segunda-feira, março 26, 2007

Altas Quintas Reserva 2004

Ainda se lembram do Altas Quintas 2004?
Pois bem, agora chega a vez do Reserva.
Um senhor vinho que só de olhar para a forma como é feito, assusta. Paulo Laureano e João Lourenço optaram por fermentar as castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet em grandes balseiros de carvalho, e onde depois, e leiam bem, se fez uma maceração prolongada de mais de quatro meses. Depois de este perpétuo processo,o vinho passou para barricas novas de carvalho Francês e Americano durante 12 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada brilhante e de grande intensidade.
No nariz, profundo e impressionante, há uma panóplia de aromas, todos bem integrados e muito intensos, com uma parte floral muito fresca e elegante, amoras, framboesas, muito chocolate preto, terra molhada, casca de árvore, café, com um toque de baunilha e uma tosta bem presente trazem uma enorme complexidade e uma grande empatia para que o fiquemos a cheirar, sem nos preocuparmos a passar para o próximo passo.

Na boca, embora possante, o vinho é delicado e tem uma textura sedosa que nos camufla o palato, cheio de classe e cheio de requinte. Taninos excelentes, com uma estrutura de betão, bem suportada pela acidez e pela frescura perfumada que nos mostra, permitindo um final único, personalizado, longuíssimo e elegantissimo, com notas da barrica de baunilha e muito tabaco, mescladas com a fruta e o chocolate preto. O vinho tem um final de boca brutal, com um final quase interminável, todos os pontos da boca por onde passou ficam a aclamá-lo.

Grande vinho alentejano, e tendo em conta que é o primeiro reserva que se fez, é de bradar aos céus. Se há quem diga que o marketing desta empresa é fenomenal, eu digo que fenomenal é este vinho.

Nota 18
Preço 29 euros
Produção 6.600 garrafas

sexta-feira, março 23, 2007

Herdade do Portocarro 2003

Em 2006 nasceu mais uma nova marca, a Herdade do Portocarro, liderada por José Mota Capitão, juntamente com o enólogo Paulo Laureano. Para o mercado lançaram um primeiro tinto da colheita de 2003. A Herdade fica nas Terras do Sado, no Torrão, a paredes meias com o Oceano Atlântico.
O principal objectivo deste produtor é tentar transmitir para o vinho o terroir da sua herdade, aliando frescura e elegância.
Este tinto com o nome da Herdade, sure da junção de três castas, Aragonês, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, que estagiaram em barricas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e uma cor rubi de média concentração evidenciando já uma ligeira evolução.
No nariz, aromático qb, o primeiro impacto é de muita fruta vermelha bem madura e notas florais, com ligeiros apontamentos de mel. Nota-se uma boa complexidade, com algumas notas de grafite, cravinho, bolacha e uma tosta muito elegante e envolvente, garantindo um aroma fresco e charmoso sem cair em tons muitos quentes.

Na boca, os 4 anos já se notam, pois o vinho entra com suavidade apesar de volumoso, com os taninos arredondados, embora que ainda com uma boa acidez, não deixando nunca o vinho ficar "mole". Fruta e chocolate fazem um bom par, integrados perfeitamente com as notas do estágio.O Cabernet, maduro, parece aqui muito bem integrado com as duas castas e garante complexidade na prova de boca, e quando assim é vale a pena pelo menos não notei os tais pimentos verdes). As especiarias e o café marcam o final de boca, de qualidade ainda que com persistência razoável.

É um vinho afinado, com uma boa complexidade aromática e que merece ser provado.
Para primeiro vinho está muito bem e promete!

Nota 16,5
Preço 12 euros
Produção 30.000 garrafas

segunda-feira, março 19, 2007

Malhadinha 2005

Nova incursão pela Herdade da Malhadinha Nova, ( já aqui se provou o Pequeno João 2005) provo agora o Malhadinha Branco 2005.

É um branco feito exclusivamente com Antão Vaz fermentado totalmente em barricas de Carvalho Francês e Americano ( 60% e 40%), com um posterior estágio de 8 meses.

Com13,5% e uma cor impressionante amarelo dourado de grande concentração.
No nariz com uma entrada tostada não esconde a passagem pela madeira que sofreu, lembrando pão caseiro torrado, cereal, conjugado com um aroma limpo a pera rocha madura, banana, pólen, mel e as evidentes notas abaunilhadas, tudo muito exuberante e alegre, num conjunto interessante e bem equilibrado. As notas derivadas da madeira notam-se mas estão perfeitamente ligadas com o vinho.

Na boca entra fresco, volumoso e com uma certa untuosidade. Com boa complexidade, dá uma prova muito interessante, irreverente, com o vinho a percorrer toda a boca e perfumando tudo com notas tropicais e deixando uma suavidade torrada, ainda que com a acidez algo espigada, e com a madeira sempre presente a tomar o lugar da fruta. O final é longo, mineral e com ligeira baunilha.
Como diz o Copo de 3 ( e bem), o vinho ainda pode esperar mais uns tempos para ser bebido. O nariz está muito aprumado e equilibrado, mas na boca ainda não está muito arrumado. Mais uns meses portanto e o vinho ganha ainda mais complexidade e concerteza que, com esta estrutura vai dar bom resultado. Este "parece-me" ser um vinho para 17(+) valores, no entanto e para já (Janeiro de 2007) fica com:


Nota 16,5
Preço 12 Euros
Produção 3500 garrafas

Montes Claros Reserva 2004

É o primeiro vinho da Adega Cooperativa de Borba que tem lugar no Vinho da Casa, apesar de os seus vinhos estarem disponíveis em muitos locais, e a preços bem simpáticos.

Este Montes Claros tinto, é feito com quatro castas, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Tinta Caiada que estagiam 12 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com14%vol e uma cor granada de média concentração quase translúcida.
No nariz, o aroma é elegante e fresco, com notas de morangos, ameixas, groselhas, com alguma borracha, num estilo muito perfumado e afinado. O lado floral também aqui está presente, trazendo alguma complexidade aromática, onde o estágio da barrica está em segundo plano, com uma boa tosta bem casada no vinho.

Na boca, é fresco, tem uma acidez bem viva, dando alegria ao vinho, que enganosamente se mostra musculado e bem estruturado, ( a pouca concentração em nada o previa) com taninos com T grande, onde as notas da barrica, chocolate e a fruta fresca nos dão alguma suavidade neste estilo que tenta ser potente. O vinho mostra-se portanto muito equilibrado na boca, com um bom final, onde sobressai o fumo e as especiarias.
Um vinho muito interessante e curioso, com pouca extracção mas com grande volume de boca.
Elegante no nariz e aguerrido na boca.
Excelente relação qualidade-preço.

Nota 17
Preço 6 euros
Produção 120.000

terça-feira, março 13, 2007

Pontual Touriga e Trincadeira 2004

Depois de provado o Reserva 2004 ( aqui ) e o Syrah 2003 ( aqui ) é provado agora mais um vinho da Companhia de Vinhos do Alandroal.
Este é feito exclusivamente com duas castas plantadas em terrenos xistosos, Touriga Nacional e Trincadeira que estagiam em barricas de carvalho francês e americano durante 10 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada de média concentração.
No nariz, o estilo aromático vem no sentido do Syrah, no toque à frescura e finesse e longe dos quentes aromas tradicionais alentejanos. Com complexidade, muito floral, com notas típicas de violeta, fruta vermelha fresca, mentolados e um fundo mineral com a madeira muito bem a envolver todo o conjunto, com uma boa tosta e especiarias.

Na boca o vinho entra delicado, sem excessos, de médio porte, com os taninos finos e uma boa acidez. Aparece ao lado da fruta um ligeiro toque herbáceo, chocolate e torrados, com a madeira uma vez mais aqui em harmonia, com um bom final, ascendente, floral e com notas de café.
Um vinho muito elegante, harmonioso, sem muita extracção, com a parte floral das duas castas em destaque. Muito bem para o preço apresentado.

Nota 17
Preço 10 euros

segunda-feira, março 12, 2007

Muxagat 2005

Depois de provado o tinto, ( ver aqui ) vem agora para cima da mesa o branco.
É um vinho branco feito por Mateus Nicolau de Almeida, de vinhas que rondam os 40 anos e uma altitude média de 350 metros, com 90% de Rabigato e o restante de Gouveio, Códega e Viosinho, com 20% do lote a passar por barricas novas de carvalho francês durante 8 meses.

Com 13%Vol e uma cor amarelo palha com alguma concentração.
No nariz é muito fresco e incisivo, com um mineral intenso, limão e maracujá juntamente com um leve toque fumado. Rapidamente somos transportados logo para o Vale do Côa, curiosamente nesta altura das amendoeiras em flor, pois pode ser sugestão, mas o aroma a amendoas juntamente com as notas florais estão cá presentes. Tem um aroma muito afinado e de bom nível.

Na boca, fresco e de elevada acidez, bem equilibrada pelo bom volume de boca, mostra-nos que é um vinho branco para todo o ano, inclusivé os tempos mais frios. Perfumado q.b. na boca com notas frutadas e ligeiro vegetal fresco, com um final mineral de bom nível e persistente.
Pela mineralidade que apresenta e pela boa acidez, guardá-lo uns tempos em garrafeira não será uma hipótese descabida para ganhar um pouco mais de harmonia.
Um vinho branco muito bem feito.

Nota 16
Preço 8 euros
Produção 10.000 garrafas

O Copo de 3 também já provou este vinho. Vejam aqui.

Solar dos Loendros Cabernet Sauvignon 2003

Mais um vinho ribatejano e de Tomar em prova, desta feita um tinto monovarietal Cabernet Sauvignon da colheita de 2003 do Solar dos Loendros.
Às portas de Tomar e a circundar este solar moderno, estendem-se 30 hectares das castas brancas Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay e as tintas Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon.

Com 13%Vol, de cor granada e com mediana concentração, evidenciando já algum envelhecimento parecendo quase um tinto de Castelão na cor.
No nariz, os aromas iniciais cativam, com algum chocolate e fruto vermelho, mas com o arejamento surgem aromas a leite creme queimado, verdes, algum couro e o nosso bem conhecido pimento verde, ainda que um pouco enjoativo mas não em excesso.

Na boca, a primeira sensação é de rusticidade, com a acidez algo desequilibrada, pois pelo pouco corpo que apresenta, esta vem ao de cima, com notas de lagar, de engaço, muito vegetal, alguma fruta, lembrando-me de casca de maçã vermelha e ameixa. Os taninos estão bem redondos e o final de boca é aceitável, com notas de especiarias e algum tabaco.
Um vinho feito para o seu público, algo desajustado dos padrões modernos e que sinceramente, não faz o meu estilo.

Nota 13,5
Preço 4 euros

quarta-feira, março 07, 2007

Redoma Reserva 2005

Muito haverá para dizer sobre este vinho... Mas pouco de novo haverá para contar.
Posso dizer que é o vinho branco mais pontuado do país... posso acrescentar que o João Paulo Martins o coloca ao nível dos melhores brancos do mundo... posso acrescentar que os consumidores andam sempre malucos para o comprar... posso acrescentar que tem um preço muito inferior aos grandes brancos mundiais...

Ora, para quem não anda distraído no mundo do vinho sabe que este vinho nasce de um sonho de Dirk Niepoort em fazer um grande branco borgonhês, com as castas tradicionais do Douro, aproveitando as vinhas de altitude. Todas as vinhas que dão uva para este sonho têm mais de 60 anos, e estão todas plantadas entre 400 e 800 metros de altitude.
Esta colheita de 2005 é a sétima desde que se produziu Redoma Reseva pela primeira vez em 1995.
As castas do lote são o Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, que fermentam e estagiam em barricas novas e usadas de Carvalho Francês durante 8 meses.

Com 13%Vol o vinho tem uma brilhante cor amarelo-ouro.
No nariz impressiona-nos, com uma complexidade aromática ímpar, com pólen, fumo e as notas tostadas a ambientarem o aroma intenso de frutos citrinos e uns ligeiros toques de fruto exótico. Para complicar ainda mais este aroma cativante, o traço mineral envolve todo o copo. Tudo aqui está muito aprumado e arrumado, garantindo uma grande frescura, um limpidez aromática, e, não fosse palavra-chave nos vinhos Niepoort, elegância. A barrica bem integrada e de grande nível sente-se ao longo da prova, assim como algumas notas verdes, com hortelã-pimenta, jasmim e algumas folhas de chá.

Na boca, entra harmonioso e com carácter, acidez firme e crispante sem se sobressaír, com bom volume. Conseguindo perfumar toda a boca, nota-se uma vez mais a madeira integrada com o vinho, num tom fresco e amanteigado, mostra mais uma vez grande complexidade, permitindo um final mineral e especiado de luxo, longuíssimo e super equilibrado.

Este vinho é sem dúvida o corolário da expressão "Néctar dos Deuses".
Este é daqueles vinhos que deixa qualquer um de rastos.
Agora que estamos numa de enumerar as 7 maravilhas de tudo e mais alguma coisa, este é para mim umas das 7 maravilhas vinícolas.
Elegância e delicadeza invioláveis e um comprimento infinito.
Espectacular.

Nota 18,5
Preço 30 euros
Produção 10.000 garrafas


Parece que o sonho de Dirk está concretizado... Mas de certeza que não se fica por aqui, pois como disse Bernardo Soares no Livro do Desassossego:
"Viver não é necessário. Necessário é criar."

sábado, março 03, 2007

Gambozinos Reserva 2004

Não, não é nenhuma reserva natural de Gambozinos no Douro...

Este nome peculiar é uma marca de vinhos de um pequeno produtor no Douro, de seu nome Paterno Dias, que tem uma quinta com vinhas velhas no Vale do Rio Torto que tem a seu cargo o énologo Jean Hugues Gros.
Este tinto, reserva de 2004 vem loteado com uma grande variedade de castas, não estivessemos nós a falar de vinhas velhas, onde predominam a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Após a fermentação clássica em lagares, apenas 20% do lote estagia em barricas de carvalho francês, ficando o resto a estagiar em inox.

Além da minha prova, vejam também esta do Saca-A-Rolha
Com 14%Vol. e com grande concentração na cor, bem rubi e retinto.
No nariz, o vinho tem uma entrada muito fresca, irrequieto, transportando-nos logo para um dia primaveril no Vale do Douro, com muitas e muitas notas violetas, muita vegetação fresca, esteva, rosmaninho, ligeiras notas de tinta da china e um fundo balsâmico que ainda ajuda mais a alegrar o conjunto. Nesta frescura imensa, a fruta também dá de si, com as bagas silvestres a predominarem. Bem equilibrado o nariz, apesar do nervo que ainda apresenta. Por vezes dá ideia de se sentir os aromas do engaço. O pequeno estágio em madeira não se quer mostrar, mas talvez tenha sido ponto influente para esta afinação aromática.

Na boca, muito extraído e de acidez elevada, com um bom volume de boca, muito concentrado, quase pastoso, a fruta fresca é predominante, com os taninos bem presentes mas não desconcertantes. Está ainda um pouco novo o vinho, e tem alicerces para dormir mais um pouco, até os taninos arredondarem um pouco mais. O final de boca é afinado, fresco e anisado mas com uma duração e complexidade que poderiam ser um pouco maiores.
É um tinto muito carregado, cheio de garra, um pouco monocórdico e a precisar de acalmar ainda um pouco. No entanto, para o preço está muito bem. Uma boa opção para pratos pesados.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 9800 garrafas

sexta-feira, março 02, 2007

Vinho Português Parkerizado?

Há uns tempos, o país vinícola abanou...
Não se tratou de nenhuma réplica de um sismo, mas a notícia da chegada de um "Wine Taster", Mark Squires, do grupo Robert Parker ( talvez o nariz mais independente e afinado do mundo, pelo menos é o que consta ) com o objectivo de provar o vinho Português.

Pelos vistos, as ondas negativas que se geraram não foram assim tão importantes, pois os produtores não tiveram tempo de fazer vinho à moda americana ( com as castas que eles tanto gostam, com as maturações excessivas, ao estilo novo mundo), e os resultados foram simplesmente os seguintes...

Vinhos acima de 90 ( Mark Squires para já provou só quase Douro's):

2003 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 96
2004 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 95
2001 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 95
2004 Batuta 95
2004 Abandonado 95
2000 Quinta Do Fojo 95
2000 Quinta Da Manuela 94
2005 Redoma Reserva Branco 94
2004 Curriculum Vitae 94
2004 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 94
2003 Duas Quintas Reserva Especial 94
1999 Barca Velha
94
1994 Reserva Ferreirinha 93
2004 Quinta do Vale Meao Tinto 93
2003 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 93
2003 Quinta do Crasto Tinta Roriz 93
2000 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 93
2004 Chryseia 93
2004 Quinta Vale D Maria 93
2003 Curriculum Vitae
93
2004 Charme 93
2004 Redoma 92
2005 Redoma Branco 92
2003 Casa de Casal de Loivos 92
2001 Domingos Alves de Sousa Grande Escolha
92
2003 Cortes de Cima Reserva 92
2000 Quinta Da Gaivosa 92
2004 Poeira 92
2003 Chryseia 92
2004 Quinta do Crasto Touriga Nacional 92
2003 Quinta Do Vallado Reserva 92
2004 Duas Quintas Reserva Especial 92
1989 Reserva Ferreirinha 92
2003 Xisto 92
2003 Quinta Da Leda 92
2003 Pintas 92
2000 Carm Cm 91
2004 Carm Grande Reserva 91
2003 Quinta de San Joanne Escolha
91
2000 Quinta Da Leda 91
2003 Duas Quintas Reserva 91
2003 Quinta Do Portal Auru 91
2004 Dorado 91
2002 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 91
2004 Casa de Casal de Loivos 91
2003 Quinta Vale D Maria 91
2003 Lavradores de Feitoria Grande Escolha 91
1999 Vinha Do Fojo 90
2003 Dona Maria Reserva 90
2004 Herdade de Malhadinha Nova
90
2003 Marques de Borba Reserva
90
2003 Domingos Alves de Sousa Quinta Da Gaivosa 90
2003 Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 90
2004 Incognito 90
2004 Quinta Dos Quatro Ventos 90
2004 Quinta Da Terrugem 90
2002 Quinta Da Terrugem 90
2003 Quinta do Crasto
90
2003 Quinta Do Portal Grande Reserva 90
2002 Quinta de Roriz Reserva 90
2004 Quinta de la Rosa Reserve 90
2005 Quinta de Covela Escolha Branco 90
2001 Casa de Santar Touriga Nacional
90
2001 Casa de Santar Reserva
90
2004 Quinta Da Leda 90
1998 Colheita Ferreirinha 90
2003 Vinha de Mazouco Reserva
90
2004 Duas Quintas Reserva 90
2003 Carm Reserva 90


Que dizer?
Estamos em grande?

As tais castas "esquisitas" que o Douro tem não têm potencial?
É que neste primeiro relato só quase vejo vinhos do Douro!
Parece-me que o Sr. Mark Squires não diria o mesmo agora na entrevista que deu à Blue Wine...

Parabéns a todos os vinhos com estas magníficas pontuações.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Grande Noite do Vinho

E já la vai...
A grande noite do vinho, o jantar da entrega de prémios da Revista de Vinhos este ano foi, como se soube, na Alfândega do Porto, e nós, malta dos blogs lá estivémos.
A noite começou no salão do piso térreo da Alfândega foram servidos vários acepipes com Alvarinhos e Espumantes e houve tempo para cumprimentar muitas personalidades do vinho que já nos vão conhecendo a pouco e pouco.

Quatro elementos do Vinho a Copo, o Copo de 3, o Pingas no Copo, o Saca-a-Rolha e o OsVinhos foram os meus companheiros de uma looooooonga noite.
Lá bem no fundo, na mesa 81 ( afinal eram 84, o que mostra que já subimos 3 lugares!!), e com uma mesa de vinhos mesmo atrás de nós, formámos uma autêntica equipa de Rugby e conseguimos degustar à mesa quase todos os prémios de excelência e/ou os melhores vinhos nacionais.
Enfim, foi uma grande noite, longa e cheia de alegria, e claro onde o mais importante foi saber os prémios entregues. Aqui fica a lista de premiados:

Vinhos de Excelência:
Espumante Murganheira Vintage 2002
Muros de Melgaço 2005
Redoma Reserva Branco 2005
Abandonado 2004
Barca Velha 1999
Batuta 2004
Charme 2004
CV 2004
Pintas 2004
Vinha da Ponte 2004
Vale Meão 2004
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Tinto 2004
Quinta Foz Arouce VV Santa Maria 2003
Pancas Premium 2003
Leo D´Honor 2003
Hexagon 2003
Marques de Borba Reserva 2003
Esporão Private Selection Tinto 2003
Torre do Esporão 2004
Herdade dos Grous Reserva 2005
Pera Manca Tinto 2003
Herdade do Perdigão Reserva 2004
Quinta do Mouro 2003
Dourat 2003
JMF Moscatel Roxo 1971
Dom Rozés 40 anos
Krohn 1966
Blandy Bual 1948

Prémios do Ano:
Escanção do Ano – Ritz
Restaurante tradicional – O Galito
Restaurante do ano – Amadeus
Jornalista – José Quitério
Garrafeira – Veneza
Associação Viticula – Instituto Superior de Agronomia
Produtor Revelação – Altas Quintas
Produtor do ano – Domingos Alves de Sousa
Cooperativa do ano – Pegões
Empresa do ano – Niepoort e Dão Sul
Empresa do ano generosos – Bacalhôa
Viticultura do ano – Real Companhia Velha
Enólogo do ano – Luis Duarte
Enólogo do ano generosos – Charles e Peter Symington
Enoturismo do ano – Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Senhor do Vinho – José Casais

Os meus parabéns ao Chef Hélio Loureiro pelo magnífico trabalho que conseguiu, afinal de contas servir 800 pessoas numa noite não deve ser tarefa fácil, e com a qualidade elevada com que foram servidas mais difícil será. Como tudo na vida, o caminho para a perfeição só está ao alcançe de alguns. O prato de bacalhau e a sobremesa de chocolate estavam divinais... Só faltou mesmo um Vintage para terminar. Não se pode ter tudo. Em nome do Vinho da Casa deixo uma vénia e um "muito obrigado" à Revista de Vinhos pelo belo jantar e cerimónia que proporcionou.


Para o ano haverá mais! Isto se nos quiserem aturar outra vez....

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Vinho no Porto

O Porto este fim-de-semana receberá o momento mais alto do ano no panorama vínico.
Falo-vos do jantar e cerimónia da entrega de prémios d'OS MELHORES DO ANO da Revista de Vinhos. O Vinho da Casa e todos os outros blog's de vinho foram convidados. Acho muito curioso e gratificante que a maior revista da especialidade nos observe e reconheça o nosso trabalho/hobby. Eu certamente serei um dos, senão, o mais novo ali presente. ( a não ser que os produtores levem os filhos de 22 anos :) )

Nesse mesmo dia 16, arranca o outro maior evento vínico nacional, o já bem conhecido ESSÊNCIA DO VINHO, com mais de 2000 vinhos em prova e 250 produtores. Sim, 2000!!!!
O programa está no site da Essência do Vinho, é só um clique aí na lista de links do lado direito.
Como apaixonado pelo vinho que sou, estarei lá sábado e domingo de copo na mão.
Se alguém me quiser pagar um copo é só dar uma apitadela! 916005100
Haverá ainda tempo para um jantar no sábado à noite onde eu e o blog Saca-A-Rolha e mais uns amigos estaremos presentes.


Estes 3 dias vão ser de loucos.
Até segunda-feira!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Arrojo Reserva 2004

Da Companhia de Vinhos do Douro, sai para o mercado pela primeira vez a Marca Arrojo Reserva.
É um tinto feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca, plantadas em terrenos xistosos bem lá no longíquo Douro Superior.
O estágio é feito durante 12 meses em barricas novas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e um cor rubi de boa concentração.
No nariz, o vinho mostra-se fresco e cheio de juventude, com a fruta preta e as violetas tão características a darem alegria, as notas de xisto são aqui perceptíveis, com a baunilha e as notas tostadas a darem um claro toque de modernidade ao conjunto. Nota-se ainda um ligeiro vegetal que trás ainda mais à percepção a ideia de um vinho jovem.

Na boca, pronto para ser apreciado, muito equilibrado, estilo moderno e abaunilhado, com os taninos suaves e afinados. De bom volume e afinado, ainda que elegante o vinho é no entanto pouco complexo, preocupa-se mais em agradar do que a mostrar a sua personalidade. Está presente uma vez mais a fruta preta, nada doce, pois a acidez está bem colocada, num final abaunilhado, perfumado e cativante.
Um vinho feito para agradar a quase todos, num perfil pronto para beber, moderno,embora um pouco mais de profundidade não lhe faria mal. É no entanto uma boa relação qualidade preço no que toca a vinhos do Douro no patamar praemium.

Nota 16
Preço - Aprox. 10 euros


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Pequeno João 2005

A Herdade da Malhadinha Nova, é um projecto recente no país, mas que já está bem implementado no mercado, e dele já retirou muitas mais valias. De recordar os inúmeros prémios que o Malhadinha 2003 ou o Aragonês 2004 conseguiram arrecadar.
Situado a sul de Beja, esta herdade Alentejana aposta na qualidade e modernidade dos seus vinhos. Luís Duarte e Ian Richardson apoiam a família Soares.
Na colheita de 2004, este produtor lançou um novo produto com uma garrafa muito peculiar, de apenas 0,5l, imitando as bem conhecidas garrafas de Sauternes.

Em 2005, sai a 2ª versão deste Pequeno João, feito com Cabernet Sauvignon e Aragonês, 40% cada e 20% de Syrah e com um estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Com 15% e opaco na cor, que denota grande concentração.
No nariz, encontra-se um aroma complexo, bem maduro e com uma envolvência tostada de bom nível. Os aromas químicos surgem no primeiro impacto, onde aparecem depois as notas de fruta bem madura lembrando ameixa preta e algumas pétalas de violetas. Consegue-se perceber também que o Cabernet está aqui muito bem ( sem o tal pimento verde que “só” os portugueses conseguem ter), com muita especiaria, cravinho e canela.

Na boca, acetinado, de baixa acidez, quase doce, perfil torrado da madeira, com baunilha, café, taninos presentes mas bem maduros. Encorpado e quase mastigável, com o álcool bem integrado no conjunto a fruta aparece uma vez mais bem madura e com grande extracção, num final longo e especiado com notas de pimenta verde.
É um vinho com uma grande extracção, com complexidade, encorpado e onde se nota a predominância do Cabernet Sauvignon muito bem trabalhado, embora a parte floral do Aragonês também não esteja esquecida. Mas este vinho marca mesmo pela qualidade do Cabernet.

Nota 17
Preço – 20 Euros
Produção – 4140 garrafas (0.5l)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Dona Maria 2005

De volta ao Alentejo...
Dona Maria, são actualmente os vinhos produzidos por Júlio Tassara de Bastos, na zona de Estremoz onde explora 53 hectares de vinha, distribuídos pelas vinhas de Dom Martinho, Monte do Abreu e Quinta do Carmo.
D. João V esteve em tempos, tremendamente apaixonado por uma artesã, de seu nome Dona Maria, e como prova da sua paixão, adquiriu a Quinta do Carmo e ofereceu-a à sua amada.
Em prova esteve o branco de 2005, feito com 60% de Roupeiro, 20% de Arinto e 20% de Antão Vaz.

Com13,5%Vol, mostra uma boa cor amarelo esverdeado, brilhante e com uma concentração média.

No nariz, não muito exuberante, mas afinado, aparecem as notas frutadas e citrinas em primeiro plano, com limão, folha de limoeiro, ananás, algum chá e uns ligeiros aromas de cápsula de medicamento. Fresco, muito fresco, com um lado vegetal verde e bem primaveril também presente e com um ligeiro fundo mineral dando alguma complexidade ao conjunto bastante equilibrado.

Na boca, o vinho mostra-se uma vez mais um pouco tímido, apesar do bom corpo que tem, com um bom volume de boca, com a acidez bem integrada, mas com os aromas citrinos e algum verde a trazer frescura. Este perfil trás elegância, num final surpreendente, onde as notas tropicais aliadas a um ligeiríssimo fumado se prolongam muito bem no tempo.
Como já disse, é um vinho que prefere ser calmo e pouco falador, conseguindo com isso ter um perfil elegante e bastante equilibrado e sem qualquer desafinação.
Bem capaz de ir para a mesa, pois tem estrutura para isso.

Nota 15,5
Preço 7,50 euros
Produção 17 500 garrafas

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Encosta do Sobral 2005

Tomar foi a cidade que me acolheu até à minha vinda para o Porto em 2001.
O Porto é uma cidade fantástica, moderna e pura, mas Tomar é sem dúvida alguma a cidade mais bonita do nosso país.
Nas encostas xistosas da Serra de Tomar, entre uma sinuosa estrada que todos os anos faço com a minha família até chegar à Albufeira de Castelo do Bode fica a Encosta do Sobral, projecto recente da família Sereno e ajudado pelo enólogo João Melícias.
O branco de 2004, no painel da Revista de Vinhos onde o tema era "Brancos com madeira", ficou num belíssimo segundo lugar.
Este branco de 2005 é feito com Fernão Pires, Arinto e Malvasia, onde 10% do lote vai para a madeira de carvalho francês e americano durante 2 meses.

Com 13%Vol. tem uma cor amarelo palha de ligeira concentração.
No nariz, fresco e um pouco abaunilhado, mostra uma boa entrada citrina, casca de laranja, limão, alperce e com algum vegetal fresco associado, e um ligeiro tostado a trazer-lhe alguma complexidade.

Na boca, de médio corpo, com a acidez crispante, frutado, com as notas limonadas a darem muita vivacidade ao conjunto, sempre com as notas vegatais associados, trazendo-lhe um lado seco na boca, permitindo mesmo um final com ligeiro amargo, com notas de avelã e ligeiras nuances da madeira.
Um vinho algo sui generis, pois tem uma grande frescura e uma acidez alta, que nos pede para ser bebido a solo, mas com algum corpo e um pouco amargo que nos diz que é melhor levá-lo para a mesa. Vai depender do estilo de cada um. Não se pense que é um vinho desequilibrado, antes pelo contrário, tem é o seu perfil. Será dos ares da serra e dos terrenos xistosos escondidos em pleno maciço calcário estremenho?

Nota 15,5
Preço 4 euros
Produção 10500 garrafas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Apegadas Quinta Velha Reserva 2004

Depois de provado aqui o Apegadas Quinta Velha 2004, aparece para prova o seu irmão, o Reserva.
Este é feito com uma selecçao de diferentes parcelas da Qta. Velha, situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, com um estágio de 12 meses em Carvalho Húngaro e Americano.

Com 15%Vol. e uma cor rubi de boa concentração.
No nariz, a madeira está bem presente, tostado, onde os aromas a folhas de tabaco, a baunilha, a erva seca, algumas especiarias que se sobrepõem à fruta, com compotas de frutos pretos e um toque de grafite muito cativante que lhe trás alguma frescura no aroma. Nota-se aqui um estágio em madeira de bom nível, ainda que não completamente casado com o lado floral e frutado do vinho.

Aveludado na boca, de bom volume de boca, mais espesso que o colheita, com uma frescura trazida pela boa acidez e pelo ligeiro perfil mineral. Nota-se uma excelente maturação das uvas, com fruta muito madura, com bons taninos mas sem desafinarem ajudam a uma boa prova. Aqui já se vê um melhor equilíbrio do vinho, com a madeira bem integrada, que proporciona um final de bom nível com charuto e café a ficarem no palato.
É um vinho mais afinado na boca que o colheita 2004, e mesmo com mais meio grau, o bom volume e a boa densidade não deixam o álcool desequilibrar o vinho. No entanto continue-se tal como o anterior a beber à temperatura correcta.

Nota 16,5
Produção 1800 garrafas
Preço 20 euros

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tokaji Aszú 5 Putonnyos 2000 ( Grof Degendelf )

Pela primeira vez o Vinho da Casa dá a conhecer um vinho de colheita tardia da região Húngara de Tokaj-Hegyalja.
Vindo do produtor Grof Degendelf, é um vinho feito com uvas vindimadas mais tarde do que o normal, com o fim das mesmas poderem ser atacadas por um fungo de seu nome botrytis cinerea que lhe vai trazer grandes níveis de açucar e aromas inconfundíveis.
O nível de açucar residual é depois escalonado de forma ascendente em puttonyos, desde o 3 até ao 7. Este 5 puttonyos provado tem 135 gramas/litro de açucar. Devido a esta doçura, é um tipo de vinho que deve ser apreciado a 10ºC.

Tem 11,5%Vol. e uma bonita cor laranja dourado.
No nariz, os aromas aparecem aqui de forma mais que exuberante, dando vontade de ficar a cheirar o copo por longos minutos... As notas húmidas da terra, o funcho, os figos, o mel, o maracujá, algum tabaco fresco, a casca de laranja, as amendoas... Tantos e tantos aromas que se descortinam de cada vez que se leva o nariz ao copo, demonstrando assim uma enorme alegria e uma boa complexidade.

Na boca, untuoso e quase licoroso, suave e delicado, mas no entanto muito doce, quase parecido com o xarope para a tosse, com o mel, a maça assada a aparecerem bem conjugados com os frutos secos, num final longo e ligeiramente enjoativo, sinceramente estava à espera de contar com mais profundidade, com uma acidez capaz de aguentar o açúcar e por aquilo que mostrou no nariz. Não se mostra tão complexo na boca.
Um vinho muito bom para a sobremesa, mas que tem o seu auge como entrada, ao lado de um foie gras. À falta de melhor, acompanhei com mousse de pato e a ligação foi estupenda.

Nota 16,5
Preço - À volta de 5000 Forits Hungaros ( 20 Euros)


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Redoma 2004

Redoma, dizem os dicionários que é uma campânula de vidro, convexa, destinada a guardar do pó objectos delicados. Para mim, uma redoma é uma garrafa bordalesa que envolve um delicado líquido feito pela casa Niepoort, onde em 0,75 l se tenta reflectir o Douro no seu todo.
Na Niepoort, a colheita de 2004 é simplesmente magnífica, super-equilibrada e com vinhos excepcionais. Das vezes que os provei pelos vários eventos e jantares, o Redoma para mim é um vinho fenomenal, e até o prefiro ligeiramente ao Batuta ( mais tarde publicarei a nota de prova). O Charme, claro, é de outro estilo.
Não apenas nesta casa, penso que a colheita de 2003 levará sempre a melhor no que toca a vinhos do Douro, pois o peso da colheita de Porto's de 2003 é algo difícil de transpôr.
Para aqueles que me seguem fielmente ( sim vocês os 3), acreditem, 2004 é um grande ano para os vinhos do Douro e bem melhor que a colheita de 2003.
Este tinto foi a primeira grande marca que Dirk Niepoort implementou na sua casa no que toca a vinhos tranquilos, desde o início dos anos 90. Provém actualmente de variadas vinhas velhas viradas a norte, todas com mais de 60 anos, com castas tradicionais do Douro, algumas menos conhecidas actualmente, tais como o Tinto Cão, a Tinta Amarela, a Tinta Francisca e o Sousão.
O lote estagia durante 18 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 14%vol e uma cor rubi com reflexos púrpura de grande concentração.
No nariz o vinho mostra classe, profundidade, com uma entrada fresca e ligeiramente química, quase lembrando borracha e algum eucalipto. Com o agitar do copo, a excelência da barrica dá de si, com as notas tostadas e o cheiro a móvel encerado a desmultiplicar-se com a esteva e a fruta, com amoras, ameixas pretas e romãs, num fundo mineral com aromas de grafite.

Na boca, carnudo, o vinho tem uma densidade muito boa, quase mastigável, com taninos de grande nível, muita fruta fresca, especiarias e chocolate preto. A capacidade de preencher todos os cantos da boca neste vinho é incrível. Tudo isto numa envolvente suavidade digna de um grande vinho, elegante e com um final muito bom, mineral, onde as notas de baunilha e especiarias se prolongam... e prolongam e prolongam.
É um prazer beber este vinho, completamente afinado e muito bem trabalhado. Aguerrido mas delicado, bruto mas bem-educado, cativante e persuasivo. Quase de certeza que estará cá para ser apreciado durante largos anos.

É um fusão talvez da rusticidade e tipicidade das áridas mãos dos trabalhadores das terras durienses e da elegância e civismo das gentes das terras baixas metidos dentro de uma Redoma, perdão, garrafa.

Nota 18,5
Preço - 25 euros
Produção - 18300 garrafas

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Grou 2 2004

Em Cabeção, na Soc. Agrícola do Vale da Joana, nasceu um novo projecto na colheita de 2004, apesar de naquela localidade o património vitvinicola já existir desde 1836, com registos de vinhas pertencentes à família Nunes Barata.
Nos dias de hoje, Nunes Barata convidou Anselmo Mendes a trabalhar em pleno Alentejo, e o resultado são 56 hectares das mais variadas castas, com predominância na Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Trincadeira, Syrah e outras com menor peso como, Cabernet, Tinto cão, Bastardo e Baga.

Além deste Grou 2 2004, foi feito também o Grou 2004, e na colheita de 2005 apareceu um novo vinho, Grou 2 Reserva. Todos estes vão ser alvo de apreciação pelo Vinho da Casa, ficando este Grou 2 2004 como o primeiro a ser "testado".
É então um vinho feito só em Inox, sem qualquer contacto com a madeira, e que tem no seu lote Aragonês, Trincadeira e Syrah.

Com 13,5%vol apresenta uma tonalidade granada de ligeira concentração, bonita e límpida.

No nariz, mostra-se bem vivo, com notas de ameixa preta a saltar do copo, muitos morangos, algumas especiarias e um vegetal fresco, envolvidos num perfil fresco e balsâmico e com aromas quase lembrando borracha e/ou alcatrão.

Na boca, o vinho volta a mostrar uma vivacidade de se lhe tirar o chapéu, muito fresco, acidez distinta dos "alentejanos", talvez a experiência nortenha de Anselmo Mendes tenha feito a diferença, com um corpo surpreendente para a tonalidade do vinho, pois os taninos estão ainda presentes, mas bem suportados pelo volume de boca, permitindo uma boa prova, com a fruta vermelha a marcar, casca de maçã vermelha e uns toques minerais. Bom final, com a fruta e a borracha a substituirem a madeira que não está cá.
Um vinho diferente, num estilo fresco e "unoaked" e que pela nota que tem merece ser provado.

Nota 16,5
Preço 7 euros
Produção 15000 garrafas