Com 13%Vol e uma cor amarelo com reflexos dourados de boa concentração.
No nariz, mostra muita fruta tropical, laranja, toranja, mel e tomilho. Está um aroma muito intenso e penetrante, com boa complexidade. Mostra alguma evolução positiva e permite que deixemos subir a temperatura, mostrando alguns frutos secos e uns aromas mais adocicados, sempre num tom exuberante e muito afinado.

Na boca, muito untuoso e bem estruturado, faz-nos crer que o vinho passou por madeira, mas o que houve foi muita extracção. Nada pesado ou doce, pois tem uma boa dose de fruto fresco, algum vegetal e um acidez refrescante. Intenso, perfumado e extremamente delicado neste corpo largo. Final longo, persistente, com notas de toranja e algumas ervas aromáticas. Os dois anos que passaram quase não se notam, a não ser nos ganhos de complexidade. O vinho pede claramente que se beba à mesa, com peixe no forno ou mesmo com uma carne. Um Alvarinho de 2005 de grande nível, num estilo sério e mais encorpado. O melhor deste vinho é mesmo a qualidade... Ah e o preço. É fantástico.

Nota 17
Preço 6 euros

quarta-feira, Janeiro 16, 2008

Campolargo C.C. 2004

Este ícone do produtor Bairradino, Manuel dos Santos Campolargo, é feito com um lote muito peculiar. Tem 50% de Castelão Nacional e 50% de Cabernet Sauvignon. A fermentação é feita em separado em lagares tradicionais, com posterior estágio em barricas de Carvalho Francês.

Com 14,5%Vol. e uma cor rubi profunda.
No nariz, mostra uma grande complexidade, com aromas muito intensos de couro, animal e pimenta preta. O Cabernet Sauvignonestá bem presente neste tom austero, mineral com fruto vermelho e vegetal de boa qualidade. A madeira está bem presente mas longe das modernices abaunilhadas. Aqui tudo está sério e com extrema força.

Na boca, com a fruta um pouco em segundo plano, aparecem notas mais clássicas da compotas e licor, com uma acidez elevada, chocolate e boas notas de barrica. O vegetal volta a marcar num corpo generoso mas muito bem apoiado pela elegância dos taninos finos. É um vinho que nos obriga a prová-lo com calma, deixando o vinho abrir no copo, pois está já com uma complexidade notável, soltando um novo aroma aqui e ali, sempre robusto, sério e imponente. Final muito comprido e mineral, cheio de suavidade.
Estes atributos não são sinónimos de um vinho extraído demais e encorpadíssimo, antes pelo contrário, é sinónimo de um grande vinho, com o Cabernet Sauvignon e o Castelão muito bem trabalhados. Duas castas difíceis mas que por vezes fazem excelentes vinhos. Pode-se guardá-lo? De certeza que sim.

Nota 17,5
Preço 20 Euros
Produção 5,283 garrafas

quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Altas Quintas 2005

Depois do sucesso que foi o lançamento da colheita de 2004, anunciando um projecto de grande envergadura em plena Serra de São Mamede, perto de Portalegre, eis que surge a segunda colheita deste vinho, com clara obrigação de prestar provas e de se manter num nível de boa qualidade.
Como se sabe, é mais um vinho apadrinhado pelo Paulo Laureano, e aqui nestas terras altas, o enólogo opta por fermentar o lote em balseiros de Carvalho Francês, seguido de um estágio de 12 meses em barricas da mesma origem. É portanto um vinho que não sente o inóx na sua produção. As castas do lote são a Trincadeira, a Aragonez e a Alicante Bouschet.

Com 14,5%Vol. e cor granada profunda, com rebordo violáceo.
No nariz, o perfil já mostrado na colheita anterior volta a estar presente, com as notas de barrica em destaque. Cedro, café fresco e muito tabaco inundam o aroma, num tom fino e distinto. A fruta está por aqui a tentar mostrar-se, cassis e bagas silvestres. Aroma complexo e elegante, longe das exuberâncias e extracções desmesuradas.

Na boca, entra delicado mas com grande profundidade, intenso nas notas balsâmicas e mentoladas, chocolate preto e alguns tostados. Taninos finos e discretos num vinho de acidez inviolável. Uma vez mais mostra grande classe e elegância, mas está muito apoiado pelas notas da madeira. Certamente que o tempo só lhe fará bem, mas bebê-lo já é um prazer, tal é a suavidade e a cremosidade com que forra o palato. Final fresco e mineral de boa persistência. Deixa alguma indecisão, pois o vinho parece estar já construído, mas a madeira impera. Um vinho que vale a pena provar ao longo deste ano para se tirar conclusões.

Nota 17
Preço 18 euros

domingo, Janeiro 06, 2008

Vega 2003

Nova incursão no portfólio da empresa DFJ. Desta vez em prova esteve um vinho tinto do Douro, onde a DFJ também tem uma gama de produtos. Este Vega é feito apenas com duas castas, Tinta Roriz e Touriga Franca, em partes iguais, com estágio de 3 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol. mostra um cor rubi/avermelhado de média concentração.
No nariz, o aroma está bem apoiado nas notas de fruto vermelho, chocolate de leite e de vegetação. Não muito complexo tem ainda um tom balsâmico a trazer algum frescura ao nariz, com a madeira presente e de bom calibre, com notas de algum fumo.

Na boca, com entrada envolvente e suave, com a Touriga Franca em clara presença. Algo ligeiro no corpo, taninos bem redondos e acidez equilibrada mostra que o vinho está sem dúvida pronto para se beber e que não merece ser guardado mais. De textura sedoso proporciona um final de boca de média duração, ligeiramente seco e com notas de bolo mármore. É um vinho num patamar de preço que por vezes no Douro não inspira muita confiança, mas este Vega tem um bom equilíbrio, dá prazer no dia-a-dia e merece ser conhecido. Mais um vinho a um bom preço da DFJ Vinhos.

Nota 15
Preço 3,90 Euros

sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Aneto 2004

Depois da excelente impressão que causou o Aneto 2003, está agora em prova o 2004. É um vinho que tem tido boas pontuações em todos os locais, e contra a maré de muitos vinhos do Douro, mantém-se num preço muito acessível. Este deve ser, um dos melhores vinhos relação Qualidade-Preço do Douro, para uma pontuação normalmente acima dos 16,5 valores, ou seja, para um patamar de muito boa qualidade. Por norma encontra-se o vinho à venda abaixo dos 14 euros. Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão são as castas que fazem o lote que é estagiado durante 12 meses em carvalho francês, após fermentação em lagares de granito.

Denso e escuríssimo na cor, apenas mostra alguns laivos rubis no copo.
No nariz mostra um aroma austero, bastante vincado nas notas florais. Esteva, menta, violetas e uma mão cheia de fruto, framboesas e cerejas perfumam o nariz. Está com a barrica muito bem integrada, com uma tosta ligeira não se sobrepondo a toda uma frescura omnipresente. Elegante e com um toque de pedra mostram um aroma complexo, interessante e cheio de vigor.

Na boca, a densa cor e boa dose de fruta do nariz que fariam supor um vinho muito extraído, muito encorpado e violento é rapidamente desmentido por uma elegância fresca e fina. O vinho mostra-se muito requintado na boca, com muita precisão e profundidade. A acidez é alta e os taninos são finíssimos. Final bem longo, especiado, frutado e mineral. Muito, mas muito expressivo. Um vinho que reflecte um estilo educado e bem afinado, como quase todos os grandes Douro's. Belíssimo vinho a um excelente preço.

Nota 17,5
Produção 10.800 garrafas
Preço 13,5 euros


PS - Este enólogo, Francisco Montenegro merece destaque. Faz dois belos vinhos. Este aqui em prova e o Colheita Tardia, também já provado.

quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Lagares do Cerrado Touriga Nacional 2004

A Quinta do Cerrado, também conhecida pela União Comercial da Beira, está neste momento claramente na crista da onda do novo Dão, dos novos métodos de vinificar naquela região. No entanto, ainda faz este vinho, vinificado em lagares de granito. O estágio depois é feito em barricas novas e usadas de Carvalho Nacional e Francês. Este tinto é o topo de gama actual da casa.

Com 14%Vol. e com uma cor de grande concentração, opaco e bastante escuro.
No nariz, mostra um esitlo austero, fechado de aromas e a fazer jus ao seu nome no rótulo. O aroma de lagar está aqui bem vincado, com notas rústicas e mais frias, pinho, pedra e muitas bagas silvestres. Com o tempo os aromas libertam-se no copo, com a touriga a mostrar o lado floral, bem acompanhado de mato seco e algum vegetal. Não é uma touriga muito exuberante, mas muito bem feita e cheio de expressão.
Na boca mostra um lado bem mais sereno, com uma entrada suave. A estrutura é alta e mostra uma boa elasticidade, graças a uma acidez firme e a um lado fresco e mineral que não deixa o vinho esmorecer. A barrica está bem inserida, aquecendo um pouco o palato, com notas tostadas e de erva seca. Taninos maduros e vigorosos mas bem apoiados no conjunto. O estilo vigoroso é interessante, a fruta está na quantidade certa, e isso só traz vantagens. Final fresco e longo nas notas herbáceas e de groselhas. Em suma, um vinho ainda algo duro no aroma, mas com um comportamento na boca bem apetecível. Certamente estará por aqui nos próximos anos. Belo vinho de um Dão menos moderno dos outros vinhos deste produtor.

Nota 17
Produção 2.500 garrafas