segunda-feira, junho 16, 2008

Herdade da Malhadinha


Estive num destes fim-de-semanas de Primavera, infelizmente bastante chuvoso, na Herdade da Malhadinha Nova. Este é um dos produtores do Alentejo que sigo com bastante atenção e já quase há dois anos que tencionava pisar o terroir da Malhadinha. Definir a Herdade da Malhadinha numa única palavra é muito difícil. Arrisco o termo Novo-Mundo. Para quem vê o Travel Channel, ou para quem já visitou produtores na Austrália, Estados Unidos facilmente perceberá porquê.


Passsei 2 dias sempre com o sol dentro de mim, ainda que São Pedro teimasse em não dar espaço a um único raio de sol. A família Soares irradia felicidade e alegria. Ainda hoje me recordo de ver o Pequeno João a pedir ao pai para conduzir a empilhadora, com um sorriso de criança estampado na cara.

O Country House, moderno e novíssimo espaço de alojamento turístico rapidamente conquistou a imprensa, facto que é merecido. (Foi chave de Ouro na mais recente dição do BoaCamaBoaMesa do Expresso). A casa é um mix de ruralidade e vanguarda. Todos os quartos são mobilados com peças antigas, com roupeiros toscamente pintados de cores básicas. O chão é de tijoleira clássica, mas aquecida. A cama é nada mais nada menos igual às camas do grupo Sheraton, tamanho XXL e ultraconfortáveis. O pequeno almoço, imperial e cheio de pormenores deliciosos.

Aqui, é possível fazer todo e qualquer tipo de actividade, o céu é o limite. Como é normal cada desejo tem o seu preço, desde a simples prova de vinhos ao excêntrico passeio de balão. Voltando uma vez mais ao jeito tosco e delicioso da Herdade, ao ver uma Renault 4L ao fundo, perguntei se podiamos dar uma voltinha nela para voltar aos tempos em que a minha mãe me levava à estação de comboio naquele fantástico bólide. A resposta da Rita foi qualquer coisa assim:
"Claro que sim! Ainda há uns tempos, tivémos aqui um grupo de pessoas citadinas, que pensavam que vinham para aqui sem sujar os sapatos, eu meti-as na 4L e eles adoraram!"


Quanto ao restaurante da Herdade, liderado pelo jovem Chef Artur Carneiro que trabalhou 4 anos com Aime Barroyer no Valle Flor. A cozinha tem duas vertentes. Tradicional alentejana, com cuidado na apresentação e primor na escolha da matéria prima, funcionando melhor para o almoço. Para o jantar, e com a luz a meio gás, é inevitável a viagem ao mundo mágico de qualquer Chef, ou como está em voga se dizer, ao mundo da Cozinha Gourmet. Comi ao jantar, porque a palavra é mesmo essa, a melhor carne de vaca da minha vida. Tenra e com um sabor único. Estou disposto a encontrar uma melhor. A marca do Novilho é Malhadinha, 100% Alentejana que pasta nas encostas da Herdade. Os preços dos vinhos no restaurante são iguais aos PVP's. É possível beber um Malhadinha 2006 tinto por 29 euros. Foi-me dito, e as garrafas já estavam a chegar, que a carta vai ter nomes de peso como Chateau Margaux, Cheval Blanc, Mouton Rothschild...


A adega, moderna e arejada tem um processo de vinificação por gravidade, onde as uvas são descarregadas na parte de cima, sendo depois desengaçadas, fermentadas todas em grande cubas de inox, indo depois, dependendo do que se queira fazer para barricas. Provei os lotes de tinto de 2007, todos vinificados em separado. (à boa maneira Novo-Mundo) Ficaram-me na memória a nobreza e distinta força do Alicante Bouschet, caixinha de surpresas do Syrah, muito complexo e com o aroma a mudar a cada volta que o vinho dava no copo. Lembro ainda um excelente Aragonez, com garra, muito fino e notas muito curiosas de banana.

A Malhadinha merece uma visita atenta e se possível na presença de toda a família. Com eles, o fim de semana é certamente energético e bem capaz de carregar baterias para muitas semanas de lixo urbano. A eles, agradeço o facto de ainda ter bastante combustível para enfrentar a vida dura da cidade. Foi um fim de semana fantástico.

PS - Em breve publico as notas de prova dos novos vinhos da Malhadinha

Anima L5

Depois do sucesso que foi o Anima L4, o seu sucessor, o L5 que representa a ano da colheita, tinha uma grande responsabilidade. Ainda por cima 2005 foi um ano mais equilibrado no geral, menos excessivo e que tem originado vinhos muito interessantes.
A história deste vinho nasce da paixão do produtor, José da Mota Capitão, pela casta italina Sangiovese. Essa paixão levou-o a plantar nos solos tórridos do Torrão, paredes meias com o Alentejo esta casta.

Com 14%Vol mostra um cor rubi avermelhada, com pouca concentração.
No nariz, o aroma distinto e sedutor é impossível de resistir. Especiarias, algum couro novo, aromas exóticos e madeira encerada. Fruta muito nobre e na quantidade certa. A tosta da barrica mostra-se muito elegante. Este nariz, embora não tão complexo como o L4, é soberbo e é uma autêntica flecha ao coração. Se se pudesse metaforizar, este aroma é como uma linda mulher latina, vestida por Yves Saint Laurent, que recentemente nos abandonou.

Na boca, o vinho mostra-se uma vez mais bastante delicado e com alguma cremosidade. Embora tenha ainda alguns taninos presentes, a harmonia não se perde. Mostra-se com muita garra e com uma acidez muito equilibrada. Algum vegetal mesclado na tosta fresca da barrica e da cereja. Final longo e ligeiramente seco. Está um vinho sério, que dá mostras de evoluír muito em garrafa. Menos quente que o seu antecessor, menos aberto e menos pronto para beber. Dá muito mais prazer provar este L5, pela sua personalidade, mas o L4 é um mimo para se beber. Beba-se o L4 e guarde-se o L5. Vai ser um grande vinho. Esta segunda colheita é a confirmação de uma certeza. Já vos disse que estas vinhas foram plantadas só em 2002?

Nota 17,5
Preço 25 Euros

quarta-feira, junho 11, 2008

Viva Portugal


Ontem, dia de Portugal, tive um dos dias mais perfeitos da minha vida. Não tenho capacidade de tecer grandes textos ou poesias para descrever o que ainda sinto. Cheguei às 10:30 a casa de Dirk Niepoort, com pão para todos e dois vinhos velhos. Almoçei com amigos, com grandes vinhos e com uma refeição fantástica preparada pelo Vitor Claro. Apanhei sol, joguei futebol com raparigas e levei uma paulada do Luís Seabra (o homem dos Batutas.) Jantei rodeado dos mesmos amigos, bebi coisas fenomenais e deliciei-me ao som de uma música excelente.

Parceiros deste dia (alguns deles jogadores da bola):
Dirk Niepoort drink Port
Joana cara-metade
Rita Ferreira com Contraste
Nina pé descalço
Tom Marthisen da terra do Bacalhau
Helge Hansen Fotódependente
Luís Seabra Caceteiro
João Rico das Sardinhas de Peniche
Nick Delaforce, coleccionador de Mouchão
Vítor Claro Nazareno
Luís Ferreira com Cãibras
Nuno Gonçalves dorme-a-sesta


Provou-se até ao almoço:

Brancos
Douro
Marquis de Soveral 1967
Marquis de Soveral 1964
Ermida 1965
Ermida 1967
Marquis de Soveral 1958
Pérola Garrafeira 1980
Lamego 195?

Dão
Real Vinícola 1980
Centro de Estudos de Nelas 1994

Colares
Colares Visconde de Salreu 1933
Colares Chitas 1974

Tintos
Bairrada
Luís Pato 1980
Luís Pato 1985
Luís Pato 1988
Luís Pato Vinhas Velhas 1990
Luís Pato Vinhas Velhas 1992
Luís Pato Vinhas Velhas 1995
Sidónio Sousa Caves Valdarcos 1985
Valdarcos Garrafeira 1985
Grupo dos 8 1988
Caves Montanha 1967
Souselas 1965

Bairrada/Dão
Buçaco Reserva 1983
Buçaco Reserva 1970
Buçaco Reserva 1962
Buçaco Reserva 1959

Palmela
Periquita 1970

Colares
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1968
Viúva José Gomes da Silva Reserva Velho 1965
Chitas 1968
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1967

Dão
Dão Pipas (63 ou 67, rótulo indefinido)
Dão Cabido 1967
Dão Cabido 1970

Alentejo
Mouchão 1962
Mouchão 1970
Quinta do Carmo Garrafeira 1986
Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Douro e Trás os Montes
Evel Garrafeira 1964
Real Vinícola Granleve 1965
Vinha Grande 1962
Montaria 1966 (Taylor's)
Gramtom Garrafeira 1958
Marquis de Soveral Garrafeira 1958
Ferreirinha Reserva Especial 1974
Quinta do Côtto Bastardo 1973
Quinta do Côtto Bastardo 1974
Valle Pradinhos 1986

Depois, entre grandes vinhos provados durante o almoço e jantar que estão na lista mais abaixo, houve um vinho que me deixou sem palavras e quase que chorava ao ver o vinho a rodar no copo. Um dos vinhos mais míticos de todo o mundo, de onde já só restam no máximo duas dezenas de garrafas. Grande Grandjó 1925.
Portugueses
Branco dos Cozinheiros 2004
Luís Pato Vinha Formal 2006
Luís Pato Vinha Formal 2007
Casa Agrícola Horácio Simões Moscatel Roxo Excellent
Delaforce Corte 1997 Vintage
Smith Woodhouse 1980 Vintage
Niepoort (Vinho de Família) 1927

Estrangeiros
Weingut St. Johannishof Erderner Pralat Riesling Auslese 1979
Egly-Ouriet Blanc de Noir Grand Cru
Giacomo Conterno Monfortino Barolo Riserva 1995
Domaine de la Romanée-Conti La Tâche 2002
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2004
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2005
Chateau Grand-Puy-Ducasse 1966
Coche-Dury Mersault 1999
Duplessis Chablis Les Clos 2000
R&L Legras Cuvée St Vincent 1996
Keller Westhofen Kirchspiel Trocken 2004
Macforbes Riesling RS9 2006
Donnhoff Niederhauser Hermannshohle Riesling Auslese 2001
Vega Sicilia Unico 1986


No final do dia, fui com a Joana até ao Coliseu do Porto ver um fantástico concerto de Feist. Foi uma óptima forma de digerir o dia. Cheguei a casa feliz e consciente que a vida é quase perfeita.
Entretanto, fiz 2 anos de blog, com quase 250 vinhos publicados e 100.000 visitas atingidas. Infelizmente não tenho conseguido escrever tanto como queria. Obrigado a todos os que por aqui vêm passando.

quinta-feira, maio 29, 2008

Azamor 2005

De Vila Viçosa chegam novidades. Depois dos bons momentos que os Azamor 2004 proporcionaram a quem os provou, chegam agora os vinhos resultantes da colheita 2005. A receita continua a mesma. Um Azamor, um Azamor 100% Petit Verdot e um Azamor Selected Vines.

Azamor 2005
No nariz, muito limpo e aberto, mostra aromas de fruto silvestre e algumas flores. A presença de Touriga Nacional é evidente, num perfil bem maduro desta casta. Compotado e com algumas notas tostadas da madeira. Com um perfil aromático de bom nível, com uma frescura que nos remete para uma comparação com a colheita de 2003, ao invés do 2004.
Na boca, com corpo médio, está muito elegante e com taninos bem macios. Algumas notas fumadas aparecem, assim como compotas de frutos pretos. Acidez refrescante, que surpreende e dá alegria ao vinho. Final de boca persistente e convidativo, com o fruto guloso a marcar.
Continua a ser uma excelente aposta, mantendo a qualidade ano após ano, ainda que com diferenças de estilo. Um refúgio para um bom Alentejano a um preço sensato.
Nota 16
Preço 7,5 euros

Azamor Selected Vines 2005
No nariz, austero e com aromas muito intensos de bons aromas vegetais, muita erva aromática. A fruta, delicada e em boa dose, mistura-se com boas notas tostadas da barrica. Muito envolvente e sedutor, com belo nível de complexidade.
Na boca, com um corpo muito redondo, com a acidez mediana, acaba por tornar o vinho muito guloso. Consegue, graças a boas notas de menta e mesmo de tons químicos, ter uma passagem de boca fresca e elegante. Final de boca longo com intensas notas de madeira e de chocolate preto.
Um vinho sério, muito prazenteiro, algo guloso, mas sem enjoar. Muito bem.
Nota 17
Preço 18 euros

Azamor Petit Verdot 2005
No nariz, muito fino e elegante. Fruto delicado, boas notas tostadas, é o aroma mais elegante e complexo, dos vinhos que provei desta casa. Apesar de ser só de uma casta, o copo vai soltando uma complexidade de grande nível. Muita especiaria no aroma e fruto silvestre, num fundo fresco e mineral. Sedutor e profundo.
Na boca, com muito vigor, mostra força e garra. Envolvido em notas tostadas e cremosas da barrica, volta a trazer a elegância ao de cima. Com uma acidez elevada e taninos ligeiramente secos, fazem crer que precisa de mais algum tempo para se compôr. Final de boca muito longo, balsâmico e com muitas notas de fruto preto com uma certa mineralidade refrescante. Um vinho muito persuasivo, que desde o primeiro momento nos faz apaixonar por ele.
Nota 17,5
Preço 20 euros


Além dos novos 2005, tive oportunidade de provar aquele que passará a ser o ícone da marca, o topo de gama. Ikon D'Azamor nasceu de um cuidado extremo na vinha e na vinificação. Apanhadas as uvas manualmente, e por ordem de maturações, primeiro o Alicante Bouschet (55%), depois a Syrah(35%) e por fim a Touriga Franca(10%). Estagia 16 meses em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Ikon D'Azamor 2004
No nariz, o impacto é muito violento, com muitas notas de extracção exagerada. Alcatrão, muita borracha, tabaco e fruto muito maduro. Muito generoso, outra vez especiado e com muito cacau, com notas de madeira bastante presentes. Aparece algum aroma mais clássico, como couro e um tom herbáceo.
Na boca, o estilo "puxado" confirma-se. Muito encorpado, muita extracção e alguma dose de fruta madura a mais. Foge um pouco ao estilo Azamor, onde a elegância parece ter sido deixada de parte. Tenta impressionar, mas acaba por ter um comportamento bruto e guloso demais. Os taninos muito maduros e finos, a boa acidez e o final de boca muito longo acabam por trazer alguma vida ao vinho, mostrando que não é só extração que por aqui há. Há boa matéria prima, boa profundidade e intensidade de aromas. Ainda assim, o preço não me parece justificado. Guarde-se, pode ser que se saia daqui um grande vinho. Para já, é muito cedo.
Fez me por vezes lembrar um Cortes de Cima Reserva. As palavras Novo Mundo perseguiram-me durante toda a prova.
Nota 17
Preço 59 euros

segunda-feira, maio 12, 2008

3ª Prova Cega - Brancos Monocasta

Já há uns dias perdi algum a brincar com 5 copos de alguns brancos monocasta em prova cega, embora não fosse muito complicado descobrir quem é quem.
Provei um exemplar de:
Antão Vaz
Rabigato
Alvarinho
Bical
Sauvignon Blanc
Foi esta a ordem de prova cega, escolhida ao acaso.

Antão Vaz da Peceguina 2007
100% Antão Vaz em inox.
No nariz mostra um lado verde muito alegre. Repleto de rebuçados, banana e algumas flores frescas inundam o copo. Nota-se algum nervo e uma frescura impar. Claramente um vinho feito só em inox para garantir toda a frescura e juventude de uma casta exuberante.
Na boca, cheia de citrinos e frutos ligeiros tem um corpo médio, com alguma untuosidade. Apesar de não ser um vinho delgado e ligeirinho na boca, tem um carácter fresco e mineral que acaba por não deixar cair o vinho para o clube dos brancos de inverno. Com boa profundidade, a acidez é alta e refrescante, volta a mostrar que temos vinho para o verão, para acompanhar pratos de peixe, nada complicados. No final da prova acompanhou uma canja de bacalhau na perfeição. Parece-me bem mais consensual e equilibrado que o 2006.
Nota 16

Dona Berta Rabigato Reserva Vinhas Velhas 2007
100% Rabigato de vinhas com mais de 150 anos, também só em inox.
No nariz é claramente o vinho mais novo, mais verde e mais electrizante. Os aromas estão muito vincados e saltam do copo sempre num tom duro e frio. Relva, vegetal fresco e notas de casca de tangerina muito intensas. Com um perfil muito próprio e mineral pede tempo e até mesmo um decanter para o deixar soltar-se.
Na boca, com uma mineralidade incrível, do mais frio que se pode imaginar. O peso da vinha velha está aqui bem presente. Sóbrio e equilibrado, de repente se torna nervoso e com uma acidez enorme a revigorar todo a prova de boca. Final de boca prolongado, sempre num fio fresco e mineral, com aromas citrinos. Muito parecido ao 2006, mas uns furos abaixo na prova de boca.
Nota 16,5

Dorado 2006
100% Alvarinho só em inóx mas com estágio sobre as borras prolongado.
No nariz, estranho e com aromas que denotam alguma oxidação. Palha seca, maçã reineta e vegetal muito desconcertante e um aroma ligeiro a fruto tropical muito maduro. O aroma está longe da exuberância e beldade dos Alvarinhos.
Na boca, sempre na mesma toada dos frutos maduros, com muita maçã. Gordo e estruturado tem uma acidez média/alta. O final de boca é de boa duração mas um pouco enjoativo com nuances de mel e de compotas brancas. Já com o 2005 tive grandes problemas de prova, pensando mesmo que o vinho estava afectado por TCA. Provadas 3 garrafas, não consegui gostar.
Nota 13,5

Vinha Formal 2006
100% Bical e 12 meses em barricas grandes de Carvalho Francês
No nariz mostra o aroma mais delicado e elegante de todo o painel. Lembra por instantes um branco da Borgonha com a madeira muito bem integrada. Fósforo, pão torrado e notas de mel embelezam o nariz. Com o tempo no copo surgem notas de lima e de ananás. Cativante e muito envolvente.
Na boca está em plena forma. Com um perfil mineral e citrino. A acidez é muito alta e está bem balançada com alguma untuosidade e pelas notas tostadas. Um vinho que pede pratos de peixe simples e não muito cozinhados. Para acompanhar sushi, além dos Rieslings, é das melhores opções que se pode tomar. Excelente final de boca, intenso e complexo. Um pouco diferente do 2005, menos estruturado parece-me, mas ainda assim um vinho muito bem feito. Um grande Vinha Formal, com a casta Bical no seu auge.
Nota 17

Quinta do Cidrô Sauvignon Blanc 2007
100% Sauvignon Blanc em inox. Curiosa a coloração rosada que o vinho mostra. Estranho.
No nariz a exuberância é extrema. Vegetal fresco, melão e outros frutos brancos frescos dão alegria. Aparecem aromas a rosas muito delicados e alguns toques mais adocicados.
Na boca, limpo e bastante leve. Bastante seco para o que se previa no nariz, com fruto fresco e acidez cítrica. O final de boca baseia-se no perfume floral, intenso, rico mas também um pouco enjoativo. Não sou nada adepto desta casta vaidosa. Vejo-lhe muita qualidade, mas não é o meu estilo.
Nota 15,5

terça-feira, abril 29, 2008

Antão Vaz & Arinto Coop.de Borba 2005

Fazer milhões de litros a preços da China não é certamente o tipo de produtor que me cativa... Nem sequer tenho interesse em provar esses vinhos, pois são vinhos massificados, feitos para um público muito pouco atento e que apenas vê o vinho como uma bebida alcoólica. Porém, a Adega de Borba, além dos vinhos de combate que produz, tem já há alguns anos um linha de varietais de quantidades bem mais reduzidas e muito interessantes.
O vinho é fermentado e estagiado em barricas novas.

Cor amarela dourada de boa concentração e 13%Vol.
No nariz, a percepção de um branco que passou pela madeira é mais que óbvia. A baunilha e alguns amanteigados trazem complexidade a um aroma melado, com toques de flores e de frutos exóticos. Curiosas as boas notas de evolução que já se mostram no nariz, com um cheirinho delicioso de derivados de petróleo.

Na boca, redondo e com um corpo surpreendente, mostra-se ainda com alguma frescura citrina que rapidamente é assombrada pelas notas tostadas e fumadas de boa intensidade. A acidez consegue equilibrar o conjunto, num final muito abaunilhado e algo quente, de média duração. Um vinho que merece ser bebido com um peixe no forno, ou mesmo com salmão fumado, sem preconceitos. Tenho acompanhado este vinho há mais de um ano, e noto que o vinho está a evoluir muito bem, ao nível dos bons brancos alentejanos, apenas com um senão... a madeira (muito provavelmente proveniente do Carvalho Americano) em demasia. O preço é imbatível. Para comprar às caixas.

Nota 15,5
Preço 2.80 Euros na Adega
Produção 14.000 garrafas


terça-feira, abril 15, 2008

Altas Quintas

Este produtor não para. Estão aí mais duas novidades no mercado. Na senda dos já conhecidos Crescendo's, aparece agora para completar a gama, um branco da colheita de 2007. É um branco só em inox, com Verdelho, Arinto e Fernão Pires. Depois, nos tintos, surge um novo conceito. Mensagem. Todos os anos, o produtor vai enviar uma mensagem aos consumidores, mensagem essa que será a expressão do terroir da serra de São Mamede em cada casta. Este ano, a primeira casta enviada é o Aragonês. Apresento então, em jeito de nota de prova, estes dois vinhos das Altas Quintas.

Altas Quintas Mensagem de Aragonês 2005
Fermentação em balseiros Seguin Moreau seguido de estágio de 12 meses em barricas novas.
No nariz, tem um recorte muito aristocrático, bem apoiado na barrica mas sem grandes exageros. Nota-se claramente um perfil balsâmico refrescante, repleto de fruto vermelho. Fresco, mineral e com aromas de chocolate preto, mostra uma extracção excelente. Nem a mais, nem a menos. São vinhos como este, regulados por um relógio suíço que mais deveriam impressionar (comigo assim acontece) do que as bombas relógio frutadas e demasiadamente gulosas. Profundo.
Na boca, com a entrada típica Altas Quintas, sedoso, com a tosta da madeira e a fruta delicada a marcarem passo. Algum baunilha mesclada com fruto. Sério e muito muito elegante, tem uma bela acidez. Taninos vincados, mas bem maduros. Ainda não muito definido na boca, com algum vigor a mais para a estrutura que apresenta. O final de boca é revigorante, aparacendo algum vegetal. Está a precisar ainda de algum tempo em garrafa, que certamente fará o vinho ficar ainda mais equilibrado e para a madeira deixar o vinho falar um pouco mais na boca. À mesa, com pratos fortes, é um prazer.
Nota 17,5
Preço 19,50
Produção 3.000 garrafas



Altas Quintas Crescendo Branco 2007
Com 13,5% mostra um coloração amarelo de concentração média/alta, com reflexos dourados.
No nariz, muito mas muito exuberante aparecem logo algumas notas que nos transportariam para um vinho Neo-Zelândes. Rebuçado, vegetal fresco, kiwi, lima, muito tropical. Aroma muito bonito e limpo. A frescura está bem presente, denunciando no entanto alguma fruta madura e doce.
Na boca, com bom corpo, entra bem mais discreto. Alguma untuosidade com notas outra vez de banana e de vegetal muito fresco. A acidez é mediana, o que acaba por deixar vir ao de cima alguma doçura, bemvinda que anima o conjunto. O final de boca parece trazer uma ligeira ponta alcoólica, perfumado, muito tropical e com persistência média. Parece-me claramente um vinho que foge ao padrão Antão Vaz, num estilo guloso e algo docinho, certamente mais virado para o público feminino. Bebido a 8/10ºC (não mais) será óptimo para uns pratos frios.
Nota 15
Preço 8 euros

quarta-feira, abril 02, 2008

Quinta das Marias

Volto novamente a este produtor do Dão... Em tempos, quando apresentei aqui no blog os dois Touriga Nacionais, de 2003 e 2004, arrisco-me a dizer que quase ninguém conhecia a Quinta das Marias. Hoje é uma das marcas Top of Mind do Dão... Apareceu então na Revista de Vinhos com grande reportagem... Apareceu com grandes notas... Apareceu com um Encruzado Fermentado em Madeira com nota 17,5 do JPM... Ah, e apareceu como Produtor Revelação do Ano no guia do mesmo autor.

Quinta das Marias Alfrocheiro 2004

Apresenta uma cor granada de média concentração.
No nariz mostra-se muito generoso, com muita especiaria doce (cravinho), canela, chocolate de leite e terra molhada. A fruta e barrica estão muito bem integradas neste conjunto complexo e alegre, sempre com alguma austeridade.
Na boca, muito, mas muito elegante na suavidade. Taninos bem finos e uma camada de fruto vermelho que nos forra o palato, lembrando ameixa muito madura. Chocolate preto, algum balsâmico e uma tosta bem presente mostram-se completamente encruzadas na fruta, tudo muito redondinho. Final de boca uma vez mais apoiado nas especiarias, com um toque exótico sui generis. Belo vinho. Dá muito prazer a ser bebido, e não cansa. Muito, muito afinado.
Nota 17

Quinta das Marias Touriga Nacional 2005

Apresenta uma tonalidade rubi concentrada, com laivos púrpura.
No nariz, exuberantíssimo, uma autêntica bomba de cheiro! Flores e mais flores bailam no copo. Alfazema, violetas, alguma menta e uma incrível sensação de bolacha. Chocolate e muita baunilha ajudam a seduzir durante a prova. Apesar de toda esta alegria e boa dose de vaidade no aroma, a matiz é bem complexa e com um perfil mineral que traz classe.
Na boca, vigoroso e bastante encorpado, traz-nos fruto preto e notas mentoladas com fartura. Taninos finos, acidez perfeita, o vinho tem uma frescura perfumada ímpar e uma profundidade notável. O final de boca, muito marcado pela madeira, traz alguns taninos secos. Para já está um pouco enjoativo ao fim de algum tempo com ele no copo. Culpa da capacidade exuberante da Touriga.... Mais tempo de garrafa só lhe fará bem... Díficil será guardá-lo, o vinho é generoso, sedutor e perfeito para quem gosta de vinhos novos cheios de aromas para dar e vender.
Nota 17


Quinta das Marias Cuvée TT(Tinta Roriz e Touriga Nacional) 2005

Cor rubi concentrada.
No nariz, mostra o nariz mais austero dos três em prova, apesar de estar marcado pela tosta da madeira. Baunilha, floral q.b., e uma boa componente frutada. O perfil é também alegre, não muito exuberante, o que por si só poderá dar uma prova mais atenta e que pede tempo de antena. Sem sombra de dúvida que o lote, neste caso, fala por si. Nota-se um aroma elegante, mineral e aristrocrata, com muita frescura e de boa complexidade.
Na boca, fresco e afinadíssimo, tem um conjunto delicado e ao mesmo tempo muito enérgico. Cremoso e sedutor, taninos finos e acidez muito bem vincada. Este factores escondem um corpo musculado e uma mineralidade vincada, cheios de vontade de se mostrar. O final de boca, tostado e com alguma baunilha, é recompensado por um fundo floral refrescante e por um comprimento longuíssimo. Bendito seja o lote, conseguiu-se domesticar a Touriga com a Tinta Roriz, trazendo profundidade, austeridade e sobretudo capacidade de dar prazer à mesa durante umas belas horas.
Nota 17


Eu, sinceramente, em jeito de conclusão, reconheço muita qualidade neste produtor... As notas reflectem isso mesmo, e se ler com atenção as notas de prova, perceberá porque têm as 3 a mesma nota, apesar de o Cuvée TT seja mais o meu estilo. No entanto preferi os vinhos de 2001, 2003 e 2004 que tive oportunidade de provar o ano passado. Acho que não eram tão marcados pelas notas de madeira nova, menos vaidosos, mais austeros e com um perfil de guarda mais sério. Em 3 palavras, estão mais modernos. Bebi ainda este mês o Colheita 2001 e o vinho estava pleno de juventude. Mas isto das opiniões pessoais tem muito que se lhe diga.

quinta-feira, março 20, 2008

Torre do Frade

Junto a Monforte, nasce mais um novo produtor Alentejano. Tem apenas 2hectares de vinha, de Aragonês, Alicante Bouschet e Trincadeira. É um projecto familiar, não se ficando apenas limitado à produção de vinho. A sociedade agrícola conta com 2500 hectares nos concelhos de Monforte, Elvas e Fronteira, produz também beterraba, cortiça, cereais, gado, porco preto e azeite. O enólogo que apadrinha o Torre do Frade é Paulo Laureano. O Vinho da Casa tem o prazer de apresentar os dois Reservas para já produzidos.

Torre do Frade Reserva 2004
Feito com as 3 castas acima descritas, é fermentado em inox, com estágio durante 10 meses em barricas novas de carvalho francês.
Com 15%Vol mostra uma cor granada, quase preta, de grande concentração.
No nariz, muito austero e generoso nos aromas. Tomilho seco, menta, grafite e fumo tapam a boa fruta, que aparece com o tempo. Claramente marcado pelos aromas mais quentes e provenientes da madeira, só com algum arejamento se nota alguma elegância. Notas vegetais e de fruto preto dão alguma alegria ao conjunto, mas sempre apoiado pela tosta da madeira. Pena o álcool se notar um pouco.
Na boca, violento e corpulento, mostra energia para dar e vender. Apesar de se mostrar muito denso e cheio de fruto preto, o vinho tem um perfil sedoso e delicado. Bruto e capaz de agradar a muitos provadores, é uma autêntica bomba frutada e torrada, que no final de boca nos recompensa por lhe termos dado atenção. Taninos de luxo como se previa, acidez média mas capaz de suportar este peso todo. Final muito longo, mineral e refrescante nas notas de café fresco. Um vinho muito curioso, bruto e guloso, fresco e mineral. Parece que algo não bate certo, pois as sensações são contraditórias. É portanto, sem dúvida, um vinho muito complexo. Muito bem.
Nota 17
Produção 7849 garrafas

Torre do Frade Reserva 2005
As castas são as mesmas, mas o tempo de estágio sobe para 14 meses em barricas novas.
Com 14% e uma cor granada muito escura, com alguns laivos violetas brilhantes.
No nariz, mostra como no 2004, um perfil muito austero e sério, mais mineral. Fruto em grande fartura, algumas especiarias, menos complexo, mas ainda assim capaz de nos obrigar a perder tempo a prova-lo. A madeira está bem presente e vincada, com notas de tabaco e baunilha. Não tem tanta exuberância, está mais afinado mas perde em complexidade e profundidade nos aromas.
Na boca, mais elegante e firmemente frutado. Vigoroso e muito afinado, os taninos não se notam tanto neste 2005 como no 2004, com a acidez média muito bem colocada. Cheio de classe, sedoso e muito guloso. Parece mais pronto para ser bebido, não tão robusto e complexo, mas muito mais afinado e com um final muito longo, com notas de pimenta, tabaco e xisto. Embora perca em complexidade, ganha em elegância, fineza e classe e é mais controlado no álcool.
Nota 17
Produção 12557 garrafas

Embora a classificação seja a mesma, prefiro o 2005. Ambos aparentam ter bom potencial de guarda.


Preço - No produtor por cerca de 22 euros.

segunda-feira, março 10, 2008

Lima Mayer 2005

Depois de provado o Subsídio, apresento agora o Lima Mayer 2005, que acaba de chegar ao mercado. É o topo de gama do produtor do Alentejo, Thomaz de Lima Mayer, com o apoio enológico de Rui Reguinga. Com Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet, estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14%Vol apresenta uma cor rubi brilhante, de grande concentração.
No nariz, mostra-se um pouco fechado, mas com austeridade e um perfil sério. Fruto vermelho, algum caramelo com uma componente floral muito refrescante. Lembra quase uma mão cheia de alfazema fresca. A tosta da madeira equilibra na dose certa.

Na boca, muito limpo e fresco, mostra uma boa estrutura, com alguma energia e vigor. Os taninos finos misturam-se com o fruto e com um perfil fumado. A acidez media/alta suporta este corpo, fugindo aos pergaminhos desta região, nota-se frescura e intensidade aromática de bom nível no palato. Final ligeiramente seco e tostado, onde a madeira até agora esteve sempre muito discreta, resolve no final de boca mostrar-se. Com o tempo, obviamente estas arestas desaparecem e o vinho tornarse-á ainda mais equilibrado e bastante prazenteiro.
Curiosamente, embora o planeta esteja cada vez mais quente, o perfil dos vinhos do Alentejo está-se a mostrar cada vez mais fresco... E ainda bem!

Nota 16
Preço 13 euros


PS - o blog Vinho da Casa acaba de ter 50.000 visitantes únicos, para além das 87.500 visitas.

domingo, fevereiro 17, 2008

Os melhores vinhos de 2007

Esta semana foram revelados os melhores vinhos provados em 2007 pela Blue Wine e pela Revista de Vinhos. Aqui ficam as duas listas de premiados.

Prémios de Excelência da Revista de Vinhos:

Murganheira Assemblage Espumante Távora-Varosa Branco 1995
Anselmo Mendes 2005
Dorado 2005
Soalheiro Primeiras Vinhas 2006
Auru Douro Tinto 2001
Alves de Sousa Reserva Pessoal 2003
Batuta 2005
Charme 2005
Gouvyas Vinhas Velhas 2005
Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2004
Pintas 2005
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005
Quinta do Infantado Reserva 2005
Quinta do Vale Meão 2005
Vértice Douro Grande Reserva 2003
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2005
Quinta da Falorca Garrafeira 2003
Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria 2005
Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2004
S de Soberanas Regional Terras do Sado 2004
Dona Maria Reserva 2004
Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005
Quinta do Carmo Reserva2004
Terrenus Reserva 2004
Vale do Ancho Reserva 2004
Zambujeiro 2004
Quinta do Noval Porto Colheita 1986
Barbeito Lote Especial Madeira Malvazia 30 anos
Relíquia Aguardente Velhíssima Reserva Especial



Blue Wine - Top 100 ( coloco apenas os que tiveram 18 ou mais pontos)

BLANDY’S BUAL 1920 Madeira
DOW'S QTA DA SENHORA DA RIBEIRA VINTAGE 2004
JMF MOSCATEL ROXO SUPERIOR 1960
CROFT QUINTA DA ROEDA VINTAGE 2004
PINTAS 2004
POEIRA 2004
TAYLOR'S VARGELLAS VINHA VELHA VINTAGE 2004
CEDRO DO NOVAL 2004
COSSART GORDON BUAL VINTAGE 1958
FONSECA PORTO GUIMARAENS VINTAGE 2004
INCÓGNITO 2004
MONTES CLAROS RESERVA 2004
PAÇO CUNHAS DE SANTAR VINHA DO CONTADOR 2004
PINTAS VINTAGE 2004
QUINTA DA PELLADA 2005
QUINTA DAS TECEDEIRAS RESERVA 2004
QUINTA DE BAIXO GARRAFEIRA 2004
QUINTA DO VALE MEÃO 2004
QUINTA DO VALE MEÃO VINTAGE 2004
REDOMA 2004
TAYLOR'S QTA DE VARGELLAS VINTAGE 2004
VALE DE PIOS 2005
VINHAS DA IRA 2004
VISTA ALEGRE VINTAGE 2004
V.T. 2004

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Revista de Vinhos - Os Melhores do Ano








Pela segunda vez, o Vinho da Casa vai estar presente na cerimónia/jantar de entrega dos prémios d'Os Melhores do Ano atribuídos pela Revista de Vinhos. Vai ser uma oportunidade para dar um abraço a muita de gente lá de baixo da capital, pois o ano passado a Revista até foi simpática e fez a gala cá no Porto. Este ano... Vou ter que descer até Santarém!

Até já.
Prometo trazer novidades e o relato do jantar!

PS - E prometo desta vez ouvir qualquer coisa que o Sr. Ministro tiver para dizer.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Subsidio 2006

Este produtor, Thomaz de Lima Mayer, juntamente com o enólogo Rui Reguinga estão a desenvolver desde há uns anos para cá, um projecto vinícola perto de Monforte, no Alto Alentejo. A marca Lima Mayer é o ícone deste produtor (que em breve será também alvo de apreciação no Vinho da Casa), tem como entrada de gama um tinto de nome muito curioso. Subsídio.

Este Subsídio, confronta um actual estado de sítio de quase todos os agricultores que tentam manter no activo os seus terrenos à custa de fundos estruturais vindos da U.E... Esperemos, sinceramente que os fundos continuem a vir, mas que sejam bem empregues e sobretudo, bem redistribuídos. É um vinho feito de Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet que não tem qualquer passagem pela madeira, ficando 8 meses em inox até o seu engarrafamento.

Com 14%Vol mostra uma brilhante cor rubi de média concentração.
No nariz, tímido e a pedir tempo, vai despontando algum pimento verde que desaparece rapidamente. Com o tempo no copo mostra-se muito limpo de aromas, com algum nervo, mentolado, muito fruto, amoras, mirtilos e até alguma cereja. Está muito jovem como se esperava, com alguma frescura, não escondendo um toque de alcatrão que aquece o nariz.

Na boca, estruturado q.b., taninos bem arredondados e de perfil frutado. Ligeira doçura e especiarias juntam-se à boa dose de fruta que por aqui paira. Algo directo, com a acidez equilibrada, acaba por ter um final revigorante, fresco e balsâmico. É um vinho perfumado, pleno de juventude mas já muito pronto para se beber, correcto e bastante prazenteiro. Feito na dose certa em termos de corpo e doçura, para agradar gregos e troianos.

Nota 15
Preço 5 euros

sábado, fevereiro 09, 2008

Luis Pato Espumante Touriga Nacional 2007

Volto aos vinhos do Luis Pato. Desta vez apresento uma novidade do produtor, um espumante exclusivamente de Touriga Nacional da colheita de 2007. Foi vindimado muito cedo, no início de setembro, de forma a garantir mais juventude e frescura. Fez a primeira fermentação em inox, sendo engarrafado em Outubro para a segunda fermentação.

Com 12%Vol mostra uma tonalidade rosada brilhante de média concentração e uma bolha persistente e bem viva.
No nariz, a frescura e frutuosidade são inolvidáveis. Morangos, cerejas e framboesas mostram a juventude e abertura deste espumante. É um aroma que traz alegria, com um lado floral evidente, violetas, alguma bolacha discreta e um toque muito curioso de marshmallow, aquela goma fantástica que todas as crianças (e adultos) comem às escondidas.

Na boca, enérgico mas com alguma leveza, perfumado e com a acidez bem elevada. Seco, com algum açucar discreto que só ajuda a dar prazer. A bolha acaba por forrar o palato, com enorme vivacidade e frescura. Final de boca médio, acentuado nas notas minerais e de frutos vermelhos. Um espumante muito elegante e ligeiro, indicado para umas entradas, com a acidez e juventude presentes torna-se dinâmico e adequado a salgados, secos, doces, frios, quentes... Despreocupado, mas muito bem feito. Uma boa alternativa ao famoso Kir Royal.

Nota 16
Preço 6,5euros ( no produtor)

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Perfil 2005

Luís Soares Duarte, enólogo sobejamente conhecido no Douro, faz vinhos em imensos locais do Douro. Ele é na Quinta do Infantado, ele é na Bago de Touriga(Gouvyas), ele é Quinta Seara D'Ordens, Kolheita de Ideias... No entanto, há cerca de dois anos, este enólogo Duriense lançou um projecto a solo, vinhos com Perfil para serem servidos em alguns Momentos. Este Perfil, um vinho com um rótulo muito original, retratando a sua face vista de perfil, é feito com Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca, com um estágio de 3 meses em Carvalho Francês e Americano.

Com 13,5% apresenta uma tonalidade rubi de boa concentração.
No nariz, algo sizudo, mostra aos poucos aromas frescos e mentolados. Chocolate preto e algum fruto de baga dão alguma alegria ao aroma, bem acompanhado por um lado vegetal. Mostra-se correcto e equilibrado de aromas, com um fundo mineral.

Na boca, a entrada é muito macia e suave, com estrutura mediana. Os taninos estão bem integrados, com uma acidez elevada. Outra vez pouco falador na boca, prefere ser equilibrado. Parece ser um vinho muito gastronómico, pois não cansa e pode ser bastante versátil. Mostra algum garra no final de boca com um comprimento médio, ligeiramente seco e mineral.

Nota 15
Preço 9 euros

Casa de Santar 2005

Esta casa nobre, tem uma longuíssima história, com recortes históricos do ano de 1212. O vínculo ou morgadio da Casa é instituído em 1616 por Francisco e Francisca Pais do Amaral, quando foi constituída a capela dedicada a São Francisco de Assis, aonde seriam rezadas 24 missas todos os anos, pelas almas dos fundadores. As obras da capela são terminadas pelo filho, o Licº António Pais do Amaral, em 1678. Nesta altura, a casa de Santar já tem uma dimensão razoável e pelos documentos existentes já haviam vinhas. São portanto mais 300 anos de história naquele terroir.
informação retirada de www.daosul.com
Hoje em dia, as vinhas da Casa de Santar são propriedade da Dão Sul, gigante do mundo do vinho Português, mas que continua a manter a história e a tradição bem viva neste vinho. Basta olhar para o formato e rótulo da garrafa para se perceber isso...
Actualmente, a Casa de Santar tem 103 hectares de vinha plantada, dos quais 90 são de castas tintas. O lote deste vinho é feito com Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz, estagiando cerca de 6 meses em Carvalho Americano.


Com 13,5% apresenta uma cor violeta de boa concentração.
No nariz, repleto de notas florais, violetas, bergamota e alfazema Este perfil fresco e perfumado está bem balançado com notas mais quentes de caramelo, cravinho e uma tosta envolvente. Está bem alegre e vivaço o aroma, mostrando alguma complexidade e muito equilíbrio. Não é senhor de um nariz genial, mas o que está cá está presente com subtileza e harmonia.

Na boca, de corpo médio, a fruta aparece em boa dose, com cerejas, amoras, num tom não muito maduro e convincente. O vinho ainda está pleno de juventude, com a acidez assertiva, onde os taninos ainda se mostram aqui e ali com algumas arestas. Algumas especiarias e grafite dão um final de boca fresco, de boa duração e com intensidade. É um vinho que embora não pareça, tem austeridade, é muito afinado e caminha numa linha recta, sem dar um passo fora. Não surpreende os adeptos dos vinhos fáceis, mas surpreende quem procura equilíbrio. Bela surpresa esta colheita de 2005!

Nota 16
Preço 5 euros

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Cavalo Maluco 2005

Depois do sucesso apoteótico que foi a novidade do ano anterior da Herdade do Portocarro, com o Anima, um vinho feito exclusivamente com uma casta elegante e oriunda de Itália, a Sangiovese, este produtor inicia uma nova ideia. Cavalo Maluco, foi um dos grandes chefes Sioux, povo que habitava nos USA, em Dakota. Apenas viveu 33 anos, mas sempre liderou muitas batalhas contra a invasão geográfico dos novos índios americanos. Todos os anos, a Herdade do Portocarro vai homenagear alguém com este rótulo. Na colheita de 2005 o Cavalo Maluco honrado foi Luis Mota Capitão, pai do apaixonado produtor José da Mota Capitão. O lote é feito com Touriga Nacional e Touriga Franca em igual parte, 45% cada, e 10% de Petit Verdot. Estagia em barricas de Carvalho Francês durante 12 meses sem ser filtrado.

Com 14%Vol e uma cor retinta, não muito limpo, praticamente negro com reflexos purpura.
No nariz, tem um impacto inicial muito austero e generoso na dose de fruta preta e violeta. Tudo aqui é extraído ao máximo, mas não se baseia apenas em fruta. Menta, algum tabaco e muita erva aromática. Um vinho ao estilo after-eight com uma vertente tostada e inclusivé com alguma frescura. A madeira está presente e consegue-se fazer mostrar perante este aroma tão denso.

Na boca, o vigor e a extracção dão continuação ao que se previa. Pastoso, fresco e cheio de aromas frutados e balsâmicos. Apesar de toda esta violência, o vinho tem elasticidade e acaba por não pesar. Acidez firme, mineralidade e taninos bem educados, acabam por ser as rédeas necessárias para trazer alguma serenidade neste Cavalo Maluco. Final longo, vibrante e com muita especiaria e cacau. Pena é a quantidade de sedimentos que este vinho mostra, mesmo decantado com algum cuidado, o copo fica pintado e marcado de pequenas partículas. Não faz mal à saúde, mas não é muito elegante. É mais um excelente vinho das Terras do Sado, e que mostra que o Capitão da Portocarro não brinca em serviço.

Nota 17,5
Preço 20 euros
Produção 3.000 garrafas

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Rolan Colheita Seleccionada 2005

Depois de provado o Alvarinho Rolan 2006, apresento agora o Rolan Colheita Seleccionada 2005, um Alvarinho de Valença do Minho, com as vinhas plantadas ao longo do Rio Minho. Este colheita seleccionada é feito um pouco ao estilo do Albariño, com fermentações prolongodas em inox sobre as borras durante 5 semanas. Este aspecto vai buscar muito mais corpo e muito mais personalidade, mas no entanto perde-se a frescura habitual de um vinho menos extraído. Apesar de ser um Alvarinho, não pertence à sub-região de Monção, logo não tem no rótulo Vinho Verde mas sim Vinho Regional Minho.

Com 13%Vol e uma cor amarelo com reflexos dourados de boa concentração.
No nariz, mostra muita fruta tropical, laranja, toranja, mel e tomilho. Está um aroma muito intenso e penetrante, com boa complexidade. Mostra alguma evolução positiva e permite que deixemos subir a temperatura, mostrando alguns frutos secos e uns aromas mais adocicados, sempre num tom exuberante e muito afinado.

Na boca, muito untuoso e bem estruturado, faz-nos crer que o vinho passou por madeira, mas o que houve foi muita extracção. Nada pesado ou doce, pois tem uma boa dose de fruto fresco, algum vegetal e um acidez refrescante. Intenso, perfumado e extremamente delicado neste corpo largo. Final longo, persistente, com notas de toranja e algumas ervas aromáticas. Os dois anos que passaram quase não se notam, a não ser nos ganhos de complexidade. O vinho pede claramente que se beba à mesa, com peixe no forno ou mesmo com uma carne. Um Alvarinho de 2005 de grande nível, num estilo sério e mais encorpado. O melhor deste vinho é mesmo a qualidade... Ah e o preço. É fantástico.

Nota 17
Preço 6 euros

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Campolargo C.C. 2004

Este ícone do produtor Bairradino, Manuel dos Santos Campolargo, é feito com um lote muito peculiar. Tem 50% de Castelão Nacional e 50% de Cabernet Sauvignon. A fermentação é feita em separado em lagares tradicionais, com posterior estágio em barricas de Carvalho Francês.

Com 14,5%Vol. e uma cor rubi profunda.
No nariz, mostra uma grande complexidade, com aromas muito intensos de couro, animal e pimenta preta. O Cabernet Sauvignonestá bem presente neste tom austero, mineral com fruto vermelho e vegetal de boa qualidade. A madeira está bem presente mas longe das modernices abaunilhadas. Aqui tudo está sério e com extrema força.

Na boca, com a fruta um pouco em segundo plano, aparecem notas mais clássicas da compotas e licor, com uma acidez elevada, chocolate e boas notas de barrica. O vegetal volta a marcar num corpo generoso mas muito bem apoiado pela elegância dos taninos finos. É um vinho que nos obriga a prová-lo com calma, deixando o vinho abrir no copo, pois está já com uma complexidade notável, soltando um novo aroma aqui e ali, sempre robusto, sério e imponente. Final muito comprido e mineral, cheio de suavidade.
Estes atributos não são sinónimos de um vinho extraído demais e encorpadíssimo, antes pelo contrário, é sinónimo de um grande vinho, com o Cabernet Sauvignon e o Castelão muito bem trabalhados. Duas castas difíceis mas que por vezes fazem excelentes vinhos. Pode-se guardá-lo? De certeza que sim.

Nota 17,5
Preço 20 Euros
Produção 5,283 garrafas

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Altas Quintas 2005

Depois do sucesso que foi o lançamento da colheita de 2004, anunciando um projecto de grande envergadura em plena Serra de São Mamede, perto de Portalegre, eis que surge a segunda colheita deste vinho, com clara obrigação de prestar provas e de se manter num nível de boa qualidade.
Como se sabe, é mais um vinho apadrinhado pelo Paulo Laureano, e aqui nestas terras altas, o enólogo opta por fermentar o lote em balseiros de Carvalho Francês, seguido de um estágio de 12 meses em barricas da mesma origem. É portanto um vinho que não sente o inóx na sua produção. As castas do lote são a Trincadeira, a Aragonez e a Alicante Bouschet.

Com 14,5%Vol. e cor granada profunda, com rebordo violáceo.
No nariz, o perfil já mostrado na colheita anterior volta a estar presente, com as notas de barrica em destaque. Cedro, café fresco e muito tabaco inundam o aroma, num tom fino e distinto. A fruta está por aqui a tentar mostrar-se, cassis e bagas silvestres. Aroma complexo e elegante, longe das exuberâncias e extracções desmesuradas.

Na boca, entra delicado mas com grande profundidade, intenso nas notas balsâmicas e mentoladas, chocolate preto e alguns tostados. Taninos finos e discretos num vinho de acidez inviolável. Uma vez mais mostra grande classe e elegância, mas está muito apoiado pelas notas da madeira. Certamente que o tempo só lhe fará bem, mas bebê-lo já é um prazer, tal é a suavidade e a cremosidade com que forra o palato. Final fresco e mineral de boa persistência. Deixa alguma indecisão, pois o vinho parece estar já construído, mas a madeira impera. Um vinho que vale a pena provar ao longo deste ano para se tirar conclusões.

Nota 17
Preço 18 euros