quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Vertical de Vale Meão no Fooding House Wine Bar

Esta Vertical de Vale Meão em Magnum foi um momento único, espectacular e muito marcante. Não imaginam o orgulho e felicidade com que encarei este jantar que organizei no WineBar do Fooding House. A responsabilidade era mínima, apenas tinha que garantir copos e temperaturas adequadas. Os vinhos do Vale Meão e os pratos desenhados pelo Chef Camilo Jaña não me preocupavam minimamente em relação ao sucesso desta noite.

Provei todos os vinhos com calma, ao início da tarde... e depois fui acompanhando a sua evolução ao longo da noite.
Foi notável a frescura e força que alguns vinhos ainda tinham. Em todos eles, obviamente falo dos 2005 para trás, os taninos estavam muito finos e elegantes. Alguns vinhos ainda estão a pedir garrafa, outros dão um belo prazer desde já. Nota-se que nestes vinhos ( ao contrário por exemplo de outros Douro's) a espinha dorsal não são os taninos duros e violentos, mas sim a acidez, equlíbrio e boas maturações é que parecem segurar o vinho na sua evolução.

1999. Quanto ao 1999, houve variações de garrafa para garrafa, explicado pelo Xito Olazabal que na altura não tinha uma linha de engarrafamento em condições. Há garrafas boas e garrafas menos boas. A boa mostrou um vinho num excelente momento de forma. É o Vale Meão de menor concentração na tonalidade. É também o mais "terroso", mais subtil e pronto para se beber. Não me parece que irá ganhar mais em cave.
Nota 17,5

2000. As diferenças de 1999 para 2000 são enormes para apenas um ano. O 2000 ainda está muito jovem para a idade. Fruto q.b., cor impenetrante e acidez e frescura mediana. Está muito fechado de aromas mas muito vigoroso na boca, mas com o tempo no copo vai abrindo e dialogando. Sóbrio e sério. Ainda precisa de uns anos para chegar à meia idade. Muito bem.
Nota 17,5

2001. Para mim, o melhor Vale Meão. Um vinho distinto em qualquer parte do mundo. Muito musculado, estruturado, enérgico e viril. Perfeito nos aromas secundários, a barrica está muito discreta mas ainda mostra a sua elegância. Um vinho brutal. Lógicamente ainda está um pequeno monstro, não está pronto para ser bebido. Impressiona pela fantástica violência vestida de fraque.
Nota 18,5

2002. O ano não é famoso, mas a vontade de o provar era enorme. Mal o decantei, disse logo...Temos vinho. O mais subtil de todos, o mais elegante, o mais feminino(?). Um vinho fresco, com muito menos corpo que os outros em prova. Houve quem aplaudisse depois a excelente ligação com o Bacalhau al Aioli. Super equilibrado em todos os aspectos. Provavelmente vai ter uma lenta evolução tal é o balance. Um dos melhores 2002 do Douro? De certeza que sim.
Nota 18


2003. O ano da trela. 2003 foi um ano excelente no Douro, mas para Vinho do Porto. Os Douro's sempre se mostraram muito maduros, cheios de fruta, repletos de álcool. Neste Vale Meão, a Touriga Nacional marca um pouco o aroma, mas num perfil muito atractivo, lembrando a boa Touriga do Dão. A par deste aroma floral, a fruta aparece em grande quantidade. A boca confirma o previsto, um vinho pronto para beber, cheio e encorpado. Para mim, com fruta a mais.
Nota 17


2004. Um tinto nobre e uma vez mais diferente de todos os outros. Algum aroma de couro, ervas e flores. Muito clássico, com fruta q.b, barrica nova e toques florais de Touriga's. Uma perfeita parceria entre rusticidade e modernidade. Novo, novíssimo, com os taninos ainda presentes. A acidez é perfeita neste vinho. O final é longuíssimo e muito saboroso. Claramente Douro, claramente um grande Vinho.
Nota 18

2005. A bomba. Este Vale Meão está imutável desde o primeiro dia em que o provei (Setembro de 2007). Chocolate preto, químicos, violetas...alfazema. Um vinho exuberante, mineral e muito vaidoso. A boca já não está tão violenta, com acidez alta a segurar aquilo que se poderia tornar preocupante. A fruta, o corpo e os taninos bravos só não enjoam porque o vinho consegue ter um equilíbrio fantástico.
Um vinho que poderá evoluír muito bem e que na altura receba outros adeptos. Para já é para os que gostam de bombas!
Nota 17,5

2006. Um 2005 em diminutivo. Este vinho claramente perdeu face a todos os outros. Menos expressivo, apoiado na tosta da barrica e nas notas florais e expressivas da Touriga Nacional. Este e o 2003 foram os que mais Touriga me lembraram. Um pouco sem alma. É um bom vinho, mas longe de ser um vinhão.
Nota 16,5

Nota +++++ para o projecto Vale Meão 2007 e 2007 Vintage.


O menú proposto foi:

Para o Quinta de Porrais 2007, MUITO melhor que o 2005 e 2006.
Salmão Curado com Espuma de Aneto

Spring Roll de Cogumelos

Sformantino de Parmiggiano Reggiano

Lombinho de Bacalhau com Aioli

Empada de Vitela e Morcela

Panna Cota de Chocolate com Caramelo de Ananás.



Um momento fantástico, para mais tarde recordar... e porque não repetir?

Obrigado a todos pela vossa presença e pelo vosso entusiasmo.

domingo, Fevereiro 15, 2009

Revista de Vinhos - Os melhores do ano 2009

Pela terceira vez consecutiva estive presente no Jantar d'Os Melhores do Ano. Este ano o convite azul não enganava. Azul, só podia ser na cidade do Porto. Estacionado o carro mesmo ao lado da Alfândega, dado o nó na gravata cor-de-rosa, lá fui eu para mais uma noite de grande sacrifício. Estar sentado ao lado de 800 maluquinhos do vinho, tudo em real cavaqueira... e ter que beber uns 2500 vinhecos...enfim!

Os prémios, quanto a mim pouco consensuais... mas é de opiniões distintas e bem justificadas que o mercado cresce, amadurece e se motiva para fazer mais e melhor. Estes prémios, são provavelmente os mais importantes a nível nacional.

Novidade foi o anúncio do novo site da Revista de Vinhos e respectivo fórum!
Graças a este anúncio foi possível saber os prémios antes de serem anunciados... através dum PDA com Net se conseguia ver! Resultado: na nossa mesa não havia quem apostasse que era X ou Y. Somos piores que as crianças, não conseguimos esperar...

Assim aqui ficam os Óscares, como alguém da redacção da Revista de Vinhos disse!



PRODUTOR REVELAÇÃO DO ANO (ex-aequo)
Vale d’Algares
Herdade do Rocim

PRODUTOR DO ANO
Soalheiro

COOPERATIVA DO ANO
Adega Cooperativa de Borba

EMPRESA DO ANO
Esporão

EMPRESA DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Sogevinus

ENÓLOGO DO ANO
Rui Reguinga

ENÓLOGO DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Pedro Sá

VITICULTURA
Jorge Böhm

ORGANIZAÇÃO VITIVINÍCOLA DO ANO
Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes

ENOTURISMO DO ANO
Paço dos Cunhas de Santar

GARRAFEIRA DO ANO
Garrafeira Nacional

LOJA GOURMET DO ANO
Club del Gourmet do El Corte Inglés

RESTAURANTE DO ANO
Tavares

RESTAURANTE DO ANO (COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA)
Ribamar

ESCANÇÃO DO ANO
Bruno Antunes

PRÉMIO ESPECIAL GASTRONOMIA
Gabriel e Amor Fialho

SENHOR DO VINHO
Mário Neves

CAMPANHA PUBLICITÁRIA DO ANO
Murganheira


PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA
Espumante

Murganheira Vintage 2004


Vinhos Verdes

Alvarinho Anselmo Mendes Branco 2007
Muros de Melgaço Alvarinho 2007
Quinta do Soalheiro Alvarinho Reserva 2006


Douro

Aneto Grande Reserva Tinto 2006
Barca Velha 2000
Charme 2006
CV - Curriculum Vitae 2006
Duas Quintas Reserva Especial 2004
Poeira 2006
Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Quinta do Noval 2005
Quinta das Tecedeiras Reserva 2005


Dão

Four C 2005
Quinta dos Carvalhais Único 2005
Quinta da Garrida Touriga Nacional Reserva 2005


Bairrada

Encontro 1 Branco 2007
Kompassus Private Collection Baga 2005


Península de Setúbal

Hexagon 2005


Alentejo

António Maria 2006
Avó Sabica 2004
Cortes de Cima Reserva 2004
Esporão Private Selection Garrafeira 2005
Júlio B. Bastos Alicante Bouschet 2004
Vinha de Saturno 2004


Vinhos Generosos

Burmester Vintage 2005
Burmester Tordiz +40 Anos
Kopke Colheita 1957
Offley Barão de Forrester 30 Anos
Quinta do Vesúvio Vintage 2005


Os meus parabéns à Revista de Vinhos por mais uma excelente gala e claro ao Hélio Loureiro, pelo menú apresentado (a cada ano que passa melhora muito a qualidade dos pratos, esperemos que assim continue!). Além dos aperitivos foi servido:

Lombinho de Bacalhau sobre Esmagado de Batata e Alheira de Caça, Emulsão de Tomilho Limão e Azeite.
Lombo de Novilho com Arroz Caldoso de Grelos e Feijão Encarnado
Mini Pão de Ló em Massa de Brick e Colher de Queijo Serra da Estrela e Palito de Queijo de são Jorge
Trilogia - Caixinha de Chocolate com Mousse a 85% de Cacau Michel Cluziel, Tartelete de Amendoas e Framboesas Frescas, Quindim de Côco com Cereja.

Só me lembrei de tirar uma foto logo no início....

segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Lavradores de Feitoria Sauvignon Blanc e Viosinho 2007

Se há empresa de que me orgulho de a ver crescer, de criar vinhos e de ser bem recebida por nós, mortais consumidores é esta. Aquilo a que chamávamos Cooperativas, que foi o "ganha-pão" de muitos pequenos lavradores espalhados pelo país nos século anterior, hoje em dia não está na moda... Muito menos no Douro onde apenas um par delas produz vinho, e que nós, enófilos atentos e cheios de "porras" não consumimos. Falo-vos por exemplo da Adega Cooperativa de Alijó, de Murça, de Favaios... Enfim, vinhos de segunda dizemos nós, enófilos!

No entanto, a Lavradores de Feitoria não segue as mesmas linhas orientadoras duma típica Cooperativa, no entanto a sua forma de actuar pode ser encarada como tal. Eu gosto-lhe de chamar a Cooperativa do Futuro. Para perceberem o que estou a dizer, e para não repetir mais uma apresentação igual e repetida a tantas outras já feitas, nada melhor que ver o original em www.lavradoresdefeitoria.pt

Falemos de vinhos.
Mais abaixo, aqui no blog, tenho a nota de prova do topo de gama, o Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2005. Agora, falo-vos do resto da equipa.

Lavradores de Feitoria Três Bagos Sauvignon Blanc 2007
Este branco é pra mim sempre um contrasenso. Não tenho grande empatia com esta casta, no entanto, este Sauvignon é um vinho que me dá muito prazer beber e até me dá vontade de preparar um prato que eleve a frescura e exuberância. Tenho provado "teóricamente" os melhores Sauvignon's em extreme do mundo, e mesmo assim não me dizem grande espingarda.
Nariz muito inebriante, com relva cortada, muito maracujá e fruto tropical fresquíssimo. Com um corpo de realçar, o vinho tem uma acidez média-alta, resistente e muito citrina. As notas de ananás e de alperce são irresitíveis. A madeira está muito leve, mas dá-lhe alguma cremosidade e balance na boca. A frescura quase irritante e a exuberância q.b. fazem-me transportar para um fim de tarde de verão a ver o sol a beijar o mar como prelúdio de uma noite de alegria com uma brisa fresca marítima. Um belíssimo branco do Douro, no seu estilo único.
Nota 17Justificar completamentePreço 8/9 euros

Lavradores de Feitoria Três Bagos Viosinho 2007
Um extreme de Viosinho, coisa rara no Douro. Embora não tenha sido provado lado a lado com o Sauvignon, no nariz é bem mais tímido. Marcado um pouco pela tosta da barrica, envolvida com frutos brancos maduros e flores. Mostra alguma frescura vegetal, mas o carácter deste branco é mais de meia-estação, com alguma complexidade, não tão focado na frescura citrina. Na boca mostra-se sedutor, com toques de baunilha, acidez a segurar e a marcar um perfil intenso, saboroso e de frutos maduros. Para estreia, está muito bem.
Nota 16
Preço 10 euros

Voltarei para falar dos tintos, esta semana... maybe.