terça-feira, novembro 06, 2007

Douro Boys - Os Quinta de Vale Dona Maria Tintos de 2005

Tarde e a más horas venho colocar a ultima levada de tintos provados na MasterClass do dia 5 de Setembro no Aquapura. Sem querer mostrar-me preguiçoso ao não querer apresentar a Quinta onde Cristiano Van Zeller e Sandra Tavares da Silva fazem os seus vinhos, sugiro que leiam este belo registo do próprio Cristiano, no seu site. Se tiverem paciência para o lerem, verão que vale a pena pois é uma bela apresentação.

Casa de Casal de Loivos 2005
Este rótulo, recordando a espectacular casa do Séc.XVIII que está instalada no cimo do Pinhão. Feito em lagares de granito, com estágio em barricas novas de carvalho francês durante 18 meses ( 50% novas). Mostra um aroma bem maduro, carregado de fruto vermelho, alguma esteva, com a madeira integrada com boas notas de tabaco e alguma baunilha. Na boca está bem volumoso, com alguns taninos secos e alguma aspreza no final de boca. Embora no nariz se preveja um estilo madurão, a acidez elevada traz alguma frescura no final de boca. São 3800 garrafas.
Nota 16

Quinta Vale Dona Maria 2005
Ícone do produtor, este vinho é fermentado os lotes separados em lagares, passando depois para barricas novas (70%) e usadas de várias casas de Carvalho Francês. Com um aroma austero e muito profundo, carregado de personalidade, nota-se muita fruta preta refinada e alguma dose mineral. Excelente madeira, tom especiado e aroma a café fresco trazem ao conjunto um nariz muito complexo e fresco. Na boca está muito fino, com taninos luxuosos, estruturado q.b. conseguindo ter uma elasticidade enorme, pois a elegância é ponto assente, apesar do bom volume de boca. Acidez elevada mas não exagerada, num final longo e mineral. Para quem já esteve no Douro sabe que não é fácil fazer 20.000 garrafas desta qualidade.
Nota 17,5

CV-Curriculum Vitae 2005
Topo de gama, feito com todos os cuidados e criteriosa selecção, este vinho provém de vinhas velhas ( 80 anos), viradas de Norte a Oeste. Estagiado em 100% de barricas novas, e com 15%Vol mostra um aroma elegante, muito fino, cheio de terroir, ainda mais persuasivo que o anterior, mas também um pouco mais fechado, a pedir mais atenção. Chocolate, tabaco fresco, fruto preto e algum floral dão-nos ideia de uma complexidade em ascenção. A madeira está bem vincada e dá uma ideia de requinte. Na boca, mostra um estilo bem estruturado, cheio de vigor, com taninos elegantes. Acidez uma vez mais fantástica, tostado, com um final longuíssimo e muito profundo nas notas especiadas. Grande vinho, cheio de expressão do Douro.
Nota 18

Van Zellers 2004
Este vinho é uma nova marca, a um preço mais acessível ( 15 euros). Feito com vinhas novas ( 7 a 20 anos, com estágio em barricas de carvalho francês de 2º ano. Bem mais quente no aroma, com notas tostadas, café, erva seca e alguma componente vegetal a mostrar um estilo completamente diferente do produtor, e do ano de colheita claro. Um pouco marcado pela madeira e pelas notas tostadas, quer no aroma, quer no palato. A fruta está presente, com um comportamento na boca polido, já arranjadinho para se beber, com bom volume de boca. Taninos calmos, acidez bem colocada, dá-nos um final mediano, fumado e com notas de terra bem marcadas. Um vinho a conhecer, mas que não prima pela diferença. 5750 garrafas.
Nota 15,5

DFJ Merlot & Touriga Franca 2002

A DFJ Vinhos é uma companhia de vinhos 100% portuguesa, fundada em 1998, e orientada para a exportação, maioritariamentepara o Reino Unido, Alemanha, USA, Canadá e paises nórdicos. Em 2005 (apenas 6 anos após ter sido fundada) a DFJ recebeu em Portugal da “Revista de Vinhos” o prémio da “Empresa de vinhos do ano”. A DFJ controla directamente a produção de mais de 400 ha de vinhas em Portugal, em quintas, maioritariamente nas regiões vitivinícolas da Estremadura, Ribatejo, Douro e Alentejo. Esta empresa é encabeçada pelo enólogo José Neiva. O portfólio da empresa é bastante extenso, sendo talvez dos produtores nacionais com mais referências disponíveis!
Este Touriga Franca&Merlot, oriundo da Estremadura, é feito com partes iguais de cada casta, estagiando depois 5 meses em barricas de Carvalho Americano, Francês e Português.

Com 13%Vol mostra uma cor granada de média concentração com ligeiro rebordo evoluído.
No nariz, mostra um aroma já bem evoluído, com algumas notas de carne, geleias e algumas notas terrosas. O lote é curioso e mostra-se com alguma complexidade, com boa componente vegetal típica do Merlot, com muito fruto vermelho e alguma menta.

Na boca, uma entrada suave e macia, com os taninos bem arredondados. Com a acidez ligeiramente espigada, o vinho parece já ter tido uma melhor fase, pois está tudo muito redondo e nota-se um ligeiro desequilíbrio no conjunto. Especiarias e fruto vermelho dão um bom perufme na boca. O final é algo curto, com notas de geleia e algumas lembranças tostadas da madeira. Um vinho com um lote bem feito e que parece ter potencial, mas este ano de 2002, não muito famoso, parece já ter dado as últimas. Beba-se já! A rolha também não estava com vontade de aguentar muito mais tempo.

Nota 15,5
Preço 5,9 euros

Odisseia 2005

Já não é a primeira vez que publico no Vinho da Casa esta marca. Publiquei um excelente e poderoso Touriga Nacional 2004 e um Little Odisseia 2005. Este é um vinho intermédio, um tinto da colheita de 2005 com Tinta Roriz e Touriga Franca do vale do Távora, Douro. Vinificados em lagares de granito, e fermentados em inox, apenas 10% do lote estagia em barricas de carvalho Francês.

Com 13%Vol e uma cor rubi jovem de boa concentração.
No nariz, austero, bastante jovem e com algum nervo, mostra claramente um bom perfil mineral. O fruto está presente, cerejas, amoras, mirtilios, aliado a um tom herbáceo. A madeira está discreta mas integrada, assim como um certo aroma químico mostram um aroma equilibrado, ainda que muito jovem.

Na boca, de corpo médio/alto, o vinho volta a mostrar a sua raça, com alguma dureza taninosa até. Acidez alta, uma vez mais nota-se neste produtor o estilo de fazer vinhos mais durões e capazes de evoluír em garrafa, sem nunca optar por marcar muito a madeira. Chocolate e fumo dão algum aspecto mais alegre. Fruto denso e perfil balsâmico proporcionam um bom final, frio, vincado e ligeiramente seco. É um vinho virado para a mesa, com o álcool muito bem comedido, a precisar de pratos tradicionais e que o tempo arrefeça mais um pouco. Em frente à lareira este vinho certamente agradará.

Nota 16
Preço 7 euros
Produção 9.700

Chaminé 2006

Este tinto, oriundo das Cortes de Cima, prestigiado produtor Alentejano, foi dos vinhos que eu bebia com alguma frequência quando me estava a iniciar nesta paixão. Aliás, lembro-me mesmo de ter bebido um Chaminé 2001 em Ponte de Lima com a minha irmã e cunhado e de ter ficado deliciado. Os tempos passam, o paladar afina-se, o nariz apruma-se mas o vinho continua igual, a ser feito com paixão, com esforço com muita dedicação. Anos diferentes, a filosofia do Chaminé é a mesma. Um vinho de entrada de gama, feito para agradar no dia-a-dia. Com base em Aragonês e Syrah, o vinho é desengaçado por completo e totalmente vinificado em inox.

Com 14%Vol mostra um cor granada de média concentração.
No nariz, alegre e com vontade de alegrar, mostra muita cereja e muita compota. Boa dose vegetal, lembrando vegetação primaveril. Alguma especiaria desenvolve no copo dando um toque mais exótico. O aroma é muito limpo e arejado sem grandes rodeios, mas também não foge muito da linha.

Na boca, directo e ligeiro, a dose de fruta compotada e a componente vegetal voltam a mostrar-se. A acidez mediana não deixa o vinho caír, apesar da doçura estar presente. Final especiado e frutado de média duração. Um vinho que cumpre com aquilo para que foi definido, que se portará muito bem ao lado de pastas e pizzas com os amigos, mas sempre ligeiramente refrescado ( 14/15ºC). Mas não se pense que é um vinho assim tão básico. Dentro da sua gama, apresenta qualidade colheita após colheita e dá muito prazer a quem o bebe.

Nota 15
Preço 6 euros
Produção 900.000 garrafas

segunda-feira, novembro 05, 2007

Azamor 2004

O primeiro contacto que tive com este vinho, da colheita de 2003, foi na sua terra natal. Na altura, quando fui visitar o Copo de 3, provámos entre outros um vinho de Vila Viçosa, bastante fresco e com alguma complexidade no aroma, com ares de um lote um pouco diferente do habitual... Pois bem, agora tive a possibilidade de ir a jogo com este 2004. Este Azamor, é feito essencialmente com Syrah, Merlot, Alicante Bouschet e Touriga Nacional com parte do lote (30%) a estagiar em barricas de Carvalho Francês e Americano durante 7 meses.

Com 13,5%Vol. e uma cor granada de boa concentração.
No nariz, o aroma está maduro e composto, com o fruto vermelho a marcar o primeiro impacto. Um lado mais quente aparece, com alguns toques de borracha/alcatrão e terra. Apesar de estar mais Alentejano que o 2003, está com um perfil muito próprio. Aparece também um lado vegetal, (menta) a dar alguma frescura. A madeira surge bem integrada, dando alguma harmonia.

Na boca está bem estruturado, com taninos já bem macios. Boa acidez, fruto fresco, sempre num tom fresco e sem pesar. Acidez média/alta a dar alguma elegância na boca. O bom volume de boca aliado à suavidade no palato, dá a ideia de o vinho estar num bom momento para ser bebido. Redondo e subtil nas notas da madeira perfeitamente ligadas ao vinho. O final é longo e persistente com notas torradas e de compotas.
Um vinho que dá prazer, a mostrar que não precisa de mais tempo de garrafa, pois está pronto para ser bebido.

Nota 16
Preço 8 Euros
Produção 70.000 garrafas

segunda-feira, outubro 29, 2007

Quinta das Marias Branco 2005

Este produtor, já aqui abordado quando provei dois belos Tourigas Nacionais, ganhou recentemente um prémio honroso. Falo-vos do prémio de produtor revelação do ano no guia Vinhos de Portugal 2008. Este branco de 2005 é um vinho de lote, no entanto em 2006 o produtor optou por apenas produzir Encruzado. Tem então quatro casta típicas do Dão, Encruzado, Malvasia Fina, Bical e Cerceal que tiveram fermentação parcial em barricas novas de Carvalho Francês durante 5 meses. Provei-o no ínicio deste ano, mas achei que estava ainda muito jovem e que um tempinho de garrafa lhe era saudável. Provado agora, deparei-me com o seguinte:

13%Vol e uma cor amarelo de boa concentração, com ligeiros reflexos dourados.
No nariz, muito afinado e de bom impacto aromático inicial com fortes notas de fruto tropical e flores da primavera. Intenso nas notas minerais e citrinas, folha de laranjeira, a madeira está discreta mas dá-lhe um tom nobre e sério. Um aroma muito cativante, onde não se perdeu frescura, mas ganhou-se complexidade e até já alguns toques melados.

Na boca, largo e estruturado, tem alguma untuosidade que nos dá vontade de percorrer o vinho pela boca e ficar a deliciar-nos com a elegância e frescura que ele nos transmite, associado a um belo perfume aromático. Perfeito na acidez, alta e muito bem colocada. As notas minerais e algum fruto maduro proporcionam um final de média duração, com ligeira doçura e algumas notas de baunilha. Muito interessante na prova, com um aroma cativante, e com bom comportamento na boca, ficando apenas o final de boca a pecar um pouco por defeito, embora tenha alguma complexidade, precisava de mais persistência e profundidade. O tempo fez-lhe bem e certamente não estará a beira do precipício, antes pelo contrário. Belo branco do Dão. Impecável à mesa com um arroz de perca. Ah e o preço dele? É dado... É pena é serem poucas garrafas...

Nota 16,5
Preço 5 euros
Produção 3300 garrafas

quarta-feira, outubro 24, 2007

Dona Berta Reserva 2004

Não só pelo Rabigato se ficam os vinhos Dona Berta. Em matéria de tintos o produtor apresenta um Reserva 2004 e um Vinhas Velhas 2005, este último com poucas garrafas ( cerca de 2.000). Este tinto é feito com as castas tradicionais do Douro. Parte da fermentação e o estágio dá-se em barricas de carvalho francês americano.

Com 13%Vol mostra uma tonalidade rubi de mediana concentração.
No nariz, contido na exuberância, mas expressivo e profundo. Notas de fruto vermelho, chocolate preto e erva seca, tudo muito suportado por uma mineralidade bem característica daquela região fria. Ligeiras mas boas notas de couro trazem ao vinho um lado mais rústico. A madeira, presente e bem integrada dá ao vinho uma certa sensação tostada.

Na boca, o vinho entra de forma educada e com suavidade, taninos sedosos e nada desfraldados. Acidez bem colocada, estrutura mediana, num vinho que prima pela elegância e capacidade de dar prazer do que pela exuberância pastosa e frutada na boca. O final é de bom nível, fresco e com apontamentos de tabaco e alguma especiaria. Está um vinho bem interessante, certinho e direitinho, virado para a mesa e pronto a beber. Um aplauso para o pouco álcool, quer no branco quer no tinto.

Nota 16

Dona Berta Reserva Rabigato 2006

Hernâni Verdelho, tem na Quinta do Carrenho (Douro Superior), bem perto da pacata aldeia de Freixo de Numão, as suas vinhas. No vinho branco, o produtor tem um varietal de Rabigato, provavelmente o único no país. É um Reserva Branco 2006, proveniente de vinhas velhas ( mais de 150 anos) e vinha mais nova, trabalhado sempre em inox, com battonage durante 3 meses.


Com 13%Vol e uma brilhante cor amarelo claro.
No nariz, mostra nervo e frescura bem vincada, com um aroma marcadamente mineral. Muita folha de limoeiro, malmequeres e sensação de relva fresca continuam a marcar passo no lado fresco do vinho. Com a abertura no copo, desenvolvem-se alguns aromas a manga e algumas fruta de caroço. Um aroma muito fino e delicado, ainda algo fechado, provavelmente irá desenvolver um belo aroma com o tempo em garrafa.

Na boca, encorpado e com alguma untuosidade, o vinho mostra um perfil sério e com um conjunto muito interessante, com uma acidez crispante, onde as notas citrinas e boas notas vegetias imperam. Fresco e refrescante com. O final é assertivo, longo e com boas notas minerais. Fez-me pensar, várias vezes, que estava a provar um Encruzado do Dão, ainda na fase fechada. É um vinho com grande potencial, perfeito para a mesa, mas que precisa de ganhar coragem para se mostrar. Com o tempo vai lá certamente... Pode perfeitamente ser provado desde os 10ºC até aos 14º, pois a excelente acidez suporta o vinho, e a uma temperatura mais alta o aroma e o comportamento na boca melhoram bastante.

Nota 17

segunda-feira, outubro 15, 2007

Douro Boys - Os Vale Meão Tintos de 2005

Bem lá no Alto Douro, perto de Foz Côa fica a Quinta do Vale Meão. Esta Quinta foi adquirida por Dona Antónia Adelaide Ferreira ( A Ferreirinha) no final do século XIX. Actualmente é a família Olazábal, ainda descendente de Dona Antónia, que é a proprietária. O projecto iniciou-se em 1999, e actualmente são produzidos 3 vinhos, o Meandro, o Quinta do Vale Meão, e o Quinta do Vale Meão Vintage.
Em prova estiveram presentes o Meandro 2005 e o Quinta do Vale Meão 2005

Meandro 2005

Feito com 5 castas, onde predomina a Tinta Roriz, seguido da Touriga Franca e Touriga Nacional, todas vinificadas em separado. Pisado a pé em lagares de granito durante 4 horas, passando para o inox onde se deu fermentação. Estagia depois em barricas de 2º e 3º ano até ao engarrafamento em Julho de 2007.
Com um aroma bem expressivo e carregado, mostra muito fruto preto aliado a um perfume de vegetação intenso. Cheio de nervo no nariz, algum mineral com a barrica bem integrada, garantindo notas de tabaco em sintonia com chocolate preto. Nariz fresco sempre num perfil um pouco extraído. Está bem na boca, austero e encorpado, com uma grande dose de fruta e alguma frescura, boa acidez embora tenha algum peso devido à concentração. Taninos secos e ligeiramente agressivos ainda. Final frutado e com alguma persistência. Para a mesa e para dar prazer a um preço convidativo. É preciso é esperar por ele. Um pouco mais fresco que o 2004, mas ainda assim com um perfil bem maduro.
Nota 16,5

Quinta do Vale Meão 2005
Com apenas 3 castas, Touriga Franca, Tinta Roriz e com forte predominância da Touriga Nacional (65%), o vinho é também pisado a pé e vinificado casta a casta. O estágio é feito em madeira francesa nova e de segundo ano. Engarrafado também em Julho de 2007.
Com a Touriga Nacional em evidência, com toques muito elegantes de alfazema e violetas. Fez-me logo pensar num Touriga do Álvaro de Castro tal é a exuberância controlada, isto é, com classe. Um aroma muito apelativo, com boa dose de pimenta verde, bastante complexo, muita mineralidade, com a madeira plenamente ligada com fumados, alguma baunilha ligeira e uma tosta muito fina. Na boca está com uma entrada educada, cheio de estrutura, mas com o tanino fino. Enérgico e com uma profundidade enorme. Acidez fantástica, com muito cacau e notas de tabaco conjugadas com um bálsamo refrescante. Final longo e de grande qualidade. Um vinho fantástico, o melhor Vale Meão ( entre 99,01 e 04) que provei. Um grande, grande vinho... Mais uma flecha que me acertou.
Nota 18,5

domingo, outubro 14, 2007

Monte Seis Reis Syrah 2004

Depois de apresentado o Tinta Caida, volto ao Monte Seis Reis para falar sobre o varietal de Syrah. Este monocasta de 2004 é a segunda colheita a vir para o mercado. Fermentado em inox, o vinho estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14,5%Vol o vinho mostra no copo uma coloração granada de boa concentração, com ligeiro rebordo violeta.
No nariz, expressivo q.b., tal como o Tinta Caiada, com alguma exuberância e marcado por uma sensação de baunilha e algodão doce. Este primeiro conjunto de aromas está ligado a um forte aroma de borracha, fruto muito maduro, ameixa e cereja. Com alguma complexidade, sempre num estilo new world e pesadote, aparecem também algumas notas de casca d'árvore e alguns torrados. A fruta está em grande quantidade, e sempre num estilo madurão e muito concentrado.

Na boca, com alguma suavidade, o vinho apesar de corpulento, tem já os taninos educados. Com baixa acidez e falta de profundidade, cheio de extracção, carrega-nos a boca de fruto maduro bem ligado com notas do estágio, especiarias, tabaco e alguma baunilha. Apesar de proporcionar um final persistente, as notas de compotas e o toque doce acabam por pesar um pouco. Não é nem de perto um Syrah fresco e alegre, é um Syrah feito para ser bebido fresco, pois o álcool é elevado e a acidez é baixa. Talvez com alguma gastronomia alentejana a coisa mude de figura. Os 15 euros terão que ser bem pensados, mas acreidto que haja consumidores que gostem deste estilo "docinho". Eu não sou muito fã.

Nota 15,5
Preço 15 euros
Produção 14.000 garrafas

segunda-feira, outubro 08, 2007

Monte Seis Reis Tinta Caida 2004

Já o ano passado tinha provado os vinhos de entrada de gama deste produtor alentejano. Na altura provei o tinto Bolonhês 2003 e os Boa Memória branco 2004 e tinto 2003. O Monte Seis Reis, (que tem um espectacular site online em www.seisreis.com) tem, durante o ano várias exposições na sua adega, mostrando que o vinho além de um "produto alimentar" tem também uma forte vertente cultural. Este varietal de Tinta Caiada fermenta em lagares com pisa a pé, passando para barricas de carvalho francês onde estagia 9 meses.

Com 13,5%Vol, este tinto apresenta uma cor violácea de boa concentração.
No nariz, o primeiro impacto dá-nos a noção de muita extracção, com muitos aromas intensos. Forte expressão floral, lembrando perfume feminino, vegetal, alguns aromas mais quentes, com carvão, marmelada e um fundo animal de bom nível. A fruta está cá e mostra-se bem madura, no estilo compotado aliada a uma boa dose de especiarias. Um nariz muito exuberante, com alguma complexidade, mas também vaidoso que acaba por pecar num tom enjoativo. Madeira perfeitamente integrada nesta mescla de aromas.

Na boca, bom volume de boca, o vinho mostra-se denso, apostando novamente em mostrar tudo ao mesmo tempo. Goma, vegetal e muitas compotas tornam a pesar um pouco. Descobre-se uma ligeira doçura. Taninos elegantes e estruturados, a boa acidez permite que tenhamos um final persistente, mas com muita especiaria doce e uma grande dose de baunilha. Um vinho que não prima pela elegância e sobriedade, dá uma boa prova, com muitos descritores, no entanto acaba por nos cansar um pouco à mesa. Dar-lhe tempo em cave pode ser uma boa opção.

Nota 16
Preço 14 euros
Produção 7.000 garrafas

domingo, setembro 30, 2007

Douro Boys - Os Quinta do Crasto Tintos de 2005

As primeiras referências conhecidas referindo a Quinta do Crasto datam de 1615, tendo sido posteriormente incluída na primeira Feitoria juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Um Marco Pombalino datado de 1758 pode ser visto na Quinta.

O Douro Boy Miguel Roquette ofereceu-nos talvez o momento mais hilariante e cómico do dia quando pediu desculpa ao Hotel por ter urinado na cascata de água que havia na casa-de-banho dos homens ( pelos vistos na das senhoras também havia...). Eu, tal como muita gente presente, não me contive e "parti-me"a rir, virando-me depois para o Luís Antunes da Revista dos Vinhos dizendo-lhe, "Nós fizémos o mesmo!!" Lembro-me que na altura até aplaudimos o facto de ser um urinol bastante limpo!

Bem, falemos de vinhos, e que vinhos!

Quinta do Crasto Reserva ( old vines) 2005
Este vinho, muito apreciado por todos os enófilos, é feito de vinhas com mais de 60 anos, onde se contam cerca de 30 castas misturadas. Estagiou em barricas de carvalho americano e francês durante 20 meses até ao engarrafamento em Abril de 2007. Com um aroma inicialmente mineral, cheio de fruto preto, denso e floral. Austero e até algo tímido no aroma, longe de se querer mostrar logo à primeira, nota-se um vinho complexo com a madeira bem integrada no aroma, com especiarias e algum fumado. Na boca, generoso e com vivacidade, os taninos são finos mas ainda com algumas arestas por limar. Forte dose de fruto fresco e notas de baunilha, o final é longo e perfumado. São 85.000 garrafas a bom preço, cerca de 15 euros lá fora!
Nota 17


Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Apenas engarrafado nos anos em que se atinge um alto nível de qualidade, este vinho é feito com 100% de uvas da casta Touriga Nacional. Estas vinhas de Touriga têm apenas 20 anos. Pisado a pé e fermentado em lagares, o vinho estagia depois em barricas de carvalho francês durante 18 meses. Com um nariz muito apelativo e exuberante, embora não enjoativo, pois a Touriga mostra-se densa e bem madura. Perfumado de violetas, fruto preto refinado, amoras q.b. algum químico. A madeira mostra-se bem integrada, com um lado tostado e uns toques especiados. Explosivo no aroma, muito complexo e cheio de profundidade. Na boca é volumoso, sedutor e mastigável. Chocolate preto e notas de tabaco juntam-se ao conjunto complexo. Taninos finos e excelente acidez, num final longo, cheio de intensidade e claramente crescente. Uma das melhores Tourigas que provei. Excelente mesmo! 7.000 garrafas produzidas.
Nota 18

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005
Quem espera sempre alcança. Pela primeira vez tive oportunidade de me encontrar com este ícone da Quinta do Crasto ( agora falta-me a Vinha da Ponte). A Vinha Maria Teresa com cerca de 90 anos é uma das mais antigas da Quinta do Crasto.
Cheio de expressão, nota-se aqui talvez o terroir, com aromas de terra húmida, fumo, café fresco, fruto fresco, bálsamo e um perfil floral expressivo. Nariz ultra-complexo e a pedir tempo para se desembrulhar no copo. Fruta aqui, floral ali, toque mentolado acolá, tudo está aqui arrumado e a pedir a atenção do provador, tudo muito apoiado pelas excelentes notas tostadas da barrica. Com grande estrutura na boca, taninos ainda algo duros e com boa acidez, o vinho tem um comportamento fantástico na boca, conseguindo ser incisivo e cheio de carácter. Com muita fruta em compota e uma brisa floral fresca, oferece-nos um final lôngevo, sedoso e compridíssimo com boas notas de tabaco e fumo. A elegância e a classe aparecem no fim como que a dizer que assim que os taninos se arrumarem, terá um comportamento no palato de grande nível e muito fino. Um vinho a beber nos próximos anos e a precisar de muito tempo de cave para atingir o seu auge, certamente. Para primeira experiência, convenceu-me e de que maneira.
Nota 18,5

Este produtor apresentou 3 belíssimos vinhos, onde os dois últimos foram umas autênticas flechas ao coração. Um Touriga diferente de todos os outros, e nada enjoativo na exuberância e um Maria Teresa belo, com charme e classe suficiente para despertar qualquer enófilo.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Quinta do Cerrado Encruzado 2006

Este branco feito exclusivamente de Encruzado da Quinta do Cerrado, ao contrário do outro monocasta deste produtor, apenas passa em inox.

Com 13%vol. e um cor amarelo citrino de leve concentração.
No nariz é menos expressivo que o Malvasia Fina como se esperava, no entanto é mais profundo e apresenta umas notas minerais intensas, flores brancas, com algum vegetal fresco que lhe dá um nervo interessante. Citrino e bastante fresco, precisa talvez de um pouco mais de tempo para se mostrar, tal como os bons encruzados.

Na boca, com alguma estrutura, acidez bastante alta, fresco e novamente mineral. Com uma boa dose de fruta de caroço, ameixa branca e temperado com notas citrinas. O final é incisivo, com alguma complexidade, muito equlibrado e sobretudo fresco. Um vinho mais frio que o Malvasia, mas também com mais elegância e com maior potencial de guarda certamente.

Nota 16
Preço 5 euros

Quinta do Cerrado Malvasia Fina 2006

A Quinta do Cerrado, que pertence à União Comercial da Beira, apresenta em 2007 dois brancos monovarietais de castas bem conhecidas e que têm dados bons resultados no Dão, Malvasia Fina e Encruzado. Este Malvasia Fina 100%, foi em parte fermentado em Carvalho Nacional, onde estagia depois durante dois meses.

Com 13%vol apresenta uma cor amarelo citrino de média concentração.
No nariz dá-nos a noção de um aroma já bem integrado, com harmonia e muita expressão. Esta exuberância mostra notas de maçã golden, alguns frutos exóticos, ervas aromáticas e uma envolvência ligeiramente abaunilhada da tosta da barrica. Está bastante alegre e cativa-nos para o provar.

Na boca, com alguma untuosidade, fresco e com bom corpo e uma vez mais forte presença aromática. Não se torna minimamente enjoativo graças a uma acidez bem colocada. Notas de fruto citrino e exótico, o final é prolongado e algo adocicado apostando na fruta branca e alguma especiaria. Um vinho a conhecer, monocasta nada cansativo, onde a ligeira doçura que apresenta convida a ser bebido à mesa com comida oriental. Muito bem para o preço.

Nota 16,5
Preço 5 euros

segunda-feira, setembro 24, 2007

Douro Boys - Os Niepoort Tintos de 2005

Dirk Niepoort apresentou os seus vinhos tintos de 2005, explicando que, na opinião dele e dos que trabalham com ele, desde 2004 que se têm feito "coisas" que estão dentro daquilo que para eles é a definição de vinho de grande qualidade, frescos, com boa acidez, bom potencial de envelhecimento e, sobretudo, que sejam melhores à mesa que nas mesa de prova. É bem sabido que 2004 foi um ano espectacular para os tintos da Niepoort, mas Dirk insiste em dizer que 2005 é melhor, e que o objectivo é sempre fazer algo melhor. Em prova este o Vertente, Redoma, Batuta e Charme.

Vertente 2005
As uvas são provenientes da Quinta de Nápoles, vinha com cerca de 20 anos no vale do Tedo e de vinhas velhas próximas do Pinhão. O vinho fermentou em lagares de inox e estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês. O lote é essencialmente com as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela e Touriga Nacional. Apresenta-se já com um nariz bem apelativo, com muito fruto vermelho, cereja, violetas, especiaria e uma boa componente balsâmica. Na boca é fresco, ligeiramente mentolado, com os tanino bem domados e equilibrado. Final com carácter, mineral e com toques tostados. Um bom vinho para quem se quer aventurar ( um pouco mais de 10 euros) no universo Niepoort.
Nota 17

Redoma 2005
O Redoma é como o Douro, com grande carácter e personalidade. O 2004 foi um vinho que me encheu as medidas e que é difícil de o esquecer. Já o disse e provei ultimamente outra vez e fiquei deliciado. Este 2005 fermenta 50% em lagares e 50% em inox, indo depois para as barricas durante 18 meses. As vinhas que dão origem ao Redoma têm mais de 60 anos e são quase todas viradas a norte, para as uvas conseguirem ter maturações mais prolongadas e equilibradas. Cheio de expressão no aroma, intenso e complexo. Terra, ameixa, forte mineralidade, ervas aromáticas ( esteva, urze) e alguma marmelada, finamente casado com a madeira, tabaco, com alguma tosta e ligeiros fumados mostram um aroma muito complexo. Na boca, cheio de fruta e boa estrutura, com taninos presentes mas sem marcar demasiado a boca, o final é longo, fresco e com toques do estágio na madeira. É um prazer enorme ter este vinho no copo, embora ainda precise de um pouco mais de tempo em cave para se libertar.
Nota 17,5

Batuta 2005
A base deste vinho é a vinha do Carril, com mais de 70 anos, situada numa encosta virada a norte e outras vinhas velhas com cerca de 100 anos, próximo da Quinta de Nápoles. Fermentou em cubas onde teve uma maceração prolongada que durou até aos 60 dias. Estagia depois durante 20 meses em barricas. Com um aroma muito elegante e fino, com notas de barrica de elevada qualidade, parece que vem vestido de fraque, com fruto preto requintado, fumo, grafite, pimenta da jamaica... Bastante profundo e complexo e que impressiona qualquer nariz mais atento. Na boca, de enorme estrutura e com uma acidez alta, faz com que o vinho passe na boca por todos os lados deixando a sensação de seda, taninos finos e uma vez mais com a madeira a deixar o seu contributo num final longo, mineral, intenso e de grande nível. Um grande vinho em qualquer altura e em qualquer lugar! Como me confidenciou Dirk uma vez num tom de brincadeira, Batuta até com ostras vai bem...
Nota 18

Charme 2005
Um vinho feito de uma forma peculiar, onde os cachos que vêm dos cestos vão, depois de seleccionados, inteiros para dentro dos lagares de pedra de Vale Mendiz. Vai mesmo todo o engaço lá para dentro, bago, pele, graínha, ramada da videira... Tudo! O lote do Charme são vinhas muito velhas de Vale Mendiz, com idades entre os 70 e mais de 100 anos. Depois de fermentado nos lagares, adormece nas barricas durante 16 meses. Mal entra no copo, tem-se a noção que o vinho é diferente de todos os vinhos do Douro, pois a cor e a concentração do vinho é muito pouca. Assim que se mete o nariz no copo, sente-se uma lufada fresca e aromas muito intensos, chá verde, café, folhas de tabaco, muita especiaria, ervas secas... Tudo a um nível de elevada qualidade. Cereja, amoras e alguma maçã vermelha perfazem o conjunto aromático. Na boca mostra-se um vinho muito delicado, com taninos muito elegantes, fresco, a apontar nas boas notas tostadas, num final único, longo e muito perfumado. Um vinho espectacular, expressivo e que nos deixa um enorme sorriso na boca e a vontade de ter umas quantas caixas em casa, para ver como esta obra de arte evolui com o tempo. Fantástico.
Nota 19


Em suma, um produtor de excelência, com vinhos únicos mas também com preços por vezes inacessíveis ao consumidor Português. Para os Americanos e para o resto dos Europeus é bem mais fácil e até agradecem... Beber vinhos de classe mundial por menos de 80 euros às vezes não é fácil, e com estes e outros produtores Portugueses parece ser viável.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Apegadas Quinta Velha 2005

Este produtor que se apresentou no mercado em 2004 com dois tintos, um colheita e um reserva, achou que em 2005 não tinha qualidade suficiente para um novo reserva, optando portanto por reunir esforços num único vinho. Muitas vezes, quando não saiem reservas, o colheita acaba por saír beneficiado e o consumidor só tem a ganhar com isso. O lote provém da combinação de uvas escolhidas de diferentes parcelas da Qta. Velha (Douro), situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional. Estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês, húngaro e americano durante 12 meses.

Com 13%Vol o vinho apresenta um bela cor rubi de boa concentração.
No nariz, com um primeiro impacto floral, alfazema e violetas a perfumarem o copo. Um nariz apelativo e fresco, com amoras, menta e um fundo balsâmico interessante. A madeira, discreta, mostra-se bem integrada, num aroma muito equilibrado onde o baixo álcool permite que o vinho suba a temperatura e desenvolva alguns aromas mais maduros, torrados e alguma baunilha.

Na boca, aposta na boa dose de fruta, aliada a uma frescura balsâmica. Não muito encorpado, com a acidez mediana e os taninos bem integrados, nota-se um vinho já redondo e prazenteiro, a beber com facilidade. Final com algum comprimento apostando nas notas de rebuçado de frutos e ligeiramente abaunilhado.
Está um vinho muito equilibrado, de boa qualidade e onde se nota que o produtor teve mais cuidado com o álcool apresentado. O 2004 apresentava algum desequilíbrio neste aspecto, na minha opinião claro. Veja-se aqui a nota de prova do 2004.

Nota 16
Produção 5.800 garrafas
Preço 7,5 euros

terça-feira, setembro 18, 2007

Douro Boys - Os Vallado Tintos de 2005

Neste texto apenas vou colocar as minhas breves considerações sobre os tintos da Quinta do Vallado de 2005 provados no Douro Boys Master Class. Seguir-se-á a Niepoort, Quinta do Crasto, Quinta Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão nos próximos dias. Por ordem de prova:

Quinta do Vallado 2005
Loteado com as castas típicas da região apenas 15% do lote estagia em barricas de carvalho francês durante 12 meses, onde o resto obviamente fica no inox. 30% do lote provém de vinhas com mais de 70 anos, sendo o restante de vinhas novas com 8 a 12 anos. Com 13,5%VOL e claras notas de ameixa madura, toque de chocolate e algum floral. Na boca mostra um estilo bem alegre, com algum fruto maduro, fresco e de acidez mediana num final ligeiramente fumado e com lembranças minerais. Depois de alguns anos um pouco mais madurões no Vallado (2003 e 2004), parece que se encontrou outra vez um perfil bem mais interessante, talvez lembrando o belo tinto de 2001 que ainda há bem pouco tempo bebi. São 135.000 garrafas produzidas o que é impressionante (em Portugal) face à qualidade do vinho.
Nota 16

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2005
100% Touriga de uma vinha plantada em 1994, com um estágio de 20 meses em carvalho francês. É o primeiro Touriga em extreme desta vinha. Com 14%Vol e um perfil que não esconde a casta, cheio de violetas, embora muito exuberante, o vinho acaba por se mostrar um pouco crú ainda, cheio de força, com a madeira bem vincada e um lado verde algo nervoso. Balsâmico e com notas químicas, o final é ligeiramente seco e amargo a mostrar claramente um tinto de respeito, mas a precisar de repouso. São 12.000 garrafas deste monocasta.
Nota 17

Quinta do Vallado Reserva 2005
Um vinho bem conhecido e sempre muito bem pontuado por todo o mundo, é feito com 70% de uva proveniente de castas misturados de vinha velha ( + de 80 anos). O estágio é feito em carvalho francês durante 17 meses. Menos marcado na madeira que o Touriga, pois também tem um aroma mais austero. Cheio de fruto preto, mirtilios, amoras, chocolate preto com um traço mineral que traz alguma frescura. Nariz bem maduro e complexo. Na boca, balsâmico e com fruto fresco, mostra-se encorpado e com taninos ligeiramente duros que mostram toda a bravura deste vinho. O final é longo, elegante e profundo, com suaves toques de tabaco. Belo tinto, com vigor e muita seriedade. A precisar também claramente de tempo em garrafa. 27.000 garrafas e 1.200 Magnums. Quantidade e qualidade uma vez mais...
Nota 17,5

Quinta do Vallado "No Name" 2005
Esta novidade apresentada pela Quinta do Vallado, ainda não tem nome definido. Trata-se de um vinho feito exclusivamente de umas vinhas muito velhas, com mais de 80 anos, com uma produçao de 500 gramas por videira... O vinho, fermentado em inox, estagia depois durante 20 meses em carvalho francês. Com 14,8%Vol, apresenta-se com vontade de impressionar, cheio de austeridade combinada com elegância. Fumo, fruto preto refinado, ligeira baunilha e uma boa dose de especiarias. Aroma muito complexo e que se desdobra no copo com muita elegância, onde o álcool apesar de elevado não se nota. Na boca, carnudo, hiper-concentrado, cheio de chocolate preto e fruto fresco, apoiado pela barrica muito bem integrada. Final muito longo, expressivo e acima de tudo crescente. Um vinho intenso, onde a acidez é ponto essencial para segurar todo o volume e potência do vinho. Grande tinto. As 2.000 garrafas produzidas serão alvo de cobiça!
Nota 18

Prometo ser breve nos próximos capítulos... Até já!

segunda-feira, setembro 10, 2007

Douro Boys - Prova Master Class


Os Douro Boys acabam de celebrar 5 anos. Juntaram-se em 2002 com o objectivo de pôr o Douro no mapa. E de facto esse objectivo está conseguido! Provavelmente é a região actualmente mais inebriante do país, aquela de onde saltam novidades como pipocas, e de onde topos de gama a preços elevados abruptam nas prateleiras das lojas... Mas quem são os Douro Boys? Pois bem, é um grupo de pessoas essencialmente bem-dispostas, com uma enorme capacidade de trabalho eficaz e sobretudo com uma visão única para o vinho. É deste grupo que saiem vinhos tão badalados como C.V., Batuta,Vale Meão, Charme, Vinha da Ponte, Vinha Maria Teresa, Vallado Reserva (o tal vinho do Mourinho). Temos então Cristiano van Zeller, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira, Francisco Olazábal e Tomás Roquette, todos eles com quintas espalhadas pelo Douro.

No passado dia 5 de Setembro, fui convidado a estar presente numa prova Master Class onde foram apresentados os tintos de 2005, os brancos de 2006 e os Vintages de 2005. O local da prova foi o fantástico, luxuoso e novíssimo Aquapura Douro Valley. Um Hotel e Spa de grande categoria. Depois da prova houve um jantar magnífico criado pelo Chef Emmanuel Soares,que ja trabalhou numa serie de restaurantes com estrelas Michelin (com Gérard Vié, Alain Ducasse, etc.) antes de chegar no restaurante Alma Lusa no Aquapura Douro Valley. Posteriormente houve festa junto à piscina até a lua se cansar de nos iluminar. Estiveram presentes jornalistas portugueses e estrangeiros, onde destaco o grupo da Revista de Vinhos, Blue Wine e Público. Estiveram também presentes alguns produtores e muitos distribuidores e importadores. Toda a prova foi gerida pela Dorli Muhr da empresa Wine-Partners. A si, dou-lhe os meus sinceros parabéns por toda a excelente organização e pelo magnífico evento.



Por razões de logística apenas vou colocar para já os vinhos brancos provados, ficando os tintos e os Vintages para um próximo artigo. Afinal de contas foram provados 33 vinhos antes do jantar.
Destaco ainda um vinho que foi apresentado pelos Douro Boys, o Douro Boys Cuvée 2005, que apenas foi engarrafado em Magnum (712), onde o lote é feito com uma das melhores barricas de cada um. Serão leiloadas dia 30 de Novembro 500 magnuns... Mais tarde publicarei também a nota de prova respectiva.

Deixo também registada a proposta do Chef:
Viagem Inversa de Salmão com um encontro de camarão
Medalhões de Porco Bísaro com um toque vermelho de legumes e flan verde amarelo
Buffet de Sobremesas - Ópera, Frasier, Delícia de Pêra, Tarte de Limão, Queijos, etc...



Brancos (por ordem de prova)

Tiara 2006

Um branco só em inox, vinhas de 400 a 800 metros, com 40% de Códega e 60% de vinha velha ( 60 anos). Com uma clara componente de fruto tropical, cheio de intensidade e mineralidade. Citrino e fresco na boca, com boa acidez e com algum corpo. Final bastante aromático nas notas de lima.
Nota 16,5

Redoma 2006
Fermentado em madeira usada, e com estágio em madeira nova (50%) durante 8 meses, o aroma é neste momento marcado pela tosta e por um lado vegetal, com complexidade, um fundo fresco citrino e mineral. Final longo e harmonioso a lembrar frutos brancos. Belo vinho!
Nota 17

Redoma Reserva 2006
Feito da mesma forma que o "normal", onde apenas foram seleccionados as melhores parcelas. Menos exuberante que o anterior, mas muito mais mineral e incisivo no aroma. Foge um pouco ao perfil de 2005, mas na boca o vinho está muito bem. Cheio de vigor, acidez firme, com um final explosivo e de grande largura. Elegância e acidez natural parece ser a chave para este grandioso branco.
Nota 17,5

Quinta do Vallado 2006
Aroma simpático, algo vegetal lembrando relva fresca. Os aromas frescos imperam neste vinho, ananás, lima e ligeiro floral. Vinho correcto de acidez mediana, com um final com boas notas citrinas.
Nota 15,5

Quinta do Vallado Reserva 2006
Um pouco pesado no aroma, com um excesso de madeira. Intenso e cheio de notas citrinas, embora menos fresco que o Vallado. Com bom corpo, untuoso, mas que acaba por ter uma vez mais a madeira por integrar. Provado um pouco quente também. Por esse facto não atribuo nota.

VZ 2006
Uma brincadeira feita pela Sandra Tavares da Silva e pelo Christiano Van Zeller.
Aroma tostado e cheio de elegância, fortíssimo nas notas de lima, toranja e algum vegetal. Boca de acidez fantástica, quase crocante e intensamente perfumado. Final longo e picante. Um belo vinho, uma excelente novidade. Promete!
Nota 17

Deixo os meus agradecimentos pessoais aos Douro Boys, à Dorli Muhr e ao Aquapura Douro Valley pelo excelente dia e noite que me proporcionou. Foi um graaaaande evento.


PS - A 1ª foto foi retirada do CD que os Douro Boys ofereceram à imprensa. As outras duas são, obviamente tiradas por mim.

Quinta Seara D'Ordens Touriga Nacional 2004

Voltando aos vinhos da Seara D'Ordens (Douro), falo agora do extreme de Touriga Nacional. Este tinto é vinificado em lagares tradicionais com pisa a pé, onde fermenta, tendo um estágio posterior em inox e 6 meses em barricas de carvalho francês.

Com 14%Vol, escuro e um tom violáceo de boa concentração.
No nariz, o perfil da casta mostra-se logo apesar de não ser tão exuberante como outros exemplares, o que acaba por não enjoar tanto. Violetas, algum toque químico e mentolado, num estilo profundo e intensamente floral. A madeira está bem integrada e traz-lhe um toque moderno, com um ligeiro aroma caramelizado e abaunilhado. Nariz apelativo e fresco, cheio de carácter.

Na boca, com algum volume e bastante alegre, com chocolate e fruto de compota. A acidez é boa e os taninos estão presentes mas não altivos. Fresco e elegante no perfil floral, o final é médio/longo, ligeiramente seco, com algum fumo e notas de terra. O vinho está muito bem feito, com energia e com necessidade de mais um tempo de garrafa para ganhar ainda mais complexidade. Mas para quem quer o carácter exuberante da Touriga, talvez não opte por este vinho. No entanto quem quer um bom Touriga e que dê prazer, a este preço é uma muito boa opção. A produção é que é pequena...

Nota 17
Preço 12 euros
Produção 2000

Altas Quintas Crescendo 2005

Depois do atípico rosé provado pelo Vinho da Casa, chega agora a altura de provar o tinto deste inovador e já bastante reconhecido produtor. Este tinto de entrada de gama da marca Altas Quintas (Alentejo) é feito apenas com Aragonês e Trincadeira, cujo lote estagia durante 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Tem 14%Vol e uma cor granada de boa concentração com reflexos violeta escuro.
No nariz, jovem e com algum nervo, mostra um lado quente e fumado. A madeira está bem presente e a garantir alguma complexidade aromática. Notas químicas (alcatrão), muito fruto preto maduro e um perfil ligeiramente vegetal aparecem com o evoluír no copo.

Na boca, bem estruturado e com um toque acetinado da madeira que este produtor já tem carimbado na minha memória gustativa. Taninos bem elegantes, com algum corpo e uma acidez média. Com profundidade, o vinho propõe um toque balsâmico, chocolate e um final com algum comprimento apostando nas notas tostadas e no fruto bem maduro.
Um vinho bem feito, talvez mais adequado ao preço que o Altas Quintas "normal", mas também talvez mais fácil de se beber. É um tinto que dá prazer à mesa, sempre com o perfil típico mas sem pesar. Paulo Laureano está a fazer mais um belo projecto. Para os mais curiosos, fiquem a saber que ainda falta aparecer no mercado um topo de gama da marca Altas Quintas. Será talvez um garrafeira 2004. A ver vamos.

Nota 16
Preço 8.50
Produção 60.000

terça-feira, setembro 04, 2007

Aneto Late Harvest 2005

Longe vão os tempos em que se dizia: a Touriga Nacional é Portuguesa, o Chardonnay é francês, o Semillon é Bordalês... Pois bem, o enólogo Francisco Montenegro, optou por alargar a gama Aneto, criando agora um Late Harvest, feito exclusivamente com Semillon apenas vindimado em Novembro. Com este tempo tardio de vindima, as uvas estavam botrytizadas, ou seja, atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Após a vindima, optou-se por estagiar o vinho durante 18 meses em barricas novas de Carvalho Francês. O resultado mostrou-se em garrafas de 0,375l com um rótulo ao estilo Sauternes.

Com 12,5%Vol apresenta uma bela cor dourada com laivos alaranjados de média concentração.
No nariz, cheio de expressão e de vontade de impressionar, os primeiros aromas que se mostram fazem-nos lembrar uma tarde chuvosa de outono, com terra molhada e húmus. Os aromas típicos dos LH aparecem em grande evidência, com laranja cristalizada, leite creme queimado, fumo, baunilha e uma clara envolvência de baunilha. A madeira está ainda um pouco por cima do vinho, que apenas nos diz que precisa de um pouco mais de tempo para casar. Ainda assim temos um nariz complexo, exuberante e muito profundo nas notas aromáticas.

Na boca, talvez pensando um pouco no Grandjó ( até à data o único exemplar no Douro estilo Sauternes), dá a sensação de ser mais fresco, menos encorpado, mas sobretudo com uma acidez fantástica. Este Aneto é uma autêntica flecha ao coração para quem gosta de vinhos frescos. Algum fumo, muita fruta branca, onde o vinho nos oferece um final longo, sem pesar, com uma doçura bem presente que se vai evaporando e deixando um toque glicerinado e abaunilhado.

Um grande vinho, talvez não ao nível dos grandes LH, mas na minha opinião é o melhor Português que provei até hoje. Fresco, incisivo e muito muito longo na boca. A precisar ainda de integração madeira/vinho. Bem sabemos que naquela região quem manda é o Porto, mas com apenas 12,5%Vol este Aneto marca pontos.

Nota 17,5
Preço 15 euros

domingo, agosto 26, 2007

Little Odisseia 2005

Depois de provar o excelente Touriga Nacional deste produtor/enólogo francês instalado no Douro, tive oportunidade de provar os tintos de 2005.
A marca Odisseia alargou a sua gama, introduzindo dois novos rótulos, um Little Odisseia, talvez pensado para o consumo diário e despreocupado, e um Reserva, um vinho sério, feito com excelentes uvas e mais virado para um momento especial. Em 2005, não foi feito nenhum Touriga Nacional. Para já publico o Little Odisseia, ficando o Odisseia 2005 ( 16 valores) e o Reserva 2005 (17,5 valores) em stand-by.

Feito com castas misturadas do Douro, o estágio é apenas feito em inox e com uns excelentes 12,5%Vol apresenta uma jovem cor com tons violeta de média concentração.
No nariz, jovem e moderno, com muitos aromas químicos e com uma parte floral bem presente. Os aromas frescos e balsâmicos misturam-se com algum vegetal e frutos pretos num tom correcto, equilibrado e sem desapontar. Um nariz acima de tudo correcto, que apesar de não impressionar, também não deixa a desejar.

Na boca, o vinho continua a mostrar um lado fresco e mineral. Aparece também aqui uma boa componente vegetal, com taninos ligeiramente ásperos e que mostram que o vinho pode evoluír um pouco mais em garrafa, pois o alcoól é pouco e a acidez é elevada. Final de média intensidade tudo a apontar para o fruto preto e o chocolate.

Nota 15

segunda-feira, agosto 13, 2007

Cunha Martins 2006

A União Comercial da Beira, Lda foi fundada em 1942, sendo das empresas mais antigas da Região do Dão. Na década de 80 adquiriu a Quinta do Cerrado onde plantou 20 hectares de vinha e aí instalou uma Adega para vinificação das suas próprias uvas e das uvas que são adquiridas a viticultores da Região. Embora o nome União Comercial possa induzir que se trata de uma cooperativa, a empresa é familiar e está neste momento na sua 3ªgeração.

A Empresa produz azeite, vinhos de mesa, vinhos regionais e vinhos DOC Dão. Na classe dos DOC, são bastante conhecidos os Quinta do Cerrado, embora seja no supermercado onde se vê à venda a marca Cunha Martins a preços mais que convidativos. Este branco Cunha Martins é feito com as castas Bical, Rabo de Ovelha e Encruzado, com um ligeiro (final de fermentação) de um mês em Carvalho Nacional com battonâge.

Com 13%Vol tem uma bonita cor amarelo-citrino de leve concentração.
No nariz, apelativo e nada tímido mostra aromas de maçã Golden, relva e um toque tropical de manga a dar uma boa entrada. Nota-se ainda com o passar do tempo no copo um ligeiro aroma de manteiga que traz alguma complexidade.

Na boca, embora de estrutura ligeira, não é um vinho apenas citrino e refrescante, pois nota-se alguma profundidade aromática, onde a madeira está muito discreta, mas fez o seu papel. Tropical, maçã e ananás, ligeiramente doce embora com a acidez presente. O final é de bom nível, com frutos secos e uma pequena sensação tostada.
Um vinho claramente bem feito, excelente para o preço e que para quem tiver paciência que perca algum tempo com ele, apreciando-o, pois não é mais um branco de verão.

Nota 15
Preço 3 Euros

segunda-feira, julho 16, 2007

Niepoort Vintage 2005

Depois do sucesso que foram os magníficos Vintages de 2003, a Niepoort não lançou qualquer Vintage em 2004, talvez carregando baterias para voltar a encher-nos de alegria e satisfação com mais um grande Vintage. Segundo a Niepoort 2005 foi um ano atípico com dias muito quentes e dias muito húmidos durante a vindima. A produção foi alta mas com bagos bastante pequenos, favorecendo a concentração dos taninos e da cor.

Este Vintage de 2005 é feito com uvas da Vinha da Pisca, Vale do Pinhão e do Ferrão, com as castas, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão e Tinta Roriz, todas elas com mais de 60 anos. Este lote de 2005 já o tenho vindo a provar nesta e naquela ocasião e sempre me deixou com muita vontade que passassem os tais dois anos obrigatórios para se poder ver o vinho engarrafado. Dois anos já passados então, o lote foi engarrafado agora em Julho de 2007, e com isso chega a altura da prova dos nove.

Óbviamente com 20%Vol e uma cor retinta, absolutamente preto com algum reflexo violáceo.
No nariz, extremamente jovem e com uma enorme austeridade, as primeiras notas que surgem são alguns toques químicos ( tinta da china), algumas sugestões minerais muito frescas e uma farta camada de fruto preto, lembrando amoras pretas. Com o tempo no copo, o aroma começa a dar cambalhotas, parecendo que começam a despontar aromas disto e daquilo. Chocalate negro, esteva, terra menta...tudo aqui está perfeitamente harmonioso e com uma frescura ímpar. Não é daqueles vintages novos que cativam à primeira pelas sugestões de compotas muito maduras, mas sim pela enorme frescura e austeridade.

Na boca, estupidamente potente, com grande volume e capacidade de preencher tudo, torna-se mastigável e extremamente viciante. Apesar dos taninos estarem bem presentes, dá muito prazer a provar, pois são finos, com acidez elevada, não muito doce e onde o vinho e a aguardente se mostram perfeitamente integrados. Fruta preta e especiarias dão-nos um longuíssimo final, ligeiramente seco, forrado a cetim, crescente e apelativo. Quando se pensa que beber Vintages novos é como andar de Ferrari, com motores V8 com centenas de cavalos, pneus largos e um barulho estonteante... Aqui com este Vintage, temos o mesmo motor, cheio de vitalidade mas num verdadeiro Bentley. Tudo é fino e elegante, sem nunca enervar ou assutar o provador. Um grande Vintage, feito por uma casa que cada vez mais se afirma nos Vintages ( embora sejam um dos mestres dos Colheita's). Gostei muito do 2003, mas aqui talvez as proporções estejam ainda mais equilibradas, onde a mesma potência existe, mas está mais afinada e sobretudo mais fresco.

Nota 19
Produção 32.000 garrafas

PS - O Copode3 publicou também este Vintage, decidimos publicar ao mesmo tempo, pois tivémos a possibilidade de o beber juntos, e quando os vinhos são deste nível, as memórias devem ser partilhadas.

sexta-feira, julho 13, 2007

Relato do Vinum Callipole 2007

Dia 7 de Julho, houve um Blog que teve a enorme coragem e determinação de organizar um evento no Alentejo. Ao que sei, penso ser o único evento dedicado ao enófilo que vai passar a existir naquela que é a maior região do país. Pois bem, esse blog foi o Copo de 3, e o homem que dá a cara ao projecto é o bem conhecido Alentejano de nome João Pedro Carvalho.


Gostei muito do local. Os Claustros do Convento dos Capuchos de Vila Viçosa são muito bonitos, e ao que soube é o único seminário a funcionar da arquidiocese de Évora. O Vinum Callipole 2007, na perspectiva do organizador foi considerado o ano ZERO, pois foi um pouco uma experiência e com vista a saber se valerá a pena continuar ou não. A meu ver, foi já o ano UM e de certeza que veio para ficar. Para o ano, talvez seja preciso rever a publicidade e tentar fazer numa hora mais fresca pois esteve imenso calor até as 19horas e foi impossível provar tintos, pois a vontade era de beber água fresca. Como elementos positivos tenho que registar sem dúvida os seguintes, ambiente acolhedor, o espírito do organizador, a presença de produtores de referência e o espaço disponível, não houve uma única cotovelada!

Por iniciativa minha e do João Pedro, acabámos por realizar uma prova de vinhos brancos. Foi uma tentativa de Volta ao Mundo. Provámos vinhos de Portugal, Espanha, França, Itália, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Áustria Foram convidados enófilos amigos, distribuidores e alguns enólogos para a prova. Levei cá do Norte, com a cooperação da UVA, Niepoort e da Companhia de Vinhos do Douro alguns vinhos para a prova. Estiveram também variadíssimos queijos e pão da Confraria do Pão.

Os claros vencedores do painel constituído por cerca de 20 vinhos foram:
Tiara 2006
Redoma Reserva 2006
Gaja Rossj 2003
Cape Mentelle 2004
Amantis Branco 2006
Conceito 2006

9 da noite, altura de sentar à mesa. Muitíssimo bem composta, com enchidos regionais, um cação de coentrada muito harmonioso, e carne do alguidar com 3 migas à altura. Houve clima para os produtores e enófilos darem a prova este e aquele vinho e tempo foi algo que houve, mau era, estávamos no Alentejo. Os vinhos foram muitos e bons. Não tive vergonha nenhuma de ir buscar uma champanheira enorme de inox e enchê-la de gelo para que se conseguisse beber tintos a 16 graus.
Das muitas amostras e novos vinhos que provámos à mesa marcaram-me os seguintes:
Alves de Sousa Reserva Pessoal branco 2003, Chateauneauf duPape Domaine du Pegau2004 Cuvée Reservée, Batuta 2003 ( Double Magnum 3 litros), Quinta da GaivosaVinha de Lordelo 2005, Odisseia Reserva 2005, Syrah 2005 da Herdade das Servas. Para as sobremesas, sericaia e enxarcada, regadas com dois vinhos Niepoort, um fantástico Vintage 2005 e um Colheita 1991.

Por último, e estando num seminário, houve que agradecer ao Convento. Um leilão muito animado, pelo menos o sino fartou-se de tocar, onde se juntou alguma dinheiro para doar. Lembro-me de um lote valer uns 150 euros, e uma garrafa vazia de 3 litros ser vendida por 65 euros. Resta-me dizer que valeu bem a pena os 900 kilometros que fiz que para o ano lá estarei. Agradeço ao Alentejano pelo dia que nos proporcionou. Deixo também os agradecimentos à UVA, Niepoort, Tasca do Joel e CVD Vinhos do Douro pelos vinhos que forneceram.

quinta-feira, julho 12, 2007

Grou 2 Reserva 2005

Já há uns tempos provei o Grou 2 2004 e o Grou 2004. Agora chega a altura de provar o vinho intermédio, que se estreia na colheita de 2005. Este Grou 2 Reserva 2005, Alentejano da zona de Cabeção tem um lote de Alicante Boushcet, Cabernet Sauvignon, Tricadeira e Aragonês. O estágio é feito em barricas novas e usadas de Carvalho Francês e Nacional.

No nariz, austero e já com alguma complexidade. Mostra notas de barrica bem presentes, com um aroma de móvel encerado, fumo, alguma terra. Todas estas notas em disputa com um claro perfil floral, violeta, muito fruto silvestre e alguns mentolados que trazem alguma frescura. Nota-se aqui um aroma muito jovem, a precisar de tempo para trabalhar ainda mais esta excelente matéria-prima.

Na boca, com uma entrada harmoniosa, fino, de perfil balsâmico e com fruta madura. A acidez é média mas numa boa conjuntura, onde os taninos estão algo secos. Tem um bom volume de boca, extremamente elástico, embora a madeira se mostre uma vez mais, o vinho é fresco e cheio de garra e não cai em sabores enjoativos. O final é longo, crescente, cheio de especiarias, tabaco e terra molhada. Um vinho que mostra um excelente preço, a precisar de calma para beber mas a dar desde já muito prazer, principalmente à mesa com pratos fortes. As castas Cabernet e Trincadeira, que por vezes apresentam notas mais verdes, mostram-se aqui muito bem trabalhadas, pois o vinho está bem maduro, mas não excessivamente maduro.

Nota 17
Preço 10 euros

terça-feira, julho 10, 2007

Versus Síria 2006

Vindo de Figueira de Castelo Rodrigo, este branco monovarietal vê em 2006 a sua segunda edição. É produzido pelo Vinhos Andrade de Almeida. Embora seja um vinho das Beiras, estas vinhas são bem próximas da região do Douro. Este produtor lançou agora também um rosé 2006 e está para lançar o tinto de 2005 que em breve provarei.
Segundo o portal Infovini a casta Síria é cultivada nas regiões do interior de Portugal. Já foi a casta branca mais plantada na região alentejana, onde é denominada Roupeiro, contudo, verificou-se que as temperaturas demasiado elevadas do Alentejo não eram benéficas para esta casta: os vinhos não tinham frescura, boa acidez e perdiam os aromas rapidamente. Assim, desenvolveu-se o cultivo da Síria nas terras mais altas e frescas da Beira Interior (nomeadamente na zona de Castelo Rodrigo) e Dão (onde a casta é conhecida por Alvadurão, Côdega ou Crato Branco). A Síria é uma casta muito produtiva de cachos e bagos pequenos. Apesar de ser bem resistente ao oídio e ao míldio é bastante sensível à podridão. Os vinhos produzidos com esta casta são delicados, frescos e elegantes.

Com 13%Vol tem uma jovem cor amarelo citrina de ligeira concentração.
No nariz, com apontamentos minerais e com algum vegetal inebriante, garantindo um nariz muito fresco e a pedir para abrir no copo. Com o arejamento no copo, surgem notas de relva, maçã, perfume floral e muito ananás. Um nariz elegante, fresco quase lembrando os brancos do Dão, principalmente nas notas minerais.

Na boca, com algum corpo, a entrada é correcta, onde a acidez é moderada. No entanto surge aqui alguma doçura, lembrando rebuçado de melão. Apesar da doçura o vinho não enjoa e mostra-se com alguma frescura. Final equilibrado e com algum comprimento, ligeiramente picante, no entanto um pouco doce uma vez mais, ficando o ananás a perfumar a boca. Um vinho bem para o preço, mais para a mesa do que para um fim de tarde, pois a doçura que cá está embora não enjoe, precisa de uma boa ligação. Embora de 2006, o vinho está mais que pronto para beber. Ao preço dele não é de recusar.

Nota 15,5
Preço 4,50 euros
Produção 8660 garrafas

sexta-feira, julho 06, 2007

Anima L4

Vindo da Herdade do Portocarro, este Anima L4 é um vinho de mesa muito particular. Na Herdade estão plantadas vinhas de Sangiovese, uma casta italiana que faz vinhos muito suaves e elegantes na região da Toscânia, onde são sobejamente conhecidos os vinhos de Chianti. Tal como se exige em Itália, José Mota Capitão e Paulo Laureano optaram por estagiar o vinho em barricas novas e usadas durante um longo período de 18 meses. Como é uma casta não autorizada, o vinho vem rotulado como Vinho de Mesa, mas facilmente se depreenderá que se trata de um lote de 2004.
Provei este vinho em prova cega o ano passado e fiquei na altura extremamente aliciado. Agora acabei por ter as condições ideais de o dissecar, em casa com copo de prova e temperatura adequada.

Com 13,5%Vol e uma cor granada de baixa concentração e ligeiramente cansada.
No nariz, a primeira impressão neste vinho é espectacular. Por mais distraídos que estejamos, ao meter o nariz no copo, parece que o alarme dispara, tal é a elegência extrema. Aroma muito fino e com uma tosta ligeira a embrulhar notas de bagas vermelhas. Complexo q.b., dá-nos a sensação de estarmos numa seara, assim como estarmos a cheirar uma caixinha de especiarias. A harmonia entre o vinho e a madeira é sensacional, onde por vezes pontificam umas notas de hortelã e algum chocolate preto

Na boca, com uma entrada delicada e sedosa, claramente apostando na elegância, com alguma frescura, mas com notas torradas e quentes bem características do seu terroir. A acidez é mediana, muito bem equilibrada, onde os taninos são muito finos, amaciados e cheios de classe. A tosta da madeira está plenamente integrada. O final de boca é longo, especiado, com notas de tabaco e bastante complexo. Um vinho para ser bebido com muita calma, onde é possível obter enorme prazer, pois a complexidade é muita e é preciso muito tempo para o compreender. Uma excelente aposta deste produtor e que para primeira colheita não está nada mau. Se assim continuar vamos ter um caso sério.

Nota 18
Preço 20 euros

quinta-feira, julho 05, 2007

Entrevista a Dirk Niepoort e algumas reflexões

Os Blog's de vinho vieram para ficar. Actualmente há talvez uma dezena de blogs portugueses, de gente inovadora, apaixonada com vontade de dar a conhecer ao mundo o que se produz por cá. É certo que todos gostamos de provar vinho, mas porque é que escrevemos? Porque não temos mais nada para fazer? Porque apenas queremos mostrar aos outros? Porque queremos ver se nos convidam para este jantar ou para aquele evento? Para andar a beber à borla?
Para mim a resposta mais óbvia é que o vinho português deve e merece ser divulgado na Internet. Em Espanha há comunidades enormes de Catas de Viño, nos USA todo e qualquer crítico tem um site com Tasting Notes, etc etc...
Cada vez mais vai havendo produtores em Portugal atentos aos Blog's e com vontade de nos conhecer e de nos apoiar naquilo que fazemos, que não é nada mais que divulgar o vinho na Internet. É bom que tenhamos esse reconhecimento, pois dá-nos ânimo para avançar, veja-se por exemplo o caso do blog Copo de 3, que este sábado já vai arrancar com um evento. Faça-se uma pesquisa no Google sobre um vinho provado entre nós e veja-se os resultados que aparecem! O que eu sofri por vezes por pesquisar sobre um vinho na net e nada encontrar, além de clubes de vinhos a vendê-los. O Projecto NovaCrítica-Vinho é outro bom exemplo, com imensas notas de prova, até com acesso através de SMS, e com um fórum por vezes muito dinâmico. O ClubeOptimus Vinhos também já conta com mais de 1000 vinhos provados e tem também um fórum onde se discute abertamente. Sei que não é fácil escrever, mas o prazer de ver os nosso pensamentos e ilações sobre vinho expostos aos olhos do mundo, e às críticas desde os amigos aos simples anónimos é reconfortante e encorajador, sejam elas boas ou más críticas. Aliás as más críticas ainda nos dão mais vontade de melhorar o nosso trabalho. Como estamos praticamente no fim da época, apeteceu-me fazer este ponto, esta reflexão. Agradeço a todos os que nos visitam e a todos os que gostam de vinho, e que são pelo vinho. Que venham mais blogues de opinião! ( Chapim eu sei que estás com ideias, vá lá não custa nada...)

Passando agora a outro aspecto, gostava que lessem a seguinte entrevista:
ENTREVISTA A DIRK NIEPOORT ( CLIQUEM NO LINK)

VINUM CALLIPOLE 2007

Ajudando a publicitar o evento promovido pelo meu amigo João Pedro do blog Copo de 3:


VINUM CALLIPOLE – 2007
7 Julho | 16h – 20h00
Claustros do Convento dos Capuchos Vila Viçosa

Entrada: 5 € Copo Schott Din Sensus incluído
Linha de Informação: 967 344 226
copo_de_3@hotmail.com
www.copod3.blogspot.com
Nota: as entradas são limitadas, aconselha-se a reserva com antecedência.

Numa iniciativa d´ O Copo de 3, decorrerá no próximo dia 7 de Julho, nos Claustros do Convento dos Capuchos, em Vila Viçosa, o evento Vinum Callipole 2007, com a participação de alguns produtores de vinho, a nível nacional.
Um evento em que poderá provar o que de melhor eles têm para nos oferecer, assim como, e de um modo informal, falar com produtores, enólogos e responsáveis, sobre os vinhos presentes, o que têm no mercado e as novidades que estão para aparecer.

PRODUTORES PRESENTES
Herdade das Servas, Ervideira, Cortes de Cima, Herdade da Malhadinha Nova, Herdade do Portocarro, Alves de Sousa, Azamor Wines, Adega Cooperativa de Borba, Vinhos Dona Berta, Álvaro de Castro, Bago de Touriga, Quinta da Lagoalva, Dona Maria, Comenda Grande

Vai ser de certeza um espectacular evento, dedicado aos apaixonados pelo vinho e a todos os interessados no sector. Os produtores presentes não precisam de apresentações.
Eu vou lá estar!

segunda-feira, julho 02, 2007

Fagote 2001

6 anos já lá vão desde 2001...
Provar um vinho tinto de gama média do Douro de 2001, pode ser segundo muitas opiniões, algo arriscado. Dizem que os vinhos do Douro não têm longevidade, e que até já há muitos topos de gama de 2000 e 2001 que estão acabados.
Este Fagote de 2001, foi feito com Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Barroca e um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês.

Com 13%Vol mostra uma cor ainda bem carregada nos tons granados, com ligeira evolução no anel do copo.
No nariz, austero e cheio de raça, com um perfl marcadamente mineral e com ligeiros toques vegetais. Notas de chocolate, erva seca, pinheiro trazendo algum rusticidade ao conjunto. A fruta está em segundo plano, mas bem densa, com ameixa e frutos pretos. O aroma, evoluído, está claramente muito equilibrado, mostrando a madeira em perfeita sintonia, com folhas de tabaco e alguma tosta ligeira.

Na boca, suave e redondo nas notas frutadas, com taninos maduros mas completamente amaciados. Bem evoluido, forrando o palato com alguma cremosidade, notas fumadas e minerais. A acidez mediana suporta toda a estrutura, onde se nota uma vez mais a boa concentração e a boa maturação. Fresco q.b., onde açucar residual quase não se vê, sem qualquer ponto enjoativo. O final de boca é ameno, com bom comprimento, ligeiramente seco e apostando nas notas de tabaco. O vinho está perfeito para ser consumido neste momento e dá muito prazer a bebê-lo. O tempo deu-lhe alguma classe e harmonia. É comprar e beber, pelo preço vale bem a pena.

Nota 16,5
Preço 7,50 Euros

domingo, julho 01, 2007

Luis Pato Espumante Bruto Baga Rosé (2004)

Mais um vinho de Luis Pato em prova, desta vez um espumante rosé de Baga, cujo mosto foi extraído com ligeiríssima coloração em prensa de vácuo, tendo sido decantado a frio.
Fermentou em barricas usadas de carvalho francês Allier com removimento das borras finas até ser engarrafado. Embora não seja permitido por motivos legais incluir o ano da colheita, este é de 2004.

Com 12,5%Vol. e uma cor salmão de ligeira concentração, mostra perláge viva e fina.
No nariz, fresco e frutado e com algum vegetal. Com fruta vermelha, cerejas, framboesas, muito elegante envolvida numa tosta sedutora. Aparece também um perfil mineral, lembrando argila. Será o terroir a falar? Muito provavelmente, sim. Nariz muito equlibrado e harmonioso.

Na boca, o espumante mostra-se fino, com boa mousse e cremoso. O perfil é frutado, mas perfeitamente seco, com uma acidez fantástica, o que lhe traz uma enorme frescura e harmonia. Muito alegre e persuasivo. Final de boca elegante, com as notas tostadas mostram-se uma vez mais, garantido alguma complexidade. O vinho tem atributos para que seja bebido à mesa e não apenas no tchim tchim habitual de uma qualquer celebração. No meu caso acompanhou um arroz de perca na perfeição. Bebe-se com imenso prazer.

Nota 16
Preço 5,50 euros

sexta-feira, junho 22, 2007

Quinta da Pigarra Alvarinho Espumante Bruto 2005

Parece cada vez mais ponto assente que os produtores de Alvarinho da região dos Vinhos Verdes se interessam em fazer vinhos espumantes. São já algumas boas referências no mercado, e será talvez, atrás da Bairrada a segunda região com mais espumantes produzidos.
Da sub-região de Melgaço, a M.B. Agricultores lança pela primeira vez um espumante da Quinta da Pigarra, feito pelo método clássico, exclusivamente com Alvarinho.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada com a bolha muito viva e cheia de vigor, algo desordenada.
No nariz, o perfil da casta mostra-se logo, com um perfil floral e primaveril. O aroma tem alguma exuberância, com citrinos, bolacha e muito mineral. Apesar da sua juventude e nervura no aroma, está um nariz equilibrado, com uma boa envolvência de aromas, onde uma ligeira tosta harmoniza todo o conjunto.

Na boca, vincado, de acidez elevada e com a bolha bem presente. A textura é crocante, com muita energia, muito fresco, predominando notas de maçãs verdes e citrinos. Esta personalidade faz com que a boca fique completamente limpa de tudo o que possamos estar a comer, o que será bom para alguns pratos mais gordos, onde esta fantástica acidez e frescura contrabalançem muito bem. O final é seco, fresco e com muito perfume floral. Um espumante que talvez melhore com o tempo, para ganhar alguma elegância, mas se se quiser apanhar esta fase vivaça é melhor não lhe dar tempo.

Nota 15,5

Quinta de Roriz Vintage 2003

Esta quinta do Douro, que está nas mãos da família Van Zeller desde 1815, foi a primeira referência no mercado Inglês como Vintage de Quinta. 2003 como se soube, foi um ano excepcional para Vintages como se veio a reflectir na declaração generalizada e nas pontuações atribuídas. Provei este vinho por volta do Natal. Feito essencialmente com 35% de Vinha Velha, 28% de Touriga Nacional, e 22% de Tinta Roriz.

Com 20%Vol, apresenta uma densa cor, brilhante,com reflexos púrpura.
No nariz, austero e extremamente apelativo, cheio de complexidade, nada fechado como se poderia temer. Surge muita fruta compotada, muitos morangos, cerejas, amoras, algum toque de iogute natural, algum aroma químico, com perfume de violetas. Aroma muito intenso e poderoso, não se pense que é só fruta, há aqui um conjunto muito bem integrado, vegetal fresco, algum chá preto, especiarias e raspas de chocolate. O nariz é típico de um Vintage denso, cheio de vigor, fresco e claramente com enorme classe.

Na boca, a entrada é gorda, encorpadíssimo, cheio de força e guloso. Taninos, super-maduros e cheios de classe, com uma doçura bem presente, mas sem pesar. Cremoso e viciante, a textura é delicada, forrando o palato com enorme subtileza. Chocolate de leite, amoras, compotas, o esquema repete-se. Final muito longo, profundo, crescente, picante e com alguma mineralidade. Grande comportamento na boca.
Um Vintage muito agradável para ser bebido desde já, mas de certeza que com o passar dos anos se recolherá ainda mais prazer. Está num patamar de grande qualidade, com alguma doçura viciante, muito profundo.

Nota 18
Produção 24.000 garrafas

terça-feira, junho 19, 2007

Quinta de Porrais 2005

Francisco Olazábal, sobejamente conhecido pelo trabalho desenvolvido na Quinta do Vale Meão e na Quinta do Vallado, pegou em vinhas velhas plantadas perto de Murça, a mais de 600 metros de altitude, com as castas Códega do Larinho e Rabigato e Viosinho e fez este vinho branco Quinta de Porrais.

Com 12,5%Vol. e uma cor amarela esverdeada de média concentração.
No nariz, apesar de não muito exuberante, o que salta mais à vista é a forte mineralidade, numa frescura arrepiante, com muitas notas citrinas, folha de liomeiro, lima, ervas frescas, algumas flores brancas, onde um lado tropical, equilibra o nariz correcto mas não cativante à primeira. O aroma é claramente equilibrado, mas falta aqui qualquer coisa para nos convidar a bebê-lo com prazer.

Na boca, untuoso e de perfil fresco, com alguma doçura a dar-nos logo ideia de que a sua acidez natural das vinhas de altitude está um pouco escondida. Gordo, floral na boca e claramente prazenteiro, com um final de boca perfumado e mineral. Um vinho que se comporta ligeiramente melhor na boca que no nariz. A expectativa de serem vinhas trabalhadas por quem são, por terem mais de 60 anos e estarem plantadas em altitude, talvez me tenham deixado um pouco relutante em relação ao vinho, mas quando vi o preço que dei por ele, se calhar está aqui um bom vinho. Para 5 euros não se pode pedir muito mais.

Nota 15
Preço 5 euros

quarta-feira, junho 13, 2007

Malhadinha 2004

Depois de provado aqui no Vinho da Casa o Monte da Peceguina, Malhadinha branco e Pequeno João, é hora de provar a coqueluche da Herdade da Malhadinha Nova. É sempre daqueles vinhos que em qualquer prova todos falam bem e todos querem provar. Este produtor tem carisma e é sem dúvida inovador no toca as questões de mercado. Os rótulos são apenas um dos exemplos.

Esta vaquinha que vem no rótulo foi desenhada pela pequena Matilde.
É um tinto feito com um lote de Alicante Bouschet e Aragonês, ligeiramente temperado com um pouco de Cabernet Sauvignon tudo de vinhas plantadas em solos xistosos. Fermentado em pequenos lagares estagia depois 14 meses em carvalho Francês.

Com 14,5%Vol e uma densa cor granada, quase preta.
No nariz, o recorte aromático é extremamente maduro, cheio de fruto, chocolate preto, especiaria, com umas notas já recorrentes neste produtor de cravinho. Não se pense que é um aroma muito pesado, pois aparecem algumas notas florais e uns aromas químicos que acabam por trazer alguma frescura. Aroma complexo, com a evolução no copo, surgem os tostados, alguma erva seca e notas de leite creme queimado.

Na boca, pastoso e bem estruturado, bastante guloso, cheio de fruto preto e chocolate amargo num equilíbrio enorme. A acidez é moderada, com taninos finos e acetinados. A madeira surge plenamente integrada no vinho, com notas torradas mescladas com o fruto. Complexo na boca, num final longo, ascendente, perfumado e com notas de café e especiarias. Um vinho austero, gordo e corpulento, cheio de fruto, mas não enjoativo. Tem uma grande capacidade de evoluir no copo, ficando horas e horas a dar prazer.
Um alentejano cheio de carácter.

Nota 18
Produção 17200 garrafas

terça-feira, junho 12, 2007

Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004

Provavelmente um dos Tourigas Nacionais mais respeitados do país, pois já Jancis Robinson no seu guia de vinhos portugueses atribuiu 18 valores ao 100% Touriga Nacional de 1996. Como sabemos, em 1996, um 18 para Portugal era um resultado excelente e quase impossível de atingir! Nessa altura poucos lá chegavam...
Este Dão de 2004 é feito exclusivamente com Touriga Nacional da Quinta da Pellada, onde faz a fermentação em inox e sofre depois um estágio de 14 meses em Carvalho Allier.

Com uns moderados 13%Vol o vinho mostra uma cor rubi com reflexos violetas brilhantes.
No nariz, complexo, o aroma é tal forma tão exuberante que até nos faz questionar como é possível isto num tinto. Estupidamente floral, as notas de alfazema, violetas, amoras, invadem o copo juntamente com um curioso aroma a sabão azul. A elegância e a finesse deste aroma também é impressionante, uma frescura balanceada pelas notas químicas e pelo fundo mineral completamente harmonizados com a tosta da madeira digna de um grande tinto . É um dos melhores vinhos que tenho provado na prova de nariz. Com alguma paciência continuam-se a descobrir aromas e aromas que nem vale a pena estar a enumerar.

Na boca, completamente enérgico e cheio de estrutura, mas sempre num tom afinado e elegante, pois a boa acidez e as notas de fruto fresco não deixam o vinho pesar. Taninos maduros e sedosos, o vinho mostra um bom nível, mas um pouco abaixo da excelência do nariz. O final é longo, fresco, floral e tostado, mas parece que se fica a pedir um pouco mais de profundidade. Será problema dos monocastas? Embora muito equilibrado e de bom nível, com mais boca tinhamos aqui um caso sério. Talvez o tempo lhe traga complexidade. Espera-se. Mas quem quiser perceber a energia deste nariz é melhor abri-lo já. Vale bem a pena. Grande Touriga Nacional. Grande Álvaro de Castro.

Nota 17,5