Pois é... Já faz um ano desde o 1º post no Vinho da Casa. Um para mim, trinta e três para a liberdade. Não faço a mínima ideia se este blog teria lugar nos tempos escuros e deprimentes da nossa ditadura, pois já nasci em plena liberdade. Nunca experimentei a ditadura, mas também não faço tenções para isso.
Ao longo deste ano muito aprendi, muito li, muito ouvi, e claro, muito provei. Tive oportunidade de conhecer alguns produtores, participar em muitas provas, participar em eventos vínicos conhecer outros malucos como eu que dedicam um blog ao Vinho e conhecer sobretudo muitos enófilos perdidos na maré...
Foi um ano muito intenso, e que me obrigou a levar isto com mais seriedade do que a que eu estava à espera. Sou um puro amador, mas sinto que este espaço que criei me abriu oportunidades para melhor aprender e para me esforçar por isso, pois mais não seja com um blog estou exposto, logo aberto a críticas. Durante estes 365 dias tive cerca de 31.500 visitas e quase 19.000 visitantes. Pode ser pouco, eu sei, mas para mim é um número que me assombra. São cerca de 85 visitas diárias ao meu blog. A todos eles e por todos eles o muito obrigado por terem feito com que este blog tivesse andado para a frente, pois para aqueles que me conhecem melhor sabem que só funciono sobre pressão. Continuem-me a pressionar para ver se aprendo um pouco mais a cada dia que passa.
Como espaço pessoal de crítica e prova de vinhos ( é assim que defino este blog), nada melhor que brindar o 1º aniversário com dois excelentes vinhos. Um deles, feito com lotes de colheitas ainda no tempo do nosso (infelizmente) imortal ditador. Falo-vos dum Porto 40 anos de grande nível, engarrafado em 2000 para a celebração do milénio. O outro, um dos grandes vintages do século passado, pois ainda agora nesta edição de abril da Revista de Vinhos foi a estrela da prova no painel de vintages da mítica(?) colheita de 1994. Curiosamente este dois vinhos são a 99º e a 100º nota de prova publicada. Espero aumentar o número de notas de prova, o que vai ser difícil, pois estou a terminar a minha licenciatura e a vida de estudante é difícil. Prometo no entanto, que não baixarei de duas notas de prova por semana.
Um grande bem haja para todos os que seguem o meu projecto, e viva a liberdade!
Sandeman 40 anos
Coloração ambar com reflexos castanho-avermelhados.
No nariz, mostra-se exuberante e hiper-complexo, repletos de aromas profundos com uma limpeza enorme, madeira molhada, funcho, canela,charuto, frutos secos em grande abundância, amêndoas, nozes, notas licorosas. Tudo muito equilibrado e com um nível impressionante, um vinho que nos prende ao copo a nos deixa preplexo a cheirá-lo tentando perceber como é possível. São poucos os 40 anos que provei, mas este aroma é inexplicável e senhor de uma classe única.
Na boca, extremamente melado, com uma acidez muito equilibrada com o açucar, trazendo uma sensação de harmonia ímpar, suave e fresco, cheio de complexidade, deixando notas de geleia e muita especiaria, num final ascendente e interminável. O palato fica inundado de aromas e de seda seguramente bem mais de um minuto.
Um vinho único e que provoca sensações inexplicáveis. Por muito que tente, não consigo escrever o que senti.
Nota 19
Graham's Vintage 1994
De cor rubi, ainda com uma boa densidade, com ligeiros reflexos vermelho escuro no anel.
No nariz, sizudo e sem se querer mostrar, muito austero e senhor de si, a pouco e pouco mostra uma extrema complexidade aromática, com fruta preta muito madura, erva seca, especiarias e um perfil vegetal de fundo ao lado de um traço balsâmico e floral. Mostra-se claramente narcisista e irritado por o termos acordado.
Na boca, a mesma sensação se verifica, com extrema potência e estrutura, carregado de frutos pretos, num perfil não muito guloso, algo seco, com taninos de grande classe e cheios de potencial, mostrando que ainda está aqui para as curvas e disposto a proporcionar grandes alegrias a quem o provar no seu auge. Embora não tenha obviamente capacidade para prever quando estará no seu apogeu, esta altura não é certamente e ainda não passou. Final longo, fresco, com clara predominância no chocolate preto misturado com fruto preto e ligeira especiaria.
Deu-me muito prazer em prová-lo, mas deu sobretudo para ter noção do que é um Vintage "fechado para obras". Segundo diz a Revista de Vinhos, e ainda bem que o diz, é um Vintage para guardar.
Nota 18,5
As notas são meramente indicativas do prazer que me deu, e daquilo que eu acho que valem, ainda assim não tenho qualquer pudor em assumir o que escrevo ( viva a liberdade de expressão camaradas)... Também é verdade que não tenho "estaleca" para avaliar Vintages ou Tawny's deste nível, já nos tintos e brancos é o que é. Talvez para o ano, ou para o próximo quem sabe!
Obrigado a todos vós mais uma vez...
25 de Abril Sempre
Como diz um dos meus compositores portugueses preferidos:
APRENDE A NADAR COMPANHEIRO...
QUE A MARÉ SE VAI LEVANTAR...
QUE A LIBERDADE ESTÁ A PASSAR POR AQUI...