segunda-feira, janeiro 29, 2007

Encosta do Sobral 2005

Tomar foi a cidade que me acolheu até à minha vinda para o Porto em 2001.
O Porto é uma cidade fantástica, moderna e pura, mas Tomar é sem dúvida alguma a cidade mais bonita do nosso país.
Nas encostas xistosas da Serra de Tomar, entre uma sinuosa estrada que todos os anos faço com a minha família até chegar à Albufeira de Castelo do Bode fica a Encosta do Sobral, projecto recente da família Sereno e ajudado pelo enólogo João Melícias.
O branco de 2004, no painel da Revista de Vinhos onde o tema era "Brancos com madeira", ficou num belíssimo segundo lugar.
Este branco de 2005 é feito com Fernão Pires, Arinto e Malvasia, onde 10% do lote vai para a madeira de carvalho francês e americano durante 2 meses.

Com 13%Vol. tem uma cor amarelo palha de ligeira concentração.
No nariz, fresco e um pouco abaunilhado, mostra uma boa entrada citrina, casca de laranja, limão, alperce e com algum vegetal fresco associado, e um ligeiro tostado a trazer-lhe alguma complexidade.

Na boca, de médio corpo, com a acidez crispante, frutado, com as notas limonadas a darem muita vivacidade ao conjunto, sempre com as notas vegatais associados, trazendo-lhe um lado seco na boca, permitindo mesmo um final com ligeiro amargo, com notas de avelã e ligeiras nuances da madeira.
Um vinho algo sui generis, pois tem uma grande frescura e uma acidez alta, que nos pede para ser bebido a solo, mas com algum corpo e um pouco amargo que nos diz que é melhor levá-lo para a mesa. Vai depender do estilo de cada um. Não se pense que é um vinho desequilibrado, antes pelo contrário, tem é o seu perfil. Será dos ares da serra e dos terrenos xistosos escondidos em pleno maciço calcário estremenho?

Nota 15,5
Preço 4 euros
Produção 10500 garrafas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Apegadas Quinta Velha Reserva 2004

Depois de provado aqui o Apegadas Quinta Velha 2004, aparece para prova o seu irmão, o Reserva.
Este é feito com uma selecçao de diferentes parcelas da Qta. Velha, situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, com um estágio de 12 meses em Carvalho Húngaro e Americano.

Com 15%Vol. e uma cor rubi de boa concentração.
No nariz, a madeira está bem presente, tostado, onde os aromas a folhas de tabaco, a baunilha, a erva seca, algumas especiarias que se sobrepõem à fruta, com compotas de frutos pretos e um toque de grafite muito cativante que lhe trás alguma frescura no aroma. Nota-se aqui um estágio em madeira de bom nível, ainda que não completamente casado com o lado floral e frutado do vinho.

Aveludado na boca, de bom volume de boca, mais espesso que o colheita, com uma frescura trazida pela boa acidez e pelo ligeiro perfil mineral. Nota-se uma excelente maturação das uvas, com fruta muito madura, com bons taninos mas sem desafinarem ajudam a uma boa prova. Aqui já se vê um melhor equilíbrio do vinho, com a madeira bem integrada, que proporciona um final de bom nível com charuto e café a ficarem no palato.
É um vinho mais afinado na boca que o colheita 2004, e mesmo com mais meio grau, o bom volume e a boa densidade não deixam o álcool desequilibrar o vinho. No entanto continue-se tal como o anterior a beber à temperatura correcta.

Nota 16,5
Produção 1800 garrafas
Preço 20 euros

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tokaji Aszú 5 Putonnyos 2000 ( Grof Degendelf )

Pela primeira vez o Vinho da Casa dá a conhecer um vinho de colheita tardia da região Húngara de Tokaj-Hegyalja.
Vindo do produtor Grof Degendelf, é um vinho feito com uvas vindimadas mais tarde do que o normal, com o fim das mesmas poderem ser atacadas por um fungo de seu nome botrytis cinerea que lhe vai trazer grandes níveis de açucar e aromas inconfundíveis.
O nível de açucar residual é depois escalonado de forma ascendente em puttonyos, desde o 3 até ao 7. Este 5 puttonyos provado tem 135 gramas/litro de açucar. Devido a esta doçura, é um tipo de vinho que deve ser apreciado a 10ºC.

Tem 11,5%Vol. e uma bonita cor laranja dourado.
No nariz, os aromas aparecem aqui de forma mais que exuberante, dando vontade de ficar a cheirar o copo por longos minutos... As notas húmidas da terra, o funcho, os figos, o mel, o maracujá, algum tabaco fresco, a casca de laranja, as amendoas... Tantos e tantos aromas que se descortinam de cada vez que se leva o nariz ao copo, demonstrando assim uma enorme alegria e uma boa complexidade.

Na boca, untuoso e quase licoroso, suave e delicado, mas no entanto muito doce, quase parecido com o xarope para a tosse, com o mel, a maça assada a aparecerem bem conjugados com os frutos secos, num final longo e ligeiramente enjoativo, sinceramente estava à espera de contar com mais profundidade, com uma acidez capaz de aguentar o açúcar e por aquilo que mostrou no nariz. Não se mostra tão complexo na boca.
Um vinho muito bom para a sobremesa, mas que tem o seu auge como entrada, ao lado de um foie gras. À falta de melhor, acompanhei com mousse de pato e a ligação foi estupenda.

Nota 16,5
Preço - À volta de 5000 Forits Hungaros ( 20 Euros)


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Redoma 2004

Redoma, dizem os dicionários que é uma campânula de vidro, convexa, destinada a guardar do pó objectos delicados. Para mim, uma redoma é uma garrafa bordalesa que envolve um delicado líquido feito pela casa Niepoort, onde em 0,75 l se tenta reflectir o Douro no seu todo.
Na Niepoort, a colheita de 2004 é simplesmente magnífica, super-equilibrada e com vinhos excepcionais. Das vezes que os provei pelos vários eventos e jantares, o Redoma para mim é um vinho fenomenal, e até o prefiro ligeiramente ao Batuta ( mais tarde publicarei a nota de prova). O Charme, claro, é de outro estilo.
Não apenas nesta casa, penso que a colheita de 2003 levará sempre a melhor no que toca a vinhos do Douro, pois o peso da colheita de Porto's de 2003 é algo difícil de transpôr.
Para aqueles que me seguem fielmente ( sim vocês os 3), acreditem, 2004 é um grande ano para os vinhos do Douro e bem melhor que a colheita de 2003.
Este tinto foi a primeira grande marca que Dirk Niepoort implementou na sua casa no que toca a vinhos tranquilos, desde o início dos anos 90. Provém actualmente de variadas vinhas velhas viradas a norte, todas com mais de 60 anos, com castas tradicionais do Douro, algumas menos conhecidas actualmente, tais como o Tinto Cão, a Tinta Amarela, a Tinta Francisca e o Sousão.
O lote estagia durante 18 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 14%vol e uma cor rubi com reflexos púrpura de grande concentração.
No nariz o vinho mostra classe, profundidade, com uma entrada fresca e ligeiramente química, quase lembrando borracha e algum eucalipto. Com o agitar do copo, a excelência da barrica dá de si, com as notas tostadas e o cheiro a móvel encerado a desmultiplicar-se com a esteva e a fruta, com amoras, ameixas pretas e romãs, num fundo mineral com aromas de grafite.

Na boca, carnudo, o vinho tem uma densidade muito boa, quase mastigável, com taninos de grande nível, muita fruta fresca, especiarias e chocolate preto. A capacidade de preencher todos os cantos da boca neste vinho é incrível. Tudo isto numa envolvente suavidade digna de um grande vinho, elegante e com um final muito bom, mineral, onde as notas de baunilha e especiarias se prolongam... e prolongam e prolongam.
É um prazer beber este vinho, completamente afinado e muito bem trabalhado. Aguerrido mas delicado, bruto mas bem-educado, cativante e persuasivo. Quase de certeza que estará cá para ser apreciado durante largos anos.

É um fusão talvez da rusticidade e tipicidade das áridas mãos dos trabalhadores das terras durienses e da elegância e civismo das gentes das terras baixas metidos dentro de uma Redoma, perdão, garrafa.

Nota 18,5
Preço - 25 euros
Produção - 18300 garrafas

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Grou 2 2004

Em Cabeção, na Soc. Agrícola do Vale da Joana, nasceu um novo projecto na colheita de 2004, apesar de naquela localidade o património vitvinicola já existir desde 1836, com registos de vinhas pertencentes à família Nunes Barata.
Nos dias de hoje, Nunes Barata convidou Anselmo Mendes a trabalhar em pleno Alentejo, e o resultado são 56 hectares das mais variadas castas, com predominância na Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Trincadeira, Syrah e outras com menor peso como, Cabernet, Tinto cão, Bastardo e Baga.

Além deste Grou 2 2004, foi feito também o Grou 2004, e na colheita de 2005 apareceu um novo vinho, Grou 2 Reserva. Todos estes vão ser alvo de apreciação pelo Vinho da Casa, ficando este Grou 2 2004 como o primeiro a ser "testado".
É então um vinho feito só em Inox, sem qualquer contacto com a madeira, e que tem no seu lote Aragonês, Trincadeira e Syrah.

Com 13,5%vol apresenta uma tonalidade granada de ligeira concentração, bonita e límpida.

No nariz, mostra-se bem vivo, com notas de ameixa preta a saltar do copo, muitos morangos, algumas especiarias e um vegetal fresco, envolvidos num perfil fresco e balsâmico e com aromas quase lembrando borracha e/ou alcatrão.

Na boca, o vinho volta a mostrar uma vivacidade de se lhe tirar o chapéu, muito fresco, acidez distinta dos "alentejanos", talvez a experiência nortenha de Anselmo Mendes tenha feito a diferença, com um corpo surpreendente para a tonalidade do vinho, pois os taninos estão ainda presentes, mas bem suportados pelo volume de boca, permitindo uma boa prova, com a fruta vermelha a marcar, casca de maçã vermelha e uns toques minerais. Bom final, com a fruta e a borracha a substituirem a madeira que não está cá.
Um vinho diferente, num estilo fresco e "unoaked" e que pela nota que tem merece ser provado.

Nota 16,5
Preço 7 euros
Produção 15000 garrafas

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Rol de Coisas Antigas 2005

Manuel dos Santos Campolargo, apresenta-nos mais um novo vinho, desta forma uma novidade na sua gama, mas que de novo nada tem, pelo menos no nome.
É um vinho feito com um lote de castas antigas da Bairrada:
Touriga Nacional ( Moreto)
Alfrocheiro ( Xara)
Sousão
Tinta Pinheira
Bastardo
Alicante Bouschet
Baga
Castelão

Com este lote, o produtor estagiou o vinho em barricas de carvalho francês durante 10 meses, após fermentação em pequenos lagares.

Tem 13,5%vol e uma cor é quase preta, com ligeiros reflexos púrpura.
No nariz, exuberante, um aroma fresco domina, com aromas de mentol, muito químico, quase tinta, com uma boa componente floral a perfumar o conjunto. A fruta também marca presença mas em segundo plano, com notas de amoras pretas e um ligeiro fundo de couro.

Na boca o vinho mostra-se muito jovem, algo vegetal, frutado e com os taninos a darem alguma austeridade, com um perfil fresco graças à boa acidez que apresenta. A madeira está bem integrada no vinho, sem o marcar, onde o chocolate preto anda bem ligado aos frutos silvestres. Termina bem, com um traço balsâmico e vigoroso. É um vinho fresco, com bom volume de boca e com alguma força.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 10424 garrafas

terça-feira, janeiro 02, 2007

Oboé Grande Escolha 2003

Depois da nota desastrosa e quanto a mim incompreensível atribuída pelo meu amigo e vizinho do Pingas no Copo, chega a vez do Oboé ser tocado aqui no Vinho da Casa.

Este vinho, com um bonito rótulo, é o topo de gama da Companhia de Vinhos do Douro, elaborado com um criteriosa selecção de uvas de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca que adormecem durante longos 20 meses em barricas novas de Carvalho Francês após uma maceracão prolongada.

Tem uns bonitos 13%vol e é quase preto na cor.
Com alguma complexidade no nariz a primeira impressão é um perfil denso e bem frutado, com muita fruta madura, muita fruta silvestre ( amoras, groselhas, compotas). A madeira diz que está presente, com o chocolate e as folhas de tabaco a fazerem um bom conjunto. Ao lado deste fruto, aparecem uns aromas curiosos, lembrando quase engaço, vegetal fresco, a trazer ao vinho um toque rústico.

Na boca, com um volume enorme, bem denso e estruturado, mas com taninos finos, fazem uma boa prova, com garra, onde toda a fruta presente é envolvida por uma suavidade trazida pelo longo estágio, cheio de chocolate e algum licor. Os 13º estão aqui na perfeição, mostrando aos demais que em 2003, foi possível fazer um vinho com uma boa maturação e com pouca graduação. O lado rústico continua aqui presente. Termina com um final com alguma complexidade.

É um vinho interessante, com bom volume, nota-se que houve muita extracção e cuidados ao fazê-lo. Os 20 meses de madeira nova não assustam, pois o vinho não está só marcado pela madeira. O preço é que está um pouco acima...

Nota 16,5
Preço - 40 euros
Produção - 3500 garrafas

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Uma passagem pelas Beiras

Em direção à famosa zona do Leitão, virando para a Anadia, e por uns caminhos apertados, cheguei à Amoreira da Gândara, onde Luís Pato tem a sua adega. Luís Pato, para quem não souber, é o grande homem que revolucionou a casta Baga, e com muito orgulho afirma que é uma casta com semelhanças à italiana Nebbiolo.

Actualmente os vinhos de Luís Pato estão com grande sentido internacional, como é o caso do branco Maria Gomes, que vende muito no Japão por ter o nome “Maria” associado. Ao que me foi dito as japonesas gostam muito que o vinho tenha um nome feminino, talvez estejam finalmente a conseguirem emancipar-se?

As instalações foram recentemente remodeladas, e o grande salão de estágio situado abaixo do solo, está neste momento protegido por uma enorme camada de relva, o que lhe traz excelentes condições de conservação, principalmente em questões de humidade.

Provei amostras de barrica da colheita de 2005 dos tintos, Vinhas Velhas, Vinha Pan e Vinha Formal, os três ainda muito crús, em construção mas já com alguma elegância e acima de tudo frescos, cheios de menta e de frutos silvestres e com uma acidez muito bem colocada.

Com tempo ainda de visitar a enorme sala de guarda, onde Luís Pato tem uma enorme estrutura metálica, onde guarda cerca de 10.000 garrafas de colheitas antigas, seguimos em direcção a um grande caixote branco. Ora pergunto eu, o que faz uma arca frigorífica aqui no meio disto tudo? Pois, se Luís Pato é vanguardista, então que dizer da sua filha, Filipa Pato, que se lembrou de fazer um Icewine em plena Beira Litoral!
Se aqui não há gelo de forma natural, arranjou-se forma de o fazer...
Lá dentro da câmara frigorífica, a cerca de -2ºC estava uma barrica nova, com o tal vinho de gelo. E de 2006! Perfeito, simples e com aromas muito arejados. Foi o primeiro vinho de 2006 que bebi. Com muito medicamento no aroma, com aroma a uva, isso mesmo, uva e alguma mineralidade. Doçura, nem vê-la, tem cerca de 100 gramas de açúcar residual, mas nem se nota.

Com esta visita, deu para perceber a juventude que vai dentro do produtor, a facilidade e frontalidade com que fala do vinho e, acima de tudo, uma enorme simpatia e abertura para com aqueles que o querem visitar.

Depois de muita conversa, o leitão já esperava e lá fui em direcção à Mealhada.
Aqui ficam também algumas notas de prova de alguns vinhos provados, todos engarrafados e da colheita de 2005.

Luís Pato Maria Gomes 2005
Ligeiro na cor, com uma boa entrada citrina, notas de limão, ananás, floral qb, ligeiro medicamento, num tom perfumado e afinado. Bem na boca, com a acidez a dar um toque fresco, ligeiro, mas com uma certa untuosidade que acaba por trazer algum corpo ao conjunto, com alguma doçura de fundo, com um final elegante e perfumado.
Nota 15

Luís Pato Vinhas Velhas branco 2005

Este vinho tem um estágio em barricas de Castanho, 40% e o resto em inox.
Bem na cor, com mais concentração que o Maria Gomes.
Boa entrada tostada, com o vinho a espelhar o seu terroir, pois o fumado e a tosta não provêm do habitual "carvalho" mas sim do solo argilo-calcário. (Ensinamento do próprio Luís Pato, pois eu estava convencido que este aromas era do contacto com a madeira).
Aparecem também aqui espargos brancos e pimenta branca num perfil bastante elegante. Muito floral, com ananás, num tom fresco, com notas de grafite e ligeiro vegetal a trazer-lhe uma boa complexidade aromática.
Com corpo na boca, envolvente e delicado, com a acidez equilibrada e de perfil mineral, com muitas notas citrinas, a madeira presente mas sem desafinar o conjunto, trazendo-lhe elegância na boca, e que acaba num final perfumado e com notas de hortelã.
É um vinho muito bem feito, com a acidez/fruta/madeira em perfeita sintonia e com corpo suficiente para acompanhar uns peixes gordos.
Nota 16

João Pato Touriga Nacional 2005
Negro, com ligeiros reflexos rubi.
No nariz, um bom primeiro impacto floral, com notas de violeta, alguma tinta da china, muita menta, arbustro e bagas silvestres.
Apresenta um aroma muito fresco e enérgico, cheio de força, com um fundo mineral interessante.
Na boca o vinho permite uma prova agradável, com taninos firmes e bem educados, trazendo algum equilíbrio com a boa acidez que apresenta. Com boas notas herbáceas e frutadas, permitindo um bom final de boca, longo e mastigável, lembrando frutos silvestres.
Talvez um pouco mais de garrafa, poderá vir a trazer mais elegância ao vinho, mas para já está muito bem este Touriga Nacional.
Nota 16

Fagote 2005

Novidade na Companhia de Vinhos do Douro, aparece um branco na já bem conhecida marca Fagote.

Este branco da colheita de 2005, é feito com as castas nobres do Douro, Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho, totalmente em inox onde estagiou durante 6 meses.

Com 13%vol. apresenta um bonita cor amarelo-limão com ligeira concentração.
No nariz tem uma boa presença aromática, muito fresco e alegre, com aromas que lembram maças verdes, limão, com algum pendor vegetal, com aquele cheirinho da relva cortada e talo de couve. Neste bom equilíbrio de aromas aparece ainda algum medicamento.

Na boca, o vinho entra quase parecendo que teve algum estágio em madeira, pois tem peso, é untuoso e tem bom corpo, forte no palato, contrabalançado com uma boa acidez que lhe trás alguma frescura com notas citrinas e algum rebuçado, permitindo um bom final, correcto e com algum comprimento.
É um vinho que apesar de muito fresco e limonado, vai precisar de ser bebido à mesa, pois na boca tem um comportamento pesado, que pode enjoar se não tiver acompanhamento.
A conhecer, pelo seu estilo próprio.

Nota 15,5
Preço - 6 euros

domingo, dezembro 10, 2006

Redoma 2005

Este vinho branco, vindo da Niepoort, que na última década tem mostrado que os vinhos das terras de xisto não funcionam só lá em baixo junto ao Douro, mostra agora ao consumidor a sua colheita de 2005.
É um vinho vindo de vinhas plantadas na zona do Cima-Corgo há mais de 40 anos e numa altitude que varia entre os 400 e os 700 metros. Como se tratam de vinhas velhas, muitas castas certamente estarão plantadas, mas as que dominam o lote são a Rabigato, Viosinho, Donzelinho, Arinto e Códega.

Fermentado em barricas de Carvalho Francês, 40% novo durante 9 meses com battonage periódico.
Com 13%Vol. apresenta uma boa tonalidade amarela-palha, com alguns dourados e de boa concentração.

No nariz, alegre e apelativo, sem se esconder nos aromas, o primeiro impacto é um leque de aromas vindos do estágio em madeira, frutos secos, amêndoa, avelã e um toque fumado. Com o arejamento no copo, as notas verdes chegam abraçadas com a fruta para trazer alguma vivacidade ao conjunto, com espargos, pêssego, lima e ananás.

Na boca, com a acidez lá no alto, mostra-se um vinho fresco, com notas citrinas, bastante mineral, mas nada delgado, pois o bom volume de boca dá-lhe um ar aveludado e equilibra o conjunto, ganhando complexidade, e com um final longo e amendoado que teima em persistir, mostrando um excelente equilíbrio entre a madeira e a fruta.
Acaba por ser um vinho que prima pela elegância, muito aromático, encorpado, denso na boca, complexo mas que nunca acaba por pesar, pois a excelente acidez traz-lhe uma harmonia incrível.

Este Redoma 2005, tem o seu auge à mesa com um bom prato e com copos largos para o deixar mostrar o que lhe vai na alma. E olhem que não é pouca coisa...

Nota 17
Preço - 12 euros
Produção - 15.600 garrafas

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ristorante Degusto

O Vinho da Casa, aproveitou uma jornada de Liga dos Campeões, onde quase toda a gente se fixou nas televisões, e onde 50.000 Portistas se deslocaram até ao Dragão para ver o Porto-Arsenal, para ir até à Rua de Sousa Aroso, jantar no Degusto.

É um espaço com um design especial, muito moderno, com mesas bem simples, sem os guardanapos a fazerem de couve-repolho por cima do prato, tudo prático e arejado, mas em que o cuidado de apresentação é irrepreensível, pois reparei por exemplo que para "pôr" a mesa , os empregados de mesa sentam-se na mesma para colocar a toalha perfeitamente simétrica e ficam a fazer contas trignométricas para colocar tudo no sítio.

Antes de iniciar a refeição, entre duas palavras com o simpático José Espírito Santo, tomei como aperitivo um Grandjó Late Harvest 2002, muito aromático, nariz doce e melado, com notas de laranja cristalizado, pêssego, figos, na boca com uma boa acidez, com frutos secos a trazer um lado diferente e um final doce.

Já à mesa, como couvert, uma manteiga aromatizada, azeite para molhar um pouco de pão e umas azeitonas pretas aromatizadas com alho habituaram o estômago para o início de uma refeição incrível.

Como saberão, actualmente o Chefe é o Vitor Claro, que tem para nos oferecer um menú de degustação simplesmente tentador, com um custo de 45 euros. Apesar de quase me ter persuadido, acabei por pedir à carta, pois também já tinha tido oportunidade de experimentar algumas das brincadeiras do Chefe em Outubro.

Como entrada veio então para a mesa um Carpaccio de Mexilhão, fresquíssimo, com o mexilhão bem escondido com o tomate triturado por baixo duma salada de vários verdes, bastante hidratados. Por cima umas raspas de queijo davam-lhe um toque divinal.
Veio também de entrada um dos pratos que me deixou completamente derretido.
Coscorões de alheira com vinagre balsâmico. Este prato é só, genial, por duas razões:
1º O doce dos coscorões liga mesmo bem com as especiarias/vinagre da alheira.
2º O crocante dos coscorões e a gordura da alheira faz uma ligação incrivel.

Já de prato principal, a minha opção foi Polvo com gnocchi , presunto e pimento de padron.
Há muito tempo que não comia um polvo tão tenro e tão bem confeccionado, com o amargo do pimento a ligar muito bem com o sabor do molusco. Aqui um pequeno reparo, se é que tenho direito ao mesmo. Os Gnocchi estavam ligeiramente secos, e com uma consistência demasiadamente grossa, um pouco ao estilo "plasticina" que acabava por cansar um pouco o prato. Talvez tivessem farinha ou fermento a mais, pois ao que soube pelo próprio chefe, ainda está em fase de experimentação e os Gnocchi são feitos na hora.

A Joana, optou pelo Lombo de bacalhau cozido em caldo verde, que apesar de "tradicional", pelo que me transmitiu, estava excelente e capaz de mandar abaixo muitos bacalhaus nas mesas de Natal. Ou esteve muito tempo em leite (piada ;) ) , ou cada lombo daqueles deve custar uma pipa de massa, pois a suavidade das lascas que se delicadamente iam caindo do lombo era inigualável.

Porque este é um blog de crítica de vinhos, falo-vos agora do vinho que acompanhou a refeição, por sugestão do José Espírito Santo.

Foi um vinho branco da Alsácia, o PAUL BLANCK SOMMERBERG Grand Cru Riesling de 2001. Que grande sugestão, mal o vinho foi servido no copo, toda a mesa ficou perfumada, um nariz incrível, super delicado. A 10ºC mostra-se muito mineral, com notas florais, algum vegetal seco, madeira muito bem integrada com ligeiro fumado e alguns frutos secos. Mas que um pouco mais quente, a 14ºC, e pelo lado positivo, rapidamente se aproximava perigosamente duma Colheita Tardia ou qualquer coisa do género. Começava a ganhar aromas a mel, a casca de laranja. Muito bom. Achei um vinho multifacetado e charmoso acima de tudo. Tanto se bebe no estilo mineral, como na variante mais "pesada".

Serviço de vinhos de primeiro nível, nunca tinha visto o vinho ser tão bem tratado em Portugal. Que felicidade que é poder disfrutar um vinho fora de casa em condições ideais e em Copos Riedel. Aqui não há que ter medo em pedir um vinho a um preço elevado, pois há condições para o apreciar.

Nas sobremesas, sugeri à minha namorada que experimentasse os Peixinhos da horta com tomate, pois eu já conhecia e que é mais uma daquelas ideias geniais que deixa qualquer pessoa estupefacta com a simplicidade do prato, mas que não lembra a ninguém confeccioná-lo.
Eu optei por um clássico mas com muito boa apresentação, um Queijo da Serra com compota de pevides acompanhado por um LBV de 2000 da Niepoort, que foi servido um pouco quente demais, a cerca de 19/20ºC.

Lá para o fim da noite, e já o Porto estava na próxima fase da Champions, chegou alguém ao restaurante em que eu disse, " eu conheço aquela cara de algum lado", pois... Era o Chefe Augusto Gemelli que vinha também jantar.

É um sítio a repetir sem dúvida, que merece todo o cêntimo ali gasto. Agora preciso é tornar a encher a carteira para lá voltar. Mas que vale a pena vale, prefiro jantar aqui de longe a longe, do que gastar 20 euros mal gastos num outro qualquer restaurante em que sou obrigado a beber cerveja ou então vinho em condições deploráveis por vezes.
Foi uma grande noite, e uma das melhores refeições a que já tive direito.
Adorei mesmo. A companhia também era boa, a música de fundo ideal, e todo o serviço brilhante.

Os meus parabéns por este excelente espaço.

Nota 21 :)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Muxagat 2003

Este vinho, oriundo de terras bem lá no Alto Douro, onde o Côa encontra o Douro, é feito pelo neto do grande senhor Fernando Nicolau de Almeida, o pai do Barca Velha.

Mateus Nicolau de Almeida fez então este Muxagat tinto 2003 com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta roriz e Tinta Cão, em lagares de pedra e com um estágio em Carvalho Francês, novo e usado.

Com 13%vol. mostra uma boa cor de média concentração.

Elegante no nariz, com ligeiro químico e alguma menta, com um perfil muito floral, lembrando violetas, muita fruta vermelha de boa qualidade, cerejas, amoras, alguma compota, sempre com as notas de barrica muito bem integradas no vinho, com ligeiros frutos secos e algum chocolate preto e um tom abaunilhado que perfuma o conjunto.
Mostra ainda com um fundo fresco muito interessante que lhe traz um estilo muito próprio e longe dos sobremaduros "Douros" de 2003. Com 13% naquele ano deve ter sido dos poucos casos.

Na boca é isso mesmo que se encontra, frescura, estilo clássico, taninos afinados, de bom corpo, equilibrado, com a ligação madeira/fruta muito bem conseguida, com cerejas, fundo balsâmico e com boa acidez, permitindo um bom final com notas de baunilha.

Está aqui um vinho diferente do actual Novo Douro, longe de excessos de maturação, com pouca graduação, num estilo próprio, sóbrio e acima de tudo equilibrado. Não fala demais, mas também não diz asneiras.

Nota 16,5
Preço 12 euros

quinta-feira, novembro 30, 2006

Quinta de Macedos 2002

Depois de provado o Lagar de Macedos e o Pinga do Torto, chega agora a vez do Quinta de Macedos 2002.

É um vinho feito com todos os cuidados, com escolha criteriosa das uvas, vindas de vinhas muito velhas, com 80 anos, onde a predominância é a Touriga Franca entre quase duas dezenas de castas. Após uma maceração de mais de um mês, o vinho adormece durante 20 meses em barricas pequenas de carvalho francês.
Este vinho tal como os outros dois, tenta espelhar o terroir do rio Torto. Vindo de um ano muito complicado, será que as vinhas velhas conseguiram fazer um Douro ao melhor nível? Abra-se a garrafa, decante-se com antecedência e descubra-se!

Com 14,5%vol mostra uma boa cor ainda opaca, com ligeiros reflexos granados.

No nariz o vinho exibe um lado complexo, intimista e acima de tudo convidativo. Uma entrada com classe, com um casamento prefeito entre o vinho e madeira de alto nível, com torrados, notas de baunilha, bolacha maria, chocolate preto, flores secas, frutos vermelhos(morangos, maçã vermelha) e algumas especiarias.

Cheio de garra na boca, mostra toda a potência que o Douro pode ter, picante, explosivo, aliado a uma elegância e a uma seda incrivel, parecendo que toda esta austeridade e severidade está embrulhada em cetim. Taninos mais que finos, grande estrutura, acidez bem lá em cima, explosivo na fruta, exuberante nas notas de madeira. Final muito muito longo e delicado.

Grande, grande vinho...
Se o rio Torto é isto, então está de boa saúde e recomenda-se.

Nota 18
Preço - 28 euros
Produção - 2300

Este vinho entrou também para o desafio da Prova à Quinta.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A prova dos 20

Se percorrermos as folhas de alguns manuais ou guias de vinhos, rapidamente chegamos à conclusão de que os tawny's de 10, 20 30 ou 40 anos nada ganham com o estágio em garrafa, e devem mesmo ser guardados de pé.
Quanto à última parte, é simples de perceber, pois como quase todos os tawny's não são rolhados com rolha inteira, guardá-los deitados está fora de questão.
Quanto à primeira parte, uns dizem que o vinho já teve tanto tempo de contacto com a madeira que o estágio em garrafa em nada vai mudar, apenas pode piorar, pois podem-se perder alguns aromas.

Porque toda a regra tem excepção, os Tawny's 20 anos da Niepoort ( não sei se serão os únicos) têm rolha completa e pelos vistos podem ser guardados.

Senão vejamos:
Lá para meados de Outubro, o Dirk Niepoort fez uma pequena brincadeira.
Abriu um 20 anos engarrafado em 2006, um engarrafado em 1973 e outro em 1982. É claro que os lotes são completamente diferentes, mas deu claramente para perceber que o 20 anos de 1973 estava em muito boa forma e o de 1982 em excelente forma. Depois de arejarem bem, provámos os três vinhos às cegas, e o de 2006 foi claramente posto de parte como o menos exuberante e o mais delgado na boca. Eu troquei o de 73 com o de 82, já o José Rodrigo (novo enólogo da Niepoort) esteve exímio na brincadeira. Acertou em cheio!

"Venceu" o combate o de 1982, exuberante, com aromas de garrafa muito curiosos, com uma untuosidade na boca incrível e com um final daqueles mesmo intermináveis.
O de 1973 ainda que muito bem, denotava um ligeiro cansaço na boca, mas claramente superior ao 2006.

Este post veio ao encontro daquilo que o Rui Miguel do Pingas no Copo dizia sobre os LBV's evoluírem ou não em garrafa. Rui, se até os 20 anos evoluem bem , porque não?

Alguém já provou um Tawny com alguma idade de garrafa?
Será que deverão os produtores rolhar as garrafas de Tawny's com condições de guarda?

terça-feira, novembro 28, 2006

2ª Jornada da Prova à Quinta


Rodando o anfitrião, cabe-me agora a mim lançar o repto.


Sugiro a todos os Blog's e curiosos que façam a prova do seguinte:

UM VINHO PORTUGUÊS DA COLHEITA DE 2002

Esperando que se consiga encontrar vinhos curiosos para contrariar a "chapa" que se colou a aquele ano...




Eu provei o Quinta de Macedos 2002 e foi um enorme prazer...

Fico à espera das vossas propostas.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Pontual Reserva 2004

Depois de provado o Pontual Syrah 2003, vem agora ao Vinho da Casa o irmão mais velho, também Alentejano, Pontual Reserva 2004 para prestar provas.
É um vinho feito com 80% de Alicante Bouschet, 10% de Touriga Nacional e 10% de Syrah, com um estágio de 12 meses em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Com 14,5% vol. apresenta uma cor rubi muito intensa, quase preto.

No nariz, o vinho tem um aroma muito elegante e sério, com muita fruta preta, chocolate preto, erva seca, com a madeira muito bem integrada no vinho, trazendo aromas de baunilha a perfumar o conjunto, e com um fundo fresco interessante e anisado.

Na boca o vinho mostra um lado mais quente, mais guloso, com fruta mais doce, com taninos presentes mas sem incomodar. Com muita harmonia a fruta e a madeira lá vão andando de mão dada, sempre com ligeiras notas de ervas aromáticas.
Com um bom volume de boca, é um tinto encorpado, conseguindo ter um perfil muito elegante com uma boa acidez e com um final longo com notas de baunilha.

Nota 17,5
Preço - 16 euros
Produtor - Companhia de Vinhos do Alandroal

Em relação a estes dois vinhos deste produtor Alentejano, elegância é ponto comum, assim como um certo nível de frescura, poucas vezes conseguido naquelas bandas tórridas.
Este é de nível superior, talvez por ter mais alguma complexidade e um final de boca mais longo.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2004

Este vinho branco, como o próprio nome indica vem das vinhas de Chardonnay plantadas na Quinta de Cidrô, em Trás-os-Montes em 1993, mas que só em 1996 deram o seu primeiro vinho.

Neste ano de 2004, o vinho fermentou e estagiou durante 6 meses em barricas de carvalho novo.

Com 14%vol. apresenta uma cor dourada carregada.

No nariz tem uma boa entrada aromática, complexo e exuberante, com mel, funcho, sensação floral, bem vincado pela madeira com notas de baunilha e a tal sensação de madeira molhada que eu tanto gosto. Parece que estamos no campo em pleno outono com a chuva a trazer os aromas mais húmidos. A fruta também cá está, com bons aromas tropicais.

Na boca, nota-se uma untuosidade e um bom corpo, com ligeira sensação vegetal, ligeiramente pesado, ainda que aguentado pelo fundo mineral e pela boa acidez que apresenta, trazendo alguma frescura, com um final persistente e amendoado.
Um vinho encorpado, feito para a meia-estação e porque não para o Inverno, mas com isto não se pense que o vinho é enjoativo.
Boa relação qualidade-preço e com pernas para aguentar uns anos.

Nota - 16,5
Preço - 6 euros



Este vinho foi já provado pelo Copo de 3 e pelo Saca-a-Rolha.

terça-feira, novembro 21, 2006

4 vinhos Portugueses no Top 100 de 2006

Este ano no Top 100 da Wine Spectator, quatro vinhos do Douro entraram na lista.

Em 18º lugar - Vale Meão 2004 com 97 pontos.
Em 47º lugar - Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004 com 93 pontos.
Em 69º lugar - Churchills Estates 2004 com 91 pontos.
Em 97º lugar - Altano Reserva 2003 com 90 pontos.


De resto e como no ano passado, 4 vinhos tintos voltaram a estar presentes, tendo a Wine Spectator "deixado de lado" o Vinho do Porto desde há 3 anos para cá.

Como poderão reparar na lista do Top 100, parece haver alguns vinhos com menor pontuação acima de outros mais bem cotados. Isto deve-se ao facto de os critérios de escolha não se basearem apenas na pontuação, mas também no volume de produção, preço, distribuição e disponibilidade.

A primeira vez que um vinho entrou no Top 100, desde 1988, foi em 1994 em que quatro Vinhos do Porto foram incluídos.

Só por uma vez é que houve um vinho de fora do Vale do Douro a ser eleito. Foi o Alentejano Cortes de Cima Touriga Nacional 2002 no Top de 2005.

Os meus parabéns aos produtores, e ao Douro em geral, que mais uma vez mostra que tem capacidade para ser o nosso porta-estandarte vinícola.




domingo, novembro 19, 2006

Quinta das Baceladas 2003

Este vinho tinto já foi alvo de observação pelo Rui Miguel com Pingas no Copo, feito pelas Caves Aliança, na Bairrada.

Tem no lote a tradicional Baga, e as importadas Cabernet Sauvignon e Merlot, que passaram cerca de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Com 14,5%vol e uma cor rubi muito densa, opaca mesmo.
No nariz tem um aroma elegante e fresco, com uns primeiros aromas florais a aparecerem em conjugação com fruta preta de boa qualidade, seguido de um fundo balsâmico e alguma borracha. Um ligeiro lado vegetal, "bosque" (talvez pinheiro) como o Rui lhe chamou, mostrando que a Baga está cá presente. A madeira nova também cá está e bem integrada no conjunto, trazendo um toque de cetim, notas de baunilha e algum chocolate preto .

Na boca, o vinho mostra alguma fruta muito madura,algo guloso, um bom volume de boca, com taninos finos e elegantes, todo polido e num perfil moderno e marcado pela madeira nova. O final é de bom comprimento, com o chocolate e fruta preta a perfumarem a boca.
Um vinho bem desenhado, onde o Cabernet Sauvignon aparece aqui como eu gosto, bem trabalhado e sem os pimentos verdes a chatearem o nariz. Boa opção para este preço.


Nota 16,5
Preço - 10 euros
Produção - 26.525 garrafas

quarta-feira, novembro 15, 2006

Vinho da Casa no Desafio Prova à Quinta

O Vinho da Casa junta-se ao Copo de 3 com o intuito de apoiar a iniciatia lançada. O objectivo deste desafio consiste em cativar, bloggers e apreciadores de vinhos a participar em provas temáticas.

Neste primeiro desafio, o João Pedro, patrão do Copo de 3, sugeriu que se provasse um vinho tinto português com menos de 13º. A escolha pode parecer fácil, mas hoje em dia vinhos cada vez estão mais alcoólicos...
Qualquer dia no Douro vai-se chegar a fazer Vinho do Porto sem a adição de aguardente!!! Já não faltou muito, ainda se lembram do Bafarela Grande Escolha 2003 com 17º???
E não é que o vinho esgotou?



João Pato Touriga Nacional 2005
12,5%vol.


Vindo das Beiras e da autoria de Luís Pato é um vinho pensado só para o mercado estrangeiro, apesar de estar à venda à porta da adega.
Apenas tem estágio em inox.

Negro, com ligeiros reflexos rubi.
No nariz, um bom primeiro impacto floral, com notas de violeta, alguma tinta da china, muita menta, arbustro e bagas silvestres.
Apresenta um aroma muito fresco e enérgico, cheio de força, com um fundo mineral interessante.


Na boca o vinho permite uma prova agradável, com taninos firmes e bem educados, trazendo algum equilíbrio com a boa acidez que apresenta. Com boas notas herbáceas e frutadas, permitindo um bom final de boca, longo e mastigável, lembrando frutos silvestres.

Talvez um pouco mais de garrafa, poderá vir a trazer mais elegância ao vinho, mas para já está muito bem este Touriga Nacional.


Nota 16
Preço - 6 euros
Produtor - Luís Pato