sexta-feira, Junho 26, 2009

Niepoort Vintage 2007

Segundo Dirk Niepoort, 2007 foi um ano quase perfeito para as vindimas da Niepoort. Os brancos são sem dúvida excepcionais e os tintos que já foram dados a provar prometem. Porém é com o Vintage 2007 que o quadro é acabado de pintar, que a obra fica feita.

Quase preto no copo, no nariz o aroma é muito incisivo, com notas muito vegetais e mentoladas. Os aromas químicos que tanto apareciam nas edições anteriores estão cá, mas um pouco mais escondidos, sendo a fruta preta e o chocholate preto as principais essências. Apesar de todo o aroma espalhar frescura e pureza, notei algumas notas de ameixa e alguns licorosos. Profundo, complexo, cheio de nervo.

Na boca uma vez mais não se consegue fugir à chapa 5 Niepoortiana, vulgo, elegância. Sente-se uma força bruta, cheia de vigor, de fruta, de taninos, de estrutura... mas tudo bem retido numa redoma, vestido de seda. A profundidade deste vintage é algo notável. Ligeiramente verde, com uma acidez invejável, diz aos mais gulosos que este foi feito para provar uma vez, sentido aquilo que o Douro é e deixar o resto das garrafas a repousar para sentir aquilo que é um dos melhores vinhos de guarda do Mundo... um Porto Vintage envelhecido, nobre e majestoso. O final de boca é muito longo, meio-seco, focado nas notas de chocolate e alguma esteva. Nada treme, tudo aqui é preciso e precioso.

Quando o provava, por inúmeras vezes me lembrei do 2003 e do 2005, tentando encontrar termos de comparação. A minha memória não dá para muito, mas assim foi que os (re)descrevi. Achei este Vintage 2007 completamente distinto do 2003 e do 2005. 2003 muito mais quente e abrutalhado, pecando por alguma elegância e 2005 muito mais fino e equilibrado, pecando por alguma força. Este é sem dúvida um grande Porto Niepoort. A provar obrigatoriamente, refrescado (abaixo dos 15ºC) como mandam as regras.

Nota 18,5


vinho já provado também aqui:
http://pingasnocopo.blogspot.com/2009/06/niepoort-porto-vintage-2007.html
http://copod3.blogspot.com/2009/06/niepoort-vintage-2007.html
http://pingamor.blogspot.com/2009/06/niepoort-vintage-2007.html
http://saca-a-rolha.blogspot.com/2009/06/novidade-niepoort-vintage-p-2007-mais.html

quarta-feira, Junho 24, 2009

Luis Pato Vinha Formal 2004

100% casta BICAL de vinhas plantadas em solo argilo-calcário na encosta de Óis do Bairro, virada ao Buçaco. Mosto obtido por ligeira prensagem, decantado a frio e posteriormente fermentado em pipos de carvalho novo Allier.

É assim que Luis Pato resume o Vinha Formal no seu site www.luispato.com
Luis Pato assume que o Vinha Formal é um branco que permite longa guarda, onde o seu primeiro exemplar, o Vinha Formal 1998 ainda se encontra num excelente estado. Já tive oportunidade de provar o 98, achei-o muito bem evoluído e mais que pronto para dar prazer.

Encontrei algumas garrafas do 2004 e a vontade de lhe sentir o pulso foi mais que óbvia.
Nariz muito elegante e distinto com notas de aniz, cravinho e muitas especiarias doces. Com uma complexidade e austeridade notável, mineral q.b.. Aparece num ápice a baunilha, mas sem ser aquelas notas enjoativas que muitas vezes nos rodeiam. Cheira mesmo a vagem de baunilha, pura, uma delícia. Com o tempo no copo as notas de lima e laranja começam a surgir. Um aroma fantástico, sedutor e ao nível dos grandes brancos do mundo. Para mim está no ponto perfeito.

Na boca surge o choque. Quando esperava um branco ligeiramente adocicado e redondo eis que aparece um branco austero, duro, seco e com uma acidez para dar e vender. A boca desmente o nariz, dizendo que ainda temos vinho para guardar. Final de boca muito longo, onde a madeira apoia toda esta força, esta garra e o amacia ligeiramente. Grande, grande branco já com 5 anos.
Esta garrafa foi sem dúvida o melhor Formal que já provei. Os meus parabéns ao grande Luís Pato.

Nota 18

Quinta do Estanho

Acabada de comemorar 20 anos a produzir e engarrafar vinho do Porto, a Quinta do Estanho é um produtor low-profile, pouco conhecido entre nós mas que apresenta um portfolio bem interessante a preços comedidos, principalmente no Vintage. O Vintage 1994 é um excelente vintage que ainda se encontra no mercado a um preço de saldo, por exemplo. Sobre a Quinta do Estanho visite: http://www.quintadoestanho.com

Provei alguns Porto's da Quinta do Estanho nos últimos tempos, que me permitiu tirar uma radiografia geral a esta marca.

Quinta do Estanho 20 Anos
Muito atraente no aroma, repleto de frutos secos, figos e com uma profundidade notável. Por vezes nota-se algum vinagrinho, iodo e frutos brancos muito maduros. Na boca é generoso, com uma doçura estonteante, viciante, com frescura aliada a uma acidez. Notas de tabaco e frutos secos dão um final longo e delicado.
Nota 16,5

Quinta do Estanho Special White Reserve
Um branco velho, de lote, cheio de personalidade e com uma tonalidade dourada fantástica no copo. Aromas muito envolventes, casca de laranja, frutos cristalizados e alguns aromas de madeiras velhas. A complexidade no nariz é elevada e o vinho beneficia imenso e dá prazer ao ser bebido em várias temperaturas, começando fresco e deixando aquecer no copo. Com a temperatura a aumentar os aromas vão-se desembrulhando de uma forma elegante. Boca suave, rica, muito doce, final longo e cheio de carácter. Um branco velho com um perfil muito próprio. A beber entre os 10 e os 15ºC.
Nota 16


Quinta do Estanho Vintage 2006
Num ano não muito famoso para Vintage's, as casas mais pequenas acabam sempre por conseguir lançar alguns Vintage's e a Quinta do Estanho não foi excepção. Com uma boa extracção aromática, frutos pretos e algumas compotas. A vegetação do Douro está cá, com boas notas de esteva misturadas com o perfume das violetas. Algum toque químico e ligeira ponta de aguardente. Na boca é muito guloso, conquistador e com notas de chocolate preto. O final de boca é elegante, silvestre e perfumado. Um bom vintage de um ano menor a um preço muito interessante, abaixo dos 25 euros.
Nota 16,5

Raya 2006

Com quantidades muito limitadas (2600 garrafas), vindo de Cebolais de Cima, ainda na região das Beiras, mas quase quase colado ao norte Alentejano é produzido o Raya pela Sociedade Agrícola Horta de Gonçalpares.

Quase preto no copo, ruby muito escuro.
Nariz muito focado no fruto preto, muito extraído. Algumas notas de borracha e ligeiros toques que deixam a touriga saltar um pouco. Menta, químicos e rebuçados flocos de neve. O nariz acaba por ser um pouco excessivo demais na dose de fruto presente.

A boca acaba por surpreender, pois o vinho não embala num caldo de fruto, pois tem uma frescura bem presente, graças à boa acidez e a um perfil vegetal e taninoso, encorpado mas dócil.
O final de boca volta ao fruto, com alguns toques de café. A barrica está escondida no perfil do vinho. Faz-me pensar que um pouco mais de barrica presente e uma menor extracção poderiamos ter um vinho muito interessante, pois está cá tudo. Boa fruta, boa acidez, boa estrutura, bons taninos...
É sem dúvida um vinho para guardar em cave no médio prazo, 3 a 4 anos.

Nota 16
Preço 12 euros