terça-feira, fevereiro 13, 2007

Arrojo Reserva 2004

Da Companhia de Vinhos do Douro, sai para o mercado pela primeira vez a Marca Arrojo Reserva.
É um tinto feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca, plantadas em terrenos xistosos bem lá no longíquo Douro Superior.
O estágio é feito durante 12 meses em barricas novas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e um cor rubi de boa concentração.
No nariz, o vinho mostra-se fresco e cheio de juventude, com a fruta preta e as violetas tão características a darem alegria, as notas de xisto são aqui perceptíveis, com a baunilha e as notas tostadas a darem um claro toque de modernidade ao conjunto. Nota-se ainda um ligeiro vegetal que trás ainda mais à percepção a ideia de um vinho jovem.

Na boca, pronto para ser apreciado, muito equilibrado, estilo moderno e abaunilhado, com os taninos suaves e afinados. De bom volume e afinado, ainda que elegante o vinho é no entanto pouco complexo, preocupa-se mais em agradar do que a mostrar a sua personalidade. Está presente uma vez mais a fruta preta, nada doce, pois a acidez está bem colocada, num final abaunilhado, perfumado e cativante.
Um vinho feito para agradar a quase todos, num perfil pronto para beber, moderno,embora um pouco mais de profundidade não lhe faria mal. É no entanto uma boa relação qualidade preço no que toca a vinhos do Douro no patamar praemium.

Nota 16
Preço - Aprox. 10 euros


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Pequeno João 2005

A Herdade da Malhadinha Nova, é um projecto recente no país, mas que já está bem implementado no mercado, e dele já retirou muitas mais valias. De recordar os inúmeros prémios que o Malhadinha 2003 ou o Aragonês 2004 conseguiram arrecadar.
Situado a sul de Beja, esta herdade Alentejana aposta na qualidade e modernidade dos seus vinhos. Luís Duarte e Ian Richardson apoiam a família Soares.
Na colheita de 2004, este produtor lançou um novo produto com uma garrafa muito peculiar, de apenas 0,5l, imitando as bem conhecidas garrafas de Sauternes.

Em 2005, sai a 2ª versão deste Pequeno João, feito com Cabernet Sauvignon e Aragonês, 40% cada e 20% de Syrah e com um estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Com 15% e opaco na cor, que denota grande concentração.
No nariz, encontra-se um aroma complexo, bem maduro e com uma envolvência tostada de bom nível. Os aromas químicos surgem no primeiro impacto, onde aparecem depois as notas de fruta bem madura lembrando ameixa preta e algumas pétalas de violetas. Consegue-se perceber também que o Cabernet está aqui muito bem ( sem o tal pimento verde que “só” os portugueses conseguem ter), com muita especiaria, cravinho e canela.

Na boca, acetinado, de baixa acidez, quase doce, perfil torrado da madeira, com baunilha, café, taninos presentes mas bem maduros. Encorpado e quase mastigável, com o álcool bem integrado no conjunto a fruta aparece uma vez mais bem madura e com grande extracção, num final longo e especiado com notas de pimenta verde.
É um vinho com uma grande extracção, com complexidade, encorpado e onde se nota a predominância do Cabernet Sauvignon muito bem trabalhado, embora a parte floral do Aragonês também não esteja esquecida. Mas este vinho marca mesmo pela qualidade do Cabernet.

Nota 17
Preço – 20 Euros
Produção – 4140 garrafas (0.5l)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Dona Maria 2005

De volta ao Alentejo...
Dona Maria, são actualmente os vinhos produzidos por Júlio Tassara de Bastos, na zona de Estremoz onde explora 53 hectares de vinha, distribuídos pelas vinhas de Dom Martinho, Monte do Abreu e Quinta do Carmo.
D. João V esteve em tempos, tremendamente apaixonado por uma artesã, de seu nome Dona Maria, e como prova da sua paixão, adquiriu a Quinta do Carmo e ofereceu-a à sua amada.
Em prova esteve o branco de 2005, feito com 60% de Roupeiro, 20% de Arinto e 20% de Antão Vaz.

Com13,5%Vol, mostra uma boa cor amarelo esverdeado, brilhante e com uma concentração média.

No nariz, não muito exuberante, mas afinado, aparecem as notas frutadas e citrinas em primeiro plano, com limão, folha de limoeiro, ananás, algum chá e uns ligeiros aromas de cápsula de medicamento. Fresco, muito fresco, com um lado vegetal verde e bem primaveril também presente e com um ligeiro fundo mineral dando alguma complexidade ao conjunto bastante equilibrado.

Na boca, o vinho mostra-se uma vez mais um pouco tímido, apesar do bom corpo que tem, com um bom volume de boca, com a acidez bem integrada, mas com os aromas citrinos e algum verde a trazer frescura. Este perfil trás elegância, num final surpreendente, onde as notas tropicais aliadas a um ligeiríssimo fumado se prolongam muito bem no tempo.
Como já disse, é um vinho que prefere ser calmo e pouco falador, conseguindo com isso ter um perfil elegante e bastante equilibrado e sem qualquer desafinação.
Bem capaz de ir para a mesa, pois tem estrutura para isso.

Nota 15,5
Preço 7,50 euros
Produção 17 500 garrafas

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Encosta do Sobral 2005

Tomar foi a cidade que me acolheu até à minha vinda para o Porto em 2001.
O Porto é uma cidade fantástica, moderna e pura, mas Tomar é sem dúvida alguma a cidade mais bonita do nosso país.
Nas encostas xistosas da Serra de Tomar, entre uma sinuosa estrada que todos os anos faço com a minha família até chegar à Albufeira de Castelo do Bode fica a Encosta do Sobral, projecto recente da família Sereno e ajudado pelo enólogo João Melícias.
O branco de 2004, no painel da Revista de Vinhos onde o tema era "Brancos com madeira", ficou num belíssimo segundo lugar.
Este branco de 2005 é feito com Fernão Pires, Arinto e Malvasia, onde 10% do lote vai para a madeira de carvalho francês e americano durante 2 meses.

Com 13%Vol. tem uma cor amarelo palha de ligeira concentração.
No nariz, fresco e um pouco abaunilhado, mostra uma boa entrada citrina, casca de laranja, limão, alperce e com algum vegetal fresco associado, e um ligeiro tostado a trazer-lhe alguma complexidade.

Na boca, de médio corpo, com a acidez crispante, frutado, com as notas limonadas a darem muita vivacidade ao conjunto, sempre com as notas vegatais associados, trazendo-lhe um lado seco na boca, permitindo mesmo um final com ligeiro amargo, com notas de avelã e ligeiras nuances da madeira.
Um vinho algo sui generis, pois tem uma grande frescura e uma acidez alta, que nos pede para ser bebido a solo, mas com algum corpo e um pouco amargo que nos diz que é melhor levá-lo para a mesa. Vai depender do estilo de cada um. Não se pense que é um vinho desequilibrado, antes pelo contrário, tem é o seu perfil. Será dos ares da serra e dos terrenos xistosos escondidos em pleno maciço calcário estremenho?

Nota 15,5
Preço 4 euros
Produção 10500 garrafas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Apegadas Quinta Velha Reserva 2004

Depois de provado aqui o Apegadas Quinta Velha 2004, aparece para prova o seu irmão, o Reserva.
Este é feito com uma selecçao de diferentes parcelas da Qta. Velha, situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, com um estágio de 12 meses em Carvalho Húngaro e Americano.

Com 15%Vol. e uma cor rubi de boa concentração.
No nariz, a madeira está bem presente, tostado, onde os aromas a folhas de tabaco, a baunilha, a erva seca, algumas especiarias que se sobrepõem à fruta, com compotas de frutos pretos e um toque de grafite muito cativante que lhe trás alguma frescura no aroma. Nota-se aqui um estágio em madeira de bom nível, ainda que não completamente casado com o lado floral e frutado do vinho.

Aveludado na boca, de bom volume de boca, mais espesso que o colheita, com uma frescura trazida pela boa acidez e pelo ligeiro perfil mineral. Nota-se uma excelente maturação das uvas, com fruta muito madura, com bons taninos mas sem desafinarem ajudam a uma boa prova. Aqui já se vê um melhor equilíbrio do vinho, com a madeira bem integrada, que proporciona um final de bom nível com charuto e café a ficarem no palato.
É um vinho mais afinado na boca que o colheita 2004, e mesmo com mais meio grau, o bom volume e a boa densidade não deixam o álcool desequilibrar o vinho. No entanto continue-se tal como o anterior a beber à temperatura correcta.

Nota 16,5
Produção 1800 garrafas
Preço 20 euros

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tokaji Aszú 5 Putonnyos 2000 ( Grof Degendelf )

Pela primeira vez o Vinho da Casa dá a conhecer um vinho de colheita tardia da região Húngara de Tokaj-Hegyalja.
Vindo do produtor Grof Degendelf, é um vinho feito com uvas vindimadas mais tarde do que o normal, com o fim das mesmas poderem ser atacadas por um fungo de seu nome botrytis cinerea que lhe vai trazer grandes níveis de açucar e aromas inconfundíveis.
O nível de açucar residual é depois escalonado de forma ascendente em puttonyos, desde o 3 até ao 7. Este 5 puttonyos provado tem 135 gramas/litro de açucar. Devido a esta doçura, é um tipo de vinho que deve ser apreciado a 10ºC.

Tem 11,5%Vol. e uma bonita cor laranja dourado.
No nariz, os aromas aparecem aqui de forma mais que exuberante, dando vontade de ficar a cheirar o copo por longos minutos... As notas húmidas da terra, o funcho, os figos, o mel, o maracujá, algum tabaco fresco, a casca de laranja, as amendoas... Tantos e tantos aromas que se descortinam de cada vez que se leva o nariz ao copo, demonstrando assim uma enorme alegria e uma boa complexidade.

Na boca, untuoso e quase licoroso, suave e delicado, mas no entanto muito doce, quase parecido com o xarope para a tosse, com o mel, a maça assada a aparecerem bem conjugados com os frutos secos, num final longo e ligeiramente enjoativo, sinceramente estava à espera de contar com mais profundidade, com uma acidez capaz de aguentar o açúcar e por aquilo que mostrou no nariz. Não se mostra tão complexo na boca.
Um vinho muito bom para a sobremesa, mas que tem o seu auge como entrada, ao lado de um foie gras. À falta de melhor, acompanhei com mousse de pato e a ligação foi estupenda.

Nota 16,5
Preço - À volta de 5000 Forits Hungaros ( 20 Euros)


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Redoma 2004

Redoma, dizem os dicionários que é uma campânula de vidro, convexa, destinada a guardar do pó objectos delicados. Para mim, uma redoma é uma garrafa bordalesa que envolve um delicado líquido feito pela casa Niepoort, onde em 0,75 l se tenta reflectir o Douro no seu todo.
Na Niepoort, a colheita de 2004 é simplesmente magnífica, super-equilibrada e com vinhos excepcionais. Das vezes que os provei pelos vários eventos e jantares, o Redoma para mim é um vinho fenomenal, e até o prefiro ligeiramente ao Batuta ( mais tarde publicarei a nota de prova). O Charme, claro, é de outro estilo.
Não apenas nesta casa, penso que a colheita de 2003 levará sempre a melhor no que toca a vinhos do Douro, pois o peso da colheita de Porto's de 2003 é algo difícil de transpôr.
Para aqueles que me seguem fielmente ( sim vocês os 3), acreditem, 2004 é um grande ano para os vinhos do Douro e bem melhor que a colheita de 2003.
Este tinto foi a primeira grande marca que Dirk Niepoort implementou na sua casa no que toca a vinhos tranquilos, desde o início dos anos 90. Provém actualmente de variadas vinhas velhas viradas a norte, todas com mais de 60 anos, com castas tradicionais do Douro, algumas menos conhecidas actualmente, tais como o Tinto Cão, a Tinta Amarela, a Tinta Francisca e o Sousão.
O lote estagia durante 18 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 14%vol e uma cor rubi com reflexos púrpura de grande concentração.
No nariz o vinho mostra classe, profundidade, com uma entrada fresca e ligeiramente química, quase lembrando borracha e algum eucalipto. Com o agitar do copo, a excelência da barrica dá de si, com as notas tostadas e o cheiro a móvel encerado a desmultiplicar-se com a esteva e a fruta, com amoras, ameixas pretas e romãs, num fundo mineral com aromas de grafite.

Na boca, carnudo, o vinho tem uma densidade muito boa, quase mastigável, com taninos de grande nível, muita fruta fresca, especiarias e chocolate preto. A capacidade de preencher todos os cantos da boca neste vinho é incrível. Tudo isto numa envolvente suavidade digna de um grande vinho, elegante e com um final muito bom, mineral, onde as notas de baunilha e especiarias se prolongam... e prolongam e prolongam.
É um prazer beber este vinho, completamente afinado e muito bem trabalhado. Aguerrido mas delicado, bruto mas bem-educado, cativante e persuasivo. Quase de certeza que estará cá para ser apreciado durante largos anos.

É um fusão talvez da rusticidade e tipicidade das áridas mãos dos trabalhadores das terras durienses e da elegância e civismo das gentes das terras baixas metidos dentro de uma Redoma, perdão, garrafa.

Nota 18,5
Preço - 25 euros
Produção - 18300 garrafas

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Grou 2 2004

Em Cabeção, na Soc. Agrícola do Vale da Joana, nasceu um novo projecto na colheita de 2004, apesar de naquela localidade o património vitvinicola já existir desde 1836, com registos de vinhas pertencentes à família Nunes Barata.
Nos dias de hoje, Nunes Barata convidou Anselmo Mendes a trabalhar em pleno Alentejo, e o resultado são 56 hectares das mais variadas castas, com predominância na Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Trincadeira, Syrah e outras com menor peso como, Cabernet, Tinto cão, Bastardo e Baga.

Além deste Grou 2 2004, foi feito também o Grou 2004, e na colheita de 2005 apareceu um novo vinho, Grou 2 Reserva. Todos estes vão ser alvo de apreciação pelo Vinho da Casa, ficando este Grou 2 2004 como o primeiro a ser "testado".
É então um vinho feito só em Inox, sem qualquer contacto com a madeira, e que tem no seu lote Aragonês, Trincadeira e Syrah.

Com 13,5%vol apresenta uma tonalidade granada de ligeira concentração, bonita e límpida.

No nariz, mostra-se bem vivo, com notas de ameixa preta a saltar do copo, muitos morangos, algumas especiarias e um vegetal fresco, envolvidos num perfil fresco e balsâmico e com aromas quase lembrando borracha e/ou alcatrão.

Na boca, o vinho volta a mostrar uma vivacidade de se lhe tirar o chapéu, muito fresco, acidez distinta dos "alentejanos", talvez a experiência nortenha de Anselmo Mendes tenha feito a diferença, com um corpo surpreendente para a tonalidade do vinho, pois os taninos estão ainda presentes, mas bem suportados pelo volume de boca, permitindo uma boa prova, com a fruta vermelha a marcar, casca de maçã vermelha e uns toques minerais. Bom final, com a fruta e a borracha a substituirem a madeira que não está cá.
Um vinho diferente, num estilo fresco e "unoaked" e que pela nota que tem merece ser provado.

Nota 16,5
Preço 7 euros
Produção 15000 garrafas

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Rol de Coisas Antigas 2005

Manuel dos Santos Campolargo, apresenta-nos mais um novo vinho, desta forma uma novidade na sua gama, mas que de novo nada tem, pelo menos no nome.
É um vinho feito com um lote de castas antigas da Bairrada:
Touriga Nacional ( Moreto)
Alfrocheiro ( Xara)
Sousão
Tinta Pinheira
Bastardo
Alicante Bouschet
Baga
Castelão

Com este lote, o produtor estagiou o vinho em barricas de carvalho francês durante 10 meses, após fermentação em pequenos lagares.

Tem 13,5%vol e uma cor é quase preta, com ligeiros reflexos púrpura.
No nariz, exuberante, um aroma fresco domina, com aromas de mentol, muito químico, quase tinta, com uma boa componente floral a perfumar o conjunto. A fruta também marca presença mas em segundo plano, com notas de amoras pretas e um ligeiro fundo de couro.

Na boca o vinho mostra-se muito jovem, algo vegetal, frutado e com os taninos a darem alguma austeridade, com um perfil fresco graças à boa acidez que apresenta. A madeira está bem integrada no vinho, sem o marcar, onde o chocolate preto anda bem ligado aos frutos silvestres. Termina bem, com um traço balsâmico e vigoroso. É um vinho fresco, com bom volume de boca e com alguma força.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 10424 garrafas

terça-feira, janeiro 02, 2007

Oboé Grande Escolha 2003

Depois da nota desastrosa e quanto a mim incompreensível atribuída pelo meu amigo e vizinho do Pingas no Copo, chega a vez do Oboé ser tocado aqui no Vinho da Casa.

Este vinho, com um bonito rótulo, é o topo de gama da Companhia de Vinhos do Douro, elaborado com um criteriosa selecção de uvas de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca que adormecem durante longos 20 meses em barricas novas de Carvalho Francês após uma maceracão prolongada.

Tem uns bonitos 13%vol e é quase preto na cor.
Com alguma complexidade no nariz a primeira impressão é um perfil denso e bem frutado, com muita fruta madura, muita fruta silvestre ( amoras, groselhas, compotas). A madeira diz que está presente, com o chocolate e as folhas de tabaco a fazerem um bom conjunto. Ao lado deste fruto, aparecem uns aromas curiosos, lembrando quase engaço, vegetal fresco, a trazer ao vinho um toque rústico.

Na boca, com um volume enorme, bem denso e estruturado, mas com taninos finos, fazem uma boa prova, com garra, onde toda a fruta presente é envolvida por uma suavidade trazida pelo longo estágio, cheio de chocolate e algum licor. Os 13º estão aqui na perfeição, mostrando aos demais que em 2003, foi possível fazer um vinho com uma boa maturação e com pouca graduação. O lado rústico continua aqui presente. Termina com um final com alguma complexidade.

É um vinho interessante, com bom volume, nota-se que houve muita extracção e cuidados ao fazê-lo. Os 20 meses de madeira nova não assustam, pois o vinho não está só marcado pela madeira. O preço é que está um pouco acima...

Nota 16,5
Preço - 40 euros
Produção - 3500 garrafas

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Uma passagem pelas Beiras

Em direção à famosa zona do Leitão, virando para a Anadia, e por uns caminhos apertados, cheguei à Amoreira da Gândara, onde Luís Pato tem a sua adega. Luís Pato, para quem não souber, é o grande homem que revolucionou a casta Baga, e com muito orgulho afirma que é uma casta com semelhanças à italiana Nebbiolo.

Actualmente os vinhos de Luís Pato estão com grande sentido internacional, como é o caso do branco Maria Gomes, que vende muito no Japão por ter o nome “Maria” associado. Ao que me foi dito as japonesas gostam muito que o vinho tenha um nome feminino, talvez estejam finalmente a conseguirem emancipar-se?

As instalações foram recentemente remodeladas, e o grande salão de estágio situado abaixo do solo, está neste momento protegido por uma enorme camada de relva, o que lhe traz excelentes condições de conservação, principalmente em questões de humidade.

Provei amostras de barrica da colheita de 2005 dos tintos, Vinhas Velhas, Vinha Pan e Vinha Formal, os três ainda muito crús, em construção mas já com alguma elegância e acima de tudo frescos, cheios de menta e de frutos silvestres e com uma acidez muito bem colocada.

Com tempo ainda de visitar a enorme sala de guarda, onde Luís Pato tem uma enorme estrutura metálica, onde guarda cerca de 10.000 garrafas de colheitas antigas, seguimos em direcção a um grande caixote branco. Ora pergunto eu, o que faz uma arca frigorífica aqui no meio disto tudo? Pois, se Luís Pato é vanguardista, então que dizer da sua filha, Filipa Pato, que se lembrou de fazer um Icewine em plena Beira Litoral!
Se aqui não há gelo de forma natural, arranjou-se forma de o fazer...
Lá dentro da câmara frigorífica, a cerca de -2ºC estava uma barrica nova, com o tal vinho de gelo. E de 2006! Perfeito, simples e com aromas muito arejados. Foi o primeiro vinho de 2006 que bebi. Com muito medicamento no aroma, com aroma a uva, isso mesmo, uva e alguma mineralidade. Doçura, nem vê-la, tem cerca de 100 gramas de açúcar residual, mas nem se nota.

Com esta visita, deu para perceber a juventude que vai dentro do produtor, a facilidade e frontalidade com que fala do vinho e, acima de tudo, uma enorme simpatia e abertura para com aqueles que o querem visitar.

Depois de muita conversa, o leitão já esperava e lá fui em direcção à Mealhada.
Aqui ficam também algumas notas de prova de alguns vinhos provados, todos engarrafados e da colheita de 2005.

Luís Pato Maria Gomes 2005
Ligeiro na cor, com uma boa entrada citrina, notas de limão, ananás, floral qb, ligeiro medicamento, num tom perfumado e afinado. Bem na boca, com a acidez a dar um toque fresco, ligeiro, mas com uma certa untuosidade que acaba por trazer algum corpo ao conjunto, com alguma doçura de fundo, com um final elegante e perfumado.
Nota 15

Luís Pato Vinhas Velhas branco 2005

Este vinho tem um estágio em barricas de Castanho, 40% e o resto em inox.
Bem na cor, com mais concentração que o Maria Gomes.
Boa entrada tostada, com o vinho a espelhar o seu terroir, pois o fumado e a tosta não provêm do habitual "carvalho" mas sim do solo argilo-calcário. (Ensinamento do próprio Luís Pato, pois eu estava convencido que este aromas era do contacto com a madeira).
Aparecem também aqui espargos brancos e pimenta branca num perfil bastante elegante. Muito floral, com ananás, num tom fresco, com notas de grafite e ligeiro vegetal a trazer-lhe uma boa complexidade aromática.
Com corpo na boca, envolvente e delicado, com a acidez equilibrada e de perfil mineral, com muitas notas citrinas, a madeira presente mas sem desafinar o conjunto, trazendo-lhe elegância na boca, e que acaba num final perfumado e com notas de hortelã.
É um vinho muito bem feito, com a acidez/fruta/madeira em perfeita sintonia e com corpo suficiente para acompanhar uns peixes gordos.
Nota 16

João Pato Touriga Nacional 2005
Negro, com ligeiros reflexos rubi.
No nariz, um bom primeiro impacto floral, com notas de violeta, alguma tinta da china, muita menta, arbustro e bagas silvestres.
Apresenta um aroma muito fresco e enérgico, cheio de força, com um fundo mineral interessante.
Na boca o vinho permite uma prova agradável, com taninos firmes e bem educados, trazendo algum equilíbrio com a boa acidez que apresenta. Com boas notas herbáceas e frutadas, permitindo um bom final de boca, longo e mastigável, lembrando frutos silvestres.
Talvez um pouco mais de garrafa, poderá vir a trazer mais elegância ao vinho, mas para já está muito bem este Touriga Nacional.
Nota 16

Fagote 2005

Novidade na Companhia de Vinhos do Douro, aparece um branco na já bem conhecida marca Fagote.

Este branco da colheita de 2005, é feito com as castas nobres do Douro, Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho, totalmente em inox onde estagiou durante 6 meses.

Com 13%vol. apresenta um bonita cor amarelo-limão com ligeira concentração.
No nariz tem uma boa presença aromática, muito fresco e alegre, com aromas que lembram maças verdes, limão, com algum pendor vegetal, com aquele cheirinho da relva cortada e talo de couve. Neste bom equilíbrio de aromas aparece ainda algum medicamento.

Na boca, o vinho entra quase parecendo que teve algum estágio em madeira, pois tem peso, é untuoso e tem bom corpo, forte no palato, contrabalançado com uma boa acidez que lhe trás alguma frescura com notas citrinas e algum rebuçado, permitindo um bom final, correcto e com algum comprimento.
É um vinho que apesar de muito fresco e limonado, vai precisar de ser bebido à mesa, pois na boca tem um comportamento pesado, que pode enjoar se não tiver acompanhamento.
A conhecer, pelo seu estilo próprio.

Nota 15,5
Preço - 6 euros

domingo, dezembro 10, 2006

Redoma 2005

Este vinho branco, vindo da Niepoort, que na última década tem mostrado que os vinhos das terras de xisto não funcionam só lá em baixo junto ao Douro, mostra agora ao consumidor a sua colheita de 2005.
É um vinho vindo de vinhas plantadas na zona do Cima-Corgo há mais de 40 anos e numa altitude que varia entre os 400 e os 700 metros. Como se tratam de vinhas velhas, muitas castas certamente estarão plantadas, mas as que dominam o lote são a Rabigato, Viosinho, Donzelinho, Arinto e Códega.

Fermentado em barricas de Carvalho Francês, 40% novo durante 9 meses com battonage periódico.
Com 13%Vol. apresenta uma boa tonalidade amarela-palha, com alguns dourados e de boa concentração.

No nariz, alegre e apelativo, sem se esconder nos aromas, o primeiro impacto é um leque de aromas vindos do estágio em madeira, frutos secos, amêndoa, avelã e um toque fumado. Com o arejamento no copo, as notas verdes chegam abraçadas com a fruta para trazer alguma vivacidade ao conjunto, com espargos, pêssego, lima e ananás.

Na boca, com a acidez lá no alto, mostra-se um vinho fresco, com notas citrinas, bastante mineral, mas nada delgado, pois o bom volume de boca dá-lhe um ar aveludado e equilibra o conjunto, ganhando complexidade, e com um final longo e amendoado que teima em persistir, mostrando um excelente equilíbrio entre a madeira e a fruta.
Acaba por ser um vinho que prima pela elegância, muito aromático, encorpado, denso na boca, complexo mas que nunca acaba por pesar, pois a excelente acidez traz-lhe uma harmonia incrível.

Este Redoma 2005, tem o seu auge à mesa com um bom prato e com copos largos para o deixar mostrar o que lhe vai na alma. E olhem que não é pouca coisa...

Nota 17
Preço - 12 euros
Produção - 15.600 garrafas

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ristorante Degusto

O Vinho da Casa, aproveitou uma jornada de Liga dos Campeões, onde quase toda a gente se fixou nas televisões, e onde 50.000 Portistas se deslocaram até ao Dragão para ver o Porto-Arsenal, para ir até à Rua de Sousa Aroso, jantar no Degusto.

É um espaço com um design especial, muito moderno, com mesas bem simples, sem os guardanapos a fazerem de couve-repolho por cima do prato, tudo prático e arejado, mas em que o cuidado de apresentação é irrepreensível, pois reparei por exemplo que para "pôr" a mesa , os empregados de mesa sentam-se na mesma para colocar a toalha perfeitamente simétrica e ficam a fazer contas trignométricas para colocar tudo no sítio.

Antes de iniciar a refeição, entre duas palavras com o simpático José Espírito Santo, tomei como aperitivo um Grandjó Late Harvest 2002, muito aromático, nariz doce e melado, com notas de laranja cristalizado, pêssego, figos, na boca com uma boa acidez, com frutos secos a trazer um lado diferente e um final doce.

Já à mesa, como couvert, uma manteiga aromatizada, azeite para molhar um pouco de pão e umas azeitonas pretas aromatizadas com alho habituaram o estômago para o início de uma refeição incrível.

Como saberão, actualmente o Chefe é o Vitor Claro, que tem para nos oferecer um menú de degustação simplesmente tentador, com um custo de 45 euros. Apesar de quase me ter persuadido, acabei por pedir à carta, pois também já tinha tido oportunidade de experimentar algumas das brincadeiras do Chefe em Outubro.

Como entrada veio então para a mesa um Carpaccio de Mexilhão, fresquíssimo, com o mexilhão bem escondido com o tomate triturado por baixo duma salada de vários verdes, bastante hidratados. Por cima umas raspas de queijo davam-lhe um toque divinal.
Veio também de entrada um dos pratos que me deixou completamente derretido.
Coscorões de alheira com vinagre balsâmico. Este prato é só, genial, por duas razões:
1º O doce dos coscorões liga mesmo bem com as especiarias/vinagre da alheira.
2º O crocante dos coscorões e a gordura da alheira faz uma ligação incrivel.

Já de prato principal, a minha opção foi Polvo com gnocchi , presunto e pimento de padron.
Há muito tempo que não comia um polvo tão tenro e tão bem confeccionado, com o amargo do pimento a ligar muito bem com o sabor do molusco. Aqui um pequeno reparo, se é que tenho direito ao mesmo. Os Gnocchi estavam ligeiramente secos, e com uma consistência demasiadamente grossa, um pouco ao estilo "plasticina" que acabava por cansar um pouco o prato. Talvez tivessem farinha ou fermento a mais, pois ao que soube pelo próprio chefe, ainda está em fase de experimentação e os Gnocchi são feitos na hora.

A Joana, optou pelo Lombo de bacalhau cozido em caldo verde, que apesar de "tradicional", pelo que me transmitiu, estava excelente e capaz de mandar abaixo muitos bacalhaus nas mesas de Natal. Ou esteve muito tempo em leite (piada ;) ) , ou cada lombo daqueles deve custar uma pipa de massa, pois a suavidade das lascas que se delicadamente iam caindo do lombo era inigualável.

Porque este é um blog de crítica de vinhos, falo-vos agora do vinho que acompanhou a refeição, por sugestão do José Espírito Santo.

Foi um vinho branco da Alsácia, o PAUL BLANCK SOMMERBERG Grand Cru Riesling de 2001. Que grande sugestão, mal o vinho foi servido no copo, toda a mesa ficou perfumada, um nariz incrível, super delicado. A 10ºC mostra-se muito mineral, com notas florais, algum vegetal seco, madeira muito bem integrada com ligeiro fumado e alguns frutos secos. Mas que um pouco mais quente, a 14ºC, e pelo lado positivo, rapidamente se aproximava perigosamente duma Colheita Tardia ou qualquer coisa do género. Começava a ganhar aromas a mel, a casca de laranja. Muito bom. Achei um vinho multifacetado e charmoso acima de tudo. Tanto se bebe no estilo mineral, como na variante mais "pesada".

Serviço de vinhos de primeiro nível, nunca tinha visto o vinho ser tão bem tratado em Portugal. Que felicidade que é poder disfrutar um vinho fora de casa em condições ideais e em Copos Riedel. Aqui não há que ter medo em pedir um vinho a um preço elevado, pois há condições para o apreciar.

Nas sobremesas, sugeri à minha namorada que experimentasse os Peixinhos da horta com tomate, pois eu já conhecia e que é mais uma daquelas ideias geniais que deixa qualquer pessoa estupefacta com a simplicidade do prato, mas que não lembra a ninguém confeccioná-lo.
Eu optei por um clássico mas com muito boa apresentação, um Queijo da Serra com compota de pevides acompanhado por um LBV de 2000 da Niepoort, que foi servido um pouco quente demais, a cerca de 19/20ºC.

Lá para o fim da noite, e já o Porto estava na próxima fase da Champions, chegou alguém ao restaurante em que eu disse, " eu conheço aquela cara de algum lado", pois... Era o Chefe Augusto Gemelli que vinha também jantar.

É um sítio a repetir sem dúvida, que merece todo o cêntimo ali gasto. Agora preciso é tornar a encher a carteira para lá voltar. Mas que vale a pena vale, prefiro jantar aqui de longe a longe, do que gastar 20 euros mal gastos num outro qualquer restaurante em que sou obrigado a beber cerveja ou então vinho em condições deploráveis por vezes.
Foi uma grande noite, e uma das melhores refeições a que já tive direito.
Adorei mesmo. A companhia também era boa, a música de fundo ideal, e todo o serviço brilhante.

Os meus parabéns por este excelente espaço.

Nota 21 :)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Muxagat 2003

Este vinho, oriundo de terras bem lá no Alto Douro, onde o Côa encontra o Douro, é feito pelo neto do grande senhor Fernando Nicolau de Almeida, o pai do Barca Velha.

Mateus Nicolau de Almeida fez então este Muxagat tinto 2003 com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta roriz e Tinta Cão, em lagares de pedra e com um estágio em Carvalho Francês, novo e usado.

Com 13%vol. mostra uma boa cor de média concentração.

Elegante no nariz, com ligeiro químico e alguma menta, com um perfil muito floral, lembrando violetas, muita fruta vermelha de boa qualidade, cerejas, amoras, alguma compota, sempre com as notas de barrica muito bem integradas no vinho, com ligeiros frutos secos e algum chocolate preto e um tom abaunilhado que perfuma o conjunto.
Mostra ainda com um fundo fresco muito interessante que lhe traz um estilo muito próprio e longe dos sobremaduros "Douros" de 2003. Com 13% naquele ano deve ter sido dos poucos casos.

Na boca é isso mesmo que se encontra, frescura, estilo clássico, taninos afinados, de bom corpo, equilibrado, com a ligação madeira/fruta muito bem conseguida, com cerejas, fundo balsâmico e com boa acidez, permitindo um bom final com notas de baunilha.

Está aqui um vinho diferente do actual Novo Douro, longe de excessos de maturação, com pouca graduação, num estilo próprio, sóbrio e acima de tudo equilibrado. Não fala demais, mas também não diz asneiras.

Nota 16,5
Preço 12 euros

quinta-feira, novembro 30, 2006

Quinta de Macedos 2002

Depois de provado o Lagar de Macedos e o Pinga do Torto, chega agora a vez do Quinta de Macedos 2002.

É um vinho feito com todos os cuidados, com escolha criteriosa das uvas, vindas de vinhas muito velhas, com 80 anos, onde a predominância é a Touriga Franca entre quase duas dezenas de castas. Após uma maceração de mais de um mês, o vinho adormece durante 20 meses em barricas pequenas de carvalho francês.
Este vinho tal como os outros dois, tenta espelhar o terroir do rio Torto. Vindo de um ano muito complicado, será que as vinhas velhas conseguiram fazer um Douro ao melhor nível? Abra-se a garrafa, decante-se com antecedência e descubra-se!

Com 14,5%vol mostra uma boa cor ainda opaca, com ligeiros reflexos granados.

No nariz o vinho exibe um lado complexo, intimista e acima de tudo convidativo. Uma entrada com classe, com um casamento prefeito entre o vinho e madeira de alto nível, com torrados, notas de baunilha, bolacha maria, chocolate preto, flores secas, frutos vermelhos(morangos, maçã vermelha) e algumas especiarias.

Cheio de garra na boca, mostra toda a potência que o Douro pode ter, picante, explosivo, aliado a uma elegância e a uma seda incrivel, parecendo que toda esta austeridade e severidade está embrulhada em cetim. Taninos mais que finos, grande estrutura, acidez bem lá em cima, explosivo na fruta, exuberante nas notas de madeira. Final muito muito longo e delicado.

Grande, grande vinho...
Se o rio Torto é isto, então está de boa saúde e recomenda-se.

Nota 18
Preço - 28 euros
Produção - 2300

Este vinho entrou também para o desafio da Prova à Quinta.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A prova dos 20

Se percorrermos as folhas de alguns manuais ou guias de vinhos, rapidamente chegamos à conclusão de que os tawny's de 10, 20 30 ou 40 anos nada ganham com o estágio em garrafa, e devem mesmo ser guardados de pé.
Quanto à última parte, é simples de perceber, pois como quase todos os tawny's não são rolhados com rolha inteira, guardá-los deitados está fora de questão.
Quanto à primeira parte, uns dizem que o vinho já teve tanto tempo de contacto com a madeira que o estágio em garrafa em nada vai mudar, apenas pode piorar, pois podem-se perder alguns aromas.

Porque toda a regra tem excepção, os Tawny's 20 anos da Niepoort ( não sei se serão os únicos) têm rolha completa e pelos vistos podem ser guardados.

Senão vejamos:
Lá para meados de Outubro, o Dirk Niepoort fez uma pequena brincadeira.
Abriu um 20 anos engarrafado em 2006, um engarrafado em 1973 e outro em 1982. É claro que os lotes são completamente diferentes, mas deu claramente para perceber que o 20 anos de 1973 estava em muito boa forma e o de 1982 em excelente forma. Depois de arejarem bem, provámos os três vinhos às cegas, e o de 2006 foi claramente posto de parte como o menos exuberante e o mais delgado na boca. Eu troquei o de 73 com o de 82, já o José Rodrigo (novo enólogo da Niepoort) esteve exímio na brincadeira. Acertou em cheio!

"Venceu" o combate o de 1982, exuberante, com aromas de garrafa muito curiosos, com uma untuosidade na boca incrível e com um final daqueles mesmo intermináveis.
O de 1973 ainda que muito bem, denotava um ligeiro cansaço na boca, mas claramente superior ao 2006.

Este post veio ao encontro daquilo que o Rui Miguel do Pingas no Copo dizia sobre os LBV's evoluírem ou não em garrafa. Rui, se até os 20 anos evoluem bem , porque não?

Alguém já provou um Tawny com alguma idade de garrafa?
Será que deverão os produtores rolhar as garrafas de Tawny's com condições de guarda?

terça-feira, novembro 28, 2006

2ª Jornada da Prova à Quinta


Rodando o anfitrião, cabe-me agora a mim lançar o repto.


Sugiro a todos os Blog's e curiosos que façam a prova do seguinte:

UM VINHO PORTUGUÊS DA COLHEITA DE 2002

Esperando que se consiga encontrar vinhos curiosos para contrariar a "chapa" que se colou a aquele ano...




Eu provei o Quinta de Macedos 2002 e foi um enorme prazer...

Fico à espera das vossas propostas.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Pontual Reserva 2004

Depois de provado o Pontual Syrah 2003, vem agora ao Vinho da Casa o irmão mais velho, também Alentejano, Pontual Reserva 2004 para prestar provas.
É um vinho feito com 80% de Alicante Bouschet, 10% de Touriga Nacional e 10% de Syrah, com um estágio de 12 meses em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Com 14,5% vol. apresenta uma cor rubi muito intensa, quase preto.

No nariz, o vinho tem um aroma muito elegante e sério, com muita fruta preta, chocolate preto, erva seca, com a madeira muito bem integrada no vinho, trazendo aromas de baunilha a perfumar o conjunto, e com um fundo fresco interessante e anisado.

Na boca o vinho mostra um lado mais quente, mais guloso, com fruta mais doce, com taninos presentes mas sem incomodar. Com muita harmonia a fruta e a madeira lá vão andando de mão dada, sempre com ligeiras notas de ervas aromáticas.
Com um bom volume de boca, é um tinto encorpado, conseguindo ter um perfil muito elegante com uma boa acidez e com um final longo com notas de baunilha.

Nota 17,5
Preço - 16 euros
Produtor - Companhia de Vinhos do Alandroal

Em relação a estes dois vinhos deste produtor Alentejano, elegância é ponto comum, assim como um certo nível de frescura, poucas vezes conseguido naquelas bandas tórridas.
Este é de nível superior, talvez por ter mais alguma complexidade e um final de boca mais longo.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2004

Este vinho branco, como o próprio nome indica vem das vinhas de Chardonnay plantadas na Quinta de Cidrô, em Trás-os-Montes em 1993, mas que só em 1996 deram o seu primeiro vinho.

Neste ano de 2004, o vinho fermentou e estagiou durante 6 meses em barricas de carvalho novo.

Com 14%vol. apresenta uma cor dourada carregada.

No nariz tem uma boa entrada aromática, complexo e exuberante, com mel, funcho, sensação floral, bem vincado pela madeira com notas de baunilha e a tal sensação de madeira molhada que eu tanto gosto. Parece que estamos no campo em pleno outono com a chuva a trazer os aromas mais húmidos. A fruta também cá está, com bons aromas tropicais.

Na boca, nota-se uma untuosidade e um bom corpo, com ligeira sensação vegetal, ligeiramente pesado, ainda que aguentado pelo fundo mineral e pela boa acidez que apresenta, trazendo alguma frescura, com um final persistente e amendoado.
Um vinho encorpado, feito para a meia-estação e porque não para o Inverno, mas com isto não se pense que o vinho é enjoativo.
Boa relação qualidade-preço e com pernas para aguentar uns anos.

Nota - 16,5
Preço - 6 euros



Este vinho foi já provado pelo Copo de 3 e pelo Saca-a-Rolha.

terça-feira, novembro 21, 2006

4 vinhos Portugueses no Top 100 de 2006

Este ano no Top 100 da Wine Spectator, quatro vinhos do Douro entraram na lista.

Em 18º lugar - Vale Meão 2004 com 97 pontos.
Em 47º lugar - Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004 com 93 pontos.
Em 69º lugar - Churchills Estates 2004 com 91 pontos.
Em 97º lugar - Altano Reserva 2003 com 90 pontos.


De resto e como no ano passado, 4 vinhos tintos voltaram a estar presentes, tendo a Wine Spectator "deixado de lado" o Vinho do Porto desde há 3 anos para cá.

Como poderão reparar na lista do Top 100, parece haver alguns vinhos com menor pontuação acima de outros mais bem cotados. Isto deve-se ao facto de os critérios de escolha não se basearem apenas na pontuação, mas também no volume de produção, preço, distribuição e disponibilidade.

A primeira vez que um vinho entrou no Top 100, desde 1988, foi em 1994 em que quatro Vinhos do Porto foram incluídos.

Só por uma vez é que houve um vinho de fora do Vale do Douro a ser eleito. Foi o Alentejano Cortes de Cima Touriga Nacional 2002 no Top de 2005.

Os meus parabéns aos produtores, e ao Douro em geral, que mais uma vez mostra que tem capacidade para ser o nosso porta-estandarte vinícola.




domingo, novembro 19, 2006

Quinta das Baceladas 2003

Este vinho tinto já foi alvo de observação pelo Rui Miguel com Pingas no Copo, feito pelas Caves Aliança, na Bairrada.

Tem no lote a tradicional Baga, e as importadas Cabernet Sauvignon e Merlot, que passaram cerca de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Com 14,5%vol e uma cor rubi muito densa, opaca mesmo.
No nariz tem um aroma elegante e fresco, com uns primeiros aromas florais a aparecerem em conjugação com fruta preta de boa qualidade, seguido de um fundo balsâmico e alguma borracha. Um ligeiro lado vegetal, "bosque" (talvez pinheiro) como o Rui lhe chamou, mostrando que a Baga está cá presente. A madeira nova também cá está e bem integrada no conjunto, trazendo um toque de cetim, notas de baunilha e algum chocolate preto .

Na boca, o vinho mostra alguma fruta muito madura,algo guloso, um bom volume de boca, com taninos finos e elegantes, todo polido e num perfil moderno e marcado pela madeira nova. O final é de bom comprimento, com o chocolate e fruta preta a perfumarem a boca.
Um vinho bem desenhado, onde o Cabernet Sauvignon aparece aqui como eu gosto, bem trabalhado e sem os pimentos verdes a chatearem o nariz. Boa opção para este preço.


Nota 16,5
Preço - 10 euros
Produção - 26.525 garrafas

quarta-feira, novembro 15, 2006

Vinho da Casa no Desafio Prova à Quinta

O Vinho da Casa junta-se ao Copo de 3 com o intuito de apoiar a iniciatia lançada. O objectivo deste desafio consiste em cativar, bloggers e apreciadores de vinhos a participar em provas temáticas.

Neste primeiro desafio, o João Pedro, patrão do Copo de 3, sugeriu que se provasse um vinho tinto português com menos de 13º. A escolha pode parecer fácil, mas hoje em dia vinhos cada vez estão mais alcoólicos...
Qualquer dia no Douro vai-se chegar a fazer Vinho do Porto sem a adição de aguardente!!! Já não faltou muito, ainda se lembram do Bafarela Grande Escolha 2003 com 17º???
E não é que o vinho esgotou?



João Pato Touriga Nacional 2005
12,5%vol.


Vindo das Beiras e da autoria de Luís Pato é um vinho pensado só para o mercado estrangeiro, apesar de estar à venda à porta da adega.
Apenas tem estágio em inox.

Negro, com ligeiros reflexos rubi.
No nariz, um bom primeiro impacto floral, com notas de violeta, alguma tinta da china, muita menta, arbustro e bagas silvestres.
Apresenta um aroma muito fresco e enérgico, cheio de força, com um fundo mineral interessante.


Na boca o vinho permite uma prova agradável, com taninos firmes e bem educados, trazendo algum equilíbrio com a boa acidez que apresenta. Com boas notas herbáceas e frutadas, permitindo um bom final de boca, longo e mastigável, lembrando frutos silvestres.

Talvez um pouco mais de garrafa, poderá vir a trazer mais elegância ao vinho, mas para já está muito bem este Touriga Nacional.


Nota 16
Preço - 6 euros
Produtor - Luís Pato

segunda-feira, novembro 13, 2006

Dueto

Outubro e Novembro, 2 meses de grandes revelações da Revista de Vinhos.
Ora se em Outubro o Painel de Prova tinha sido foi excepcional, em Novembro a sinfonia repetiu-se…

Ai Alentejo vs Douro… Não há duelos…
Há sim um dueto, que toca a um nível de qualidade extrema, que nos trás ao copo uma harmonia e elegância inimitável, pelo menos, em Portugal.
Os resultados destes 2 painéis foram relativamente semelhantes, embora com uma ligeira superioridade no Douro, onde 3 vinhos foram premiados com 18,5 valores, 7 vinhos com 18 valores, e 15 vinhos com 17,5 valores, ao passo que no Alentejo apenas 2 vinhos tiveram 18,5 valores, 4 vinhos com 18 valores, e 2 vinhos com 17,5 valores.


Alentejo
18,5 Valores
Esporão Private Selection 2003
Herdade dos Grous Reserva 2004
18 Valores
Herdade do Perdigão Reserva 2004
Marquês de Borba Reserva 2003
Quinta do Carmo Reserva 2003
Quinta do Mouro 2003


Douro
18,5 Valores

Abandonado 2004
Batuta 2004
Pintas 2004
18 Valores
CV 2004
La Rosa Res. 2004
Quinta das Tecedeiras Reserva 2004
Quinta de Macedos 2003
Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2004
Quinta do Infantado Reserva 2003
Quinta do Vale Meão 2004

De notar, no entanto que no painel de vinhos provados, faltam ainda alguns nomes de relevo quer alentejanos quer durienses, que certamente entrariam nos primeiros lugares, casos como o Barca Velha 1999 Charme 2004 que obteve 19 valores o mês passado( sim 19!!!), o Cortes de Cima Reserva 2003 com, o Grou 2004, o Altas Quintas Reserva 2004... entre outros.

Os parabéns aos nossos topos de gama!

Altas Quintas 2004

Sempre que se fala em vinhos "fora do normal", é sabido que o nome Altas Quintas surge sempre...
Como muitos saberão, este é um novo projecto, muito dinâmico e com excelente apresentação e que tanto tem feito pelo vinho a copo, pois são vários os restaurantes que têm este vinho a copo. As vinhas ficam situadas no Alto Alentejo, na zona do Parque de São Mamede, num planalto a nada mais, nada menos, 600 metros de altitude.
Este vinho tem o cunho do Enólogo Paulo Laureano.

As castas deste lote são as tradicionais do Alentejo, sendo elas a Trincadeira, o Aragonez e o Alicante Bouschet. Após fermentação em balseiros de 10.000 litros, o vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês.

Com 14%vol. o vinho apresenta uma cor granada carregada.
No nariz, respira-se frescura do campo conjugado com uma elegância da madeira nova, com excelentes notas florais, ameixa, baga, eucalipto, aliadas então a baunilha, cera de móvel, chocolate preto e café fresco. Tudo aqui está exuberante e elegante, mostrando uma excelente integração da madeira no vinho.

Na boca, ao estilo after-eight, fresco, com uma acidez bem vincada, de grande volume, com taninos finos a darem uma boa estrutura ao vinho, com o chocolate e as notas mentoladas e algum floral a encherem a boca com delicadeza, cheio de notas de barrica nova, baunilha, algum caramelo e torrados, delineando um final longo e especiado, num perfil seco e fresco.

Um vinho muito bem conseguido, virado sempre para a mesa, de grande equilíbrio com uma frescura quase irritante para um Alentejano, e a dizer que está bom de beber, mas que algum tempo em cave não lhe fará mal de certeza.
Mais tarde provarei o Reserva 2004 que é agora novidade no mercado.

Nota 17




Produtor – Altas Quintas, Lda
Produção – 50.000 garrafas
Preço – 20 euros aprox.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Vranac 2004

Ter amigos que vão para sítios esquisitos até pode dar jeito.
Este próximo vinho foi me trazido pelo meu grande amigo e quase engenheiro mecânico Luís Miguel aka Vileda.

É um vinho que vem do país mais novo do mundo, virado para o mar Adriático, e feito integralmente com a casta Vranac, considerada umas das 100 melhores castas da Europa, segundo o site do produtor.


Com 12,5%vol. apresenta uma bonita cor granada, de média concentração.

O nariz é muito próprio, fresco, harmonioso, quase lembrando Pinot Noir, não sei porquê mas lembrou-me, com ligeiro floral e muita fruta vermelha, groselha, geleia com alguns toques de borracha e chocolate de leite.

Na boca a entrada é elegante e educada, com pouca presença de taninos, com um perfil leve, fresco, boa acidez, com um final de média duração, algo doce deixando lembranças de compotas, mas sem ser enjoativo.

Aqui está um exemplo de como os vinhos que se querem fáceis de beber e sem preocupações, não precisam de ser "madurões". É um vinho perfeitamente equilibrado e que acompanha umas pizzas ou umas pastas na perfeição.

Nota 15


PS-Vê lá Vileda, se para o ano precisares de indicações para as tuas vacaciones, eu sei muitos sítios. Há muitos Chateau's interessantes em França! :)

PS-2- Se alguém conhecer este vinho e/ou outros vinhos do Adriático era interessante partilhar aqui as apreciações.

terça-feira, novembro 07, 2006

Apegadas Quinta Velha 2004

Novidade no Douro, este vinho que me tinha chamado à atenção há já uns meses na Expovinis, sai agora para o mercado, e a um preço a rondar os 10 euros.
É um vinho proveniente de uma Quinta do lugar de Cidadelhe, com uma selecçao criteriosa das uvas, sendo este colheita feito por base com as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, que após total desengaçe, estagia durante 12 meses em barricas de carvalho húngaro e americano.

Com 14,5%vol. mostra uma bonita cor rubi, muito límpida e brilhante.
No nariz, o primeiro impacto mostra uma boa extracção, aromático e com alguma complexidade. Muita fruta, ameixa, amora, mirtilio, conjugado com uma parte floral, com violetas apareceram ligeiramente, fresco e balsâmico, tudo em sintonia com as notas de barrica, alguma erva seca e uns toques de chocolate preto e ligeiro alcoól.

Na boca, o vinho mostra um volume médio, sem excessos, com bom casamento fruta/madeira, com a baunilha a aparecer, taninos presentes mas finos, com o alcoól ainda a dar de si, no entanto este aspecto traz frescura ao vinho, permitindo um bom final, seco e mentolado.
Um bom conjunto.
Beba-se a 15/16ºC senão o alcoól pode desequilibrar.

Nota 16
Produção - 2000 garrafas
Preço - 10 euros aprox.
Produtor - António Amorim

segunda-feira, novembro 06, 2006

Relatório do Encontro

Pela primeira vez, o Vinho da Casa visitou o Encontro com o Vinho, fazendo no total 700 kms, mas que valeram a pena, quer para apertar um bacalhau ao Copo de 3, ao chefe do COV, ao Pingas no Copo, e ao Lapas que veio dos Açores ( até me mandou a boca, pois ele só demora 2 horas a lá chegar! O Lancia Y com pneus de bicicleta raramente levanta vôo por isso demora cerca de 3 horas...)

Valeu também a pena para falar com alguns produtores pela primeira vez, outros para me aturarem mais uma vez.

Falando de vinhos, fiz como previsto uma volta geral pelos vinhos brancos, tendo-me ficado na memória os seguintes.

Tapada dos Coelheiros Chardonnay 2005
Luís Pato Vinha Formal 2005
Madrigal 2005

Gouvyas Reserva 2004
Redoma Reserva 2005
Quinta das Maias Reserva 2004
Quinta de Sanjoanne Escolha 2003
Cova da Ursa 2005
Louis Latour Meursault 2002
Schloss Gobelsburg Steinsetz 2005

Tintos provei muito poucos.

Pequeno João 2005
Herdade das Servas Aragonês 2004
Herdade das Servas Touriga Nacional 2004
Herdade das Servas Reserva 2004
Batuta 2004
Charme 2004
Sirius 2003
Xisto 2004
Poeira 2004
Quinta da Costa 2004
3 Bagos Grande Escolha 2004?


Vintages, houve quem me dissesse que fazia bem à constipação, por isso estes não cuspi:

Dow’s Senhora da Ribeira 2004
Niepoort 2003
Quinta do Vesúvio 2004
Taylor’s Quinta de Vargellas 2004
Taylor’s 2003
Fonseca Guimaraens 2004

Fonseca 1988

Outros tipos de vinhos, alguns que nunca tinha provado

Kracher Auslese 2003
Kracher Beerenauslese Cuvée 2005
Filipa Pato IceWine 2005
MR Telmo Rodriguez
Royal Tokaji Ats Cuvée Late Harvest 03



Foi uma tarde muito bem passada, e que terminou com uma sandes de presunto de barrancos que me reconfortou o estômago. Deixo aqui os meus parabéns e agradecimentos à organização, às "barraquinhas" da Vinho&Coisas que foi excepcional, e a todos os que me aturaram nos outros stands.

Para o ano se tudo correr bem, lá estarei, e sem pingas no nariz de preferência.

terça-feira, outubro 31, 2006

O Evento

Pois é, aproximam-se os grandes dias do vinho português.

O Encontro Com o Vinho e Com os Sabores irá decorrer no dia 4 e 5 de Novembro no Centro de Congressos de Lisboa para o público em geral e no dia 6 só para profissionais.

O horário será das 13 às 21, e terá de ser adquirido um ingresso no valor de 10 euros com oferta de copo de prova.

É um evento organizado pela Revista de Vinhos, e irá contar com cerca de 200 produtores de vinho e de produtos gastronómicos e terá qualquer coisa como 1000 vinhos em prova.

Para quem, como eu, só tiver disponibilidade para ir um dia, sugiro que façam o seguinte roteiro, não muito exaustivo. Não se esqueçam é de cuspir, senão o caldo entorna-se.

Entrem pelas 14, para não pensarem que somos japoneses, pois afinal não é um lançamento dum novo livro do Harry Potter.

14:00 - 15:45 Espumantes e Brancos e Rosés
15:45 - 16:00 Pausa pra trincar qualquer coisa
16:00 - 18:00 Tintos
18:00 - 19:00 Visitar o espaço dos Sabores e voltar a reabastecer a nave
19:00 - 20:00 Portos, Colheitas Tardias, Moscatéis etc... Aqui neste último ponto já não é obrigatório cuspir!


Eu estarei lá no sábado.

sábado, outubro 28, 2006

Alvarinho





Sempre ao longo do rio Minho, desde Melgaço até Monção, são inúmeros os produtores de Alvarinho, a mais nobre casta branca portuguesa. Talvez se as castas tivessem parentescos, esta seria irmã da Touriga Nacional.



Durante este verão, desloquei-me até Melgaço, tendo ficado instalado na nova e excelente Pousada da Juventude, mesmo em frente ao parque desportivo de Melgaço.

Fiquei impressionado com a grandeza de alguns produtores, pois alguns apenas têm uma garagem onde fazem os seus vinhos, mas aquilo que demonstram e aquilo que reflectem é uma enorme paixão e uma enorme entrega à vinha.





Não querendo individualizar nenhuma casa, agradeço a todas elas a enorme e simpática disponibilidade que tiveram para comigo.





Em 2 dias apenas de visita, optei por:



Soalheiro

Touquinheiras


Solar de Serrade

Quinta do Regueiro

Provam

Encostas de Paderne

Casa do Capitão-Mor

Quintas de Melgaço





Vou publicar apenas os vinhos de 2005 que provei.

Mais tarde publicarei 3 ou 4 vinhos de 2004.



As expectativas eram elevadas, e os resultados acabaram por corresponder.

As minhas notas situaram-se entre os 15,5 e os 17 valores, o que demonstra uma qualidade muito boa.



Casa do Capitão-Mor 2005
Boa entrada floral, com malmequeres, aliada a notas de limão, ananás, banana e um toque interessante de bolacha maria.
Na boca o vinho mostra alguma doçura, mas sem ser pesado, pois tem uma acidez alta bem contrabalançada, com um final longo e frutado com notas de rebuçado.
Nota 16


Encostas de Paderne 2005
Entrada algo irreverente, mostrando muita juventude, com notas de laranja, manga, pimenta branca, vegetal e austero.
Na boca, com bom corpo, glicerinado, o vinho mostra-se algo desconcertante, com uma acidez algo elevada, algo enjoativo, querendo-nos dizer que precisa de acalmar em garrafa, pois o perfil é bom, e com certeza que irá melhorar. A nota deveria ser provisória pois de certeza que num espaço de 2/3 meses o resultado seria melhor. No entanto para já atribuo esta nota.
Nota 15,5


Portal do Fidalgo 2005
Boa entrada fumada, com notas de fruta em calda, alguma maçã cozida e um ligeiro vegetal, tudo muito composto e exuberante.
Com um ligeiro adocicado na boca, untuoso e com a acidez comedida, tem um bom peso, não se mostrando muito virado para o verão, mas sim para um bom prato. Tem um final longo, elegante e floral.
Nota 16,5


Quinta do Regueiro 2005
Nariz extremamente elegante e fino, com um bom perfil fumado, alguma bolacha, lima, herbáceo e com boas notas florais, mostrando um nariz limpo e muito convidativo.
Encorpado e equilibrado, com a acidez bem integrada, com forte componente mineral, trazendo frescura com um final seco, com complexidade, de bom nível.
Nota 17


Soalheiro 2005
Mais uma entrada nervosa no nariz, mostrando que ainda terá pouco tempo de garrafa, com um perfil muito próprio, primaveril, com notas de pólen e alguma grafite, e com lembranças de melão.
De acidez bem vincada, ainda que ligeiramente exposta, mas com um corpo untuoso e de bom volume, limonado e muito fresco, permitindo um final seco e vegetal.
Talvez mais uns meses de cave e comece a ficar em perfeito equilíbrio.
Nota 16


Solar de Serrade 2005
Outro com perfil muito seu, com um nariz lembrando torradas com manteiga, pêssego e manga, perfumado e floral, tudo muito equilibrado e com alguma complexidade.
Na boca a acidez está bem presente, embora apareçam ligeiras notas adocicadas, com algum mel e fruta madura, mas permitindo um bom final mineral e elegante.
Nota 16,5


Touquinheiras 2005
A sua exuberância e falta de vergonha impressionam. Perfumado, floral e com notas de limão, laranja, ananás, deixando no ar um aroma de um jardim na primavera.
Na boca, embora expressivo é mais envergonhado que no nariz, com uma boa acidez, estruturado, harmonioso, lembrando ananás e rebuçado, oferece um bom final especiado e perfumado.
Nota 17

terça-feira, outubro 24, 2006

Quinta de Cabriz Colh. Sel. 2003

Este próximo Vinho da Casa é parceiro de muitas mesas portuguesas, principalmente nas mesas do consumidor que gosta de vinho do Dão.

Está à venda em todo o lado e tem um bom preço, para além do Marketing que a Dão Sul impõe! E de Marketing vou começando a perceber qualquer coisa, pois a faculdade até serve para qualquer coisa! Se o Quinta de Cabriz fosse alvo de estudo de mercado, na matriz BCG de certeza que seria uma Cash Cow!

Bem devaneios à parte, pois escrevi apenas a última frase com o intuito que por mero acaso a minha prof de Marketing aqui apareça e me dê boa nota na frequência de ontem :)

Centremo-nos no vinho.

Decidi guardar esta colheita de 2003 por curiosidade para ver como evoluía. E como agora o Quinta de Cabriz passará apenas a chamar-se Cabriz, achei que era uma boa altura para prová-lo.

É um tinto com 13%VOL, com as castas Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto, Tinta Roriz e com estágio em carvalho francês de segundo ano durante 6 meses.

Apresenta uma cor granada de média concentração, com alguns avermelhados de uma ligeira evoluçao quando se roda o copo.

Tem, no nariz uma entrada algo herbácea, com notas de menta e ligeiro fruto vermelho, cerejas e maça vermelha e um fundo mineral interessante. A madeira está presente mas discreta, com pequenas notas de fumo.

Na boca, o vinho mostra-se ainda com alguma frescura, acidez correcta. De realçar as notas de chocolate amargo e fruto vermelho, com um bom corpo, taninos macios, com um final de boca suave mas com umas ligeiras notas ferrosas que acabam por tornar a prova complicada, apesar de a rolha estar em boas condições.

Nota 14
Preço 3 euros

Parabéns Tio Pepe



O Vinho da Casa dá os parabéns à Garrafeira Tio Pepe pelos 20 anos!
É um espaço de referência da cidade do Porto, no que toca a vinhos claro!

Em jeito de comemorações a Tio Pepe, além da pequena festa que fez sexta-feira passada, que se tornou grande, pois as individualidades ligadas ao vinho eram tantas, (David Lopes Ramos, José Silva, Peter Symington, Dirk Niepoort, Luís Seabra, Nick Dellaforce, Jorge Moreira, Anselmo Mendes, entre outros) e os curiosos como eu também compareceram em grande número e que encheu completamente a Garrafeira, vai presentear-nos com uma semana repleta de excelentes provas.

Segunda-feira 23 Outubro - TAYLOR'S
Porto Chip Dry
Porto Tawny 20 Anos
Porto Qta das Vargelas Vintage 2004 ( Novidade )
Prova comentada por Raul Riba d´Ave
e ÁZEO
Vinho Douro Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro Branco 2005
Vinho Douro Rose 2005
Prova comentada pelo Enólogo João Brito e Cunha
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Terça-feira 24 Outubro - SYMINGTON

Vinho Douro Qta de Roriz Reserva 2003
Vinho Douro Prazo de Roriz 2005 ( Novidade )
Porto Qta de Roriz Vintage 2004 ( Novidade )
Porto Qta do Vesúvio Vintage 2004
Porto Dow´s Qta Senhora da Ribeira Vintage 2004
Vinho Douro Post Scriptum Tinto 2005 ( Novidade )
Vinho Douro Chryseia Tinto 2005 ( Novidade )
Prova comentada pelo Enólogo Charles Symington
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Quarta-feira 25 Outubro - NIEPOORT
Vinho Douro TIARA Branco 2005
Vinho Douro VERTENTE Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro REDOMA Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro CHARME Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro BATUTA Tinto 2004 ( Novidade )
Porto NIEPOORT L.B.V. 2001 ( Novidade )
Porto NIEPOORT Colheita 1995
Prova comentada por Dirk Niepoort
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Quinta-feira 26 Outubro - ANSELMO MENDES
Vinho Regional Minho QTA do AMEAL Arinto 2005 ( Novidade )
Vinho Verde ALVARINHO ( Feito com curtimenta) 2005 ( Novidade )
Vinho Verde PASSIONADA ( Doce natural ) Branco 2005 ( Novidade )
Vinho Douro Domingos Alves Sousa ABANDONADO Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Alentejo GROU Tinto 2005 ( Novidade )
Vinho Dão ANSELMO MENDES Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Dão ANSELMO MENDES Tinto 2005 ( Novidade )
Prova comentada pelo Enólogo Anselmo Mendes
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Sexta-feira 27 de Outubro - BAGO DE TOURIGA
Vinho Douro TERROSO Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro MONTEVALLE Branco 2005 ( Novidade )
Vinho Douro MONTEVALLE Reserva Tinto 2002
Vinho Douro GOUVYAS Reserva Branco 2004 ( Novidade )
Vinho Douro GOUVYAS Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro GOUVYAS Vinhas Velhas Tinto 2004 ( Novidade )
Prova comentada por João Roseira e o Enólogo Luís Soares Duarte
e LUÍS SOARES DUARTE
Vinho Douro PERFIL Tinto 2004 ( Novidade )
Vinho Douro MOMENTOS Tinto 2004 ( Novidade )
Prova comentada pelo Enólogo Luís Soares Duarte

Nota: As provas de Vinhos realizam-se todas às 18H00.


Eu estarei com certeza na prova de hoje, terça-feira e na de quarta-feira.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Vega Sicilia

Para os grandes apreciadores, e para aqueles que gostam de provar vinhos míticos aqui do nosso vizinho do lado, informo-vos que a Vinho&Coisas, irá promover uma prova com os seguintes vinhos.


GRANDE PROVA VEGA SICILIA

Local: Wine Center Vinho&Coisas
Hora / Dia: 12.30 h, 21 de Outubro

Vinhos em Prova:
Vega Sicilia Valbuena 2001 - 1999 - 1997 -1996
Vega Sicilia Único 1995 - 1991 - 1990 - 1987

No final da prova, almoço no Degusto, com prova de outros vinhos deste produtor.

Preço/pessoa: 150 euros
Reservas: antonio.nora@vinhoecoisas.pt ou 22-9364362

Mais informações visitem o Site da Vinho&Coisas, aí no link na coluna da direita.

Como calcularão, eu não estarei presente, pois o preço é puxadote, apesar de reconhecer que não é caro. Mas como este ano as propinas são apenas 932 euros...

A aqueles que forem a fantástica prova, gostava que depois contassem a experiência.

Pontual Syrah 2003

Mais um Vinho da Casa, vindo do Alentejo, da Companhia de Vinhos do Alandroal.
Já tinha bebido este vinho em 2005, mas quis guardá-lo mais um anito para ver como se portava com 3 anos.

É um monocasta Syrah, feito pelo conhecido enólogo Paulo Fíuza Nigra, com um estágio de 10 meses em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Com 13%Vol. apresenta um cor granada de ligeira concentração, límpida e brilhante com alguns rasgos de vermelho escuro, mostrando uma pequena evolução.

Tem um nariz bem aromático, convidativo e bem directo ao discurso, com alguma frescura e elegância, ao estilo Borgonhês, com um bom equilíbrio entre fruta e madeira, com notas de fruta vermelha fresca( cerejas, ameixas), erva seca, chá verde, chocolate preto e uma presença abaunilhada em grande plano.

Na boca, não muito encorpado, o vinho consegue mostrar tudo o que tem para dar, conseguindo satisfazer o palato, mostrando-se fresco e com alguma complexidade, aveludado, longe de ser cansativo com uma acidez bem integrada, taninos bem domados e com a fruta vermelha e as notas achocolatadas a fazerem um bom par, com alguns torrados, terminando com um final médio/longo especiado e com algum tabaco.

Nota 16,5


Para os adeptos de Syrah, aqui está mais um bom exemplo a cerca de 10 euros.
Em relação à prova de 2005, notei uma pequena melhoria, principalmente na parte aromática, este vinho mostrou-se agora mais exuberante.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Aneto 2003

Vindo da freguesia de Castedo do Douro, o próximo Vinho da Casa é um vinho que deve o seu nome a uma planta que existe na vinha de onde as uvas provieram. A planta é a Aneto, da família das Umbelíferas, aromática e medicinal é considerada erva mágica, sendo mesmo usada para fazer a poção do amor.

Para os fundamentalistas do Terroir, quem nos garantirá que este vinho após o 2º ou 3º gole, não nos trará a paixão à flor da pele, ou mesmo coragem para nos declararmos a aquela pessoa que sempre andámos atrás. No meu caso, a minha estava bem perto, portanto foi difícil distinguir se foram os efeitos do Aneto, se a "normal" paixão que sinto... Bem deixemo-nos de historinhas...

O vinho tem um estágio de 12 meses em carvalho francês, após fermentação em lagares de granito.

Com as castas durienses, Touriga Franca (40%), Tinta Roriz(30%), Touriga Nacional (20%) e Tinto Cão(10%), apresenta 14%vol e uma bonita cor, de boa concentração, quase opaco e com ligeiros toques de púrpura no bordo do copo.

Após decantação, o aroma é cativante, envolvente, com um primeiro impacto químico, floral, madeira encerada,alguns arbustos,urze e rosmaninho. A madeira está presente, mas não em primeiro plano, notando-se ligeiras notas de baunilha.
Aparecem também aqui notas de frutos silvestres, mirtilios, amoras pretas,lembrando aquelas bagas acabadinhas de arrancar da planta, ainda com aquela ligeira camada de pó.

Na boca, o vinho entra com um perfil austero, com grande volume de boca, pedindo-nos pra que o mastiguemos, bem educado, acetinado, com taninos finos e com a acidez bem presente, trazendo uma frescura balsâmica ao vinho. As notas de tabaco, chocolate e o carácter especiado, permitem ao vinho, terminar com um final elegante e de grande comprimento.

Nota 17,5

Um excelente exemplo do Douro de 2003, sem grande excessos de fruta, apesar de ter 14%, é um vinho extremamente elegante e fino.
Aconselha-se a decantação prévia, para deixar o vinho abrir.

domingo, outubro 15, 2006

Graham's The Tawny

O Graham´s The Tawny é um lote especial, proveniente de vários vinhos envelhecidos em cascos nas caves de V.N. deGaia, entre 7 a 9 anos. Acaba por ser como um Tawny Reserva, sem indicação de data de colheita.

É um vinho com uma bonita cor âmbar com nuances de cor de mel, com ligeira lágrima. Apresenta um nariz com alguma complexidade, boas notas iniciais de figo maduro, laranja cristalizada, apelativo e fresco, com toques de café e amêndoa e curiosos aromas de meloa.

Na boca o vinho entra amendoado, não mostrando de ínicio muita doçura, estruturado com a acidez bem integrada. No entanto com o movimento do vinho na boca, o aparecimento de mel, damascos e figos, tudo com uma boa densidade, traz a doçura e o estilo "tawny" à memória outra vez.

Termina bem, com grande suavidade, especidado e nada enjoativo, pedindo apenas para ser servido fresco (12º) com uma boa sobremesa, ou simplesmente uma boa companhia para o disfrutar.

Dentro dos "tawny's" sem data de colheita, é de certeza uma excelente opção, justificando o preço, que anda na casa dos 15 euros.

Nota 17

quarta-feira, outubro 11, 2006

Aliança Clássico 2004


Este Vinho da Casa, feito pelas Caves Aliança na Região das Beiras, está à venda em quase todo o lado e faz dele um "campeão de vendas", apelidando mesmo o próprio produtor como um vinho tradicional. Feito com Tinta Roriz e Touriga Nacional e sem estágio em madeira.
Apresenta 13%vol. e uma cor granada de média concentração.

O nariz é algo envergonhado, com alguns aromas lácteos, a meu ver, a chatearem um pouco a prova, no entanto consegue-se obter algumas notas de violetas, fruta compotada e mesmo alguma grafite.

Na boca o vinho entra como se pedia ao estilo, suave, macio, algo delgado, com a acidez bem colocada, com notas de morangos e algum mel a fazerem um final de boca comedido. Um vinho sem defeitos, mas também sem grandes pretensões. Sinceramente não sou muito adepto deste tipo de vinhos, macios e redondos demais. Se calhar não sou do tempo do "vinho tradicional".
Mas ao preço dele, convenhamos que até se porta bem.

Nota 14

Preço- 2,30 euros

domingo, outubro 08, 2006

Quinta de Soalheiro 1999

Corria o ano de 1999 quando António Esteves Ferreira, decidiu meter qualquer coisa como 1200 litros de Alvarinho em barricas de Carvalho Francês a fermentar…

E assim nasceu o Quinta de Soalheiro 1999


Com 12,5%vol. e em garrafas de 0.5l o vinho apresenta agora em 2006, uma cor amarelo ouro carregada, com nuances alaranjadas.

O nariz é complexo e apelativo, com primeiro impacto de madeira molhada e mineral, pelo menos é assim que o caracterizo, seguido de bastante fruta ainda, com kiwi, maça verde mas também com boa presença vegetal, espargos, ligeiro eucalipto e talo de couve.

Na boca o vinho ainda se apresenta algo fresco, bem gordo, sem cansar, com uma presença mais que agradável da madeira, voltando aquele gosto de madeira molhada e untuoso a perfilar a prova de boca, terminando num final de média duração com alguma fruta.

Nada cansado o vinho, pois a componente aromática está bem viva e recomenda-se.

Nota 16,5


Penso que este pequeno tributo, pode ainda que minimamente ajudar a tentarmos mudar a nossa filosofia. O Alvarinho é uma casta portuguesa de grande potencial de envelhecimento.

Produzidas 2400 garrafas, tendo sido atribuída a mim o curioso nº 13.

Quinta do Judeu 2004

Este próximo vinho da casa, pode ter pelo menos algo que nos une, pois o seu produtor também tem um Blog!

É um vinho de quinta, produzido com Touriga Nacional e Touriga Franca com um estágio de 7 meses em barricas de Carvalho Francês mais 6 meses de estágio em garrafa antes de vir cá para fora para o mercado.

O Quinta do Judeu 2004, com 14%vol. apresenta uma cor violácea brilhante, de boa concentração e muito jovem.
O nariz é marcado por um fundo extremamente balsâmico e perfumado, com boas notas de frutos silvestres, framboesas e amoras pretas, tudo num perfil fresco e alegre, remetendo a madeira para um segundo plano.

Na boca, o vinho apresenta um perfil rústico, com taninos presentes mas afinados, bom volume de boca, permitindo uma boa prova de boca, mantendo um perfil fresco com a acidez bem trabalhada, com um final ligeiramente curto. Melhor no nariz que na boca.
Mas o que está feito, está bem feito.

Nota 15,5

Preço 15 Euros

terça-feira, outubro 03, 2006

Versus 2004

Ora bem, acabou de sair o guia 2007 do João Paulo Martins, em que no capítulo da Beira Interior, ele atribui um 15,5 a este tinto. Há uns meses atrás este vinho tinha sido apresentado pela Blue Wine com a nota de 17,5, e meus amigos, todos saberão que um 17,5 para a Blue Wine é obra! Pois está acima do Chryseia, ao nível do melhor branco português, o Redoma Reserva... enfim acima de muitos grandes vinhos portugueses.

Como tenho 2 garrafas na garrafeira, que comprei após o 17,5 ter sido anunciado, decidi provar o vinho, pois um 15,5 pelo JPM, pode não ser um vinho para grandes aparatos.

É um tinto da Beira Interior como já disse, com as castas mais nobres do Douro, Touriga Nacional, Touriga Franca , Tinta Roriz e Tinta Barroca o que por si só pode levantar alguma curiosidade, pois é terroir é imcomparável.

O vinho tem um fermentação de curtimenta com maceração em cubas de inox, à temperatura de 22ºC. Parte do lote estagiou em cascos de carvalho francês durante 9 meses, resultando num lote com 14º de alcoól.

A cor dele impressiona, opaca, quase preta com grandes rebordos violáceos.
O nariz é austero, com alguma complexidade, fresco, com grande destaque para as notas químicas, florais, mentoladas e algumas ligeiras notas de barrica, tudo muito equilibrado com um fundo de fruto preto de boa qualidade.

A boca confirma a frescura apresentada, com a acidez bem vincada, com um volume enorme, denso, com taninos com T grande, mas em equilibrio com a estrutura do vinho. Nota-se que o vinho foi muito bem trabalhado, com um longo final de fruta preta e ligeiramente seco. Talvez se a madeira estivesse um pouco mais presente poderíamos ter aqui um vinho elegantíssimo e de grande classe, para outros grandes vôos.

Assim ficará pela:

Nota 16,5

Preço 8 euros (5,4 nas feiras de vinho aproveitem)
Produção 23.000 garrafas
Enólogo - Anselmo Mendes e Pedro Bravo Faria.


Post Scriptum
Poderia-se esperar que eu lógicamente avaliasse este vinho com uma nota intermédia, para não levantar pó. Mas, as pessoas que me conhecem, sabem que não sofro de falta de personalidade, nem medo de atribuição de notas, pois até, maior parte dos vinhos que provo ainda não saíram nos guias, ou ainda não tinham saído à data, como foi o caso do Charme 2004 que teve nota 18,5 aqui e no Guia do JPM, por exemplo...
No entanto com este Versus não há volta a dar, anda mesmo, na minha opinião entre o 16 e o 17.

sábado, setembro 30, 2006

Vertente 2003

Depois da grande experiência com o Charme 2004

Após 3 edições anteriores, e sempre com a elegância e qualidade a subir, Dirk Niepoort faz o Vertente 2003, com uvas seleccionadas da Quinta de Nápoles, com especial atenção para a Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Amarela, tendo depois o lote estagiado durante 12 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 13,5%vol., o vinho entra com um perfil aromático sério, multifacetado, ou seja, balsâmico, fresco, frutado com destaque para os frutos pretos, floral com algumas violetas aliados a uns toques da madeira muito bem integrados, tabaco, avelãs e baunilha.

Na boca, a complexidade mantém-se, elegante, cativante, estruturado com a componente fenólica a mostrar a boa maturação da uva (afinal de contas é um Douro 2003), com taninos presentes mas sem "chatearem" muito, tudo muito equilibrado e fino. O final de boca é denso, longo, com destaque para os torrados.

Nota 17

Preço 12 euros
Produção 12.000
Enólogo - Dirk Niepoort

quinta-feira, setembro 28, 2006

Casal da Coelheira Reserva 2003

A seguir ao Casal da Coelheira 2004, nada melhor que apresentar o Reserva 2003.
Desta feita, elaborado com Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Touriga Nacional, ficando portanto excluido o Castelão do lote, por entrada da Touriga Nacional,onde 2/3 desse lote a estagiar em barricas de carvalho Francês e Americano.

Com uma cor granadina acentuada, e de boa concentração, o nariz é cativante, mais "sério" que o colheita, com boas entradas de frutos pretos, amoras, e também ameixa bem madura, mentol, ligeiro couro, e chocolate.

Na boca o vinho mostra um carácter algo rústico, com bom corpo, com os taninos a encherem a boca, com um perfil tostado aliado a boa fruta, com final seco e especiado, com boas notas de tabaco.

Nota 16

Outras boas colheitas: 2000
Preço 5,5 euros
Produção 22600
Enólogo - Nuno Falcão Rodrigues

Casal da Coelheira 2004

Variando um pouco na região, desta vez o Vinho da Casa vem do Centro Agrícola do Tramagal, da Quinta do Casal da Coelheira, é este colheita 2004 com um lote de Castelão, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon eTrincadeira, com fermentação em lagares mecânicos, com 1/3 a estagiar depois em cascos de carvalho Americano.

Com 13,5%, apresenta uma bonita cor granadina de média concentração.
Os aromas a frutos vermelhos marcam o nariz, morango, cerejas, também com algum perfume e ligeiro toque fumado, que mostra boa integração da madeira no vinho, sem perturbar fazendo um vinho apelativo e fresco mas sem que a presença de leve vegetal é inevitável, com notas de pimentos verdes.

A boca confirma isso mesmo, um vinho jovem, fresco, frutado, com um final vegetal, com alguns frutos secos mas ligeiramente seco e adstringente, mostrando que os taninos estão cá. Talvez amacie com o tempo.

Ao preço de 3,50 euros, é sem dúvida uma boa opção daquela região, por sinal, a minha região de infância.

Nota 15

Outras boas Colheitas: 2003, 2000.
Preço 3,50 euros
Produção 120.000
Enólogo - Nuno Falcão Rodrigues