quinta-feira, novembro 29, 2007

Alvarinhos 2006

Depois da prova que fiz o ano passado com os Alvarinhos de 2005, este ano voltei a repetir o mesmo, com Alvarinhos de 2006, todos em prova cega. Já se sabia que 2006 não tem sido um ano de excelentes vinhos, e que 2005 foi um ano muito especial para os Alvarinhos com excelentes pontuações. Este ano provei alguns vinhos que não tinha provado no ano passado. Vou colocar por ordem de pontuação, sendo que dois tiveram a mesma nota.

Quinta da Pigarra 2006
No nariz, carregado de fruto citrino e de boa dose vegetal. Fresco e elegante no aroma, aparece a dar alguma complexidade ligeiras notas de especiarias assim como um toque de fruto maduro. Está bem no nariz a mostrar um bom equilíbrio entre as notas frescas e jovens com um lado mais quente e amadurecido. Na boca, está mais tímido, com uma boa acidez, mas com a fruta meio escondida, num final seco, persistente, com vegetal e alguma mineralidade a marcar. Bem no nariz mas um pouco sizudo na boca. Talvez o Alvarinho mais típico dos que estiveram em prova.
Nota 15,5

Aveleda Follies 2006
No nariz, mostra logo um primeiro tom atraente, com muito fruto tropical. Boas as notas vegetais, frescas e bem integradas. Aroma fino e bem desenhado, torneado por um fundo citrino lembrando toranja. Na boca, mostra-se largo e com bom volume. As notas citrinas estão bem presentes. Perfumado e com alguma gordura, de acidez elevada faz-nos ter noção de um vinho de bom porte, mas bastante fresco. Final intenso, vincadadamente mineral. Belo Alvarinho!
Nota 16

Rolan 2006
No nariz é claramente o mais exuberante e diferente dos outros exemplares. Notas de casca de laranja, flores, folha de limoeiro, algum exotismo e uma curiosa lembrança de rebuçado. Está um aroma bem intenso e bastante arrumado. Na boca, mostra-se de bom corpo, com algum estrutura capaz de aguentar o inverno, acidez elevada. As notas de laranja voltam a imperar, assim como alguma especiaria. Final com alguma profundidade, saboroso e bastante persistente. Apesar de não ser de Melgaço/Monção ( é de Valença) merece todo o respeito e ainda bem que por ali há Alvarinho plantado! Uma surpresa!
Nota 16

Reguengo de Melgaço 2006
No nariz, este Alvarinho mostra-se também bastante típico, com algum floral, intenso nas notas minerais e citrinas. Tem um aroma mais sério e menos exuberante que os outros, talvez a precisar ainda de tempo para abrir. Na boca, mostra-se nervoso, com a acidez alta e cheio de fruto tropical, a mineralidade volta a trazer uma frescura intensa ao vinho. Enérgico na boca, pede-nos ou para evoluír em garrafa, ou para ser servido com umas entradas especiadas ou mesmo com alguns fritos. Final de bom nível, fino, longo e perfumado. O exemplar mais capaz de evoluír em garrafa.
Nota 16,5

terça-feira, novembro 27, 2007

Grand'Arte Alicante Bouschet 2005

Depois de apresentar a DFJ e o seu DFJ Merlot&Touriga Franca 2002, provo agora um monocasta de Alicante Bouschet, também da Estremadura. Esta casta, bastante bem trabalhada no Alentejo, dá origem a vinhos muito estruturados, cheios de cor e com muita identidade. Este Grand'Arte, é fermentado em inox, com estágio de 6 meses em barricas Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13,5%Vol tem uma cor rubi escuro profundo.
No nariz a primeira sensação é a de um vinho que parece que foi retirado no momento de uma barrica, não pelo exagero da madeira mas pelo impacto aromático jovem e muito crú. Cheio de notas mentoladas, químicos e muito fruto preto. A madeira está integrada e dá alguma graça ao conjunto, com uma tosta presente de bom nível que apoia as notas saltitantes e viçosas do lado frutado. Tinta da China e alguns fumados perfilam por este aroma nervoso e apelativo.

Na boca, bem mais calmo, com uma entrada harmoniosa, taninos bem maduros e muita, muita fruta preta. Acidez bem colocada traz alguma frescura. Torrados e achocolatados enchem-nos o palato com profundidade. Está um vinho bastante presente na boca, nada duro, com um perfil bem extraído, mas sem enjoar. Estilo after-eight e bastante extraído, parece fazer as delícias dos adeptos dos vinhos chamados de novo mundo. Apesar de todo o nervo que apresenta no nariz, na boca está muito bem. Final elegante e mentolado e com apontamentos da madeira. O final é surpreendente, fino e com classe. O Alicante Boushcet mostra-se muito bem, conseguindo ter um perfil próprio e bastante convincente. Belo vinho a um excelente preço! Certamente irá evoluír bem em garrafa.

Nota 16,5
Preço 7,90 Euros

terça-feira, novembro 20, 2007

JM 2006

Continuando na CVD Vinhos do Douro, tive oportunidade de provar o JM 2006, versão branco, depois do lançamento do JM Grande Escolha 2003 tinto. É um branco fermentado em inox, mas com estágio de 6 meses em barricas de carvalho. As castas são a Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol. apresenta uma tonalidade amarela, jovem e de média concentração.
No nariz, com uma entrada citrina e floral, bem harmoniosa com subtis notas tostadas. Um aroma equilibrado e apesar das notas da barrica, mostra-se fresco e primaveril, com algumas notas mais verdes, relva cortada, rebuçado de limão e um tom tropical. A madeira deu algum aconchego ao aroma, tornando-o bem harmonioso e com alguma complexidade.

Na boca, mostra-se com bom corpo, notando-se o trabalho da madeira a dar alguma untuosidade. A acidez é alta nunca deixando o vinho caír em doçuras ou em exageros da madeira. Parece no entanto faltar aqui alguma largura de boca, mais uma nota por escrever na pauta, pois o estilo está ligeiramente monocórdico. Suave e frutado, o final de boca peca um pouco, pois esperava-se mais alguma persistência e intensidade aromática. Apenas algumas notas citrinas e uns toques tostados. Uma boa estreia nos vinhos com estágio em madeira, e se se melhorar alguns aspectos, poderemos ter aqui mais um vinho com madeira do Douro de grande gabarito.

Nota 16
Preço 11 euros

Fagote 2006

Voltando aos vinhos de José Miguel Almeida (CVD Vinhos do Douro) provei o branco Fagote da colheita de 2006. É um vinho vinificado em inox, com as castas Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol apresenta um cor amarela esverdeada e brilhante.
No nariz, fresco e com entrada floral, flores brancas da primavera, muito alegre e perfumado. Fruta em boa quantidade, maça verde, com citrinos e alguma fruta tropical. Um aroma bem trabalhado, baseado na frescura, graças ao perfil mineral que tempera o conjunto.

Na boca, de corpo mediano, aposta num perfil redondo e fresco, com muitas notas minerais e uma acidez bem elevada. Esta boa acidez dá uma boa intensidade no palato, onde a fruta e um lado vegetal aparecem lado a lado. Final de boa duração, com frescura citrina. Um vinho bem mais equilibrado na boca que o seu antecessor, mais fresco e sobretudo mais alegre. À mesa, para umas entradas ou para pratos de peixe simples, é o ideal. Como melhorou, a nota sobe um pouco.

Nota 16
Preço 7 euros

terça-feira, novembro 13, 2007

Campolargo 2005

Este vinho, do produtor Bairradino com maior área de exploração da região, cerca de 170Ha, sofreu alterações desde a sua primeira colheita. Já foi um varietal de Pinot Noir, passou em 2001 para um vinho de lote, sendo nesta colheita de 2005 um vinho com 90% de Pinot Noir e 10% de Baga. Lógicamente, vinificados em separado, pois a casta borgonhesa é muito precoce e foi vindimada em finais de Agosto, enquanto que a Baga só no ínicio de Outubro/ finais de setembro é que atinge o seu estado ideal. Estagiou depois, o lote em barricas de carvalho francês até Fevereiro de 2007.

Com 14,5%Vol e uma cor granada de média/baixa concentração.
No nariz, exuberante e aliciante, mostra muitas notas de fruto vermelho, groselhas e morangos e um lado vegetal nervoso. Impressiona pela jovialidade, com a madeira bem presente e bem tostada, com notas de café, tabaco, cana de açucar tudo num nível elegante e fresco. Este aroma mostra já alguma complexidade, desenvolvendo no copo aromas subtis, podendo mesmo ficar o tempo que quisermos a tentar descobrir mais uma lembrança. Apesar desta exuberância, o vinho está fino e elegante no aroma, muito equilibrado e sem cansar.

Na boca, nota-se ainda a falta de maior ligação entre as partes, com a acidez ligeiramente espigada (típica do Pinot e da Baga jovens), com o álcool presente, trazendo um lado mais doce e quente. De corpo ligeiro mas bastante atraente, textura sedosa onde os taninos estão finos. A madeira está bem vincada, em conflito com a fruta fresca. O final é de bom comprimento, longo e saboroso, com notas de chocolate de leite e frutos secos. É um vinho muito interessante, largo, com o Pinot claramente a marcar pontos ( também são 90%), embora se note que precisa de tempo em cave para consertar o conjunto. Certamente valerá a pena esperar, principalmente porque não são muitos exemplares disponíveis... É um dos melhores exemplares de Pinot Noir do país, sem qualquer margem para dúvida.

Nota 17
Produção 3.600 garrafas

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2002

De um ano mau no Douro, apeteceu-me no outro dia, sentir o pulso a este branco, que quando bebido em novo, dá a sensação de ter potencial de guarda. A Quinta de Cidrô, perto de S.tem as vinhas de Chardonnay plantadas desde 1993, pertencentes à Real Companhia Velha. Por ser de uma casta não autorizada, no rótulo vem a informação de Vinho Regional de Trás-os-Montes, em vez de DOC Douro. 100% Chardonnay, é fermentado e estagiado em barricas de carvalho francês e americano durante 6 meses.

Com 13,5%Vol apresenta já uma bonita coloração amarelo escuro, com reflexos dourados.
No nariz, com uma boa componente de fruta madura, pêssego e manga, mostra-se ainda bem vivo, com alguma exuberância e frescura. A madeira já não tem as habituais notas de baunilha, mas nota-se que fez um bom trabalho e deu complexidade ao aroma. Forte componente vegetal, lembrando um dia chuvoso de outono, casca de árvore, mel e fumo.

Na boca, de corpo arredondado, gordo e com bom volume. Está num ponto extremamente apetecível, com a acidez equilibrada, nada caído, com boa dose de fruto exótico, especiaria e mel, com uma textura típica de um branco com algum idade. O final de boca é de bom comprimento, com notas de fruto maduro e algum exotismo. Um branco bem capaz de aguentar um prato de carne, ou um peixe assado no forno sem qualquer problema! Ainda está cá para as curvas. É preciso é ter sorte na garrafa.

Nota 16
Preço 8 euros

terça-feira, novembro 06, 2007

Douro Boys - Os Quinta de Vale Dona Maria Tintos de 2005

Tarde e a más horas venho colocar a ultima levada de tintos provados na MasterClass do dia 5 de Setembro no Aquapura. Sem querer mostrar-me preguiçoso ao não querer apresentar a Quinta onde Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva fazem os seus vinhos, sugiro que leiam este belo registo do próprio Cristiano, no seu site. Se tiverem paciência para o lerem, verão que vale a pena pois é uma bela apresentação.

Casa de Casal de Loivos 2005
Este rótulo, recordando a espectacular casa do Séc.XVIII que está instalada no cimo do Pinhão. Feito em lagares de granito, com estágio em barricas novas de carvalho francês durante 18 meses ( 50% novas). Mostra um aroma bem maduro, carregado de fruto vermelho, alguma esteva, com a madeira integrada com boas notas de tabaco e alguma baunilha. Na boca está bem volumoso, com alguns taninos secos e alguma aspreza no final de boca. Embora no nariz se preveja um estilo madurão, a acidez elevada traz alguma frescura no final de boca. São 3800 garrafas.
Nota 16

Quinta Vale Dona Maria 2005
Ícone do produtor, este vinho é fermentado os lotes separados em lagares, passando depois para barricas novas (70%) e usadas de várias casas de Carvalho Francês. Com um aroma austero e muito profundo, carregado de personalidade, nota-se muita fruta preta refinada e alguma dose mineral. Excelente madeira, tom especiado e aroma a café fresco trazem ao conjunto um nariz muito complexo e fresco. Na boca está muito fino, com taninos luxuosos, estruturado q.b. conseguindo ter uma elasticidade enorme, pois a elegância é ponto assente, apesar do bom volume de boca. Acidez elevada mas não exagerada, num final longo e mineral. Para quem já esteve no Douro sabe que não é fácil fazer 20.000 garrafas desta qualidade.
Nota 17,5

CV-Curriculum Vitae 2005
Topo de gama, feito com todos os cuidados e criteriosa selecção, este vinho provém de vinhas velhas ( 80 anos), viradas de Norte a Oeste. Estagiado em 100% de barricas novas, e com 15%Vol mostra um aroma elegante, muito fino, cheio de terroir, ainda mais persuasivo que o anterior, mas também um pouco mais fechado, a pedir mais atenção. Chocolate, tabaco fresco, fruto preto e algum floral dão-nos ideia de uma complexidade em ascenção. A madeira está bem vincada e dá uma ideia de requinte. Na boca, mostra um estilo bem estruturado, cheio de vigor, com taninos elegantes. Acidez uma vez mais fantástica, tostado, com um final longuíssimo e muito profundo nas notas especiadas. Grande vinho, cheio de expressão do Douro.
Nota 18

Van Zellers 2004
Este vinho é uma nova marca, a um preço mais acessível ( 15 euros). Feito com vinhas novas ( 7 a 20 anos, com estágio em barricas de carvalho francês de 2º ano. Bem mais quente no aroma, com notas tostadas, café, erva seca e alguma componente vegetal a mostrar um estilo completamente diferente do produtor, e do ano de colheita claro. Um pouco marcado pela madeira e pelas notas tostadas, quer no aroma, quer no palato. A fruta está presente, com um comportamento na boca polido, já arranjadinho para se beber, com bom volume de boca. Taninos calmos, acidez bem colocada, dá-nos um final mediano, fumado e com notas de terra bem marcadas. Um vinho a conhecer, mas que não prima pela diferença. 5750 garrafas.
Nota 15,5

DFJ Merlot & Touriga Franca 2002

A DFJ Vinhos é uma companhia de vinhos 100% portuguesa, fundada em 1998, e orientada para a exportação, maioritariamentepara o Reino Unido, Alemanha, USA, Canadá e paises nórdicos. Em 2005 (apenas 6 anos após ter sido fundada) a DFJ recebeu em Portugal da “Revista de Vinhos” o prémio da “Empresa de vinhos do ano”. A DFJ controla directamente a produção de mais de 400 ha de vinhas em Portugal, em quintas, maioritariamente nas regiões vitivinícolas da Estremadura, Ribatejo, Douro e Alentejo. Esta empresa é encabeçada pelo enólogo José Neiva. O portfólio da empresa é bastante extenso, sendo talvez dos produtores nacionais com mais referências disponíveis!
Este Touriga Franca&Merlot, oriundo da Estremadura, é feito com partes iguais de cada casta, estagiando depois 5 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol mostra uma cor granada de média concentração com ligeiro rebordo evoluído.
No nariz, mostra um aroma já bem evoluído, com algumas notas de carne, geleias e algumas notas terrosas. O lote é curioso e mostra-se com alguma complexidade, com boa componente vegetal típica do Merlot, com muito fruto vermelho e alguma menta.

Na boca, uma entrada suave e macia, com os taninos bem arredondados. Com a acidez ligeiramente espigada, o vinho parece já ter tido uma melhor fase, pois está tudo muito redondo e nota-se um ligeiro desequilíbrio no conjunto. Especiarias e fruto vermelho dão um bom perufme na boca. O final é algo curto, com notas de geleia e algumas lembranças tostadas da madeira. Um vinho com um lote bem feito e que parece ter potencial, mas este ano de 2002, não muito famoso, parece já ter dado as últimas. Beba-se já! A rolha também não estava com vontade de aguentar muito mais tempo.

Nota 15,5
Preço 5,9 euros

Odisseia 2005

Já não é a primeira vez que publico no Vinho da Casa esta marca. Publiquei um excelente e poderoso Touriga Nacional 2004 e um Little Odisseia 2005. Este é um vinho intermédio, um tinto da colheita de 2005 com Tinta Roriz e Touriga Franca do vale do Távora, Douro. Vinificados em lagares de granito, e fermentados em inox, apenas 10% do lote estagia em barricas de carvalho Francês.

Com 13%Vol e uma cor rubi jovem de boa concentração.
No nariz, austero, bastante jovem e com algum nervo, mostra claramente um bom perfil mineral. O fruto está presente, cerejas, amoras, mirtilios, aliado a um tom herbáceo. A madeira está discreta mas integrada, assim como um certo aroma químico mostram um aroma equilibrado, ainda que muito jovem.

Na boca, de corpo médio/alto, o vinho volta a mostrar a sua raça, com alguma dureza taninosa até. Acidez alta, uma vez mais nota-se neste produtor o estilo de fazer vinhos mais durões e capazes de evoluír em garrafa, sem nunca optar por marcar muito a madeira. Chocolate e fumo dão algum aspecto mais alegre. Fruto denso e perfil balsâmico proporcionam um bom final, frio, vincado e ligeiramente seco. É um vinho virado para a mesa, com o álcool muito bem comedido, a precisar de pratos tradicionais e que o tempo arrefeça mais um pouco. Em frente à lareira este vinho certamente agradará.

Nota 16
Preço 7 euros
Produção 9.700

Chaminé 2006

Este tinto, oriundo das Cortes de Cima, prestigiado produtor Alentejano, foi dos vinhos que eu bebia com alguma frequência quando me estava a iniciar nesta paixão. Aliás, lembro-me mesmo de ter bebido um Chaminé 2001 em Ponte de Lima com a minha irmã e cunhado e de ter ficado deliciado. Os tempos passam, o paladar afina-se, o nariz apruma-se mas o vinho continua igual, a ser feito com paixão, com esforço com muita dedicação. Anos diferentes, a filosofia do Chaminé é a mesma. Um vinho de entrada de gama, feito para agradar no dia-a-dia. Com base em Aragonês e Syrah, o vinho é desengaçado por completo e totalmente vinificado em inox.

Com 14%Vol mostra um cor granada de média concentração.
No nariz, alegre e com vontade de alegrar, mostra muita cereja e muita compota. Boa dose vegetal, lembrando vegetação primaveril. Alguma especiaria desenvolve no copo dando um toque mais exótico. O aroma é muito limpo e arejado sem grandes rodeios, mas também não foge muito da linha.

Na boca, directo e ligeiro, a dose de fruta compotada e a componente vegetal voltam a mostrar-se. A acidez mediana não deixa o vinho caír, apesar da doçura estar presente. Final especiado e frutado de média duração. Um vinho que cumpre com aquilo para que foi definido, que se portará muito bem ao lado de pastas e pizzas com os amigos, mas sempre ligeiramente refrescado ( 14/15ºC). Mas não se pense que é um vinho assim tão básico. Dentro da sua gama, apresenta qualidade colheita após colheita e dá muito prazer a quem o bebe.

Nota 15
Preço 6 euros
Produção 900.000 garrafas

segunda-feira, novembro 05, 2007

Azamor 2004

O primeiro contacto que tive com este vinho, da colheita de 2003, foi na sua terra natal. Na altura, quando fui visitar o Copo de 3, provámos entre outros um vinho de Vila Viçosa, bastante fresco e com alguma complexidade no aroma, com ares de um lote um pouco diferente do habitual... Pois bem, agora tive a possibilidade de ir a jogo com este 2004. Este Azamor, é feito essencialmente com Syrah, Merlot, Alicante Bouschet e Touriga Nacional com parte do lote (30%) a estagiar em barricas de Carvalho Francês e Americano durante 7 meses.

Com 13,5%Vol. e uma cor granada de boa concentração.
No nariz, o aroma está maduro e composto, com o fruto vermelho a marcar o primeiro impacto. Um lado mais quente aparece, com alguns toques de borracha/alcatrão e terra. Apesar de estar mais Alentejano que o 2003, está com um perfil muito próprio. Aparece também um lado vegetal, (menta) a dar alguma frescura. A madeira surge bem integrada, dando alguma harmonia.

Na boca está bem estruturado, com taninos já bem macios. Boa acidez, fruto fresco, sempre num tom fresco e sem pesar. Acidez média/alta a dar alguma elegância na boca. O bom volume de boca aliado à suavidade no palato, dá a ideia de o vinho estar num bom momento para ser bebido. Redondo e subtil nas notas da madeira perfeitamente ligadas ao vinho. O final é longo e persistente com notas torradas e de compotas.
Um vinho que dá prazer, a mostrar que não precisa de mais tempo de garrafa, pois está pronto para ser bebido.

Nota 16
Preço 8 Euros
Produção 70.000 garrafas

segunda-feira, outubro 29, 2007

Quinta das Marias Branco 2005

Este produtor, já aqui abordado quando provei dois belos Tourigas Nacionais, ganhou recentemente um prémio honroso. Falo-vos do prémio de produtor revelação do ano no guia Vinhos de Portugal 2008. Este branco de 2005 é um vinho de lote, no entanto em 2006 o produtor optou por apenas produzir Encruzado. Tem então quatro casta típicas do Dão, Encruzado, Malvasia Fina, Bical e Cerceal que tiveram fermentação parcial em barricas novas de Carvalho Francês durante 5 meses. Provei-o no ínicio deste ano, mas achei que estava ainda muito jovem e que um tempinho de garrafa lhe era saudável. Provado agora, deparei-me com o seguinte:

13%Vol e uma cor amarelo de boa concentração, com ligeiros reflexos dourados.
No nariz, muito afinado e de bom impacto aromático inicial com fortes notas de fruto tropical e flores da primavera. Intenso nas notas minerais e citrinas, folha de laranjeira, a madeira está discreta mas dá-lhe um tom nobre e sério. Um aroma muito cativante, onde não se perdeu frescura, mas ganhou-se complexidade e até já alguns toques melados.

Na boca, largo e estruturado, tem alguma untuosidade que nos dá vontade de percorrer o vinho pela boca e ficar a deliciar-nos com a elegância e frescura que ele nos transmite, associado a um belo perfume aromático. Perfeito na acidez, alta e muito bem colocada. As notas minerais e algum fruto maduro proporcionam um final de média duração, com ligeira doçura e algumas notas de baunilha. Muito interessante na prova, com um aroma cativante, e com bom comportamento na boca, ficando apenas o final de boca a pecar um pouco por defeito, embora tenha alguma complexidade, precisava de mais persistência e profundidade. O tempo fez-lhe bem e certamente não estará a beira do precipício, antes pelo contrário. Belo branco do Dão. Impecável à mesa com um arroz de perca. Ah e o preço dele? É dado... É pena é serem poucas garrafas...

Nota 16,5
Preço 5 euros
Produção 3300 garrafas

quarta-feira, outubro 24, 2007

Dona Berta Reserva 2004

Não só pelo Rabigato se ficam os vinhos Dona Berta. Em matéria de tintos o produtor apresenta um Reserva 2004 e um Vinhas Velhas 2005, este último com poucas garrafas ( cerca de 2.000). Este tinto é feito com as castas tradicionais do Douro. Parte da fermentação e o estágio dá-se em barricas de carvalho francês americano.

Com 13%Vol mostra uma tonalidade rubi de mediana concentração.
No nariz, contido na exuberância, mas expressivo e profundo. Notas de fruto vermelho, chocolate preto e erva seca, tudo muito suportado por uma mineralidade bem característica daquela região fria. Ligeiras mas boas notas de couro trazem ao vinho um lado mais rústico. A madeira, presente e bem integrada dá ao vinho uma certa sensação tostada.

Na boca, o vinho entra de forma educada e com suavidade, taninos sedosos e nada desfraldados. Acidez bem colocada, estrutura mediana, num vinho que prima pela elegância e capacidade de dar prazer do que pela exuberância pastosa e frutada na boca. O final é de bom nível, fresco e com apontamentos de tabaco e alguma especiaria. Está um vinho bem interessante, certinho e direitinho, virado para a mesa e pronto a beber. Um aplauso para o pouco álcool, quer no branco quer no tinto.

Nota 16

Dona Berta Reserva Rabigato 2006

Hernâni Verdelho, tem na Quinta do Carrenho (Douro Superior), bem perto da pacata aldeia de Freixo de Numão, as suas vinhas. No vinho branco, o produtor tem um varietal de Rabigato, provavelmente o único no país. É um Reserva Branco 2006, proveniente de vinhas velhas ( mais de 150 anos) e vinha mais nova, trabalhado sempre em inox, com battonage durante 3 meses.


Com 13%Vol e uma brilhante cor amarelo claro.
No nariz, mostra nervo e frescura bem vincada, com um aroma marcadamente mineral. Muita folha de limoeiro, malmequeres e sensação de relva fresca continuam a marcar passo no lado fresco do vinho. Com a abertura no copo, desenvolvem-se alguns aromas a manga e algumas fruta de caroço. Um aroma muito fino e delicado, ainda algo fechado, provavelmente irá desenvolver um belo aroma com o tempo em garrafa.

Na boca, encorpado e com alguma untuosidade, o vinho mostra um perfil sério e com um conjunto muito interessante, com uma acidez crispante, onde as notas citrinas e boas notas vegetias imperam. Fresco e refrescante com. O final é assertivo, longo e com boas notas minerais. Fez-me pensar, várias vezes, que estava a provar um Encruzado do Dão, ainda na fase fechada. É um vinho com grande potencial, perfeito para a mesa, mas que precisa de ganhar coragem para se mostrar. Com o tempo vai lá certamente... Pode perfeitamente ser provado desde os 10ºC até aos 14º, pois a excelente acidez suporta o vinho, e a uma temperatura mais alta o aroma e o comportamento na boca melhoram bastante.

Nota 17

segunda-feira, outubro 15, 2007

Douro Boys - Os Vale Meão Tintos de 2005

Bem lá no Alto Douro, perto de Foz Côa fica a Quinta do Vale Meão. Esta Quinta foi adquirida por Dona Antónia Adelaide Ferreira ( A Ferreirinha) no final do século XIX. Actualmente é a família Olazábal, ainda descendente de Dona Antónia, que é a proprietária. O projecto iniciou-se em 1999, e actualmente são produzidos 3 vinhos, o Meandro, o Quinta do Vale Meão, e o Quinta do Vale Meão Vintage.
Em prova estiveram presentes o Meandro 2005 e o Quinta do Vale Meão 2005

Meandro 2005

Feito com 5 castas, onde predomina a Tinta Roriz, seguido da Touriga Franca e Touriga Nacional, todas vinificadas em separado. Pisado a pé em lagares de granito durante 4 horas, passando para o inox onde se deu fermentação. Estagia depois em barricas de 2º e 3º ano até ao engarrafamento em Julho de 2007.
Com um aroma bem expressivo e carregado, mostra muito fruto preto aliado a um perfume de vegetação intenso. Cheio de nervo no nariz, algum mineral com a barrica bem integrada, garantindo notas de tabaco em sintonia com chocolate preto. Nariz fresco sempre num perfil um pouco extraído. Está bem na boca, austero e encorpado, com uma grande dose de fruta e alguma frescura, boa acidez embora tenha algum peso devido à concentração. Taninos secos e ligeiramente agressivos ainda. Final frutado e com alguma persistência. Para a mesa e para dar prazer a um preço convidativo. É preciso é esperar por ele. Um pouco mais fresco que o 2004, mas ainda assim com um perfil bem maduro.
Nota 16,5

Quinta do Vale Meão 2005
Com apenas 3 castas, Touriga Franca, Tinta Roriz e com forte predominância da Touriga Nacional (65%), o vinho é também pisado a pé e vinificado casta a casta. O estágio é feito em madeira francesa nova e de segundo ano. Engarrafado também em Julho de 2007.
Com a Touriga Nacional em evidência, com toques muito elegantes de alfazema e violetas. Fez-me logo pensar num Touriga do Álvaro de Castro tal é a exuberância controlada, isto é, com classe. Um aroma muito apelativo, com boa dose de pimenta verde, bastante complexo, muita mineralidade, com a madeira plenamente ligada com fumados, alguma baunilha ligeira e uma tosta muito fina. Na boca está com uma entrada educada, cheio de estrutura, mas com o tanino fino. Enérgico e com uma profundidade enorme. Acidez fantástica, com muito cacau e notas de tabaco conjugadas com um bálsamo refrescante. Final longo e de grande qualidade. Um vinho fantástico, o melhor Vale Meão ( entre 99,01 e 04) que provei. Um grande, grande vinho... Mais uma flecha que me acertou.
Nota 18,5

domingo, outubro 14, 2007

Monte Seis Reis Syrah 2004

Depois de apresentado o Tinta Caida, volto ao Monte Seis Reis para falar sobre o varietal de Syrah. Este monocasta de 2004 é a segunda colheita a vir para o mercado. Fermentado em inox, o vinho estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14,5%Vol o vinho mostra no copo uma coloração granada de boa concentração, com ligeiro rebordo violeta.
No nariz, expressivo q.b., tal como o Tinta Caiada, com alguma exuberância e marcado por uma sensação de baunilha e algodão doce. Este primeiro conjunto de aromas está ligado a um forte aroma de borracha, fruto muito maduro, ameixa e cereja. Com alguma complexidade, sempre num estilo new world e pesadote, aparecem também algumas notas de casca d'árvore e alguns torrados. A fruta está em grande quantidade, e sempre num estilo madurão e muito concentrado.

Na boca, com alguma suavidade, o vinho apesar de corpulento, tem já os taninos educados. Com baixa acidez e falta de profundidade, cheio de extracção, carrega-nos a boca de fruto maduro bem ligado com notas do estágio, especiarias, tabaco e alguma baunilha. Apesar de proporcionar um final persistente, as notas de compotas e o toque doce acabam por pesar um pouco. Não é nem de perto um Syrah fresco e alegre, é um Syrah feito para ser bebido fresco, pois o álcool é elevado e a acidez é baixa. Talvez com alguma gastronomia alentejana a coisa mude de figura. Os 15 euros terão que ser bem pensados, mas acreidto que haja consumidores que gostem deste estilo "docinho". Eu não sou muito fã.

Nota 15,5
Preço 15 euros
Produção 14.000 garrafas

segunda-feira, outubro 08, 2007

Monte Seis Reis Tinta Caida 2004

Já o ano passado tinha provado os vinhos de entrada de gama deste produtor alentejano. Na altura provei o tinto Bolonhês 2003 e os Boa Memória branco 2004 e tinto 2003. O Monte Seis Reis, (que tem um espectacular site online em www.seisreis.com) tem, durante o ano várias exposições na sua adega, mostrando que o vinho além de um "produto alimentar" tem também uma forte vertente cultural. Este varietal de Tinta Caiada fermenta em lagares com pisa a pé, passando para barricas de carvalho francês onde estagia 9 meses.

Com 13,5%Vol, este tinto apresenta uma cor violácea de boa concentração.
No nariz, o primeiro impacto dá-nos a noção de muita extracção, com muitos aromas intensos. Forte expressão floral, lembrando perfume feminino, vegetal, alguns aromas mais quentes, com carvão, marmelada e um fundo animal de bom nível. A fruta está cá e mostra-se bem madura, no estilo compotado aliada a uma boa dose de especiarias. Um nariz muito exuberante, com alguma complexidade, mas também vaidoso que acaba por pecar num tom enjoativo. Madeira perfeitamente integrada nesta mescla de aromas.

Na boca, bom volume de boca, o vinho mostra-se denso, apostando novamente em mostrar tudo ao mesmo tempo. Goma, vegetal e muitas compotas tornam a pesar um pouco. Descobre-se uma ligeira doçura. Taninos elegantes e estruturados, a boa acidez permite que tenhamos um final persistente, mas com muita especiaria doce e uma grande dose de baunilha. Um vinho que não prima pela elegância e sobriedade, dá uma boa prova, com muitos descritores, no entanto acaba por nos cansar um pouco à mesa. Dar-lhe tempo em cave pode ser uma boa opção.

Nota 16
Preço 14 euros
Produção 7.000 garrafas

domingo, setembro 30, 2007

Douro Boys - Os Quinta do Crasto Tintos de 2005

As primeiras referências conhecidas referindo a Quinta do Crasto datam de 1615, tendo sido posteriormente incluída na primeira Feitoria juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Um Marco Pombalino datado de 1758 pode ser visto na Quinta.

O Douro Boy Miguel Roquette ofereceu-nos talvez o momento mais hilariante e cómico do dia quando pediu desculpa ao Hotel por ter urinado na cascata de água que havia na casa-de-banho dos homens ( pelos vistos na das senhoras também havia...). Eu, tal como muita gente presente, não me contive e "parti-me"a rir, virando-me depois para o Luís Antunes da Revista dos Vinhos dizendo-lhe, "Nós fizémos o mesmo!!" Lembro-me que na altura até aplaudimos o facto de ser um urinol bastante limpo!

Bem, falemos de vinhos, e que vinhos!

Quinta do Crasto Reserva ( old vines) 2005
Este vinho, muito apreciado por todos os enófilos, é feito de vinhas com mais de 60 anos, onde se contam cerca de 30 castas misturadas. Estagiou em barricas de carvalho americano e francês durante 20 meses até ao engarrafamento em Abril de 2007. Com um aroma inicialmente mineral, cheio de fruto preto, denso e floral. Austero e até algo tímido no aroma, longe de se querer mostrar logo à primeira, nota-se um vinho complexo com a madeira bem integrada no aroma, com especiarias e algum fumado. Na boca, generoso e com vivacidade, os taninos são finos mas ainda com algumas arestas por limar. Forte dose de fruto fresco e notas de baunilha, o final é longo e perfumado. São 85.000 garrafas a bom preço, cerca de 15 euros lá fora!
Nota 17


Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Apenas engarrafado nos anos em que se atinge um alto nível de qualidade, este vinho é feito com 100% de uvas da casta Touriga Nacional. Estas vinhas de Touriga têm apenas 20 anos. Pisado a pé e fermentado em lagares, o vinho estagia depois em barricas de carvalho francês durante 18 meses. Com um nariz muito apelativo e exuberante, embora não enjoativo, pois a Touriga mostra-se densa e bem madura. Perfumado de violetas, fruto preto refinado, amoras q.b. algum químico. A madeira mostra-se bem integrada, com um lado tostado e uns toques especiados. Explosivo no aroma, muito complexo e cheio de profundidade. Na boca é volumoso, sedutor e mastigável. Chocolate preto e notas de tabaco juntam-se ao conjunto complexo. Taninos finos e excelente acidez, num final longo, cheio de intensidade e claramente crescente. Uma das melhores Tourigas que provei. Excelente mesmo! 7.000 garrafas produzidas.
Nota 18

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005
Quem espera sempre alcança. Pela primeira vez tive oportunidade de me encontrar com este ícone da Quinta do Crasto ( agora falta-me a Vinha da Ponte). A Vinha Maria Teresa com cerca de 90 anos é uma das mais antigas da Quinta do Crasto.
Cheio de expressão, nota-se aqui talvez o terroir, com aromas de terra húmida, fumo, café fresco, fruto fresco, bálsamo e um perfil floral expressivo. Nariz ultra-complexo e a pedir tempo para se desembrulhar no copo. Fruta aqui, floral ali, toque mentolado acolá, tudo está aqui arrumado e a pedir a atenção do provador, tudo muito apoiado pelas excelentes notas tostadas da barrica. Com grande estrutura na boca, taninos ainda algo duros e com boa acidez, o vinho tem um comportamento fantástico na boca, conseguindo ser incisivo e cheio de carácter. Com muita fruta em compota e uma brisa floral fresca, oferece-nos um final lôngevo, sedoso e compridíssimo com boas notas de tabaco e fumo. A elegância e a classe aparecem no fim como que a dizer que assim que os taninos se arrumarem, terá um comportamento no palato de grande nível e muito fino. Um vinho a beber nos próximos anos e a precisar de muito tempo de cave para atingir o seu auge, certamente. Para primeira experiência, convenceu-me e de que maneira.
Nota 18,5

Este produtor apresentou 3 belíssimos vinhos, onde os dois últimos foram umas autênticas flechas ao coração. Um Touriga diferente de todos os outros, e nada enjoativo na exuberância e um Maria Teresa belo, com charme e classe suficiente para despertar qualquer enófilo.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Quinta do Cerrado Encruzado 2006

Este branco feito exclusivamente de Encruzado da Quinta do Cerrado, ao contrário do outro monocasta deste produtor, apenas passa em inox.

Com 13%vol. e um cor amarelo citrino de leve concentração.
No nariz é menos expressivo que o Malvasia Fina como se esperava, no entanto é mais profundo e apresenta umas notas minerais intensas, flores brancas, com algum vegetal fresco que lhe dá um nervo interessante. Citrino e bastante fresco, precisa talvez de um pouco mais de tempo para se mostrar, tal como os bons encruzados.

Na boca, com alguma estrutura, acidez bastante alta, fresco e novamente mineral. Com uma boa dose de fruta de caroço, ameixa branca e temperado com notas citrinas. O final é incisivo, com alguma complexidade, muito equlibrado e sobretudo fresco. Um vinho mais frio que o Malvasia, mas também com mais elegância e com maior potencial de guarda certamente.

Nota 16
Preço 5 euros

Quinta do Cerrado Malvasia Fina 2006

A Quinta do Cerrado, que pertence à União Comercial da Beira, apresenta em 2007 dois brancos monovarietais de castas bem conhecidas e que têm dados bons resultados no Dão, Malvasia Fina e Encruzado. Este Malvasia Fina 100%, foi em parte fermentado em Carvalho Nacional, onde estagia depois durante dois meses.

Com 13%vol apresenta uma cor amarelo citrino de média concentração.
No nariz dá-nos a noção de um aroma já bem integrado, com harmonia e muita expressão. Esta exuberância mostra notas de maçã golden, alguns frutos exóticos, ervas aromáticas e uma envolvência ligeiramente abaunilhada da tosta da barrica. Está bastante alegre e cativa-nos para o provar.

Na boca, com alguma untuosidade, fresco e com bom corpo e uma vez mais forte presença aromática. Não se torna minimamente enjoativo graças a uma acidez bem colocada. Notas de fruto citrino e exótico, o final é prolongado e algo adocicado apostando na fruta branca e alguma especiaria. Um vinho a conhecer, monocasta nada cansativo, onde a ligeira doçura que apresenta convida a ser bebido à mesa com comida oriental. Muito bem para o preço.

Nota 16,5
Preço 5 euros