quarta-feira, Setembro 30, 2009

Douro Boys Masterclass 2009

No passado dia 2 de Setembro os Douro Boys voltaram a fazer a apresentação anual no Douro. Desta vez foram apresentados os brancos de 2008 e os tintos de 2007. Uma vez mais, Dorli Muhr foi a grande Mulher por trás dos Boys, num evento organizado a roçar a perfeição na nova adega da Quinta do Vallado.

Os vinhos foram provados na enorme sala de barricas após uma breve visita pela adega, que está quase construída. É sem dúvida uma adega imponente, muito bem arquitectada e de certeza nada barata! Se os vinhos do Vallado já tinham uma consistência louvável, imagine-se o que daí virá, com todos os mimos e apoios tecnológicos que agora Francisco Olazábal terá.

Os brancos

VZ 2008
Finalmente este vinho encantou-me. Excelente austeridade e perfil mineral. Dá-me a sensação de ter a madeira muito mais discreta e integrada. Muito xistoso, aliás profundamente xistoso, com aromas de laranja e alguns frutos secos. Na boca é refrescante com uma acidez cítrica de bom nível e um final muito longo.
Nota 17,5

Crasto 2008
Bastante penalizado no meu enteder, por ter sido provado logo após o VZ. Ainda assim mostrou-se um vinho cheio de vegetal fresco e limonado. Na boca tem uma acidez crocante e repleto de frescura. Ligeiro, algo directo mas muito limpo e alegre.
Nota 15,5

Tiara 2008
Perfil delicado e elegante com um aroma floral e muito fruto branco. Na boca mostra-se glicérico, com alguma profundidade, cheio de frutos brancos e algumas ervas frescas, com uma excelente acidez. Final de boca delicado, fresco e seco.
Nota 16,5

Redoma 2008
Sedutor e envolvente no aroma, com aroma de pêssegos e uma tosta ligeira. Na boca tem uma acidez delicada, é cremoso e com alguma complexidade, com a fruta e a tosta em pleno equilíbrio. O final é longo com alguma dureza mineral.
Nota 16,5

Redoma Reserva 2008
Uma vez mais a percepção da madeira aqui é mais discreta que no Redoma "normal". Aroma fechado, com alguma banana e frutos frescos. Floral q.b., muitoo profundo e misterioso. Vibrante na boca, com uma complexidade notável. Acidez praticamente perfeita com grande dose mineral. Gordo, austero, viril, proporciona um final de boca muito profundo e com grande elegância.
Nota 18

Quinta do Vallado 2008
Aroma contido, focado nas notas vegetais de boa qualidade e muito limão. Na boca está com algum corpo, muito focado no lado citrino e fruto fresco. O final de boca revela uma ligeira doçura, equilibrado na acidez.
Nota 15,5

Quinta do Vallado Moscatel Galego 2008
Gostei dele uma vez mais. O aroma é claramente o mais distinto de todos em prova, com muitas notas de chá, de laranja cristalizada e um floral exuberante. Aparecem também notas de espargos, relva e de rebuçado. Claramente um estilo único. Acidez desconcertante num final imprevisívelmente seco e até ligeiramente amargo.
Nota 16,5

Quinta do Vallado Reserva 2008
Nota-se um bom trabalho da madeira, mas ainda com necessidade de casar um pouco mais com a fruta. Fumo, café e até algumas notas de bolacha passam por cima do fruto maduro e de boas notas vegetais. Na boca a tosta continua um pouco presente, com uma boa estrutura e profundidade. Certamente irá crescer.
Nota 16,5/17

Em breve publico os tintos.

sexta-feira, Setembro 18, 2009

Herdade do Esporão

A Herdade do Esporão, ou melhor Esporão é a palavra que em qualquer casa de boa gente vem para cima da mesa quando se fala de vinho Português. É pena é que essa tal boa gente beba Alandra e nos dias de festa lá abre um Monte Velho. Crise. É sem dúvida um império conquistado de forma democrática, justa e merecidamente.
Actualmente toda a imagem da marca foi renovada por Eduardo Aires, designer da Inbicta com quem já tive oportunidade de passar alguns bons momentos. Tenho a reconhecer que o trabalho que fez está muito limpo e irá vingar.

Provei o Vinha da Defesa Rosé, Branco e o Esporão Reserva e Private Selection.


Vinha da Defesa Rosé 2008
Aragonês e Syrah no lote, com uma tonalidade rosada alegre, a pedir mesmo um fim de tarde a apanhar sol.
No nariz mostra-se muito equilibrado e apetitoso, com morangos, cerejas e muito rebuçado floco de neve. Algum perfil vegetal para contrabalançar com a gulodice da fruta.
Boca com uma entrada com harmonia, delicado e com muitra fruta vermelha. Algum açucar residual dá-lhe vida para se beber a solo. Com alguma profundidade no final de boca mostra carácter e personalidade podendo também ser conjugado à mesa com alguns pratos exóticos.
Um rosé bem feito, com um perfil claramente alegre e jovial, mas ainda assim com identidade.
Nota 15

Vinha da Defesa Branco 2008
Arinto, Roupeiro e Antao Vaz, a chapa 3 do Alentejo.
Nariz muito fresco e pouco exuberante. Esperava um aroma típico deste lote mas aqui tudo está num registo mais fresco e limpo. A fruta está cá, mas não pesa, com muitos recortes tropicais. Lima e ligeira percepção mineral dão alegria.
Na boca o vinho continua com uma boa dose de frescura, com uma acidez média, onde a fruta impera, com sabores de frutos de caroço, sobretudo pêssegos. O vinho embora apenas se foque na fruta, dá prazer e bebe-se com facilidade sem enjoar, graças à acidez citrina que insiste em ficar. Bom final de boca, sólido e fresco.
Nota 15,5

Esporão Reserva 2008
Confesso que este é um branco a que recorro sempre que faço alguns pratos de inspiração Alentejana. Como vivo bem próximo do Pingo Doce, acabo por trazer várias vezes ao longo do ano este branco para o frigorífico. Considero um branco caro (para aquilo o preço médio dos brancos alentejanos), mas considero-o uma excelente relação qualidade preço. E nunca falha, quer no stock do supermercado, quer na consistência.
No nariz, a barrica mostra logo que esteve presente na vinificação, quer para dar complexidade quer para dar alguns aromas convincentes de boa tosta e alguma baunilha. Ligeiramente floral, com um perfume primaveril muito delicado, misturado com boas notas de fruta citrina.
Na boca, embora tenha estrutura e corpo q.b. não me parece ser um branco de inverno como já apelidei a algumas colheitas anteriores. Este 2008 está, apesar da tosta e da untuosidade, muito fresco, com uma boa acidez, onde a fruta tropical e citrina proporcionam uma boa prova de boca. Final rico, muito saboroso e sempre com a acidez a segurar o conjunto. Fresco e elegante. Surpreendeu-me bastante, estava a espera de outro registo. Espero que se aguente no inverno...e no Pingo Doce.
Nota 17

Esporão Private Selection 2008
Semillon, Marsanne e Roussane. Um lote Francês nas lides de um Australiano em pleno Alentejo. Projecto global. Este é o topo de gama dos vinhos brancos do Esporão. No nariz encontra-se uma complexidade aromática notável, ainda que muito tapada pela forte presença de barrica. Aromas maduros, fortes e muito gulosos de alperce, manga, muita tangerina e um toque vegetal de bom nível. A baunilha perturba um pouco sempre que se agita o copo e que a temperatura vai subindo. Um aroma claramente a precisar de decantação ou de algum tempo mais em garrafa.
Boca cremosa, untuosa, com muita matéria. Estruturado e com acidez média, mostra-se pouco elegante, com muita fruta e notas abaunilhadas. Final longo, complexo. Pareceu-me um vinho com alguns excessos, mas ainda assim com muita personalidade e perfeito para os adeptos de brancos de grande porte.
Nota 16,5

Tenho também actualmente na cozinha dois Azeites Esporão. O Selecção é simplesmente fantástico, principalmente para carnes (frias ou quentes). É um excelente finalizador de pratos. Perfil muito fresco e com sabor marcadamente picante e muito verde. Um azeite sério e com garra, de qualidade mundial. O Galega é um azeite bem mais ao estilo dos bons azeites portugueses, com aromas mais voltados para as ervas secas e para alguns frutos secos, não tão verde nem tão amargo. Muito bom para usar na confecção de pratos.