segunda-feira, julho 16, 2007

Niepoort Vintage 2005

Depois do sucesso que foram os magníficos Vintages de 2003, a Niepoort não lançou qualquer Vintage em 2004, talvez carregando baterias para voltar a encher-nos de alegria e satisfação com mais um grande Vintage. Segundo a Niepoort 2005 foi um ano atípico com dias muito quentes e dias muito húmidos durante a vindima. A produção foi alta mas com bagos bastante pequenos, favorecendo a concentração dos taninos e da cor.

Este Vintage de 2005 é feito com uvas da Vinha da Pisca, Vale do Pinhão e do Ferrão, com as castas, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão e Tinta Roriz, todas elas com mais de 60 anos. Este lote de 2005 já o tenho vindo a provar nesta e naquela ocasião e sempre me deixou com muita vontade que passassem os tais dois anos obrigatórios para se poder ver o vinho engarrafado. Dois anos já passados então, o lote foi engarrafado agora em Julho de 2007, e com isso chega a altura da prova dos nove.

Óbviamente com 20%Vol e uma cor retinta, absolutamente preto com algum reflexo violáceo.
No nariz, extremamente jovem e com uma enorme austeridade, as primeiras notas que surgem são alguns toques químicos ( tinta da china), algumas sugestões minerais muito frescas e uma farta camada de fruto preto, lembrando amoras pretas. Com o tempo no copo, o aroma começa a dar cambalhotas, parecendo que começam a despontar aromas disto e daquilo. Chocalate negro, esteva, terra menta...tudo aqui está perfeitamente harmonioso e com uma frescura ímpar. Não é daqueles vintages novos que cativam à primeira pelas sugestões de compotas muito maduras, mas sim pela enorme frescura e austeridade.

Na boca, estupidamente potente, com grande volume e capacidade de preencher tudo, torna-se mastigável e extremamente viciante. Apesar dos taninos estarem bem presentes, dá muito prazer a provar, pois são finos, com acidez elevada, não muito doce e onde o vinho e a aguardente se mostram perfeitamente integrados. Fruta preta e especiarias dão-nos um longuíssimo final, ligeiramente seco, forrado a cetim, crescente e apelativo. Quando se pensa que beber Vintages novos é como andar de Ferrari, com motores V8 com centenas de cavalos, pneus largos e um barulho estonteante... Aqui com este Vintage, temos o mesmo motor, cheio de vitalidade mas num verdadeiro Bentley. Tudo é fino e elegante, sem nunca enervar ou assutar o provador. Um grande Vintage, feito por uma casa que cada vez mais se afirma nos Vintages ( embora sejam um dos mestres dos Colheita's). Gostei muito do 2003, mas aqui talvez as proporções estejam ainda mais equilibradas, onde a mesma potência existe, mas está mais afinada e sobretudo mais fresco.

Nota 19
Produção 32.000 garrafas

PS - O Copode3 publicou também este Vintage, decidimos publicar ao mesmo tempo, pois tivémos a possibilidade de o beber juntos, e quando os vinhos são deste nível, as memórias devem ser partilhadas.

sexta-feira, julho 13, 2007

Relato do Vinum Callipole 2007

Dia 7 de Julho, houve um Blog que teve a enorme coragem e determinação de organizar um evento no Alentejo. Ao que sei, penso ser o único evento dedicado ao enófilo que vai passar a existir naquela que é a maior região do país. Pois bem, esse blog foi o Copo de 3, e o homem que dá a cara ao projecto é o bem conhecido Alentejano de nome João Pedro Carvalho.


Gostei muito do local. Os Claustros do Convento dos Capuchos de Vila Viçosa são muito bonitos, e ao que soube é o único seminário a funcionar da arquidiocese de Évora. O Vinum Callipole 2007, na perspectiva do organizador foi considerado o ano ZERO, pois foi um pouco uma experiência e com vista a saber se valerá a pena continuar ou não. A meu ver, foi já o ano UM e de certeza que veio para ficar. Para o ano, talvez seja preciso rever a publicidade e tentar fazer numa hora mais fresca pois esteve imenso calor até as 19horas e foi impossível provar tintos, pois a vontade era de beber água fresca. Como elementos positivos tenho que registar sem dúvida os seguintes, ambiente acolhedor, o espírito do organizador, a presença de produtores de referência e o espaço disponível, não houve uma única cotovelada!

Por iniciativa minha e do João Pedro, acabámos por realizar uma prova de vinhos brancos. Foi uma tentativa de Volta ao Mundo. Provámos vinhos de Portugal, Espanha, França, Itália, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Áustria Foram convidados enófilos amigos, distribuidores e alguns enólogos para a prova. Levei cá do Norte, com a cooperação da UVA, Niepoort e da Companhia de Vinhos do Douro alguns vinhos para a prova. Estiveram também variadíssimos queijos e pão da Confraria do Pão.

Os claros vencedores do painel constituído por cerca de 20 vinhos foram:
Tiara 2006
Redoma Reserva 2006
Gaja Rossj 2003
Cape Mentelle 2004
Amantis Branco 2006
Conceito 2006

9 da noite, altura de sentar à mesa. Muitíssimo bem composta, com enchidos regionais, um cação de coentrada muito harmonioso, e carne do alguidar com 3 migas à altura. Houve clima para os produtores e enófilos darem a prova este e aquele vinho e tempo foi algo que houve, mau era, estávamos no Alentejo. Os vinhos foram muitos e bons. Não tive vergonha nenhuma de ir buscar uma champanheira enorme de inox e enchê-la de gelo para que se conseguisse beber tintos a 16 graus.
Das muitas amostras e novos vinhos que provámos à mesa marcaram-me os seguintes:
Alves de Sousa Reserva Pessoal branco 2003, Chateauneauf duPape Domaine du Pegau2004 Cuvée Reservée, Batuta 2003 ( Double Magnum 3 litros), Quinta da GaivosaVinha de Lordelo 2005, Odisseia Reserva 2005, Syrah 2005 da Herdade das Servas. Para as sobremesas, sericaia e enxarcada, regadas com dois vinhos Niepoort, um fantástico Vintage 2005 e um Colheita 1991.

Por último, e estando num seminário, houve que agradecer ao Convento. Um leilão muito animado, pelo menos o sino fartou-se de tocar, onde se juntou alguma dinheiro para doar. Lembro-me de um lote valer uns 150 euros, e uma garrafa vazia de 3 litros ser vendida por 65 euros. Resta-me dizer que valeu bem a pena os 900 kilometros que fiz que para o ano lá estarei. Agradeço ao Alentejano pelo dia que nos proporcionou. Deixo também os agradecimentos à UVA, Niepoort, Tasca do Joel e CVD Vinhos do Douro pelos vinhos que forneceram.

quinta-feira, julho 12, 2007

Grou 2 Reserva 2005

Já há uns tempos provei o Grou 2 2004 e o Grou 2004. Agora chega a altura de provar o vinho intermédio, que se estreia na colheita de 2005. Este Grou 2 Reserva 2005, Alentejano da zona de Cabeção tem um lote de Alicante Boushcet, Cabernet Sauvignon, Tricadeira e Aragonês. O estágio é feito em barricas novas e usadas de Carvalho Francês e Nacional.

No nariz, austero e já com alguma complexidade. Mostra notas de barrica bem presentes, com um aroma de móvel encerado, fumo, alguma terra. Todas estas notas em disputa com um claro perfil floral, violeta, muito fruto silvestre e alguns mentolados que trazem alguma frescura. Nota-se aqui um aroma muito jovem, a precisar de tempo para trabalhar ainda mais esta excelente matéria-prima.

Na boca, com uma entrada harmoniosa, fino, de perfil balsâmico e com fruta madura. A acidez é média mas numa boa conjuntura, onde os taninos estão algo secos. Tem um bom volume de boca, extremamente elástico, embora a madeira se mostre uma vez mais, o vinho é fresco e cheio de garra e não cai em sabores enjoativos. O final é longo, crescente, cheio de especiarias, tabaco e terra molhada. Um vinho que mostra um excelente preço, a precisar de calma para beber mas a dar desde já muito prazer, principalmente à mesa com pratos fortes. As castas Cabernet e Trincadeira, que por vezes apresentam notas mais verdes, mostram-se aqui muito bem trabalhadas, pois o vinho está bem maduro, mas não excessivamente maduro.

Nota 17
Preço 10 euros

terça-feira, julho 10, 2007

Versus Síria 2006

Vindo de Figueira de Castelo Rodrigo, este branco monovarietal vê em 2006 a sua segunda edição. É produzido pelo Vinhos Andrade de Almeida. Embora seja um vinho das Beiras, estas vinhas são bem próximas da região do Douro. Este produtor lançou agora também um rosé 2006 e está para lançar o tinto de 2005 que em breve provarei.
Segundo o portal Infovini a casta Síria é cultivada nas regiões do interior de Portugal. Já foi a casta branca mais plantada na região alentejana, onde é denominada Roupeiro, contudo, verificou-se que as temperaturas demasiado elevadas do Alentejo não eram benéficas para esta casta: os vinhos não tinham frescura, boa acidez e perdiam os aromas rapidamente. Assim, desenvolveu-se o cultivo da Síria nas terras mais altas e frescas da Beira Interior (nomeadamente na zona de Castelo Rodrigo) e Dão (onde a casta é conhecida por Alvadurão, Côdega ou Crato Branco). A Síria é uma casta muito produtiva de cachos e bagos pequenos. Apesar de ser bem resistente ao oídio e ao míldio é bastante sensível à podridão. Os vinhos produzidos com esta casta são delicados, frescos e elegantes.

Com 13%Vol tem uma jovem cor amarelo citrina de ligeira concentração.
No nariz, com apontamentos minerais e com algum vegetal inebriante, garantindo um nariz muito fresco e a pedir para abrir no copo. Com o arejamento no copo, surgem notas de relva, maçã, perfume floral e muito ananás. Um nariz elegante, fresco quase lembrando os brancos do Dão, principalmente nas notas minerais.

Na boca, com algum corpo, a entrada é correcta, onde a acidez é moderada. No entanto surge aqui alguma doçura, lembrando rebuçado de melão. Apesar da doçura o vinho não enjoa e mostra-se com alguma frescura. Final equilibrado e com algum comprimento, ligeiramente picante, no entanto um pouco doce uma vez mais, ficando o ananás a perfumar a boca. Um vinho bem para o preço, mais para a mesa do que para um fim de tarde, pois a doçura que cá está embora não enjoe, precisa de uma boa ligação. Embora de 2006, o vinho está mais que pronto para beber. Ao preço dele não é de recusar.

Nota 15,5
Preço 4,50 euros
Produção 8660 garrafas

sexta-feira, julho 06, 2007

Anima L4

Vindo da Herdade do Portocarro, este Anima L4 é um vinho de mesa muito particular. Na Herdade estão plantadas vinhas de Sangiovese, uma casta italiana que faz vinhos muito suaves e elegantes na região da Toscânia, onde são sobejamente conhecidos os vinhos de Chianti. Tal como se exige em Itália, José Mota Capitão e Paulo Laureano optaram por estagiar o vinho em barricas novas e usadas durante um longo período de 18 meses. Como é uma casta não autorizada, o vinho vem rotulado como Vinho de Mesa, mas facilmente se depreenderá que se trata de um lote de 2004.
Provei este vinho em prova cega o ano passado e fiquei na altura extremamente aliciado. Agora acabei por ter as condições ideais de o dissecar, em casa com copo de prova e temperatura adequada.

Com 13,5%Vol e uma cor granada de baixa concentração e ligeiramente cansada.
No nariz, a primeira impressão neste vinho é espectacular. Por mais distraídos que estejamos, ao meter o nariz no copo, parece que o alarme dispara, tal é a elegência extrema. Aroma muito fino e com uma tosta ligeira a embrulhar notas de bagas vermelhas. Complexo q.b., dá-nos a sensação de estarmos numa seara, assim como estarmos a cheirar uma caixinha de especiarias. A harmonia entre o vinho e a madeira é sensacional, onde por vezes pontificam umas notas de hortelã e algum chocolate preto

Na boca, com uma entrada delicada e sedosa, claramente apostando na elegância, com alguma frescura, mas com notas torradas e quentes bem características do seu terroir. A acidez é mediana, muito bem equilibrada, onde os taninos são muito finos, amaciados e cheios de classe. A tosta da madeira está plenamente integrada. O final de boca é longo, especiado, com notas de tabaco e bastante complexo. Um vinho para ser bebido com muita calma, onde é possível obter enorme prazer, pois a complexidade é muita e é preciso muito tempo para o compreender. Uma excelente aposta deste produtor e que para primeira colheita não está nada mau. Se assim continuar vamos ter um caso sério.

Nota 18
Preço 20 euros

quinta-feira, julho 05, 2007

Entrevista a Dirk Niepoort e algumas reflexões

Os Blog's de vinho vieram para ficar. Actualmente há talvez uma dezena de blogs portugueses, de gente inovadora, apaixonada com vontade de dar a conhecer ao mundo o que se produz por cá. É certo que todos gostamos de provar vinho, mas porque é que escrevemos? Porque não temos mais nada para fazer? Porque apenas queremos mostrar aos outros? Porque queremos ver se nos convidam para este jantar ou para aquele evento? Para andar a beber à borla?
Para mim a resposta mais óbvia é que o vinho português deve e merece ser divulgado na Internet. Em Espanha há comunidades enormes de Catas de Viño, nos USA todo e qualquer crítico tem um site com Tasting Notes, etc etc...
Cada vez mais vai havendo produtores em Portugal atentos aos Blog's e com vontade de nos conhecer e de nos apoiar naquilo que fazemos, que não é nada mais que divulgar o vinho na Internet. É bom que tenhamos esse reconhecimento, pois dá-nos ânimo para avançar, veja-se por exemplo o caso do blog Copo de 3, que este sábado já vai arrancar com um evento. Faça-se uma pesquisa no Google sobre um vinho provado entre nós e veja-se os resultados que aparecem! O que eu sofri por vezes por pesquisar sobre um vinho na net e nada encontrar, além de clubes de vinhos a vendê-los. O Projecto NovaCrítica-Vinho é outro bom exemplo, com imensas notas de prova, até com acesso através de SMS, e com um fórum por vezes muito dinâmico. O ClubeOptimus Vinhos também já conta com mais de 1000 vinhos provados e tem também um fórum onde se discute abertamente. Sei que não é fácil escrever, mas o prazer de ver os nosso pensamentos e ilações sobre vinho expostos aos olhos do mundo, e às críticas desde os amigos aos simples anónimos é reconfortante e encorajador, sejam elas boas ou más críticas. Aliás as más críticas ainda nos dão mais vontade de melhorar o nosso trabalho. Como estamos praticamente no fim da época, apeteceu-me fazer este ponto, esta reflexão. Agradeço a todos os que nos visitam e a todos os que gostam de vinho, e que são pelo vinho. Que venham mais blogues de opinião! ( Chapim eu sei que estás com ideias, vá lá não custa nada...)

Passando agora a outro aspecto, gostava que lessem a seguinte entrevista:
ENTREVISTA A DIRK NIEPOORT ( CLIQUEM NO LINK)

VINUM CALLIPOLE 2007

Ajudando a publicitar o evento promovido pelo meu amigo João Pedro do blog Copo de 3:


VINUM CALLIPOLE – 2007
7 Julho | 16h – 20h00
Claustros do Convento dos Capuchos Vila Viçosa

Entrada: 5 € Copo Schott Din Sensus incluído
Linha de Informação: 967 344 226
copo_de_3@hotmail.com
www.copod3.blogspot.com
Nota: as entradas são limitadas, aconselha-se a reserva com antecedência.

Numa iniciativa d´ O Copo de 3, decorrerá no próximo dia 7 de Julho, nos Claustros do Convento dos Capuchos, em Vila Viçosa, o evento Vinum Callipole 2007, com a participação de alguns produtores de vinho, a nível nacional.
Um evento em que poderá provar o que de melhor eles têm para nos oferecer, assim como, e de um modo informal, falar com produtores, enólogos e responsáveis, sobre os vinhos presentes, o que têm no mercado e as novidades que estão para aparecer.

PRODUTORES PRESENTES
Herdade das Servas, Ervideira, Cortes de Cima, Herdade da Malhadinha Nova, Herdade do Portocarro, Alves de Sousa, Azamor Wines, Adega Cooperativa de Borba, Vinhos Dona Berta, Álvaro de Castro, Bago de Touriga, Quinta da Lagoalva, Dona Maria, Comenda Grande

Vai ser de certeza um espectacular evento, dedicado aos apaixonados pelo vinho e a todos os interessados no sector. Os produtores presentes não precisam de apresentações.
Eu vou lá estar!

segunda-feira, julho 02, 2007

Fagote 2001

6 anos já lá vão desde 2001...
Provar um vinho tinto de gama média do Douro de 2001, pode ser segundo muitas opiniões, algo arriscado. Dizem que os vinhos do Douro não têm longevidade, e que até já há muitos topos de gama de 2000 e 2001 que estão acabados.
Este Fagote de 2001, foi feito com Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Barroca e um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 13%Vol mostra uma cor ainda bem carregada nos tons granados, com ligeira evolução no anel do copo.
No nariz, austero e cheio de raça, com um perfl marcadamente mineral e com ligeiros toques vegetais. Notas de chocolate, erva seca, pinheiro trazendo algum rusticidade ao conjunto. A fruta está em segundo plano, mas bem densa, com ameixa e frutos pretos. O aroma, evoluído, está claramente muito equilibrado, mostrando a madeira em perfeita sintonia, com folhas de tabaco e alguma tosta ligeira.

Na boca, suave e redondo nas notas frutadas, com taninos maduros mas completamente amaciados. Bem evoluido, forrando o palato com alguma cremosidade, notas fumadas e minerais. A acidez mediana suporta toda a estrutura, onde se nota uma vez mais a boa concentração e a boa maturação. Fresco q.b., onde açucar residual quase não se vê, sem qualquer ponto enjoativo. O final de boca é ameno, com bom comprimento, ligeiramente seco e apostando nas notas de tabaco. O vinho está perfeito para ser consumido neste momento e dá muito prazer a bebê-lo. O tempo deu-lhe alguma classe e harmonia. É comprar e beber, pelo preço vale bem a pena.

Nota 16,5
Preço 7,50 Euros

domingo, julho 01, 2007

Luis Pato Espumante Bruto Baga Rosé (2004)

Mais um vinho de Luis Pato em prova, desta vez um espumante rosé de Baga, cujo mosto foi extraído com ligeiríssima coloração em prensa de vácuo, tendo sido decantado a frio.
Fermentou em barricas usadas de carvalho francês Allier com removimento das borras finas até ser engarrafado. Embora não seja permitido por motivos legais incluir o ano da colheita, este é de 2004.

Com 12,5%Vol. e uma cor salmão de ligeira concentração, mostra perláge viva e fina.
No nariz, fresco e frutado e com algum vegetal. Com fruta vermelha, cerejas, framboesas, muito elegante envolvida numa tosta sedutora. Aparece também um perfil mineral, lembrando argila. Será o terroir a falar? Muito provavelmente, sim. Nariz muito equlibrado e harmonioso.

Na boca, o espumante mostra-se fino, com boa mousse e cremoso. O perfil é frutado, mas perfeitamente seco, com uma acidez fantástica, o que lhe traz uma enorme frescura e harmonia. Muito alegre e persuasivo. Final de boca elegante, com as notas tostadas mostram-se uma vez mais, garantido alguma complexidade. O vinho tem atributos para que seja bebido à mesa e não apenas no tchim tchim habitual de uma qualquer celebração. No meu caso acompanhou um arroz de perca na perfeição. Bebe-se com imenso prazer.

Nota 16
Preço 5,50 euros

sexta-feira, junho 22, 2007

Quinta da Pigarra Alvarinho Espumante Bruto 2005

Parece cada vez mais ponto assente que os produtores de Alvarinho da região dos Vinhos Verdes se interessam em fazer vinhos espumantes. São já algumas boas referências no mercado, e será talvez, atrás da Bairrada a segunda região com mais espumantes produzidos.
Da sub-região de Melgaço, a M.B. Agricultores lança pela primeira vez um espumante da Quinta da Pigarra, feito pelo método clássico, exclusivamente com Alvarinho.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada com a bolha muito viva e cheia de vigor, algo desordenada.
No nariz, o perfil da casta mostra-se logo, com um perfil floral e primaveril. O aroma tem alguma exuberância, com citrinos, bolacha e muito mineral. Apesar da sua juventude e nervura no aroma, está um nariz equilibrado, com uma boa envolvência de aromas, onde uma ligeira tosta harmoniza todo o conjunto.

Na boca, vincado, de acidez elevada e com a bolha bem presente. A textura é crocante, com muita energia, muito fresco, predominando notas de maçãs verdes e citrinos. Esta personalidade faz com que a boca fique completamente limpa de tudo o que possamos estar a comer, o que será bom para alguns pratos mais gordos, onde esta fantástica acidez e frescura contrabalançem muito bem. O final é seco, fresco e com muito perfume floral. Um espumante que talvez melhore com o tempo, para ganhar alguma elegância, mas se se quiser apanhar esta fase vivaça é melhor não lhe dar tempo.

Nota 15,5

Quinta de Roriz Vintage 2003

Esta quinta do Douro, que está nas mãos da família Van Zeller desde 1815, foi a primeira referência no mercado Inglês como Vintage de Quinta. 2003 como se soube, foi um ano excepcional para Vintages como se veio a reflectir na declaração generalizada e nas pontuações atribuídas. Provei este vinho por volta do Natal. Feito essencialmente com 35% de Vinha Velha, 28% de Touriga Nacional, e 22% de Tinta Roriz.

Com 20%Vol, apresenta uma densa cor, brilhante,com reflexos púrpura.
No nariz, austero e extremamente apelativo, cheio de complexidade, nada fechado como se poderia temer. Surge muita fruta compotada, muitos morangos, cerejas, amoras, algum toque de iogute natural, algum aroma químico, com perfume de violetas. Aroma muito intenso e poderoso, não se pense que é só fruta, há aqui um conjunto muito bem integrado, vegetal fresco, algum chá preto, especiarias e raspas de chocolate. O nariz é típico de um Vintage denso, cheio de vigor, fresco e claramente com enorme classe.

Na boca, a entrada é gorda, encorpadíssimo, cheio de força e guloso. Taninos, super-maduros e cheios de classe, com uma doçura bem presente, mas sem pesar. Cremoso e viciante, a textura é delicada, forrando o palato com enorme subtileza. Chocolate de leite, amoras, compotas, o esquema repete-se. Final muito longo, profundo, crescente, picante e com alguma mineralidade. Grande comportamento na boca.
Um Vintage muito agradável para ser bebido desde já, mas de certeza que com o passar dos anos se recolherá ainda mais prazer. Está num patamar de grande qualidade, com alguma doçura viciante, muito profundo.

Nota 18
Produção 24.000 garrafas

terça-feira, junho 19, 2007

Quinta de Porrais 2005

Francisco Olazábal, sobejamente conhecido pelo trabalho desenvolvido na Quinta do Vale Meão e na Quinta do Vallado, pegou em vinhas velhas plantadas perto de Murça, a mais de 600 metros de altitude, com as castas Códega do Larinho e Rabigato e Viosinho e fez este vinho branco Quinta de Porrais.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada de média concentração.
No nariz, apesar de não muito exuberante, o que salta mais à vista é a forte mineralidade, numa frescura arrepiante, com muitas notas citrinas, folha de liomeiro, lima, ervas frescas, algumas flores brancas, onde um lado tropical, equilibra o nariz correcto mas não cativante à primeira. O aroma é claramente equilibrado, mas falta aqui qualquer coisa para nos convidar a bebê-lo com prazer.

Na boca, untuoso e de perfil fresco, com alguma doçura a dar-nos logo ideia de que a sua acidez natural das vinhas de altitude está um pouco escondida. Gordo, floral na boca e claramente prazenteiro, com um final de boca perfumado e mineral. Um vinho que se comporta ligeiramente melhor na boca que no nariz. A expectativa de serem vinhas trabalhadas por quem são, por terem mais de 60 anos e estarem plantadas em altitude, talvez me tenham deixado um pouco relutante em relação ao vinho, mas quando vi o preço que dei por ele, se calhar está aqui um bom vinho. Para 5 euros não se pode pedir muito mais.

Nota 15
Preço 5 euros

quarta-feira, junho 13, 2007

Malhadinha 2004

Depois de provado aqui no Vinho da Casa o Monte da Peceguina, Malhadinha branco e Pequeno João, é hora de provar a coqueluche da Herdade da Malhadinha Nova. É sempre daqueles vinhos que em qualquer prova todos falam bem e todos querem provar. Este produtor tem carisma e é sem dúvida inovador no toca as questões de mercado. Os rótulos são apenas um dos exemplos.

Esta vaquinha que vem no rótulo foi desenhada pela pequena Matilde.
É um tinto feito com um lote de Alicante Bouschet e Aragonês, ligeiramente temperado com um pouco de Cabernet Sauvignon tudo de vinhas plantadas em solos xistosos. Fermentado em pequenos lagares estagia depois 14 meses em carvalho Francês.

Com 14,5%Vol e uma densa cor granada, quase preta.
No nariz, o recorte aromático é extremamente maduro, cheio de fruto, chocolate preto, especiaria, com umas notas já recorrentes neste produtor de cravinho. Não se pense que é um aroma muito pesado, pois aparecem algumas notas florais e uns aromas químicos que acabam por trazer alguma frescura. Aroma complexo, com a evolução no copo, surgem os tostados, alguma erva seca e notas de leite creme queimado.

Na boca, pastoso e bem estruturado, bastante guloso, cheio de fruto preto e chocolate amargo num equilíbrio enorme. A acidez é moderada, com taninos finos e acetinados. A madeira surge plenamente integrada no vinho, com notas torradas mescladas com o fruto. Complexo na boca, num final longo, ascendente, perfumado e com notas de café e especiarias. Um vinho austero, gordo e corpulento, cheio de fruto, mas não enjoativo. Tem uma grande capacidade de evoluir no copo, ficando horas e horas a dar prazer.
Um alentejano cheio de carácter.

Nota 18
Produção 17200 garrafas

terça-feira, junho 12, 2007

Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004

Provavelmente um dos Tourigas Nacionais mais respeitados do país, pois já Jancis Robinson no seu guia de vinhos portugueses atribuiu 18 valores ao 100% Touriga Nacional de 1996. Como sabemos, em 1996, um 18 para Portugal era um resultado excelente e quase impossível de atingir! Nessa altura poucos lá chegavam...
Este Dão de 2004 é feito exclusivamente com Touriga Nacional da Quinta da Pellada, onde faz a fermentação em inox e sofre depois um estágio de 14 meses em Carvalho Allier.

Com uns moderados 13%Vol o vinho mostra uma cor rubi com reflexos violetas brilhantes.
No nariz, complexo, o aroma é tal forma tão exuberante que até nos faz questionar como é possível isto num tinto. Estupidamente floral, as notas de alfazema, violetas, amoras, invadem o copo juntamente com um curioso aroma a sabão azul. A elegância e a finesse deste aroma também é impressionante, uma frescura balanceada pelas notas químicas e pelo fundo mineral completamente harmonizados com a tosta da madeira digna de um grande tinto . É um dos melhores vinhos que tenho provado na prova de nariz. Com alguma paciência continuam-se a descobrir aromas e aromas que nem vale a pena estar a enumerar.

Na boca, completamente enérgico e cheio de estrutura, mas sempre num tom afinado e elegante, pois a boa acidez e as notas de fruto fresco não deixam o vinho pesar. Taninos maduros e sedosos, o vinho mostra um bom nível, mas um pouco abaixo da excelência do nariz. O final é longo, fresco, floral e tostado, mas parece que se fica a pedir um pouco mais de profundidade. Será problema dos monocastas? Embora muito equilibrado e de bom nível, com mais boca tinhamos aqui um caso sério. Talvez o tempo lhe traga complexidade. Espera-se. Mas quem quiser perceber a energia deste nariz é melhor abri-lo já. Vale bem a pena. Grande Touriga Nacional. Grande Álvaro de Castro.

Nota 17,5

terça-feira, junho 05, 2007

Gravato 2004

Depois do original palhete aqui publicado, vem agora da região de Mêda, o tinto de 2004 da marca Gravato. Feito apenas com Touriga Nacional da Quinta dos Barreiros, sem passagem pela madeira, apenas com estágio de um ano em inox e 6 meses em garrafa.

Com 14%Vol apresenta um cor granada, jovem e com reflexos violáceos.
No nariz, algo fechado e austero, o aroma é bem vincado e característico desta casta. Muitos aromas florais, frutos silvestres envolvidos numa refrescante e atraente alfazema e menta. Este lado fresco e de bom nível é suportado pelo fundo balsâmico. Nariz bem harmonioso mas não muito complexo, apostando no equilíbrio.

Na boca, com uma acidez elevada, nota-se aqui a ausência de madeira, pois o vinho está bem nervoso, com os taninos ainda por limar, com muito fruto, especiarias e uma frescura de realçar. Esta parte nervosa faz-nos crer que poderá evoluir em garrafa, mas bebê-lo já é possível, pois dá prazer e tem muita garra. O final é de boa duração, apontando num só sentido, num final balsâmico e muito frutado. Um Touriga Nacional feito só em inox, cheio de força e com muita alegria. Talvez um pouco de madeira e o conjunto só tinha a ganhar. Bom exemplar da casta.

Nota 16
Preço 9 euros
Produção 12.000 garrafas

segunda-feira, junho 04, 2007

Apegadas Rosé 2006

Depois do lançamento o ano passado dos tintos colheita e reserva 2004, a Quinta das Apegadas vem agora para o mercado com uma nova aposta. É um Rosé das Terras Durienses, feito com Touriga Nacional e Touriga Franca.

Com 12%Vol. apresenta um brilhante cor rosada.
No nariz o impacto inicial remete-nos para um lado vegetal muito fresco, combinado com a fruta vermelha, morango, framboesas. Um aroma correcto e convidativo e acima de tudo muito alegre, sem enjoar, pois há aqui um fundo mineral inebriante que ajuda a vincar a frescura.

Na boca, algo directo e ligeirinho na boca, não compromete a sua função de aperitivo, com fruto fresco e algum perfume floral, A acidez é bem alta, onde as notas vegetais voltam a marcar presença. Final mineral e com ligeira doçura, que o torna guloso e extremamente apetecível. Com12%Vol não temos que nos preocupar muito... Um rosé bem feito, equilibrado, mas nada mais. A beber com os amigos ou a ver a bola. Obrigatóriamente bem fresco.

Nota 15
Preço 5 euros

quinta-feira, maio 31, 2007

7ª jornada da Prova à Quinta - Quinta da Bacalhôa 2003

Provar um vinho de um produtor que já produza vinhos há mais de 20 anos.
A Bacalhôa Vinhos de Portugal é nos dias de hoje, o resultado de um percurso iniciado em 1922, atrás conhecido por JP Vinhos. Em 1972, a pedido de Thomas Scoville, então dono da Quinta da Bacalhôa, António d’Avillez instalou uma vinha a fim de produzir um vinho com um encepamento semelhante ao que é usado em Bordéus, nomeadamente no Médoc. As castas escolhidas foram Cabernet Sauvignon e Merlot. O primeiro vinho com esta marca foi o da colheita de 1979, sendo o primeiro Cabernet Sauvignon de fama no país. Esta colheita é feita com Cabernet Sauvignon, temperado com Merlot. Estagia 11 meses em barricas novas de carvalho francês.



Com 13.5%Vol de cor granada, embora algo cansada no anel do copo.
No nariz, complexo e maduro, de perfil quente e austero, o aroma está claramente inundado de especiarias, hortelã, ameixa, mentolado refrescante(quase lembrando pasta dentífrica). Tudo muito exuberante e cativante em plena ligação com as notas tostadas, baunilha e chocolate preto. O lado vegetal ( pimentos verdes) que se podia esperar, não aparece aqui a perturbar.

Na boca, o vinho tem uma entrada com uma acidez elevada, com um volume de boca mediano, taninos delicados, forrando o palato com suavidade. Picante e achocolatado, com frutos secos, onde a fruta fresca não parece querer dar de si. Final de boca é de boa duração e claramente ascendente, personalizado e com uma lembrança de fumo e de madeira exótica.
Um belo vinho, diferente do que se produz por cá, embora este seja bem Português, da região de Setúbal. Claramente longe dos vinhos frutados e encorpados. Falta-lhe um pouco mais de harmonia na boca, pois a acidez parece estar um pouco deslocada. Com o tempo tudo se afinará certamente. Mais não seja temos aqui o lote bordalês.

Nota 17
Preço 13 euros

segunda-feira, maio 28, 2007

Altas Quintas Crescendo Rosé 2006

E os rosés não param de aparecer...
Do Alentejo, a marca Altas Quintas lança o Crescendo Rosé 2006, feito apenas com Aragonês e uma longuíssima maceração durante 5 meses em inox.

Com 13,5%Vol e uma cor salmão, com reflexos alaranjados.
No nariz, curioso e muito particular, o aroma faz-nos incrivelmente pensar que o vinho passou pela madeira, com um lado tostado bastante presente, café fresco, muito vegetal, chá, frutos secos, morango, cereja, associado a um perfume floral, cativante e sobretudo elegante. O nariz aponta claramente para um rosé austero e de perfil difícil.

Na boca, de acidez bem colocada, com algum corpo guloso, a entrada é seca e com toques vegetais, num final perfumado, com fruto vermelho e com uma persistência elegante e fresca.
Um rosé diferente, dando trabalho a percebê-lo, o que significa que não é indicado para a petiscada, mas sim para uma prova atenta. Aconselhadíssimo para quem gosta de vinhos sui generis. Cheio de personalidade.

Nota 15,5

quinta-feira, maio 24, 2007

Batuta 2004

"Batuta é um vinho de extremos, que deve sempre conciliar concentração com elegância, taninos presentes mas muito finos, frescura bastante para proporcionar um fim de boca muito longo. Tem como base a vinha do Carril, com mais de 70 anos virada a norte que permite maturações mais lentas e mais equilibradas. Esta vinha tem um aspecto muito curioso: os seus solos são atravessados por lençóis de água, tornando os terrenos menos secos do que é habitual na região o que permite maturações mais lentas, principalmente em anos quentes e secos. Estas vinhas raras no Douro têm produções diminutas, e o facto de ser um vinho que exige uma atenção e rigor excessivos em todas as fases, torna o processo complicado e dispendioso... O Batuta 2004 é um vinho extraordinário que resulta de uma vinificação delicada, de macerações levadas ao limite onde todos os detalhes são levados em conta, para que se obtenha um vinho complexo fino e elegante. O resultado é um vinho de grande equilíbrio, profundo e denso e ao mesmo tempo fresco e muito longo, só possível num ano equilibrado como foi 2004."

O Batuta é actualmente o vinho de topo da Niepoort, com uma produção considerável, tendo em conta a situação dos grandes Douro's. 12.000 garrafas que fazem os olhos de qualquer enófilo brilhar assim que se rasga a cápsula laranja. Lá dentro está um lote de castas durienses da vinha que tem cepas entre 60 e 120 anos. O estágio é feito durante 20 longos meses em barricas de Carvalho Francês, parte delas, novas.

É favor desligar os telemóveis e só aplaudir no fim.
1ª parte
Com 14%Vol. o vinho mostra uma cor granada brilhante de boa concentração, mas não preto.
No nariz, ultra-fino e complexo, o fruto vermelho, morango e framboesas misturam-se com violetas, envolvidos por raspas de cacau e toffee. A complexidade do vinho é assustadora, pois de cada vez que damos uma volta no copo e levamos o nariz, ele parece querer-nos mostrar algo mais. É como se fosse cada elemento de uma orquestra a solar na sua vez. Especiaria, noz moscada, mineralidade q.b. e algum veludo ( não sei muito bem explicar este aroma ), dá-nos a sensação de elegância extrema numa tosta dada pela barrica de grande nível.

2ª parte
Na boca, de entrada fresca e mineral, estruturado e perfeitamente geométrico, tudo está a toque de batuta dada pelo maestro. Os taninos, trazem ao concerto o lado da percussão, mas num tom pianíssimo, pois tal é a finesse. Acidez alta e perfeitamente ligada a um perfil balsâmico, trazendo o grupo dos metais ao palco. O grupo das madeiras entra no concerto com a barrica a mostrar-se uma vez mais em perfeita ligação com o vinho, dando uma harmonia brutal no conjunto tostado/mineral/floral. Café, especiarias e lembranças de seda. Final refrescante, longo e sedoso, com toda a orquestra em allegro.

3ª parte
É um vinho excelente, milimétrico, e que mostra uma vez mais a qualidade dos vinhos Niepoort. Pleno de elegância, luxo e requinte. Merece até um coral para o embelezar. O único contra é quando se vê o fundo da garrafa, maldito Requiem. Afinadíssimo, só Mozart conseguia melhor.
Bis Bis Bis!

Nota 18
Produção 12.000 garrafas


PS - Embora pareça contraditório, acabei por dar 18,5 ao Redoma 2004. Penso que a diferença baseia-se no prazer que ele nos dá. Sendo o Batuta seja mais afinado e requintado, o Redoma tem um perfil que me agrada mais. É mais carnudo, mais Douro.

segunda-feira, maio 21, 2007

Castello D'Alba Reserva 2005

Esta marca, disponível em vários supermercados, com rótulos dinâmicos e modernos, aposta num leque de vinhos a preços simpáticos, mas com uma qualidade e rigor acima da média. Para quem participa nas mostras de vinhos, certamente já reparou que o stand da VDS ( Vinhos do Douro Superior) é dos únicos ( senão o único) que leva um refrigerador para servir quer os brancos quer os tintos a uma temperatura correcta. Tantas e tantas vezes nos queixamos de provar os vinhos a 20 e muitos graus. Ora aqui está uma engenhoca que qualquer produtor devia e podia levar para os eventos. Vá lá... Não custa nada.

Este branco de 2005, já o bebi muitas vezes ao longo do ano, mas só agora lhe dei a devida atenção. E foi merecida. Feito quase exclusivamente com uma casta perdida, mas muito apreciada. São 95% de Códega do Larinho, de vinhas com mais de 60 anos plantadas entre 350 e 650 metros. O lote passa ainda 5 meses em Carvalho Francês e Americano com battonage.

Com 14%Vol. e uma cor amarelo dourado com ligeiros reflexos verdes.
No nariz, o aroma é muito limpo e elegante, com alguma exuberância liberta flores brancas, pólen, espargos, folha de limoeiro, fruto tropical, sempre enrolado numa tosta fina, com caramelo e ums ligeiríssima oxidação. Muito apelativo no perfil mineral, um nariz complexo, em plena forma e a mostrar harmonia no conjunto.

Na boca, austero e encorpado para um branco deste patamar, muito elegante e fresco, com alguma untuosidade e com uma acidez fantástica a contrabalançar. O ano que passou nota-se na boca, onde alguma complexidade aromática parece querer sobrepor-se à frescura de vinho branco de verão/outono que era o ano passado, pedindo mais atenção a quem o prova. Está um vinho muito equilibrado, com notas de fruto tropical, pão torrado e baunilha. Bom final de boca, persistente e perfumado. Talvez continuar a guardá-lo poderá ser uma hipótese plausível. Mas já se sabe, perde-se frescura, mas ganha-se complexidade.
Excelente para o preço. Parabéns.

Nota 16,5
Preço 4,50 Euros