quarta-feira, janeiro 09, 2008

Altas Quintas 2005

Depois do sucesso que foi o lançamento da colheita de 2004, anunciando um projecto de grande envergadura em plena Serra de São Mamede, perto de Portalegre, eis que surge a segunda colheita deste vinho, com clara obrigação de prestar provas e de se manter num nível de boa qualidade.
Como se sabe, é mais um vinho apadrinhado pelo Paulo Laureano, e aqui nestas terras altas, o enólogo opta por fermentar o lote em balseiros de Carvalho Francês, seguido de um estágio de 12 meses em barricas da mesma origem. É portanto um vinho que não sente o inóx na sua produção. As castas do lote são a Trincadeira, a Aragonez e a Alicante Bouschet.

Com 14,5%Vol. e cor granada profunda, com rebordo violáceo.
No nariz, o perfil já mostrado na colheita anterior volta a estar presente, com as notas de barrica em destaque. Cedro, café fresco e muito tabaco inundam o aroma, num tom fino e distinto. A fruta está por aqui a tentar mostrar-se, cassis e bagas silvestres. Aroma complexo e elegante, longe das exuberâncias e extracções desmesuradas.

Na boca, entra delicado mas com grande profundidade, intenso nas notas balsâmicas e mentoladas, chocolate preto e alguns tostados. Taninos finos e discretos num vinho de acidez inviolável. Uma vez mais mostra grande classe e elegância, mas está muito apoiado pelas notas da madeira. Certamente que o tempo só lhe fará bem, mas bebê-lo já é um prazer, tal é a suavidade e a cremosidade com que forra o palato. Final fresco e mineral de boa persistência. Deixa alguma indecisão, pois o vinho parece estar já construído, mas a madeira impera. Um vinho que vale a pena provar ao longo deste ano para se tirar conclusões.

Nota 17
Preço 18 euros

domingo, janeiro 06, 2008

Vega 2003

Nova incursão no portfólio da empresa DFJ. Desta vez em prova esteve um vinho tinto do Douro, onde a DFJ também tem uma gama de produtos. Este Vega é feito apenas com duas castas, Tinta Roriz e Touriga Franca, em partes iguais, com estágio de 3 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol. mostra um cor rubi/avermelhado de média concentração.
No nariz, o aroma está bem apoiado nas notas de fruto vermelho, chocolate de leite e de vegetação. Não muito complexo tem ainda um tom balsâmico a trazer algum frescura ao nariz, com a madeira presente e de bom calibre, com notas de algum fumo.

Na boca, com entrada envolvente e suave, com a Touriga Franca em clara presença. Algo ligeiro no corpo, taninos bem redondos e acidez equilibrada mostra que o vinho está sem dúvida pronto para se beber e que não merece ser guardado mais. De textura sedoso proporciona um final de boca de média duração, ligeiramente seco e com notas de bolo mármore. É um vinho num patamar de preço que por vezes no Douro não inspira muita confiança, mas este Vega tem um bom equilíbrio, dá prazer no dia-a-dia e merece ser conhecido. Mais um vinho a um bom preço da DFJ Vinhos.

Nota 15
Preço 3,90 Euros

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Aneto 2004

Depois da excelente impressão que causou o Aneto 2003, está agora em prova o 2004. É um vinho que tem tido boas pontuações em todos os locais, e contra a maré de muitos vinhos do Douro, mantém-se num preço muito acessível. Este deve ser, um dos melhores vinhos relação Qualidade-Preço do Douro, para uma pontuação normalmente acima dos 16,5 valores, ou seja, para um patamar de muito boa qualidade. Por norma encontra-se o vinho à venda abaixo dos 14 euros. Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão são as castas que fazem o lote que é estagiado durante 12 meses em carvalho francês, após fermentação em lagares de granito.

Denso e escuríssimo na cor, apenas mostra alguns laivos rubis no copo.
No nariz mostra um aroma austero, bastante vincado nas notas florais. Esteva, menta, violetas e uma mão cheia de fruto, framboesas e cerejas perfumam o nariz. Está com a barrica muito bem integrada, com uma tosta ligeira não se sobrepondo a toda uma frescura omnipresente. Elegante e com um toque de pedra mostram um aroma complexo, interessante e cheio de vigor.

Na boca, a densa cor e boa dose de fruta do nariz que fariam supor um vinho muito extraído, muito encorpado e violento é rapidamente desmentido por uma elegância fresca e fina. O vinho mostra-se muito requintado na boca, com muita precisão e profundidade. A acidez é alta e os taninos são finíssimos. Final bem longo, especiado, frutado e mineral. Muito, mas muito expressivo. Um vinho que reflecte um estilo educado e bem afinado, como quase todos os grandes Douro's. Belíssimo vinho a um excelente preço.

Nota 17,5
Produção 10.800 garrafas
Preço 13,5 euros


PS - Este enólogo, Francisco Montenegro merece destaque. Faz dois belos vinhos. Este aqui em prova e o Colheita Tardia, também já provado.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Lagares do Cerrado Touriga Nacional 2004

A Quinta do Cerrado, também conhecida pela União Comercial da Beira, está neste momento claramente na crista da onda do novo Dão, dos novos métodos de vinificar naquela região. No entanto, ainda faz este vinho, vinificado em lagares de granito. O estágio depois é feito em barricas novas e usadas de Carvalho Nacional e Francês. Este tinto é o topo de gama actual da casa.

Com 14%Vol. e com uma cor de grande concentração, opaco e bastante escuro.
No nariz, mostra um esitlo austero, fechado de aromas e a fazer jus ao seu nome no rótulo. O aroma de lagar está aqui bem vincado, com notas rústicas e mais frias, pinho, pedra e muitas bagas silvestres. Com o tempo os aromas libertam-se no copo, com a touriga a mostrar o lado floral, bem acompanhado de mato seco e algum vegetal. Não é uma touriga muito exuberante, mas muito bem feita e cheio de expressão.
Na boca mostra um lado bem mais sereno, com uma entrada suave. A estrutura é alta e mostra uma boa elasticidade, graças a uma acidez firme e a um lado fresco e mineral que não deixa o vinho esmorecer. A barrica está bem inserida, aquecendo um pouco o palato, com notas tostadas e de erva seca. Taninos maduros e vigorosos mas bem apoiados no conjunto. O estilo vigoroso é interessante, a fruta está na quantidade certa, e isso só traz vantagens. Final fresco e longo nas notas herbáceas e de groselhas. Em suma, um vinho ainda algo duro no aroma, mas com um comportamento na boca bem apetecível. Certamente estará por aqui nos próximos anos. Belo vinho de um Dão menos moderno dos outros vinhos deste produtor.

Nota 17
Produção 2.500 garrafas

domingo, dezembro 30, 2007

Até 2008!









O Vinho da Casa deseja a todos os leitores um feliz 2008.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Azamor Petit Verdot 2004 e Select Vines 2004

Depois de provado o Azamor 2004, apresento agora os outros dois vinhos que completam a gama dos vinhos de Allison e Luiz Gomez de Vila Viçosa. O primeiro é um varietal de Petit Verdot, com 50% do vinho a estagiar em barricas de Carvalho Francês. É uma casta originário de França que a pouco e pouco vem entrando para os nosso vinhedos. O outro vinho é uma selecção das melhores uvas da colheita de 2004, com o lote de Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Franca e Trincadeira a ter estágio de 30% em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Azamor Petit Verdot 2004
Com 13,5%Vol e uma bonita cor carmim de boa concentração.
No nariz, o primeiro impacto é claramente distinto, com muita pimenta verde misturado com perfume floral. Com uma frescura nervosa, vão se soltando ao lado de uma tosta ligeira, aromas balsâmicos e algum couro. A fruta está cá presente e por vezes confunde-se com iogurte de frutos silvestres algo incomodativo, que acaba por enjoar um pouco.
Na boca, mostra-se fino e não muito encorpado, com uma frescura notável devido a uma acidez elevada. Chocolate preto, ligeiro vegetal e café trazem suavidade ao palato. Taninos bem redondos. O final acaba por pecar por pouca profundidade, com perfil fresco e mineral, apoiado um pouco ainda pelas notas tostadas da barrica. Um vinho que já se mostra bem redondo para ser bebido, mas que talvez apure ainda melhor em cave.
Nota 16

Azamor Selected Vines 2004
Com 14%Vol apresenta uma cor ruby mais carregada que o P.Verdot.
No nariz, o possível afastamento uma vez mais de terras Alentejanas é rapidamente desmentido. Aqui temos um aroma mais tórrido, austero e expressivo. Cheio de compotas de amoras, ameixas, alguns fumados, pimentão seco e muita especiaria trazem um nariz algo complexo. Alguns químicos e um fundo fresco mentilado mostram que a juventude ainda cá está.
Na boca, encorpado e com uma entrada acetinada, apesar de ter potência e estrutura, está tudo apoiado em alicerces elegantes. Os taninos finos dizem isso mesmo. A acidez é mediana mas chega para suportar, não deixando caír o vinho para grandes enjoos. Um vinho requintado e com alguma Nobreza na forma de se mostrar. Final longo e de boa intensidade, repleto de fruto vermelho, com alguma doçura que o torna bem apetecível. Talvez pareça que se aguente melhor em cave do que o Petit Verdot, devido à sua austeridade, mas provavelmente bebê-lo já é a melhor opção. É que dá muito prazer! Belo vinho.
Nota 17

terça-feira, dezembro 18, 2007

Luz e Sombra

Pedro Abrunhosa, aquando do lançamento do seu novo álbum, lançou dois vinhos em parceria com Dirk Niepoort. Luz é o nome do álbum, Luz é o nome do vinho branco, e como onde há luz também há Sombra, Sombra é o nome do tinto... No entanto, Luz e Sombra são marcas que não puderam ser registadas, portanto os dois vinhos ficaram com o nome original de Rótulo. De realçar os excelentes rótulos, inspirados na capa do álbum do cantor Portuense, mas em vez da pena, aparecem duas lâmpadas, e porque hoje em dia é preciso consciencializar o consumidor, a lampada não é incandescente, é uma lâmpada economizadora! Há quem pense em tudo...

Luz 2006
Sobre o Luz, foram seleccionadas algumas barricas dos lotes de 2006 que estavam destinadas ao Redoma e ao Redoma Reserva. Ambos os vinhos, são feitos exactamente da mesma forma, embora Luís Seabra e Dirk já saibam quais são as vinhas que têm potencial para Redoma Reserva... As que estavam na dúvida, parece que foram para o Luz. É portanto um vinho com tiques de Redoma Reserva e com alma de Redoma.
No nariz nota-se um corte aromático de boa classe, com notas de fruto branco, flores e bolacha. Com a madeira a dar algum suporte, com uma tosta presente. O perfil é fresco e com fundo mineral, não muito exuberante, mas sério e elegante. A madeira está um pouco presente, mas não perturba.
Na boca, tem uma entrada bem genuína, com bom corpo e untuoso. Bastante mais equilibrado o binómio vinho/madeira, com fruto maduro em boa dose, amendoado e alguns citrinos refrescantes. É um branco com bastante largura de boca, perfumado, harmonioso e cheio de classe. Fresco e profundo, impera o equlíbrio. O final de boca, mineral e citrino, com alguma mineralidade, é longo e persistente. Está pronto para ser bebido, no meu entender com mais garra que o Redoma 2006 branco, e mais prontinho que o Redoma Reserva 2006, que quando o provei ainda estava a precisar de se compôr.
Nota 17

Sombra 2005
O Sombra foi feito um pouco ao estilo do ícone Charme. Esse facto nota-se logo na cor, pouco concentrado, brilhante e que rapidamente nos faz apontar atenções para um vinho mais delicado.
No nariz, a subtileza dos aromas acorda-nos logo, nada de bombas de fruta, de exuberâncias extremas... Antes fruto vermelho delicado, notas de café, erva seca, chocolate e um ligeiro aroma a couro. Bem delineado pela madeira, ao estilo Charme. Envolvente e complexo, dá de vez em quando umas lufadas de frescura, com mineralidade e ligeiro vegetal.
Na boca, suave e requintado, com toque da barrica de grande nível, fruto discreto, a frescura está presente com uma boa acidez. Corpo ligeiro com taninos sedosos. Nota-se que lhe falta a classe das vinhas velhas do Charme, pois a profundidade apesar de ser grande, não é assombrosa. Final complexo e delicado, apoiado em boas notas tostadas e especiarias.
Um vinho a mostrar que o Douro não caminha todo na mesma direcção.
Nota 17,5

Em suma, o álbum do Pedro Abrunhosa foi brindado com dois belos vinhos, embora eu tenha uma ligeira preferência no Sombra.

terça-feira, dezembro 11, 2007

DFJ Alvarinho&Chardonnay 2006

Voltando à empresa DFJ, desta vez provando um vinho branco da Estremadura. É um lote não muito típico, talvez único no país, misturando 50% de Alvarinho e 50% de Chardonnay.

Com 13%Vol apresenta uma cor amarelo esverdeado, brilhante e de boa intensidade.
No nariz, mostra-se no início muito fechado e pouco falador. Fresco e citrino, com algumas notas de raspas de lima e ananás e com um lado vegetal interessante. Com alguma oxigenação no copo, o Chardonnay parece querer-se mostrar com alguns aromas de mel, especiarias muito ligeiras e chocolate branco.

Na boca, muito incisivo e com bom corpo. Atraente nas notas frutadas e com alguma untuosidade. Ganha claramente com o tempo de prova, mostrando-se cada vez mais generoso e perfumado. Acidez mediana, mas sem prejudicar, pois o toque ligeiramente doce dá-lhe piada e é sustentado pelo bom equilíbrio do conjunto. Final com algum vegetal, harmonioso e com alguma classe. Um lote muito curioso e que resulta num bom vinho, capaz de surpreender e dar prazer. Se for decantado, o sucesso é garantido! Excelente preço para a qualidade.

Nota 16
Preço 5,40 euros

terça-feira, dezembro 04, 2007

Cortes de Cima

As Cortes de Cima, sempre apostaram em fazer vinhos monovarietais de qualidade. O ícone máximo será o mais que conhecido Incógnito, feito com 100% de Syrah. Dentro de um patamar bem mais acessível, 10/15 euros podemos encontrar bons exemplares de varietais deste produtor.
Provei o Aragonês 2003, o Trincadeira 2004 e o Syrah 2004.

Cortes de Cima Aragonês 2003
100% Aragonês e com estágio de 9 meses em Carvalho Americano (75%) e Francês (25%).
No nariz, com um impacto muito alegre, de perfil floral e bem maduro, mostra boas notas de flor de laranjeira, cereja, ameixa, alcatrão e um toque envernizado. Boas notas secundárias, com torrefação, leite creme e muita especiaria lembrando cravinho. Está bem fino no aroma, e denota classe.
Na boca, suave e amaciado na entrada, carregado de fruto maduro. De bom porte, mas até com alguma elegência no palato, não tão pesado como se esperava, graças a uma acidez até algo espigada. A madeira ainda está cá para dar prazer, com fumados e uma aragem torrada que volta a aquecer o vinho. Taninos já bem redondos e sem vértices. Final de boa intensidade, com fruto vermelho e especiado, mas com um ligeiro toque alcoólico. O estilo Cortes de Cima está cá e dá prazer. O vinho é que parece que não terá grande margem para evolução. Para mim, está no momento para ser bebido.
Nota 16
Produção 10.900 garrafas


Cortes de Cima Syrah 2004
Exclusivamente com Syrah, estagia 7 meses em barrica Americanas e Francesas.
No nariz, com um estilo bem austero e a precisar de atenção, mostra-se muito requintado com boas notas da madeira, chocolate preto, alcatrão e muito fruto preto. Com um aroma a fugir claramente para um Syrah bem maduro, extraído, complexo e com boa componente balsâmica. As especiarias voltam a marcar pontos, num tom envolvente e com classe. Um aroma distinto e digno de um grande vinho.
Na boca, guloso e extremamente atractivo, volta a mostrar boa dose de fruto, amoras e ameixa preta madura. Couro, chocolate preto e especiarias explodem no palato. Acidez equilibrada a trazer harmonia ao conjunto, sem deixar caír o vinho para doçuras extremas. Os taninos são finos e de grande nível, dão músculo ao vinho. Prazenteiro e apetitoso, bebe-se com muita alegria, sempre com a fruta e a especiarias lado a lado. Final surpreendente, longo e profundo, ligeiramente seco, com pimenta da Jamaica e notas tostadas a imperar. Um belo Syrah, expressivo e perfumado e com o álcool bem controlado apesar de ser elevado( 14,5%Vol.). Se este Syrah está assim, o que esperar do Incógnito desta colheita!
Nota 17
Produção 51.450 garrafas

Cortes de Cima Trincadeira 2004
Apenas com Trincadeira, estagia 9 meses em barricas de carvalho Francês.
No nariz, intenso e ainda algo fechado, solta muitas notas vegetais quentes, erva seca, casca de árvore. Com o tempo no copo, nota-se uma vez mais um perfil austero e com complexidade, a mostrar fruto vermelho maduro aos poucos. Tostados da madeira, fumo e ervas aromáticas embelezam o aroma, quase lembrando alecrim.
Na boca, não tão fechado como no nariz, mostra uma entrada sedosa, com taninos finos. Acidez média com uma boa dose do doçura no palato, cheio de chocolate, vegetal e fruto vermelho maduro, cerejas e framboesas. A suavidade no palato já vem sendo característico nesta casa, apesar da boa estrutura que sempre apresenta. Final longo e persistente as notas tostadas. Não há grandes pontas espigadas, apenas harmonia e classe, o que faz com que sejam vinhos com identidade, mas muito bebíveis e sempre capazes de dar prazer. Este é um vinho que ainda melhorará em garrafa, quer para o aroma se compor, quer para as notas vegetais acalmarem um pouco.
Nota 16,5
Produção 17.697 garrafas


3 varietais de bom nível, com o Aragonês a precisar de ser bebido, o Syrah no meio termo, pois já dá muito prazer e com o Trincadeira a pedir tempo! Muito bem!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Alvarinhos 2006

Depois da prova que fiz o ano passado com os Alvarinhos de 2005, este ano voltei a repetir o mesmo, com Alvarinhos de 2006, todos em prova cega. Já se sabia que 2006 não tem sido um ano de excelentes vinhos, e que 2005 foi um ano muito especial para os Alvarinhos com excelentes pontuações. Este ano provei alguns vinhos que não tinha provado no ano passado. Vou colocar por ordem de pontuação, sendo que dois tiveram a mesma nota.

Quinta da Pigarra 2006
No nariz, carregado de fruto citrino e de boa dose vegetal. Fresco e elegante no aroma, aparece a dar alguma complexidade ligeiras notas de especiarias assim como um toque de fruto maduro. Está bem no nariz a mostrar um bom equilíbrio entre as notas frescas e jovens com um lado mais quente e amadurecido. Na boca, está mais tímido, com uma boa acidez, mas com a fruta meio escondida, num final seco, persistente, com vegetal e alguma mineralidade a marcar. Bem no nariz mas um pouco sizudo na boca. Talvez o Alvarinho mais típico dos que estiveram em prova.
Nota 15,5

Aveleda Follies 2006
No nariz, mostra logo um primeiro tom atraente, com muito fruto tropical. Boas as notas vegetais, frescas e bem integradas. Aroma fino e bem desenhado, torneado por um fundo citrino lembrando toranja. Na boca, mostra-se largo e com bom volume. As notas citrinas estão bem presentes. Perfumado e com alguma gordura, de acidez elevada faz-nos ter noção de um vinho de bom porte, mas bastante fresco. Final intenso, vincadadamente mineral. Belo Alvarinho!
Nota 16

Rolan 2006
No nariz é claramente o mais exuberante e diferente dos outros exemplares. Notas de casca de laranja, flores, folha de limoeiro, algum exotismo e uma curiosa lembrança de rebuçado. Está um aroma bem intenso e bastante arrumado. Na boca, mostra-se de bom corpo, com algum estrutura capaz de aguentar o inverno, acidez elevada. As notas de laranja voltam a imperar, assim como alguma especiaria. Final com alguma profundidade, saboroso e bastante persistente. Apesar de não ser de Melgaço/Monção ( é de Valença) merece todo o respeito e ainda bem que por ali há Alvarinho plantado! Uma surpresa!
Nota 16

Reguengo de Melgaço 2006
No nariz, este Alvarinho mostra-se também bastante típico, com algum floral, intenso nas notas minerais e citrinas. Tem um aroma mais sério e menos exuberante que os outros, talvez a precisar ainda de tempo para abrir. Na boca, mostra-se nervoso, com a acidez alta e cheio de fruto tropical, a mineralidade volta a trazer uma frescura intensa ao vinho. Enérgico na boca, pede-nos ou para evoluír em garrafa, ou para ser servido com umas entradas especiadas ou mesmo com alguns fritos. Final de bom nível, fino, longo e perfumado. O exemplar mais capaz de evoluír em garrafa.
Nota 16,5

terça-feira, novembro 27, 2007

Grand'Arte Alicante Bouschet 2005

Depois de apresentar a DFJ e o seu DFJ Merlot&Touriga Franca 2002, provo agora um monocasta de Alicante Bouschet, também da Estremadura. Esta casta, bastante bem trabalhada no Alentejo, dá origem a vinhos muito estruturados, cheios de cor e com muita identidade. Este Grand'Arte, é fermentado em inox, com estágio de 6 meses em barricas Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13,5%Vol tem uma cor rubi escuro profundo.
No nariz a primeira sensação é a de um vinho que parece que foi retirado no momento de uma barrica, não pelo exagero da madeira mas pelo impacto aromático jovem e muito crú. Cheio de notas mentoladas, químicos e muito fruto preto. A madeira está integrada e dá alguma graça ao conjunto, com uma tosta presente de bom nível que apoia as notas saltitantes e viçosas do lado frutado. Tinta da China e alguns fumados perfilam por este aroma nervoso e apelativo.

Na boca, bem mais calmo, com uma entrada harmoniosa, taninos bem maduros e muita, muita fruta preta. Acidez bem colocada traz alguma frescura. Torrados e achocolatados enchem-nos o palato com profundidade. Está um vinho bastante presente na boca, nada duro, com um perfil bem extraído, mas sem enjoar. Estilo after-eight e bastante extraído, parece fazer as delícias dos adeptos dos vinhos chamados de novo mundo. Apesar de todo o nervo que apresenta no nariz, na boca está muito bem. Final elegante e mentolado e com apontamentos da madeira. O final é surpreendente, fino e com classe. O Alicante Boushcet mostra-se muito bem, conseguindo ter um perfil próprio e bastante convincente. Belo vinho a um excelente preço! Certamente irá evoluír bem em garrafa.

Nota 16,5
Preço 7,90 Euros

terça-feira, novembro 20, 2007

JM 2006

Continuando na CVD Vinhos do Douro, tive oportunidade de provar o JM 2006, versão branco, depois do lançamento do JM Grande Escolha 2003 tinto. É um branco fermentado em inox, mas com estágio de 6 meses em barricas de carvalho. As castas são a Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol. apresenta uma tonalidade amarela, jovem e de média concentração.
No nariz, com uma entrada citrina e floral, bem harmoniosa com subtis notas tostadas. Um aroma equilibrado e apesar das notas da barrica, mostra-se fresco e primaveril, com algumas notas mais verdes, relva cortada, rebuçado de limão e um tom tropical. A madeira deu algum aconchego ao aroma, tornando-o bem harmonioso e com alguma complexidade.

Na boca, mostra-se com bom corpo, notando-se o trabalho da madeira a dar alguma untuosidade. A acidez é alta nunca deixando o vinho caír em doçuras ou em exageros da madeira. Parece no entanto faltar aqui alguma largura de boca, mais uma nota por escrever na pauta, pois o estilo está ligeiramente monocórdico. Suave e frutado, o final de boca peca um pouco, pois esperava-se mais alguma persistência e intensidade aromática. Apenas algumas notas citrinas e uns toques tostados. Uma boa estreia nos vinhos com estágio em madeira, e se se melhorar alguns aspectos, poderemos ter aqui mais um vinho com madeira do Douro de grande gabarito.

Nota 16
Preço 11 euros

Fagote 2006

Voltando aos vinhos de José Miguel Almeida (CVD Vinhos do Douro) provei o branco Fagote da colheita de 2006. É um vinho vinificado em inox, com as castas Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Com 13%Vol apresenta um cor amarela esverdeada e brilhante.
No nariz, fresco e com entrada floral, flores brancas da primavera, muito alegre e perfumado. Fruta em boa quantidade, maça verde, com citrinos e alguma fruta tropical. Um aroma bem trabalhado, baseado na frescura, graças ao perfil mineral que tempera o conjunto.

Na boca, de corpo mediano, aposta num perfil redondo e fresco, com muitas notas minerais e uma acidez bem elevada. Esta boa acidez dá uma boa intensidade no palato, onde a fruta e um lado vegetal aparecem lado a lado. Final de boa duração, com frescura citrina. Um vinho bem mais equilibrado na boca que o seu antecessor, mais fresco e sobretudo mais alegre. À mesa, para umas entradas ou para pratos de peixe simples, é o ideal. Como melhorou, a nota sobe um pouco.

Nota 16
Preço 7 euros

terça-feira, novembro 13, 2007

Campolargo 2005

Este vinho, do produtor Bairradino com maior área de exploração da região, cerca de 170Ha, sofreu alterações desde a sua primeira colheita. Já foi um varietal de Pinot Noir, passou em 2001 para um vinho de lote, sendo nesta colheita de 2005 um vinho com 90% de Pinot Noir e 10% de Baga. Lógicamente, vinificados em separado, pois a casta borgonhesa é muito precoce e foi vindimada em finais de Agosto, enquanto que a Baga só no ínicio de Outubro/ finais de setembro é que atinge o seu estado ideal. Estagiou depois, o lote em barricas de carvalho francês até Fevereiro de 2007.

Com 14,5%Vol e uma cor granada de média/baixa concentração.
No nariz, exuberante e aliciante, mostra muitas notas de fruto vermelho, groselhas e morangos e um lado vegetal nervoso. Impressiona pela jovialidade, com a madeira bem presente e bem tostada, com notas de café, tabaco, cana de açucar tudo num nível elegante e fresco. Este aroma mostra já alguma complexidade, desenvolvendo no copo aromas subtis, podendo mesmo ficar o tempo que quisermos a tentar descobrir mais uma lembrança. Apesar desta exuberância, o vinho está fino e elegante no aroma, muito equilibrado e sem cansar.

Na boca, nota-se ainda a falta de maior ligação entre as partes, com a acidez ligeiramente espigada (típica do Pinot e da Baga jovens), com o álcool presente, trazendo um lado mais doce e quente. De corpo ligeiro mas bastante atraente, textura sedosa onde os taninos estão finos. A madeira está bem vincada, em conflito com a fruta fresca. O final é de bom comprimento, longo e saboroso, com notas de chocolate de leite e frutos secos. É um vinho muito interessante, largo, com o Pinot claramente a marcar pontos ( também são 90%), embora se note que precisa de tempo em cave para consertar o conjunto. Certamente valerá a pena esperar, principalmente porque não são muitos exemplares disponíveis... É um dos melhores exemplares de Pinot Noir do país, sem qualquer margem para dúvida.

Nota 17
Produção 3.600 garrafas

Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2002

De um ano mau no Douro, apeteceu-me no outro dia, sentir o pulso a este branco, que quando bebido em novo, dá a sensação de ter potencial de guarda. A Quinta de Cidrô, perto de S.tem as vinhas de Chardonnay plantadas desde 1993, pertencentes à Real Companhia Velha. Por ser de uma casta não autorizada, no rótulo vem a informação de Vinho Regional de Trás-os-Montes, em vez de DOC Douro. 100% Chardonnay, é fermentado e estagiado em barricas de carvalho francês e americano durante 6 meses.

Com 13,5%Vol apresenta já uma bonita coloração amarelo escuro, com reflexos dourados.
No nariz, com uma boa componente de fruta madura, pêssego e manga, mostra-se ainda bem vivo, com alguma exuberância e frescura. A madeira já não tem as habituais notas de baunilha, mas nota-se que fez um bom trabalho e deu complexidade ao aroma. Forte componente vegetal, lembrando um dia chuvoso de outono, casca de árvore, mel e fumo.

Na boca, de corpo arredondado, gordo e com bom volume. Está num ponto extremamente apetecível, com a acidez equilibrada, nada caído, com boa dose de fruto exótico, especiaria e mel, com uma textura típica de um branco com algum idade. O final de boca é de bom comprimento, com notas de fruto maduro e algum exotismo. Um branco bem capaz de aguentar um prato de carne, ou um peixe assado no forno sem qualquer problema! Ainda está cá para as curvas. É preciso é ter sorte na garrafa.

Nota 16
Preço 8 euros

terça-feira, novembro 06, 2007

Douro Boys - Os Quinta de Vale Dona Maria Tintos de 2005

Tarde e a más horas venho colocar a ultima levada de tintos provados na MasterClass do dia 5 de Setembro no Aquapura. Sem querer mostrar-me preguiçoso ao não querer apresentar a Quinta onde Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva fazem os seus vinhos, sugiro que leiam este belo registo do próprio Cristiano, no seu site. Se tiverem paciência para o lerem, verão que vale a pena pois é uma bela apresentação.

Casa de Casal de Loivos 2005
Este rótulo, recordando a espectacular casa do Séc.XVIII que está instalada no cimo do Pinhão. Feito em lagares de granito, com estágio em barricas novas de carvalho francês durante 18 meses ( 50% novas). Mostra um aroma bem maduro, carregado de fruto vermelho, alguma esteva, com a madeira integrada com boas notas de tabaco e alguma baunilha. Na boca está bem volumoso, com alguns taninos secos e alguma aspreza no final de boca. Embora no nariz se preveja um estilo madurão, a acidez elevada traz alguma frescura no final de boca. São 3800 garrafas.
Nota 16

Quinta Vale Dona Maria 2005
Ícone do produtor, este vinho é fermentado os lotes separados em lagares, passando depois para barricas novas (70%) e usadas de várias casas de Carvalho Francês. Com um aroma austero e muito profundo, carregado de personalidade, nota-se muita fruta preta refinada e alguma dose mineral. Excelente madeira, tom especiado e aroma a café fresco trazem ao conjunto um nariz muito complexo e fresco. Na boca está muito fino, com taninos luxuosos, estruturado q.b. conseguindo ter uma elasticidade enorme, pois a elegância é ponto assente, apesar do bom volume de boca. Acidez elevada mas não exagerada, num final longo e mineral. Para quem já esteve no Douro sabe que não é fácil fazer 20.000 garrafas desta qualidade.
Nota 17,5

CV-Curriculum Vitae 2005
Topo de gama, feito com todos os cuidados e criteriosa selecção, este vinho provém de vinhas velhas ( 80 anos), viradas de Norte a Oeste. Estagiado em 100% de barricas novas, e com 15%Vol mostra um aroma elegante, muito fino, cheio de terroir, ainda mais persuasivo que o anterior, mas também um pouco mais fechado, a pedir mais atenção. Chocolate, tabaco fresco, fruto preto e algum floral dão-nos ideia de uma complexidade em ascenção. A madeira está bem vincada e dá uma ideia de requinte. Na boca, mostra um estilo bem estruturado, cheio de vigor, com taninos elegantes. Acidez uma vez mais fantástica, tostado, com um final longuíssimo e muito profundo nas notas especiadas. Grande vinho, cheio de expressão do Douro.
Nota 18

Van Zellers 2004
Este vinho é uma nova marca, a um preço mais acessível ( 15 euros). Feito com vinhas novas ( 7 a 20 anos, com estágio em barricas de carvalho francês de 2º ano. Bem mais quente no aroma, com notas tostadas, café, erva seca e alguma componente vegetal a mostrar um estilo completamente diferente do produtor, e do ano de colheita claro. Um pouco marcado pela madeira e pelas notas tostadas, quer no aroma, quer no palato. A fruta está presente, com um comportamento na boca polido, já arranjadinho para se beber, com bom volume de boca. Taninos calmos, acidez bem colocada, dá-nos um final mediano, fumado e com notas de terra bem marcadas. Um vinho a conhecer, mas que não prima pela diferença. 5750 garrafas.
Nota 15,5

DFJ Merlot & Touriga Franca 2002

A DFJ Vinhos é uma companhia de vinhos 100% portuguesa, fundada em 1998, e orientada para a exportação, maioritariamentepara o Reino Unido, Alemanha, USA, Canadá e paises nórdicos. Em 2005 (apenas 6 anos após ter sido fundada) a DFJ recebeu em Portugal da “Revista de Vinhos” o prémio da “Empresa de vinhos do ano”. A DFJ controla directamente a produção de mais de 400 ha de vinhas em Portugal, em quintas, maioritariamente nas regiões vitivinícolas da Estremadura, Ribatejo, Douro e Alentejo. Esta empresa é encabeçada pelo enólogo José Neiva. O portfólio da empresa é bastante extenso, sendo talvez dos produtores nacionais com mais referências disponíveis!
Este Touriga Franca&Merlot, oriundo da Estremadura, é feito com partes iguais de cada casta, estagiando depois 5 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol mostra uma cor granada de média concentração com ligeiro rebordo evoluído.
No nariz, mostra um aroma já bem evoluído, com algumas notas de carne, geleias e algumas notas terrosas. O lote é curioso e mostra-se com alguma complexidade, com boa componente vegetal típica do Merlot, com muito fruto vermelho e alguma menta.

Na boca, uma entrada suave e macia, com os taninos bem arredondados. Com a acidez ligeiramente espigada, o vinho parece já ter tido uma melhor fase, pois está tudo muito redondo e nota-se um ligeiro desequilíbrio no conjunto. Especiarias e fruto vermelho dão um bom perufme na boca. O final é algo curto, com notas de geleia e algumas lembranças tostadas da madeira. Um vinho com um lote bem feito e que parece ter potencial, mas este ano de 2002, não muito famoso, parece já ter dado as últimas. Beba-se já! A rolha também não estava com vontade de aguentar muito mais tempo.

Nota 15,5
Preço 5,9 euros

Odisseia 2005

Já não é a primeira vez que publico no Vinho da Casa esta marca. Publiquei um excelente e poderoso Touriga Nacional 2004 e um Little Odisseia 2005. Este é um vinho intermédio, um tinto da colheita de 2005 com Tinta Roriz e Touriga Franca do vale do Távora, Douro. Vinificados em lagares de granito, e fermentados em inox, apenas 10% do lote estagia em barricas de carvalho Francês.

Com 13%Vol e uma cor rubi jovem de boa concentração.
No nariz, austero, bastante jovem e com algum nervo, mostra claramente um bom perfil mineral. O fruto está presente, cerejas, amoras, mirtilios, aliado a um tom herbáceo. A madeira está discreta mas integrada, assim como um certo aroma químico mostram um aroma equilibrado, ainda que muito jovem.

Na boca, de corpo médio/alto, o vinho volta a mostrar a sua raça, com alguma dureza taninosa até. Acidez alta, uma vez mais nota-se neste produtor o estilo de fazer vinhos mais durões e capazes de evoluír em garrafa, sem nunca optar por marcar muito a madeira. Chocolate e fumo dão algum aspecto mais alegre. Fruto denso e perfil balsâmico proporcionam um bom final, frio, vincado e ligeiramente seco. É um vinho virado para a mesa, com o álcool muito bem comedido, a precisar de pratos tradicionais e que o tempo arrefeça mais um pouco. Em frente à lareira este vinho certamente agradará.

Nota 16
Preço 7 euros
Produção 9.700

Chaminé 2006

Este tinto, oriundo das Cortes de Cima, prestigiado produtor Alentejano, foi dos vinhos que eu bebia com alguma frequência quando me estava a iniciar nesta paixão. Aliás, lembro-me mesmo de ter bebido um Chaminé 2001 em Ponte de Lima com a minha irmã e cunhado e de ter ficado deliciado. Os tempos passam, o paladar afina-se, o nariz apruma-se mas o vinho continua igual, a ser feito com paixão, com esforço com muita dedicação. Anos diferentes, a filosofia do Chaminé é a mesma. Um vinho de entrada de gama, feito para agradar no dia-a-dia. Com base em Aragonês e Syrah, o vinho é desengaçado por completo e totalmente vinificado em inox.

Com 14%Vol mostra um cor granada de média concentração.
No nariz, alegre e com vontade de alegrar, mostra muita cereja e muita compota. Boa dose vegetal, lembrando vegetação primaveril. Alguma especiaria desenvolve no copo dando um toque mais exótico. O aroma é muito limpo e arejado sem grandes rodeios, mas também não foge muito da linha.

Na boca, directo e ligeiro, a dose de fruta compotada e a componente vegetal voltam a mostrar-se. A acidez mediana não deixa o vinho caír, apesar da doçura estar presente. Final especiado e frutado de média duração. Um vinho que cumpre com aquilo para que foi definido, que se portará muito bem ao lado de pastas e pizzas com os amigos, mas sempre ligeiramente refrescado ( 14/15ºC). Mas não se pense que é um vinho assim tão básico. Dentro da sua gama, apresenta qualidade colheita após colheita e dá muito prazer a quem o bebe.

Nota 15
Preço 6 euros
Produção 900.000 garrafas

segunda-feira, novembro 05, 2007

Azamor 2004

O primeiro contacto que tive com este vinho, da colheita de 2003, foi na sua terra natal. Na altura, quando fui visitar o Copo de 3, provámos entre outros um vinho de Vila Viçosa, bastante fresco e com alguma complexidade no aroma, com ares de um lote um pouco diferente do habitual... Pois bem, agora tive a possibilidade de ir a jogo com este 2004. Este Azamor, é feito essencialmente com Syrah, Merlot, Alicante Bouschet e Touriga Nacional com parte do lote (30%) a estagiar em barricas de Carvalho Francês e Americano durante 7 meses.

Com 13,5%Vol. e uma cor granada de boa concentração.
No nariz, o aroma está maduro e composto, com o fruto vermelho a marcar o primeiro impacto. Um lado mais quente aparece, com alguns toques de borracha/alcatrão e terra. Apesar de estar mais Alentejano que o 2003, está com um perfil muito próprio. Aparece também um lado vegetal, (menta) a dar alguma frescura. A madeira surge bem integrada, dando alguma harmonia.

Na boca está bem estruturado, com taninos já bem macios. Boa acidez, fruto fresco, sempre num tom fresco e sem pesar. Acidez média/alta a dar alguma elegância na boca. O bom volume de boca aliado à suavidade no palato, dá a ideia de o vinho estar num bom momento para ser bebido. Redondo e subtil nas notas da madeira perfeitamente ligadas ao vinho. O final é longo e persistente com notas torradas e de compotas.
Um vinho que dá prazer, a mostrar que não precisa de mais tempo de garrafa, pois está pronto para ser bebido.

Nota 16
Preço 8 Euros
Produção 70.000 garrafas