segunda-feira, março 10, 2008

Lima Mayer 2005

Depois de provado o Subsídio, apresento agora o Lima Mayer 2005, que acaba de chegar ao mercado. É o topo de gama do produtor do Alentejo, Thomaz de Lima Mayer, com o apoio enológico de Rui Reguinga. Com Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet, estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14%Vol apresenta uma cor rubi brilhante, de grande concentração.
No nariz, mostra-se um pouco fechado, mas com austeridade e um perfil sério. Fruto vermelho, algum caramelo com uma componente floral muito refrescante. Lembra quase uma mão cheia de alfazema fresca. A tosta da madeira equilibra na dose certa.

Na boca, muito limpo e fresco, mostra uma boa estrutura, com alguma energia e vigor. Os taninos finos misturam-se com o fruto e com um perfil fumado. A acidez media/alta suporta este corpo, fugindo aos pergaminhos desta região, nota-se frescura e intensidade aromática de bom nível no palato. Final ligeiramente seco e tostado, onde a madeira até agora esteve sempre muito discreta, resolve no final de boca mostrar-se. Com o tempo, obviamente estas arestas desaparecem e o vinho tornarse-á ainda mais equilibrado e bastante prazenteiro.
Curiosamente, embora o planeta esteja cada vez mais quente, o perfil dos vinhos do Alentejo está-se a mostrar cada vez mais fresco... E ainda bem!

Nota 16
Preço 13 euros


PS - o blog Vinho da Casa acaba de ter 50.000 visitantes únicos, para além das 87.500 visitas.

domingo, fevereiro 17, 2008

Os melhores vinhos de 2007

Esta semana foram revelados os melhores vinhos provados em 2007 pela Blue Wine e pela Revista de Vinhos. Aqui ficam as duas listas de premiados.

Prémios de Excelência da Revista de Vinhos:

Murganheira Assemblage Espumante Távora-Varosa Branco 1995
Anselmo Mendes 2005
Dorado 2005
Soalheiro Primeiras Vinhas 2006
Auru Douro Tinto 2001
Alves de Sousa Reserva Pessoal 2003
Batuta 2005
Charme 2005
Gouvyas Vinhas Velhas 2005
Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2004
Pintas 2005
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005
Quinta do Infantado Reserva 2005
Quinta do Vale Meão 2005
Vértice Douro Grande Reserva 2003
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2005
Quinta da Falorca Garrafeira 2003
Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria 2005
Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2004
S de Soberanas Regional Terras do Sado 2004
Dona Maria Reserva 2004
Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005
Quinta do Carmo Reserva2004
Terrenus Reserva 2004
Vale do Ancho Reserva 2004
Zambujeiro 2004
Quinta do Noval Porto Colheita 1986
Barbeito Lote Especial Madeira Malvazia 30 anos
Relíquia Aguardente Velhíssima Reserva Especial



Blue Wine - Top 100 ( coloco apenas os que tiveram 18 ou mais pontos)

BLANDY’S BUAL 1920 Madeira
DOW'S QTA DA SENHORA DA RIBEIRA VINTAGE 2004
JMF MOSCATEL ROXO SUPERIOR 1960
CROFT QUINTA DA ROEDA VINTAGE 2004
PINTAS 2004
POEIRA 2004
TAYLOR'S VARGELLAS VINHA VELHA VINTAGE 2004
CEDRO DO NOVAL 2004
COSSART GORDON BUAL VINTAGE 1958
FONSECA PORTO GUIMARAENS VINTAGE 2004
INCÓGNITO 2004
MONTES CLAROS RESERVA 2004
PAÇO CUNHAS DE SANTAR VINHA DO CONTADOR 2004
PINTAS VINTAGE 2004
QUINTA DA PELLADA 2005
QUINTA DAS TECEDEIRAS RESERVA 2004
QUINTA DE BAIXO GARRAFEIRA 2004
QUINTA DO VALE MEÃO 2004
QUINTA DO VALE MEÃO VINTAGE 2004
REDOMA 2004
TAYLOR'S QTA DE VARGELLAS VINTAGE 2004
VALE DE PIOS 2005
VINHAS DA IRA 2004
VISTA ALEGRE VINTAGE 2004
V.T. 2004

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Revista de Vinhos - Os Melhores do Ano








Pela segunda vez, o Vinho da Casa vai estar presente na cerimónia/jantar de entrega dos prémios d'Os Melhores do Ano atribuídos pela Revista de Vinhos. Vai ser uma oportunidade para dar um abraço a muita de gente lá de baixo da capital, pois o ano passado a Revista até foi simpática e fez a gala cá no Porto. Este ano... Vou ter que descer até Santarém!

Até já.
Prometo trazer novidades e o relato do jantar!

PS - E prometo desta vez ouvir qualquer coisa que o Sr. Ministro tiver para dizer.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Subsidio 2006

Este produtor, Thomaz de Lima Mayer, juntamente com o enólogo Rui Reguinga estão a desenvolver desde há uns anos para cá, um projecto vinícola perto de Monforte, no Alto Alentejo. A marca Lima Mayer é o ícone deste produtor (que em breve será também alvo de apreciação no Vinho da Casa), tem como entrada de gama um tinto de nome muito curioso. Subsídio.

Este Subsídio, confronta um actual estado de sítio de quase todos os agricultores que tentam manter no activo os seus terrenos à custa de fundos estruturais vindos da U.E... Esperemos, sinceramente que os fundos continuem a vir, mas que sejam bem empregues e sobretudo, bem redistribuídos. É um vinho feito de Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet que não tem qualquer passagem pela madeira, ficando 8 meses em inox até o seu engarrafamento.

Com 14%Vol mostra uma brilhante cor rubi de média concentração.
No nariz, tímido e a pedir tempo, vai despontando algum pimento verde que desaparece rapidamente. Com o tempo no copo mostra-se muito limpo de aromas, com algum nervo, mentolado, muito fruto, amoras, mirtilos e até alguma cereja. Está muito jovem como se esperava, com alguma frescura, não escondendo um toque de alcatrão que aquece o nariz.

Na boca, estruturado q.b., taninos bem arredondados e de perfil frutado. Ligeira doçura e especiarias juntam-se à boa dose de fruta que por aqui paira. Algo directo, com a acidez equilibrada, acaba por ter um final revigorante, fresco e balsâmico. É um vinho perfumado, pleno de juventude mas já muito pronto para se beber, correcto e bastante prazenteiro. Feito na dose certa em termos de corpo e doçura, para agradar gregos e troianos.

Nota 15
Preço 5 euros

sábado, fevereiro 09, 2008

Luis Pato Espumante Touriga Nacional 2007

Volto aos vinhos do Luis Pato. Desta vez apresento uma novidade do produtor, um espumante exclusivamente de Touriga Nacional da colheita de 2007. Foi vindimado muito cedo, no início de setembro, de forma a garantir mais juventude e frescura. Fez a primeira fermentação em inox, sendo engarrafado em Outubro para a segunda fermentação.

Com 12%Vol mostra uma tonalidade rosada brilhante de média concentração e uma bolha persistente e bem viva.
No nariz, a frescura e frutuosidade são inolvidáveis. Morangos, cerejas e framboesas mostram a juventude e abertura deste espumante. É um aroma que traz alegria, com um lado floral evidente, violetas, alguma bolacha discreta e um toque muito curioso de marshmallow, aquela goma fantástica que todas as crianças (e adultos) comem às escondidas.

Na boca, enérgico mas com alguma leveza, perfumado e com a acidez bem elevada. Seco, com algum açucar discreto que só ajuda a dar prazer. A bolha acaba por forrar o palato, com enorme vivacidade e frescura. Final de boca médio, acentuado nas notas minerais e de frutos vermelhos. Um espumante muito elegante e ligeiro, indicado para umas entradas, com a acidez e juventude presentes torna-se dinâmico e adequado a salgados, secos, doces, frios, quentes... Despreocupado, mas muito bem feito. Uma boa alternativa ao famoso Kir Royal.

Nota 16
Preço 6,5euros ( no produtor)

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Perfil 2005

Luís Soares Duarte, enólogo sobejamente conhecido no Douro, faz vinhos em imensos locais do Douro. Ele é na Quinta do Infantado, ele é na Bago de Touriga(Gouvyas), ele é Quinta Seara D'Ordens, Kolheita de Ideias... No entanto, há cerca de dois anos, este enólogo Duriense lançou um projecto a solo, vinhos com Perfil para serem servidos em alguns Momentos. Este Perfil, um vinho com um rótulo muito original, retratando a sua face vista de perfil, é feito com Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca, com um estágio de 3 meses em Carvalho Francês e Americano.

Com 13,5% apresenta uma tonalidade rubi de boa concentração.
No nariz, algo sizudo, mostra aos poucos aromas frescos e mentolados. Chocolate preto e algum fruto de baga dão alguma alegria ao aroma, bem acompanhado por um lado vegetal. Mostra-se correcto e equilibrado de aromas, com um fundo mineral.

Na boca, a entrada é muito macia e suave, com estrutura mediana. Os taninos estão bem integrados, com uma acidez elevada. Outra vez pouco falador na boca, prefere ser equilibrado. Parece ser um vinho muito gastronómico, pois não cansa e pode ser bastante versátil. Mostra algum garra no final de boca com um comprimento médio, ligeiramente seco e mineral.

Nota 15
Preço 9 euros

Casa de Santar 2005

Esta casa nobre, tem uma longuíssima história, com recortes históricos do ano de 1212. O vínculo ou morgadio da Casa é instituído em 1616 por Francisco e Francisca Pais do Amaral, quando foi constituída a capela dedicada a São Francisco de Assis, aonde seriam rezadas 24 missas todos os anos, pelas almas dos fundadores. As obras da capela são terminadas pelo filho, o Licº António Pais do Amaral, em 1678. Nesta altura, a casa de Santar já tem uma dimensão razoável e pelos documentos existentes já haviam vinhas. São portanto mais 300 anos de história naquele terroir.
informação retirada de www.daosul.com
Hoje em dia, as vinhas da Casa de Santar são propriedade da Dão Sul, gigante do mundo do vinho Português, mas que continua a manter a história e a tradição bem viva neste vinho. Basta olhar para o formato e rótulo da garrafa para se perceber isso...
Actualmente, a Casa de Santar tem 103 hectares de vinha plantada, dos quais 90 são de castas tintas. O lote deste vinho é feito com Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz, estagiando cerca de 6 meses em Carvalho Americano.


Com 13,5% apresenta uma cor violeta de boa concentração.
No nariz, repleto de notas florais, violetas, bergamota e alfazema Este perfil fresco e perfumado está bem balançado com notas mais quentes de caramelo, cravinho e uma tosta envolvente. Está bem alegre e vivaço o aroma, mostrando alguma complexidade e muito equilíbrio. Não é senhor de um nariz genial, mas o que está cá está presente com subtileza e harmonia.

Na boca, de corpo médio, a fruta aparece em boa dose, com cerejas, amoras, num tom não muito maduro e convincente. O vinho ainda está pleno de juventude, com a acidez assertiva, onde os taninos ainda se mostram aqui e ali com algumas arestas. Algumas especiarias e grafite dão um final de boca fresco, de boa duração e com intensidade. É um vinho que embora não pareça, tem austeridade, é muito afinado e caminha numa linha recta, sem dar um passo fora. Não surpreende os adeptos dos vinhos fáceis, mas surpreende quem procura equilíbrio. Bela surpresa esta colheita de 2005!

Nota 16
Preço 5 euros

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Cavalo Maluco 2005

Depois do sucesso apoteótico que foi a novidade do ano anterior da Herdade do Portocarro, com o Anima, um vinho feito exclusivamente com uma casta elegante e oriunda de Itália, a Sangiovese, este produtor inicia uma nova ideia. Cavalo Maluco, foi um dos grandes chefes Sioux, povo que habitava nos USA, em Dakota. Apenas viveu 33 anos, mas sempre liderou muitas batalhas contra a invasão geográfico dos novos índios americanos. Todos os anos, a Herdade do Portocarro vai homenagear alguém com este rótulo. Na colheita de 2005 o Cavalo Maluco honrado foi Luis Mota Capitão, pai do apaixonado produtor José da Mota Capitão. O lote é feito com Touriga Nacional e Touriga Franca em igual parte, 45% cada, e 10% de Petit Verdot. Estagia em barricas de Carvalho Francês durante 12 meses sem ser filtrado.

Com 14%Vol e uma cor retinta, não muito limpo, praticamente negro com reflexos purpura.
No nariz, tem um impacto inicial muito austero e generoso na dose de fruta preta e violeta. Tudo aqui é extraído ao máximo, mas não se baseia apenas em fruta. Menta, algum tabaco e muita erva aromática. Um vinho ao estilo after-eight com uma vertente tostada e inclusivé com alguma frescura. A madeira está presente e consegue-se fazer mostrar perante este aroma tão denso.

Na boca, o vigor e a extracção dão continuação ao que se previa. Pastoso, fresco e cheio de aromas frutados e balsâmicos. Apesar de toda esta violência, o vinho tem elasticidade e acaba por não pesar. Acidez firme, mineralidade e taninos bem educados, acabam por ser as rédeas necessárias para trazer alguma serenidade neste Cavalo Maluco. Final longo, vibrante e com muita especiaria e cacau. Pena é a quantidade de sedimentos que este vinho mostra, mesmo decantado com algum cuidado, o copo fica pintado e marcado de pequenas partículas. Não faz mal à saúde, mas não é muito elegante. É mais um excelente vinho das Terras do Sado, e que mostra que o Capitão da Portocarro não brinca em serviço.

Nota 17,5
Preço 20 euros
Produção 3.000 garrafas

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Rolan Colheita Seleccionada 2005

Depois de provado o Alvarinho Rolan 2006, apresento agora o Rolan Colheita Seleccionada 2005, um Alvarinho de Valença do Minho, com as vinhas plantadas ao longo do Rio Minho. Este colheita seleccionada é feito um pouco ao estilo do Albariño, com fermentações prolongodas em inox sobre as borras durante 5 semanas. Este aspecto vai buscar muito mais corpo e muito mais personalidade, mas no entanto perde-se a frescura habitual de um vinho menos extraído. Apesar de ser um Alvarinho, não pertence à sub-região de Monção, logo não tem no rótulo Vinho Verde mas sim Vinho Regional Minho.

Com 13%Vol e uma cor amarelo com reflexos dourados de boa concentração.
No nariz, mostra muita fruta tropical, laranja, toranja, mel e tomilho. Está um aroma muito intenso e penetrante, com boa complexidade. Mostra alguma evolução positiva e permite que deixemos subir a temperatura, mostrando alguns frutos secos e uns aromas mais adocicados, sempre num tom exuberante e muito afinado.

Na boca, muito untuoso e bem estruturado, faz-nos crer que o vinho passou por madeira, mas o que houve foi muita extracção. Nada pesado ou doce, pois tem uma boa dose de fruto fresco, algum vegetal e um acidez refrescante. Intenso, perfumado e extremamente delicado neste corpo largo. Final longo, persistente, com notas de toranja e algumas ervas aromáticas. Os dois anos que passaram quase não se notam, a não ser nos ganhos de complexidade. O vinho pede claramente que se beba à mesa, com peixe no forno ou mesmo com uma carne. Um Alvarinho de 2005 de grande nível, num estilo sério e mais encorpado. O melhor deste vinho é mesmo a qualidade... Ah e o preço. É fantástico.

Nota 17
Preço 6 euros

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Campolargo C.C. 2004

Este ícone do produtor Bairradino, Manuel dos Santos Campolargo, é feito com um lote muito peculiar. Tem 50% de Castelão Nacional e 50% de Cabernet Sauvignon. A fermentação é feita em separado em lagares tradicionais, com posterior estágio em barricas de Carvalho Francês.

Com 14,5%Vol. e uma cor rubi profunda.
No nariz, mostra uma grande complexidade, com aromas muito intensos de couro, animal e pimenta preta. O Cabernet Sauvignonestá bem presente neste tom austero, mineral com fruto vermelho e vegetal de boa qualidade. A madeira está bem presente mas longe das modernices abaunilhadas. Aqui tudo está sério e com extrema força.

Na boca, com a fruta um pouco em segundo plano, aparecem notas mais clássicas da compotas e licor, com uma acidez elevada, chocolate e boas notas de barrica. O vegetal volta a marcar num corpo generoso mas muito bem apoiado pela elegância dos taninos finos. É um vinho que nos obriga a prová-lo com calma, deixando o vinho abrir no copo, pois está já com uma complexidade notável, soltando um novo aroma aqui e ali, sempre robusto, sério e imponente. Final muito comprido e mineral, cheio de suavidade.
Estes atributos não são sinónimos de um vinho extraído demais e encorpadíssimo, antes pelo contrário, é sinónimo de um grande vinho, com o Cabernet Sauvignon e o Castelão muito bem trabalhados. Duas castas difíceis mas que por vezes fazem excelentes vinhos. Pode-se guardá-lo? De certeza que sim.

Nota 17,5
Preço 20 Euros
Produção 5,283 garrafas

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Altas Quintas 2005

Depois do sucesso que foi o lançamento da colheita de 2004, anunciando um projecto de grande envergadura em plena Serra de São Mamede, perto de Portalegre, eis que surge a segunda colheita deste vinho, com clara obrigação de prestar provas e de se manter num nível de boa qualidade.
Como se sabe, é mais um vinho apadrinhado pelo Paulo Laureano, e aqui nestas terras altas, o enólogo opta por fermentar o lote em balseiros de Carvalho Francês, seguido de um estágio de 12 meses em barricas da mesma origem. É portanto um vinho que não sente o inóx na sua produção. As castas do lote são a Trincadeira, a Aragonez e a Alicante Bouschet.

Com 14,5%Vol. e cor granada profunda, com rebordo violáceo.
No nariz, o perfil já mostrado na colheita anterior volta a estar presente, com as notas de barrica em destaque. Cedro, café fresco e muito tabaco inundam o aroma, num tom fino e distinto. A fruta está por aqui a tentar mostrar-se, cassis e bagas silvestres. Aroma complexo e elegante, longe das exuberâncias e extracções desmesuradas.

Na boca, entra delicado mas com grande profundidade, intenso nas notas balsâmicas e mentoladas, chocolate preto e alguns tostados. Taninos finos e discretos num vinho de acidez inviolável. Uma vez mais mostra grande classe e elegância, mas está muito apoiado pelas notas da madeira. Certamente que o tempo só lhe fará bem, mas bebê-lo já é um prazer, tal é a suavidade e a cremosidade com que forra o palato. Final fresco e mineral de boa persistência. Deixa alguma indecisão, pois o vinho parece estar já construído, mas a madeira impera. Um vinho que vale a pena provar ao longo deste ano para se tirar conclusões.

Nota 17
Preço 18 euros

domingo, janeiro 06, 2008

Vega 2003

Nova incursão no portfólio da empresa DFJ. Desta vez em prova esteve um vinho tinto do Douro, onde a DFJ também tem uma gama de produtos. Este Vega é feito apenas com duas castas, Tinta Roriz e Touriga Franca, em partes iguais, com estágio de 3 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol. mostra um cor rubi/avermelhado de média concentração.
No nariz, o aroma está bem apoiado nas notas de fruto vermelho, chocolate de leite e de vegetação. Não muito complexo tem ainda um tom balsâmico a trazer algum frescura ao nariz, com a madeira presente e de bom calibre, com notas de algum fumo.

Na boca, com entrada envolvente e suave, com a Touriga Franca em clara presença. Algo ligeiro no corpo, taninos bem redondos e acidez equilibrada mostra que o vinho está sem dúvida pronto para se beber e que não merece ser guardado mais. De textura sedoso proporciona um final de boca de média duração, ligeiramente seco e com notas de bolo mármore. É um vinho num patamar de preço que por vezes no Douro não inspira muita confiança, mas este Vega tem um bom equilíbrio, dá prazer no dia-a-dia e merece ser conhecido. Mais um vinho a um bom preço da DFJ Vinhos.

Nota 15
Preço 3,90 Euros

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Aneto 2004

Depois da excelente impressão que causou o Aneto 2003, está agora em prova o 2004. É um vinho que tem tido boas pontuações em todos os locais, e contra a maré de muitos vinhos do Douro, mantém-se num preço muito acessível. Este deve ser, um dos melhores vinhos relação Qualidade-Preço do Douro, para uma pontuação normalmente acima dos 16,5 valores, ou seja, para um patamar de muito boa qualidade. Por norma encontra-se o vinho à venda abaixo dos 14 euros. Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão são as castas que fazem o lote que é estagiado durante 12 meses em carvalho francês, após fermentação em lagares de granito.

Denso e escuríssimo na cor, apenas mostra alguns laivos rubis no copo.
No nariz mostra um aroma austero, bastante vincado nas notas florais. Esteva, menta, violetas e uma mão cheia de fruto, framboesas e cerejas perfumam o nariz. Está com a barrica muito bem integrada, com uma tosta ligeira não se sobrepondo a toda uma frescura omnipresente. Elegante e com um toque de pedra mostram um aroma complexo, interessante e cheio de vigor.

Na boca, a densa cor e boa dose de fruta do nariz que fariam supor um vinho muito extraído, muito encorpado e violento é rapidamente desmentido por uma elegância fresca e fina. O vinho mostra-se muito requintado na boca, com muita precisão e profundidade. A acidez é alta e os taninos são finíssimos. Final bem longo, especiado, frutado e mineral. Muito, mas muito expressivo. Um vinho que reflecte um estilo educado e bem afinado, como quase todos os grandes Douro's. Belíssimo vinho a um excelente preço.

Nota 17,5
Produção 10.800 garrafas
Preço 13,5 euros


PS - Este enólogo, Francisco Montenegro merece destaque. Faz dois belos vinhos. Este aqui em prova e o Colheita Tardia, também já provado.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Lagares do Cerrado Touriga Nacional 2004

A Quinta do Cerrado, também conhecida pela União Comercial da Beira, está neste momento claramente na crista da onda do novo Dão, dos novos métodos de vinificar naquela região. No entanto, ainda faz este vinho, vinificado em lagares de granito. O estágio depois é feito em barricas novas e usadas de Carvalho Nacional e Francês. Este tinto é o topo de gama actual da casa.

Com 14%Vol. e com uma cor de grande concentração, opaco e bastante escuro.
No nariz, mostra um esitlo austero, fechado de aromas e a fazer jus ao seu nome no rótulo. O aroma de lagar está aqui bem vincado, com notas rústicas e mais frias, pinho, pedra e muitas bagas silvestres. Com o tempo os aromas libertam-se no copo, com a touriga a mostrar o lado floral, bem acompanhado de mato seco e algum vegetal. Não é uma touriga muito exuberante, mas muito bem feita e cheio de expressão.
Na boca mostra um lado bem mais sereno, com uma entrada suave. A estrutura é alta e mostra uma boa elasticidade, graças a uma acidez firme e a um lado fresco e mineral que não deixa o vinho esmorecer. A barrica está bem inserida, aquecendo um pouco o palato, com notas tostadas e de erva seca. Taninos maduros e vigorosos mas bem apoiados no conjunto. O estilo vigoroso é interessante, a fruta está na quantidade certa, e isso só traz vantagens. Final fresco e longo nas notas herbáceas e de groselhas. Em suma, um vinho ainda algo duro no aroma, mas com um comportamento na boca bem apetecível. Certamente estará por aqui nos próximos anos. Belo vinho de um Dão menos moderno dos outros vinhos deste produtor.

Nota 17
Produção 2.500 garrafas

domingo, dezembro 30, 2007

Até 2008!









O Vinho da Casa deseja a todos os leitores um feliz 2008.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Azamor Petit Verdot 2004 e Select Vines 2004

Depois de provado o Azamor 2004, apresento agora os outros dois vinhos que completam a gama dos vinhos de Allison e Luiz Gomez de Vila Viçosa. O primeiro é um varietal de Petit Verdot, com 50% do vinho a estagiar em barricas de Carvalho Francês. É uma casta originário de França que a pouco e pouco vem entrando para os nosso vinhedos. O outro vinho é uma selecção das melhores uvas da colheita de 2004, com o lote de Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Franca e Trincadeira a ter estágio de 30% em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Azamor Petit Verdot 2004
Com 13,5%Vol e uma bonita cor carmim de boa concentração.
No nariz, o primeiro impacto é claramente distinto, com muita pimenta verde misturado com perfume floral. Com uma frescura nervosa, vão se soltando ao lado de uma tosta ligeira, aromas balsâmicos e algum couro. A fruta está cá presente e por vezes confunde-se com iogurte de frutos silvestres algo incomodativo, que acaba por enjoar um pouco.
Na boca, mostra-se fino e não muito encorpado, com uma frescura notável devido a uma acidez elevada. Chocolate preto, ligeiro vegetal e café trazem suavidade ao palato. Taninos bem redondos. O final acaba por pecar por pouca profundidade, com perfil fresco e mineral, apoiado um pouco ainda pelas notas tostadas da barrica. Um vinho que já se mostra bem redondo para ser bebido, mas que talvez apure ainda melhor em cave.
Nota 16

Azamor Selected Vines 2004
Com 14%Vol apresenta uma cor ruby mais carregada que o P.Verdot.
No nariz, o possível afastamento uma vez mais de terras Alentejanas é rapidamente desmentido. Aqui temos um aroma mais tórrido, austero e expressivo. Cheio de compotas de amoras, ameixas, alguns fumados, pimentão seco e muita especiaria trazem um nariz algo complexo. Alguns químicos e um fundo fresco mentilado mostram que a juventude ainda cá está.
Na boca, encorpado e com uma entrada acetinada, apesar de ter potência e estrutura, está tudo apoiado em alicerces elegantes. Os taninos finos dizem isso mesmo. A acidez é mediana mas chega para suportar, não deixando caír o vinho para grandes enjoos. Um vinho requintado e com alguma Nobreza na forma de se mostrar. Final longo e de boa intensidade, repleto de fruto vermelho, com alguma doçura que o torna bem apetecível. Talvez pareça que se aguente melhor em cave do que o Petit Verdot, devido à sua austeridade, mas provavelmente bebê-lo já é a melhor opção. É que dá muito prazer! Belo vinho.
Nota 17

terça-feira, dezembro 18, 2007

Luz e Sombra

Pedro Abrunhosa, aquando do lançamento do seu novo álbum, lançou dois vinhos em parceria com Dirk Niepoort. Luz é o nome do álbum, Luz é o nome do vinho branco, e como onde há luz também há Sombra, Sombra é o nome do tinto... No entanto, Luz e Sombra são marcas que não puderam ser registadas, portanto os dois vinhos ficaram com o nome original de Rótulo. De realçar os excelentes rótulos, inspirados na capa do álbum do cantor Portuense, mas em vez da pena, aparecem duas lâmpadas, e porque hoje em dia é preciso consciencializar o consumidor, a lampada não é incandescente, é uma lâmpada economizadora! Há quem pense em tudo...

Luz 2006
Sobre o Luz, foram seleccionadas algumas barricas dos lotes de 2006 que estavam destinadas ao Redoma e ao Redoma Reserva. Ambos os vinhos, são feitos exactamente da mesma forma, embora Luís Seabra e Dirk já saibam quais são as vinhas que têm potencial para Redoma Reserva... As que estavam na dúvida, parece que foram para o Luz. É portanto um vinho com tiques de Redoma Reserva e com alma de Redoma.
No nariz nota-se um corte aromático de boa classe, com notas de fruto branco, flores e bolacha. Com a madeira a dar algum suporte, com uma tosta presente. O perfil é fresco e com fundo mineral, não muito exuberante, mas sério e elegante. A madeira está um pouco presente, mas não perturba.
Na boca, tem uma entrada bem genuína, com bom corpo e untuoso. Bastante mais equilibrado o binómio vinho/madeira, com fruto maduro em boa dose, amendoado e alguns citrinos refrescantes. É um branco com bastante largura de boca, perfumado, harmonioso e cheio de classe. Fresco e profundo, impera o equlíbrio. O final de boca, mineral e citrino, com alguma mineralidade, é longo e persistente. Está pronto para ser bebido, no meu entender com mais garra que o Redoma 2006 branco, e mais prontinho que o Redoma Reserva 2006, que quando o provei ainda estava a precisar de se compôr.
Nota 17

Sombra 2005
O Sombra foi feito um pouco ao estilo do ícone Charme. Esse facto nota-se logo na cor, pouco concentrado, brilhante e que rapidamente nos faz apontar atenções para um vinho mais delicado.
No nariz, a subtileza dos aromas acorda-nos logo, nada de bombas de fruta, de exuberâncias extremas... Antes fruto vermelho delicado, notas de café, erva seca, chocolate e um ligeiro aroma a couro. Bem delineado pela madeira, ao estilo Charme. Envolvente e complexo, dá de vez em quando umas lufadas de frescura, com mineralidade e ligeiro vegetal.
Na boca, suave e requintado, com toque da barrica de grande nível, fruto discreto, a frescura está presente com uma boa acidez. Corpo ligeiro com taninos sedosos. Nota-se que lhe falta a classe das vinhas velhas do Charme, pois a profundidade apesar de ser grande, não é assombrosa. Final complexo e delicado, apoiado em boas notas tostadas e especiarias.
Um vinho a mostrar que o Douro não caminha todo na mesma direcção.
Nota 17,5

Em suma, o álbum do Pedro Abrunhosa foi brindado com dois belos vinhos, embora eu tenha uma ligeira preferência no Sombra.

terça-feira, dezembro 11, 2007

DFJ Alvarinho&Chardonnay 2006

Voltando à empresa DFJ, desta vez provando um vinho branco da Estremadura. É um lote não muito típico, talvez único no país, misturando 50% de Alvarinho e 50% de Chardonnay.

Com 13%Vol apresenta uma cor amarelo esverdeado, brilhante e de boa intensidade.
No nariz, mostra-se no início muito fechado e pouco falador. Fresco e citrino, com algumas notas de raspas de lima e ananás e com um lado vegetal interessante. Com alguma oxigenação no copo, o Chardonnay parece querer-se mostrar com alguns aromas de mel, especiarias muito ligeiras e chocolate branco.

Na boca, muito incisivo e com bom corpo. Atraente nas notas frutadas e com alguma untuosidade. Ganha claramente com o tempo de prova, mostrando-se cada vez mais generoso e perfumado. Acidez mediana, mas sem prejudicar, pois o toque ligeiramente doce dá-lhe piada e é sustentado pelo bom equilíbrio do conjunto. Final com algum vegetal, harmonioso e com alguma classe. Um lote muito curioso e que resulta num bom vinho, capaz de surpreender e dar prazer. Se for decantado, o sucesso é garantido! Excelente preço para a qualidade.

Nota 16
Preço 5,40 euros

terça-feira, dezembro 04, 2007

Cortes de Cima

As Cortes de Cima, sempre apostaram em fazer vinhos monovarietais de qualidade. O ícone máximo será o mais que conhecido Incógnito, feito com 100% de Syrah. Dentro de um patamar bem mais acessível, 10/15 euros podemos encontrar bons exemplares de varietais deste produtor.
Provei o Aragonês 2003, o Trincadeira 2004 e o Syrah 2004.

Cortes de Cima Aragonês 2003
100% Aragonês e com estágio de 9 meses em Carvalho Americano (75%) e Francês (25%).
No nariz, com um impacto muito alegre, de perfil floral e bem maduro, mostra boas notas de flor de laranjeira, cereja, ameixa, alcatrão e um toque envernizado. Boas notas secundárias, com torrefação, leite creme e muita especiaria lembrando cravinho. Está bem fino no aroma, e denota classe.
Na boca, suave e amaciado na entrada, carregado de fruto maduro. De bom porte, mas até com alguma elegência no palato, não tão pesado como se esperava, graças a uma acidez até algo espigada. A madeira ainda está cá para dar prazer, com fumados e uma aragem torrada que volta a aquecer o vinho. Taninos já bem redondos e sem vértices. Final de boa intensidade, com fruto vermelho e especiado, mas com um ligeiro toque alcoólico. O estilo Cortes de Cima está cá e dá prazer. O vinho é que parece que não terá grande margem para evolução. Para mim, está no momento para ser bebido.
Nota 16
Produção 10.900 garrafas


Cortes de Cima Syrah 2004
Exclusivamente com Syrah, estagia 7 meses em barrica Americanas e Francesas.
No nariz, com um estilo bem austero e a precisar de atenção, mostra-se muito requintado com boas notas da madeira, chocolate preto, alcatrão e muito fruto preto. Com um aroma a fugir claramente para um Syrah bem maduro, extraído, complexo e com boa componente balsâmica. As especiarias voltam a marcar pontos, num tom envolvente e com classe. Um aroma distinto e digno de um grande vinho.
Na boca, guloso e extremamente atractivo, volta a mostrar boa dose de fruto, amoras e ameixa preta madura. Couro, chocolate preto e especiarias explodem no palato. Acidez equilibrada a trazer harmonia ao conjunto, sem deixar caír o vinho para doçuras extremas. Os taninos são finos e de grande nível, dão músculo ao vinho. Prazenteiro e apetitoso, bebe-se com muita alegria, sempre com a fruta e a especiarias lado a lado. Final surpreendente, longo e profundo, ligeiramente seco, com pimenta da Jamaica e notas tostadas a imperar. Um belo Syrah, expressivo e perfumado e com o álcool bem controlado apesar de ser elevado( 14,5%Vol.). Se este Syrah está assim, o que esperar do Incógnito desta colheita!
Nota 17
Produção 51.450 garrafas

Cortes de Cima Trincadeira 2004
Apenas com Trincadeira, estagia 9 meses em barricas de carvalho Francês.
No nariz, intenso e ainda algo fechado, solta muitas notas vegetais quentes, erva seca, casca de árvore. Com o tempo no copo, nota-se uma vez mais um perfil austero e com complexidade, a mostrar fruto vermelho maduro aos poucos. Tostados da madeira, fumo e ervas aromáticas embelezam o aroma, quase lembrando alecrim.
Na boca, não tão fechado como no nariz, mostra uma entrada sedosa, com taninos finos. Acidez média com uma boa dose do doçura no palato, cheio de chocolate, vegetal e fruto vermelho maduro, cerejas e framboesas. A suavidade no palato já vem sendo característico nesta casa, apesar da boa estrutura que sempre apresenta. Final longo e persistente as notas tostadas. Não há grandes pontas espigadas, apenas harmonia e classe, o que faz com que sejam vinhos com identidade, mas muito bebíveis e sempre capazes de dar prazer. Este é um vinho que ainda melhorará em garrafa, quer para o aroma se compor, quer para as notas vegetais acalmarem um pouco.
Nota 16,5
Produção 17.697 garrafas


3 varietais de bom nível, com o Aragonês a precisar de ser bebido, o Syrah no meio termo, pois já dá muito prazer e com o Trincadeira a pedir tempo! Muito bem!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Alvarinhos 2006

Depois da prova que fiz o ano passado com os Alvarinhos de 2005, este ano voltei a repetir o mesmo, com Alvarinhos de 2006, todos em prova cega. Já se sabia que 2006 não tem sido um ano de excelentes vinhos, e que 2005 foi um ano muito especial para os Alvarinhos com excelentes pontuações. Este ano provei alguns vinhos que não tinha provado no ano passado. Vou colocar por ordem de pontuação, sendo que dois tiveram a mesma nota.

Quinta da Pigarra 2006
No nariz, carregado de fruto citrino e de boa dose vegetal. Fresco e elegante no aroma, aparece a dar alguma complexidade ligeiras notas de especiarias assim como um toque de fruto maduro. Está bem no nariz a mostrar um bom equilíbrio entre as notas frescas e jovens com um lado mais quente e amadurecido. Na boca, está mais tímido, com uma boa acidez, mas com a fruta meio escondida, num final seco, persistente, com vegetal e alguma mineralidade a marcar. Bem no nariz mas um pouco sizudo na boca. Talvez o Alvarinho mais típico dos que estiveram em prova.
Nota 15,5

Aveleda Follies 2006
No nariz, mostra logo um primeiro tom atraente, com muito fruto tropical. Boas as notas vegetais, frescas e bem integradas. Aroma fino e bem desenhado, torneado por um fundo citrino lembrando toranja. Na boca, mostra-se largo e com bom volume. As notas citrinas estão bem presentes. Perfumado e com alguma gordura, de acidez elevada faz-nos ter noção de um vinho de bom porte, mas bastante fresco. Final intenso, vincadadamente mineral. Belo Alvarinho!
Nota 16

Rolan 2006
No nariz é claramente o mais exuberante e diferente dos outros exemplares. Notas de casca de laranja, flores, folha de limoeiro, algum exotismo e uma curiosa lembrança de rebuçado. Está um aroma bem intenso e bastante arrumado. Na boca, mostra-se de bom corpo, com algum estrutura capaz de aguentar o inverno, acidez elevada. As notas de laranja voltam a imperar, assim como alguma especiaria. Final com alguma profundidade, saboroso e bastante persistente. Apesar de não ser de Melgaço/Monção ( é de Valença) merece todo o respeito e ainda bem que por ali há Alvarinho plantado! Uma surpresa!
Nota 16

Reguengo de Melgaço 2006
No nariz, este Alvarinho mostra-se também bastante típico, com algum floral, intenso nas notas minerais e citrinas. Tem um aroma mais sério e menos exuberante que os outros, talvez a precisar ainda de tempo para abrir. Na boca, mostra-se nervoso, com a acidez alta e cheio de fruto tropical, a mineralidade volta a trazer uma frescura intensa ao vinho. Enérgico na boca, pede-nos ou para evoluír em garrafa, ou para ser servido com umas entradas especiadas ou mesmo com alguns fritos. Final de bom nível, fino, longo e perfumado. O exemplar mais capaz de evoluír em garrafa.
Nota 16,5