quarta-feira, outubro 11, 2006

Aliança Clássico 2004


Este Vinho da Casa, feito pelas Caves Aliança na Região das Beiras, está à venda em quase todo o lado e faz dele um "campeão de vendas", apelidando mesmo o próprio produtor como um vinho tradicional. Feito com Tinta Roriz e Touriga Nacional e sem estágio em madeira.
Apresenta 13%vol. e uma cor granada de média concentração.

O nariz é algo envergonhado, com alguns aromas lácteos, a meu ver, a chatearem um pouco a prova, no entanto consegue-se obter algumas notas de violetas, fruta compotada e mesmo alguma grafite.

Na boca o vinho entra como se pedia ao estilo, suave, macio, algo delgado, com a acidez bem colocada, com notas de morangos e algum mel a fazerem um final de boca comedido. Um vinho sem defeitos, mas também sem grandes pretensões. Sinceramente não sou muito adepto deste tipo de vinhos, macios e redondos demais. Se calhar não sou do tempo do "vinho tradicional".
Mas ao preço dele, convenhamos que até se porta bem.

Nota 14

Preço- 2,30 euros

domingo, outubro 08, 2006

Quinta de Soalheiro 1999

Corria o ano de 1999 quando António Esteves Ferreira, decidiu meter qualquer coisa como 1200 litros de Alvarinho em barricas de Carvalho Francês a fermentar…

E assim nasceu o Quinta de Soalheiro 1999


Com 12,5%vol. e em garrafas de 0.5l o vinho apresenta agora em 2006, uma cor amarelo ouro carregada, com nuances alaranjadas.

O nariz é complexo e apelativo, com primeiro impacto de madeira molhada e mineral, pelo menos é assim que o caracterizo, seguido de bastante fruta ainda, com kiwi, maça verde mas também com boa presença vegetal, espargos, ligeiro eucalipto e talo de couve.

Na boca o vinho ainda se apresenta algo fresco, bem gordo, sem cansar, com uma presença mais que agradável da madeira, voltando aquele gosto de madeira molhada e untuoso a perfilar a prova de boca, terminando num final de média duração com alguma fruta.

Nada cansado o vinho, pois a componente aromática está bem viva e recomenda-se.

Nota 16,5


Penso que este pequeno tributo, pode ainda que minimamente ajudar a tentarmos mudar a nossa filosofia. O Alvarinho é uma casta portuguesa de grande potencial de envelhecimento.

Produzidas 2400 garrafas, tendo sido atribuída a mim o curioso nº 13.

Quinta do Judeu 2004

Este próximo vinho da casa, pode ter pelo menos algo que nos une, pois o seu produtor também tem um Blog!

É um vinho de quinta, produzido com Touriga Nacional e Touriga Franca com um estágio de 7 meses em barricas de Carvalho Francês mais 6 meses de estágio em garrafa antes de vir cá para fora para o mercado.

O Quinta do Judeu 2004, com 14%vol. apresenta uma cor violácea brilhante, de boa concentração e muito jovem.
O nariz é marcado por um fundo extremamente balsâmico e perfumado, com boas notas de frutos silvestres, framboesas e amoras pretas, tudo num perfil fresco e alegre, remetendo a madeira para um segundo plano.

Na boca, o vinho apresenta um perfil rústico, com taninos presentes mas afinados, bom volume de boca, permitindo uma boa prova de boca, mantendo um perfil fresco com a acidez bem trabalhada, com um final ligeiramente curto. Melhor no nariz que na boca.
Mas o que está feito, está bem feito.

Nota 15,5

Preço 15 Euros

terça-feira, outubro 03, 2006

Versus 2004

Ora bem, acabou de sair o guia 2007 do João Paulo Martins, em que no capítulo da Beira Interior, ele atribui um 15,5 a este tinto. Há uns meses atrás este vinho tinha sido apresentado pela Blue Wine com a nota de 17,5, e meus amigos, todos saberão que um 17,5 para a Blue Wine é obra! Pois está acima do Chryseia, ao nível do melhor branco português, o Redoma Reserva... enfim acima de muitos grandes vinhos portugueses.

Como tenho 2 garrafas na garrafeira, que comprei após o 17,5 ter sido anunciado, decidi provar o vinho, pois um 15,5 pelo JPM, pode não ser um vinho para grandes aparatos.

É um tinto da Beira Interior como já disse, com as castas mais nobres do Douro, Touriga Nacional, Touriga Franca , Tinta Roriz e Tinta Barroca o que por si só pode levantar alguma curiosidade, pois é terroir é imcomparável.

O vinho tem um fermentação de curtimenta com maceração em cubas de inox, à temperatura de 22ºC. Parte do lote estagiou em cascos de carvalho francês durante 9 meses, resultando num lote com 14º de alcoól.

A cor dele impressiona, opaca, quase preta com grandes rebordos violáceos.
O nariz é austero, com alguma complexidade, fresco, com grande destaque para as notas químicas, florais, mentoladas e algumas ligeiras notas de barrica, tudo muito equilibrado com um fundo de fruto preto de boa qualidade.

A boca confirma a frescura apresentada, com a acidez bem vincada, com um volume enorme, denso, com taninos com T grande, mas em equilibrio com a estrutura do vinho. Nota-se que o vinho foi muito bem trabalhado, com um longo final de fruta preta e ligeiramente seco. Talvez se a madeira estivesse um pouco mais presente poderíamos ter aqui um vinho elegantíssimo e de grande classe, para outros grandes vôos.

Assim ficará pela:

Nota 16,5

Preço 8 euros (5,4 nas feiras de vinho aproveitem)
Produção 23.000 garrafas
Enólogo - Anselmo Mendes e Pedro Bravo Faria.


Post Scriptum
Poderia-se esperar que eu lógicamente avaliasse este vinho com uma nota intermédia, para não levantar pó. Mas, as pessoas que me conhecem, sabem que não sofro de falta de personalidade, nem medo de atribuição de notas, pois até, maior parte dos vinhos que provo ainda não saíram nos guias, ou ainda não tinham saído à data, como foi o caso do Charme 2004 que teve nota 18,5 aqui e no Guia do JPM, por exemplo...
No entanto com este Versus não há volta a dar, anda mesmo, na minha opinião entre o 16 e o 17.

sábado, setembro 30, 2006

Vertente 2003

Depois da grande experiência com o Charme 2004

Após 3 edições anteriores, e sempre com a elegância e qualidade a subir, Dirk Niepoort faz o Vertente 2003, com uvas seleccionadas da Quinta de Nápoles, com especial atenção para a Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Amarela, tendo depois o lote estagiado durante 12 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 13,5%vol., o vinho entra com um perfil aromático sério, multifacetado, ou seja, balsâmico, fresco, frutado com destaque para os frutos pretos, floral com algumas violetas aliados a uns toques da madeira muito bem integrados, tabaco, avelãs e baunilha.

Na boca, a complexidade mantém-se, elegante, cativante, estruturado com a componente fenólica a mostrar a boa maturação da uva (afinal de contas é um Douro 2003), com taninos presentes mas sem "chatearem" muito, tudo muito equilibrado e fino. O final de boca é denso, longo, com destaque para os torrados.

Nota 17

Preço 12 euros
Produção 12.000
Enólogo - Dirk Niepoort

quinta-feira, setembro 28, 2006

Casal da Coelheira Reserva 2003

A seguir ao Casal da Coelheira 2004, nada melhor que apresentar o Reserva 2003.
Desta feita, elaborado com Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Touriga Nacional, ficando portanto excluido o Castelão do lote, por entrada da Touriga Nacional,onde 2/3 desse lote a estagiar em barricas de carvalho Francês e Americano.

Com uma cor granadina acentuada, e de boa concentração, o nariz é cativante, mais "sério" que o colheita, com boas entradas de frutos pretos, amoras, e também ameixa bem madura, mentol, ligeiro couro, e chocolate.

Na boca o vinho mostra um carácter algo rústico, com bom corpo, com os taninos a encherem a boca, com um perfil tostado aliado a boa fruta, com final seco e especiado, com boas notas de tabaco.

Nota 16

Outras boas colheitas: 2000
Preço 5,5 euros
Produção 22600
Enólogo - Nuno Falcão Rodrigues

Casal da Coelheira 2004

Variando um pouco na região, desta vez o Vinho da Casa vem do Centro Agrícola do Tramagal, da Quinta do Casal da Coelheira, é este colheita 2004 com um lote de Castelão, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon eTrincadeira, com fermentação em lagares mecânicos, com 1/3 a estagiar depois em cascos de carvalho Americano.

Com 13,5%, apresenta uma bonita cor granadina de média concentração.
Os aromas a frutos vermelhos marcam o nariz, morango, cerejas, também com algum perfume e ligeiro toque fumado, que mostra boa integração da madeira no vinho, sem perturbar fazendo um vinho apelativo e fresco mas sem que a presença de leve vegetal é inevitável, com notas de pimentos verdes.

A boca confirma isso mesmo, um vinho jovem, fresco, frutado, com um final vegetal, com alguns frutos secos mas ligeiramente seco e adstringente, mostrando que os taninos estão cá. Talvez amacie com o tempo.

Ao preço de 3,50 euros, é sem dúvida uma boa opção daquela região, por sinal, a minha região de infância.

Nota 15

Outras boas Colheitas: 2003, 2000.
Preço 3,50 euros
Produção 120.000
Enólogo - Nuno Falcão Rodrigues

quarta-feira, setembro 27, 2006

Maior Apreensão de Sempre


"ASAE APREENDE 26 MILHÕES DE LITROS DE VINHO

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), procedeu ontem, segunda-feira, dia 26 de Setembro, à apreensão de 26 milhões de litros de vinho de mesa tinto e rosado, a maior de sempre realizada em Portugal.

30 Brigadas da ASAE recolheram 2.060 amostras depois de inspeccionados 656 depósitos localizados em Lageosa do Dão (4,9 milhões de litros), no Bombarral (15,9 milhões de litros), em Olhalvo (2,6 milhões de litros), no Cadaval (1,7 milhões de litros) e na Gafanha da Nazaré (721 mil litros). As amostras serão agora analisadas no laboratório vitivinícola da ASAE.

Foi instaurado um processo-crime e o operador constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência.

Esta operação, denominada OPERAÇÃO ANFORA, vem na sequência de um processo de investigações que decorreram nos últimos seis meses, baseadas na falta de documentação relativa a aquisição e trânsitos de elevadas quantidades de vinho.

A Operação foi feita em colaboração com a Direcção Geral de Alfandegas e Impostos Especiais sobre Consumo e com a Direcção Geral de Contribuições e Impostos."
in www.asae.pt

quinta-feira, setembro 21, 2006

Serras de Azeitão 2005

Este campeão de vendas, quase nem precisa de apresentação.

Trata-se de um vinho da Bacalhôa, produzido a partir das castas Castelão, Aragonez, Merlot e Syrah, plantadas na Península de Setúbal com 13,5%.

Apresenta uma cor rubi escuro de boa concentração.

Com os frutos vermelhos a marcarem o inicio de prova, ameixa madura, cereja, melancia, com notas de borracha e ligeiro chocolate, tudo num perfil fresco e alegre.

Melhor no nariz que na boca, com taninos muito suaves, algo doce e guloso demais, apesar de apresentar uma componente vegetal, a fruta marca de novo a prova, com um final ligeiramente enjoativo e curto. Se não for bebido fresco ( 14ºC.), não cativa.

Ao preço de 2,5 euros, não é de rejeitar.

Nota 14.

Pinga do Torto 2003

Depois de ter sido aqui provado o Lagar de Macedos 2002 chega a hora do seu irmão mais novo ser provado.

Estou a falar do Pinga do Torto 2003, um vinho que tenta transmitir o Terroir das encostas do Torto, proveniente de vinhas velhas, com as castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, com 40% do lote a estagiar em cascos de carvalho Americano durante 5 meses e com 14,5%.

De cor quase preta, com grande concentração, o vinho mostra um primeiro impacto floral aliado a umas ligeiras notas especiadas e baunilha. Denota-se um perfil balsâmico mas também com muitos frutos pretos, num perfil equilibrado e convidativo, com a fruta a saltitar no copo, tudo muito aberto.

Na boca, a história muda por breves instantes, sente-se um vinho austero, com taninos aguerridos, sem ser desconcertante pois a estrutura e os 14,5% conseguem trazer algum equlibrio à componente fenólica. No entanto rapidamente se mostra um pouco "madurão" com muita fruta em compota e um ligeiro toque doce. À excepção do excesso de fruta o final é de boa qualidade, ficando umas nuances abaunilhadas elegantes.
Beba-se fresco, a 15ºC.

Nota 16.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Um fim de tarde na Graham's

Começaram as aulas novamente...
Todos os dias as 8:30.

Enfim, mas nem tudo são tristezas. Penso que nada melhor haverá do que a seguir a um dia de aulas fazer uma visita a uma cave ali do lado de lá do rio Douro.

Para quem não conhece a Graham's tem o seu posto de turismo bem distante das outras Caves de Vinho do Porto, lá em baixo.
Fica num belo cenário na encosta da Arrábida virada a Este, com vista bi-partida entre Porto e Gaia, fazendo parecer que temos o rio Douro aos nossos pés.

Com a companhia do António Torres, além de muita conversa, provei 3 vinhos da Graham's.

Graham's Six Grapes - Um vinho feito de um blend de vários "sumos de uva" que poderiam ter originado Vintage's, que se apresentou muito floral e fresco, com alguma finura na boca, bem vivo, com predominância de frutos pretos e com um final agradável. Perfeito para o preço e para o estilo de vinho, afinal de contas estamos a falar de um Ruby! Também não é para menos, a Revista de Vinhos só o elegeu como melhor Ruby Reserva há uns meses atrás.


Graham's 20 anos - Nuances alaranjadas, com boa entrada no nariz, amendoado, tostado, com ligeiro mel. Na boca a predominancia dos aromas mais quentes mantém-se no entanto com a presença clara de frutos vermelhos, o que trás ao vinho uma frescura incrível, e um final longo e extremamente especiado.

Surpresa das supresas, aparece então na mesa um Vintage Port 1983, por sinal um Vintage do ano da Joana, a tal que me acompanha sempre nestes momentos difíceis da vida, nem que seja pra levar o carro!
Uma palavra de apreço à minha namorada por me conduzir!

Graham's Vintage Port 1983- Bonita cor rubi com reflexos avermelhados, um nariz intenso e complexo, com predominancia nos frutos vermelhos e ainda alguma menta. Na boca o vinho, compacto e bem elegante, com muita fruta ainda, mostrando a presença de alguns taninos que lhe podem conferir mais alguns tempos de garrafa.
Termina longo e com toques de chocolate.
Que belo fim de tarde.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Charme 2004

Depois da estreia em 2000, e da grande confirmação em 2002, aparece novamente um novo Charme da colheita de 2004, produzido pelas mãos de Dirk Niepoort, herdeiro duma das mais prestigiadas casas de Vinho do Porto, embora só tenha sido fundada em 1842...

Um vinho produzido com o engaço todo com as castas tradicionais do Douro, com vinhas entre 70 a 100 anos, todas localizadas no Vale de Mendiz onde predomina a presença de Tinta Roriz e Touriga Franca.
Tem um estágio de 15 meses em barricas de 228 litros, e foram cheias 4500 garrafas.

O vinho apresentou uma bonita cor violácea de boa concentração, com um aroma profundo e bastante fechado.

Após decantação, o nariz elegante mostra notas de hortelã, pistacho, amendoa e com notas tostadas de grande qualidade, mostrando uma excelente madeira, bem entrelaçada nos aromas florais, com notas de violetas e chá. Em segundo plano aparecem aromas mentolados e ligeiro tabaco.

Na boca o vinho apresenta uma classe enorme, conseguindo ser explosivo, com taninos bem educados, mas enchendo a boca de seda e de excelentes notas de fruto preto com um final onde as notas da madeira aparecem, com algumas especiarias, terminando longo e aveludado, com uma boa acidez o que lhe confere alguma frescura.
Grande, grande final.

Charmoso, o nome fica-lhe a matar.


Nota 18,5.

domingo, setembro 10, 2006

Vinho da Casa e Copo de 3 juntos

No pico do calor, decidi descer até terras de Vila Viçosa para conhecer o famoso Alentejano, provar, falar e até claro está beber vinho com ele.

Ora, após uma breve visita à Cooperativa de Borba e já com uma tábua de enchidos em casa do João Pedro, foram provados 2 vinhos brancos e 2 vinhos tintos do Alentejo e do Douro.

O primeiro branco sugerido pelo João foi o Dom Januário 2005, um vinho com um nariz correcto, com toques tropicais, leve e com um final de boca curto e ligeiramente doce, talvez pela falta de acidez, mas numa região tão quente como o Alentejo já se sabe.

O branco trazido por mim, foi um dos brancos do Douro que mais me chamou à atençao no decorrer deste ano, mas que ainda não tinha sido alvo de crítica pela minha parte.
Estou a falar do Ázeo 2005, de cor límpida e brilhante com um nariz exuberante, com notas primaveris, relva cortada, algum fruto citrino e ligeiro fumado, com uma acidez equilibrada, com uma boca gorda e elegante, estruturado e com um bom final perfumado.

De papo em papo, como se diz em brasileiro, partimos para os tintos, e aí o "Duelo" foi bem mais interessante, tanto eu como o João trouxémos dois vinhos interessantes e de qualidade, ambos de 2003.

Trazido pelo João, o Azamor mostrou-se tudo menos "Alentejano", com um nariz de boa intensidade, com notas farmaceuticas, frutos pretos e algum chocolate preto e pequenas notas mentoladas. Na boca o cenário é muito positivo, boa acidez, fresco, denso e com boas notas especiadas no final de boca. A acidez deste vinho é de realçar, estava muito bem integrada no vinho.

Voltando para o Douro, apresentei o Vertente, que se mostrou complexo de aromas, com notas de barrica bem presentes, com frutos secos, baunilha, torrados e mel aliadas a uma presença floral Duriense, com perfume de Violetas, com a fruta preta remetida para segundo plano, mas que conjuga como já disse, um nariz complexo e vibrante.
Na boca a presença dos taninos elegantes em casamento com uma excelente densidade, fazem um vinho nobre, com um belo final de boca, longo e equilibrado.
Um vinho muito bem feito.
Por último, resta-me apenas agradecer ao Alentejano a sua boa disposição e a sua disponibilidade para me ter aturado a mim e à minha namorada até altas horas da noite na conversa. Penso que ele não se terá importado muito, pois como se diz em bom Português:
" O gajo fala comó raio"
Um abraço!
PS: Sei que isto está muito parado, mas não tenho tido acesso à internet com facilidade, estou à espera dos "homens da Clix", no entanto prometo que esta semana actualizarei o Blog em condições.

sábado, agosto 12, 2006

21 anos já lá vão

Pois é amigos, hoje fiz 22 anos...
Vou fazer uma pequena pausa nas férias do blog, pra dizer as boas coisas que tenho bebido.

Redoma 2005 branco
Perfil muito elegante, floral, limonado, untuoso, longuíssimo final e que acompanhou muito bem um frango com natas.

Niepoort colheita 1979
Aveludado, persistente, com nuances de laranja e frutos secos.

Ensaios Filipa Pato 2004 Branco
Uma ligeira decepção, pouco aromático, algo gordo, mineral e ligeiramente citrino.


Solar de Serrade 2005 Branco
Para mim dos melhores Alvarinhos, floral, complexo, amendoado e tropical.

Coop Borba Antão Vaz com Arinto 2004 Branco
Que bem que está, aromatico, madeira muito bem casada com excelentes frutos tropicais e fruta em passa.

Quinta de Ventozelo 2001 Tinto
Musgo, floral, couro, taninoso ainda, com boa fruta madura e alguma complexidade.

Pedro Ximenez Dulce Viejo 1927
O verdadeiro rebuçado de mel, castanha e café. Excelente.

Couteiro Mor Colheita Seleccionada 2004 Tinto
Fruta em compota e chocolate muito fino, com a madeira algo discreta, mas que faz uma boca gulosa e convidativa.

segunda-feira, agosto 07, 2006

domingo, agosto 06, 2006

La Arte de Tapear





Venho aqui falar-vos duma tradição gastronómica que não se costuma ver em Portugal, e que de certeza todos vós já conhecem, pelo menos de nome! As Tapas! Isso mesmo, e para isto ter um pouco mais de piada, vou tentar escrever em espanhol... e vocês dizem? "Então mas ele vai para a Internet a estas horas em Sevilha?"

Sim vou, e passo a explicar:

1 da manhã.
Lá fora estão 28 graus.
Hoje bateu nos 42 graus...
Para quem ainda nao conhece, estou a dormir na Pousada da Juventude, boa, barata, Ar Condicionado e Wireless!
Pois! Isso mesmo! Com um portátil temos o mundo aos nossos pés.
Por isso, cá vai:


Mis amigos, vengo aqui para vos mostrar una das tradiciones de la capital de la Andalucia.
Tapear!




Tapear, tanto para mi como para los sevillanos, significa percorrer las calles e parar en las bodegas e pedir um poquito de pescado, una chacina de ibericos ó mismo um poquito de torrado de pan com berbereches ó calamares.
Es cierto qué con las Tapas se debe pedir un Jerez o una Manzanilla, pero que todas las bodegas tieném buenas copas de viño, temperaturas aceptables e claro, bom viño.

Ayer, por exemplo, yo hay atravessado la Puente de San Telmo en direccion à Triana, adonde se puede disfrutar de una das mas belas vistas térreas de Sevilla, pois yo hay subido a La Giralda y a La Noria de Sevilla, cada una com 94 e 66 metros de altura respectivamiente. Entonces ya en Triana e cercana a lo Canal de Guadalquivir, todas las bodegas tienen tapas e bocadillos.




Te recomiendo por exiemplo las seguintes tapas:
Salmoreto com Bacalao
Chacina Ibérica
Huevos de Codorniz 
Chipirones
Pimentos Padrón
Tortilla de Setas
Jámon de la Bellota
Chocos fritos
Gambas al Ajillo
Berbereches
Alcachofras com jámon ibérico
etc...




Por el fin de la noche porque no atravessar la Puente de Triana y percorrer la zona historica de Sevilla mismo en frente a la Catedral e parar para mas unas tapas e una botella de viño.





PS: QUE CALOR!!!!


quinta-feira, agosto 03, 2006

Por terras de Seville com Jerez e Manzanilla

Bem, acabo de chegar à capital da Andaluzia, com o termómetro a bater nos 39 graus... Até há quem diga que se estrelam ovos nas calçadas!




Deixo-vos aqui uma pequena informação sobre os vinhos desta zona, que acabei de ler:


Jerez y Manzanilla

Un relieve suave con poca vegetación, unas temperaturas altas pero moderadas por la influencia del atlántico y, sobre todo, un suelo muy rico que aguanta perfectamente la sequía, son los factores que se armonizan para favorecer el crecimiento de unos viñedos únicos.

La zona de producción de la D.O. Jerez se sitúa al oeste de la provincia de Cádiz, en un área que abarca los términos municipales de Jerez de la Frontera, El Puerto de Santa María, Sanlúcar de Barrameda, Chipiona, Rota, Trebujena, Puerto Real, Lebrija y Chiclana. Las bodegas de crianza sólo pueden localizarse en los tres municipios históricos de la D.O., es decir, Jerez, El Puerto de Santa María y Sanlúcar de Barrameda, que configuran la división geográfica del Jerez Superior. El resto de poblaciones de la D.O. se encuadran dentro de la denominada Zona.

El relieve es suave, formado por pequeñas lomas que rara vez alcanzan los 100 metros. Escasea la vegetación arbórea, exceptuando algunos bosques dispersos de pinar. Las masas de agua están representadas por el mar y los ríos Guadalquivir y Guadalete. Los terrenos colindantes con el viñedo están dedicados al cultivo de secano (cereales, remolacha), aunque hay cultivos de regadío en la vega del Guadalete y en la zona costera.

La temperatura media anual es de 22ºC. La proximidad del Atlántico y de los ríos Guadalquivir y Guadalete ejerce un efecto moderador sobre las temperaturas, aunque existen grandes oscilaciones.

El promedio anual de precipitaciones es de 650 mm, de los cuales el 40 % se recoge de octubre a diciembre (unos 70 días de lluvia), pero en los meses secos hay que contar con el aporte decisivo de los rocíos nocturnos (la blandura, que dicen los jerezanos). Sobre todo en las noches de verano, cuando los racimos desarrollan su ciclo de madurez –potenciando sus aromas y equilibrando su contenido en ácidos y azúcares–, las rociadas de madrugada pueden alcanzar un considerable y elevado nivel de hasta 500 litros.

In "http://elmundovino.elmundo.es/elmundovino/bodegas_region.html?param=58"


Continuação de boas férias

domingo, julho 30, 2006

Férias!




O Vinho da Casa vai de férias até ao dia 15 de Agosto, prometendo aos demais leitores notas de prova fresquinhas quando chegar, pois vou para Sevilha... e apenas estão 40 graus!

Quero também deixar aqui um "engodo" com aquilo que irá sair aqui em Setembro:

Reportagem "in loco" sobre a sub-Região de Monção, ou seja, ALVARINHOS.
Notas de Prova de 12 Alvarinhos de 2005.
Reportagem sobre o Magnífico Restaurante Panorama.
Fotos das adegas, das Quintas, etc...

Reportagem do encontro do Copo de 3 e do Vinho da Casa, em casa do Copo de 3 com alguns vinhos em prova. De certeza um "embate" Douro-Alentejo.

Espero também trazer uma pequena reportagem de Sevilla e dos vinhos Andaluzes, mas não prometo, pois vou mesmo de férias, já que quando estive agora em Melgaço e em Monção, a minha moça já andava farta de andar de Adega em Adega... E acreditem que é cansativo!

Boas férias para todos!


PS: Querem vinhos fresquinhos a menos de 5 euros para beber no final de tarde a seguir a uma bela praia?
Aqui ficam algumas sugestões, todas viradas pro marisco e pros pratos frios.

Muralhas de Monção 2005, o verdadeiro.
Prova Régia 2004, um Arinto bem apetecível e com uma acidez ideal pra refrescar.
Castello D'alba Reserva 2005, vejam o Copo de 3 e vão ver que vale a pena!
Couteiro-Mor 2005, uma pechincha, 1,80 no Pingo Doce! Fresco, perfumado e limonado.

Portanto amigos, penso que devem experimentar estes vinhos e dizer aos vossos familiares e amigos para esquecerem aqueles vinhos que sempre compraram e que são de qualidade inferior e que já os sabem de cor! Querem que diga quais são? Acho que vocês já sabem...
São aqueles que estão em todo o lado e desaparecem às caixas nos supermercados das praias... Depois no dia a seguir, com a quantidade de sulfitos ingerida, é só guronsan que se bebe!

Abraço!

quarta-feira, julho 26, 2006

À mesa com Dirk Niepoort


Fugindo um pouco ao objectivo principal do meu projecto, tenho, devo, quero e preciso de aqui escrever um episódio marcante no meu pequeno percurso à volta do vinho.
Tudo começou com o facto de ter entrado de férias há menos de uma semana, e como tal decidi enviar um e-mail à Niepoort para visitar as caves tendo em vista uma pequena reportagem para publicar aqui no blog, e se possível conhecer e falar com o Dirk.

No dia a seguir quando ligo o computador, a resposta já lá estava e quando abri o mail fiquei perplexo. O Dirk além de ter aceite o convite para a visita, fez-me uma proposta para jantar com ele.

Pois, esse ar de espanto que estão a ter, eu também o tive.
E assim foi, aceitei e lá fui parar à mesa com o Dirk, sua esposa, com a sua pequenina Anita e com outros amigos.

O Dirk pelos vistos, além de ser exímio a fazer vinhos, na gastronomia também não deixa nada a desejar, antes pelo contrário.

Aqui segue a ementa proposta por ele:

Pimentos Padrón
Carpaccio de Atum com Lulas e Tabasco
Shitakes com Gnocchis
Risotto de Camarão
Salada de Agrião
Salada de Pepinos e natas
Queijos de Pasta Mole

Billecart Salmon Reserve Brut
Projectos Chardonnay 2004
Morgadio da Calçada Branco 2005
Morgadio da Calçada Tinto 2004
Marka 2002
Redoma Reserva 2004
Château Pontet-Canet Pauillac Gran Cru 2002
Morgadio da Calçada Ruby Reserva
Morgadio da Calçada Tawny
Niepoort (Vintage) 2005
Taylor’s Vintage Port 1970

Terminado o jantar, a conversa continuou animada cada vez mais num tom de harmonia, bem-humorada, onde por vezes as coisas lá se tornavam um pouco sérias e se falava de vinho, tudo sem cansar.

Mais tarde, Dirk levou-nos até a sua garrafeira, uma coisa incrível, senti-me nas nuvens, nunca tinha visto nada assim tão perfeito. Com o calor que se sentia cá fora, parecia que tínhamos entrado numa câmara frigorífica.

Quando voltamos o fumo percorreu a mesa, com umas cigarrilhas mini Cohibas, o Dirk apenas me disse, aquando o Taylor's Vintage 1970 foi servido:

"Tenta perceber esse vinho"

Para mim foi uma tarefa mais que complicada, no entanto inolvidável, inexplicável e marcante, a cor impressionava, apresentava uma cor ainda relativamente jovem, o nariz exuberante, elegante, fino, enfim... tudo aquilo que os grandes críticos dizem sobre grandes vinhos, este tinha de certeza.

Fico eternamente marcado por tudo isto que senti, descobri uma pessoa excelente, um nobre anfitrião, que gosta de ensinar, mas também de ouvir, e, se eu já era apaixonado pelo vinho apenas com as vivências que tinha, com este jantar, a paixão torna-se algo profundo e incapaz de se deteriorar.

Obrigado Dirk pelo melhor momento da minha vida à volta do vinho.

segunda-feira, julho 24, 2006

Quinta da Casa Amarela Porto Branco



Mais um vinho vindo da Quinta da Casa Amarela, pois já aqui tinha sido provado o Doc Douro 2003.

Desta vez estamos perante um Porto Branco elaborado com Malvasia Fina, Viosinho e Códega do Larinho, e com 19,5%vol.

A cor é impressionante, brilhante, dourada com reflexos intensos alaranjados com uma lágrima lenta e gorda.

O nariz mostra um vinho bem multifacetado em termos aromáticos, com notas amendoadas e fumadas aliadas a uma fruta doce, melão, manga, figos e com curiosas notas de chá branco.

Na boca o vinho é denso, com uma acidez bem presente contrastada com a doçura, no entanto conseguindo remeter o álcool para segundo plano, mas que não se consegue esconder, pois as notas licorosas estão cá, embora a fruta cristalizada lembrando bolo-rei é inevitável. O perfil doce mantém-se com notas de ameixa branca, mel e laranja a perfazerem um bom final de boca.


Ao preço de 10 euros parece-me ser uma boa opçao no que toca a Porto's Brancos doces.

Nota 16