terça-feira, março 27, 2007

Dirk Niepoort

Dirk Niepoort é sabido que é um dos grandes mentores do actual Douro, encabeçando a Niepoort e remando no projecto Douro Boys. Atento a tudo, dá atenção ao maior eno-jornalista mundial, como dá atenção a um simples apaixonado ( ou um crítico amador como gosto de dizer) como eu... O jornal Valor Económico fez uma excelente entrevista, que qualquer enófilo curioso certamente vai gostar de a ler. É muito curiosa a forma como Dirk vê o vinho, e a maneira como fala deles.



"Maluqueira" e muita auto-suficiência



"O herdeiro Dirk Niepoort não economiza em reconhecer seu talento na modernização da empresa centenária. Por Jorge Lucki, de São Paulo
Dirk Niepoort, que comanda a casa de vinho do Porto Niepoort, desde os anos 90: "Nunca fiz nada pensando nos críticos".

O mundo do vinho está repleto de personagens interessantes, uns extrovertidos, outros menos, uns mais refinados, outros meio toscos. São muitas as categorias em que cada um pode ser enquadrado -na verdade a lista é grande -, e é isso que torna o contato pessoal com qualquer um deles uma experiência sempre rica.
Vem daí, inclusive, um projeto que algum dia deve se materializar, com meu amigo chileno Patrício Tapia, editor do melhor guia de vinhos do Chile, o Descorchados e editor associado da influente e confiável publicação mensal americana Wine & Spirits, de reunir num livro as idiossincrasias de uma série dessas figuras, em particular, as mais cativantes e diferenciadas, para não dizer meio malucas, que existem espalhadas pelos quatro cantos do planeta.

Um dos nomes que foi sem dúvida lembrado, quando falamos de Portugal, foi o de Dirk van der Niepoort, que comanda desde meados da década de 90 a Niepoort, uma casa de Vinho do Porto que continua em família desde sua fundação em 1842. Representante da 5ª geração, o irrequieto Dirk, hoje com 42 anos, mudou os rumos da empresa e não parou de inventar novas maluquices, como ele mesmo disse várias vezes, a si se referindo, na entrevista exclusiva que deu para o Valor, durante sua passagem por São Paulo na semana passada. Dirk fala de suas crenças, assumindo em boa parte das vezes a paternidade delas, e de como seus vinhos evoluíram para chegar no grau de excelência que têm hoje, um fato que ele também não se inibe de enaltecer.

É preciso da mesma forma reconhecer que, afora tudo o que Dirk Niepoort promoveu dentro de sua própria vinícola, ele foi talvez o maior responsável pela criação e mola propulsora dos Douro Boys, grupo de cinco produtores assim informalmente chamado, que reúne, além da Niepoort, a Quinta do Vale Meão, a Quinta do Vale Dona Maria, a Quinta do Vallado e a Quinta do Crasto, nomes que a partir de um trabalho conjunto conseguiram grande projeção internacional.

Valor: Quais foram seus primeiro passos no vinho?
Dirk Niepoort: Foi curioso. Depois de ter feito o curso secundário em Portugal, eu fui estudar economia na Suíça numa escola particular e parte desse estudo envolvia um estágio. Por sorte ou coincidência, foi numa empresa de vinhos. Até aquela data eu não tinha interesse particular por vinho.

Valor: O seu objetivo não era estar ligado ao setor?
Niepoort: Era economia e talvez houvesse algum interesse por vinho maior do que o normal, mas não havia nenhuma pressão dos meus pais para eu vir a trabalhar na empresa.

Valor: E como foi o estágio?
Niepoort: Nesse estágio, na Mövenpick, tinha duas pessoas muito ligadas a vinho que não sei porque tiveram muito carinho comigo. Isso me deu um click e comecei a me interessar pelo assunto. Depois de acabarem os estudos fui para os Estados Unidos fazer um estágio numa vinícola, sem função especial.

Valor: Daí você voltou a Portugal?
Niepoort: Sim e comecei a trabalhar com meu pai em 1987 e meu interesse em vinhos de mesa era grande. Eu queria fazer e não consegui não fazer.

Valor: Até então a Niepoort não produzia nada de vinho de mesa.
Niepoort: A Niepoort era um negociante de Vinhos do Porto. Nós não tínhamos vinhas. Comprávamos o vinho pronto logo depois da colheita e depois envelhecíamos e negociávamos. Era como todas as casas de Vinho do Porto normalmente são. Quando eu cheguei, uma das primeiras coisas que fiz, quer dizer, meu pai é que me deixou fazer, foi comprar a Quinta de Nápoles. Em 88 compramos a Quinta do Carril, que fica ao lado, e depois fomos comprando e arrendando pequenas parcelas até chegar aos 43 hectares que temos hoje.

Valor: Não é tudo junto, não?
Niepoort: A Quinta de Nápoles junto com a do Carril tem 25 hectares plantados. Temos arrendado vinhas velhas no Vale do Mendiz e uma no Ferrão.

Valor: Isso foi o começo da mudança?
Niepoort: A grande diferença da Niepoort relativamente ao que era é que, primeiro somos proprietários de várias coisas. Nem o armazém onde estávamos e onde ainda estamos era nosso. A segunda alteração é que hoje vinificamos 95% do nosso Vinho do Porto e 100% do nosso vinho de mesa. A terceira é que o vinho de mesa não existia.

Valor: Quando você comprou as duas Quintas, de Nápoles e a do Carril, você já tinha pensado em utilizá-las para vinhos de mesa?
Niepoort: Não, e nós compramos a Quinta de Nápoles contra a minha vontade. Eu insistia que tínhamos de ter uma Quinta só que eu não queria aquela. Meu pai comprou por outras razões em que eu não via lógica. Mas aquela zona é, depois me dei conta, muito boa para vinhos de mesa. Isso me ajudou a criar algumas lógicas diferentes do que se pensava na época, que são vinhedos virados para o norte (bate menos sol, o que é, no Douro, no hemisfério norte, bom para esses vinhos).

Valor: Quando percebeu isso?
Niepoort: Isso nasceu em 1990, quando eu fiz um vinho da Quinta do Carril e esse vinho saiu muito melhor do que pensávamos. É o que eu chamei de Robustus. O engraçado é que meu pai não acreditava no começo. Ele achava que o vinho não prestava para nada e deu uma boa parte para o pessoal da empresa beber no dia a dia. Hoje em dia é talvez o vinho mais mítico de Portugal. Há alguns ingleses que acham que ele o melhor vinho já feito no país. A verdade é que o vinho hoje está muito bom.

Valor: O Robustus 90 nunca foi comercializado?
Niepoort: Nunca. Na época eu, chateado com o mundo, resolvi não mostra-lo a ninguém, e disse que era um vinho para meu filho que já havia nascido. Passou quatro anos em madeira, engarrafei e deixei quieto. Foram só umas 700 garrafas e a vantagem de não ter mostrado a ninguém é que ainda temos algumas garrafas.

Valor: E quando veio o Redoma?
Niepoort: No fundo o Redoma é um sucessor do Robustus. É baseado nas mesmas vinhas, tudo muito parecido. O Redoma foi nosso primeiro tinto de mesa comercialmente vendido.

Valor: Ambos eram então de vinhas velhas, com castas misturadas, como era praxe antigamente?
Niepoort: No alto plantamos 15 hectares de vinha nova que agora têm 20 anos. Mas o Redoma é essencialmente de vinhas velhas que têm castas misturadas.

Valor: Você gosta de vinhos de lote (corte de várias uvas e/ou vários vinhedos). Quando plantou novas parcelas fez uma mescla de variedades seguindo alguma lógica?
Niepoort: Fiz duas vinhas misturadas que eu escolhi, mas para ser sincero nem me lembro o que misturei. Peguei mudas de uma vinha muito velha que eu gostava muito e que hoje é nossa. Quer dizer é arrendada mas é como se fosse nossa. É a parcela que dá os melhores vinhos da Quinta de Nápoles.

Valor: O Redoma passou basicamente a década de 90 como único tinto de mesa de vocês. Até que veio o Batuta. E o Redoma branco?
Niepoort: O Batuta veio em 99. O Redoma branco veio em 95, de uma vinha de Celeiros com 70 anos de idade. É gozado que eu queria vinificar separadamente as três castas que lá existiam. O lavrador colheu as três separadas, mas me entregou todas juntas. Ou seja foi a primeira vez que tentei fazer um vinho por casta e não funcionou. Nunca mais tentei vinificar castas em separado.

"A fruta é banal. O frescor é a espinha dorsal de um vinho. Não se pode fazer um vinho com muito músculo se não tiver costas boas."


Valor: E mudou alguma coisa no Redoma branco?
Niepoort: Hoje não usamos mais essa vinha até porque na época eu achava que o Gouveio. Ela tem boa acidez, porém eu sou muito sensível a amargor. Hoje trabalhamos com muitas uvas de zonas diferentes, todas de mais altitude. Minha "maluqueira" é utilizar vinhedos mais altos para ter boa acidez.

Valor: Frescor é fundamental.
Niepoort: É e nos tintos também, cada vez mais. Há uma coisa muita importante a dizer. A Niepoort passou três fases no vinho de mesa. Primeiro foi começar a fazer. Não tínhamos condições nenhuma, não tinha dinheiro e meu pai também não ajudava muito. Era tudo feito como dava e ainda penso que é um milagre alguns vinhos serem tão bons nas condições em que eram produzidos. Depois em 99 disse a meu pai que precisaríamos investir. Contratamos, então, um enólogo e criamos condições mínimas - barricas melhores e novas e algumas cubas de fermentação porque as primeiras foram desenhadas por mim. Então a partir de 99, a Niepoort deu um passo muito grande e os vinhos melhoraram consideravelmente.

Valor: E a terceira fase?
Niepoort: Foi em 2004, quando um novo enólogo veio trabalhar conosco e independentemente da mudança, eu tomei uma atitude mais agressiva de não usar química. Em termos de vinhedo ainda utilizamos algum herbicida, mas é pouco e o objetivo é acabar. Quero que o Luís Seabra, nosso enólogo, tome a decisão. Acredito que de 2004 para cá a Niepoort deu dois ou três saltos qualitativos. Quando adotei essas atitudes achei que tinha assumido grandes riscos, que os vinhos poderiam se estragar. É muito irônico porque desde 2004 não temos nenhum problema com as fermentações, os vinhos são muito bons e mais equilibrados, mais sãos. A rigor é interferir menos no vinho. É acompanhá-lo e não fazê-lo. É deixar as uvas serem o que são e nós só temos que guia-las um pouco.

Valor: O divisor de águas foi então 2004?
Niepoort: Eu acho que a diferença entre um bom vinho e um grande vinho são pequenos detalhes que em si quase não são visíveis. Tecnicamente temos mais ou menos o que é preciso e penso que estamos trabalhando melhor e na direção certa.

Valor: No caso dos Vinhos do Porto este salto não é mais sentido nos Vintages, porque nos tawnies vocês já eram conceituados?
Niepoort: Em termos históricos não tenho dúvidas que a Niepoort é uma das melhores casas. Só que esse mundo era gerido pelos ingleses (a maioria das casas de Vinho do Porto eram dominadas por ingleses) e assim nós nunca fomos levados a sério. Talvez nos anos 80 não estivemos jogando bem, mas eu diria que a partir de 2000 voltamos a estar no nível dos melhores.

Valor: Você estendeu bastante a linha de mesa nos últimos anos. Você pode resumir?
Niepoort: Temos crescido muito. Em quantidade, nosso carro chefe é um vinho mais comercial que temos duplicado as vendas. No Brasil vai se chamar Diálogo. Antes da reviravolta (de 2004) ele tinha uma razão de ser. Achei que estava na hora de contrariar a lógica e fazer um vinho que não fosse quase preto, frutado, alcoólico. Que fosse simples, com frescor e não pesado, para dar prazer de beber e que tivesse a tipicidade da região. E está indo muito bem.

Valor: Voltando aos seus vinhos clássicos, tops de linha. Quando você sentiu necessidade de fazer o Batuta?
Niepoort: O Batuta deveria ter nascido em 95. Eu já tinha o vinho e eu gostava muito. Era para ser um tinto na linha do Robustus 90, em que deixei mais tempo em madeira. O enólogo que havíamos contratado não ligou muito para terminar ele, e acho que se estragou. Não é que estragou, mas era muita responsabilidade e o vinho não estava perfeito. Também tem a história meio absurda que não podíamos utilizar o nome Robustus. Foi meu pai que sugeriu o nome Batuta. Em todo caso, Robustus é uma palavra pesada que demonstra estrutura, peso, álcool e extração, bem na linha do que vi na Califórnia em 87. Com a idade eu iria evoluir e fazer vinhos mais finos. Mas eu não entendia de vinhos finos na época e não sabia como fazê-los. Quando começamos a pensar a sério em fazer o 99, eu já sabia algo, queria elegância e não um brutamontes. O Batuta é mais ou menos isso. Pretende ser mais refinado, mais polido. O Redoma, por outro lado, é o nosso vinho mais importante , representa melhor o Douro - é mais selvagem, autêntico.

Valor: Aí vem o xodó, o Charme. Como e quando você o concebeu?
Niepoort: Isso foi em 2000, quando numa prova às cegas me deram um vinho, que logo de cara achei que era um Rhône do norte, mas eu nunca havia visto um Syrah tão fino. Só poderia ser um Pinot Noir, mas com aquela estrutura só se fosse um vinho do Domaine de la Romanée Conti. Era um La Tâche 91. Algum tempo depois aconteceu a mesma coisa só que aí eu acertei, o mesmo acontecendo mais tarde, com um La Tâche 96. Eu me perguntei como era possível um vinho ter a potência, estrutura e taninos como eles têm e ao mesmo tempo terem essa fineza. Cheguei a conclusão que a razão era o trabalho que eles fazem com o engaço (eles não eliminam os engaços -- os galhinhos que seguram os bagos - como a maioria faz). Trabalhar com o engaço é complicado e eu estava habituado a fazer isso com os Vinhos do Porto, mas era bem diferente. Em 2000 fiz uma experiência e acho que exagerei, o mesmo acontecendo no ano seguinte. Em 2002 fiz o que eu achava do princípio ao fim , algo que fosse tão bom que pudesse engarrafar. E assim veio o 2002 e depois o 2004.

Valor: Com que castas?
Niepoort: São vinhas muito velhas do Vale do Mendiz, na zona do Pinhão. Tem Tinta Roriz e Touriga Franca mas com muitas outras. Mas ainda estou procurando outra vinhedo e outra casta. O segredo do Charme, em todo caso, é partir de vinhas muito velhas com produções muito pequenas.

Valor: O estilo que você busca hoje nos teus vinhos é privilegiar mais o frescor do que a fruta, não?
Niepoort: Eu não gosto de vinhos com fruta, eu gosto de vinhos frescos. É muito importante e a maior parte das pessoas não percebe a diferença. E ela é muito grande. A fruta é uma coisa banal e o frescor é essencial e difícil de conseguir. O frescor é a espinha dorsal de um vinho. Não se pode fazer um vinho com muito músculo se não tiver costas boas. O que segura nosso corpo é a espinha e a espinha é a acidez.

Valor: Foi com esse objetivo que você propôs fazer uma parceria com o Álvaro de Castro, da Quinta da Pellada, no Dão, e resultou no Dado?
Niepoort: É isso. Ainda hoje zombam de mim dizendo que sou maluco, mas tenho a certeza que as vinhas altas são o futuro. A idéia é juntar a espinha dorsal do Dão, cujos vinhos têm mais acidez, com os músculos do Douro.

Valor: Dizem que o Barca Velha chegou a fazer isso.
Niepoort: Eles dizem que não é verdade, mas meu pai até me disse o mesmo. Na verdade, o velhinho (Fernando Nicolau de Almeida, o mentor do Barca Velha), juntava os altos e os baixos e tinha razão.

Valor: Já que o assunto é parceria, você tem também com o Telmo Rodriguez, da Espanha.
Niepoort: O Telmo é uma pessoa que eu adoro e tenho muito respeito por ele. Fomos apresentado há 15 anos como sendo o maluco correspondente a mim na Espanha. Eu sabia que era uma parceria que iria acontecer cedo ou tarde, e agora está se realizando. Eu perguntei ao Telmo como ele queria fazer o vinho e ele respondeu que faríamos juntos. Eu disse para ele fazer como queria. Discute daqui, discute dali, e eu disse que ele fazia os vinhos sempre com luvas brancas, tudo direitinho, muito perfeito. Mas para ser sincero, eu lhe falei, "nos teus vinhos falta qualquer coisa. Esse qualquer coisa vou ser eu a dar". Não sei como, nem quando nem o que, mas primeiro eu precisava saber o que fazer. Não sei se ele achou muito engraçado, mas efetivamente fizemos o vinho como Telmo quis e devo confessar que aprendi muito com ele. Aprendi coisas que a gente sabe mas não faz. Só mesmo fazendo é que se percebe certas coisas

Valor: Isso te ajudou no que você chamou de nova fase da Niepoort a partir de 2004?
Niepoort: Sem dúvida que o Telmo ter aparecido nessa altura foi parte dessa revolução. Ele veio de certa forma ajudar a ter atitudes mais fundamentalistas no que eu mudei. Estou convencido que a partir de 2004 nossos vinhos estão duas ou três categorias acima. Em 2005 é tudo tão perfeito também devido ao que aprendi em 2004.

Valor: E o vinho com o Telmo, como ficou?
Niepoort: É um vinho feito no Douro e é do Douro. Vem de duas vinhas arrendadas do mesmo proprietário, mas teríamos de ter um controle maior sobre ela. Estamos sonhando com um vinhedo que siga uma escola biodinâmica.

Valor: O estilo mais elegante e fresco dos teus vinhos não segue bem o padrão internacional que os críticos influentes do mercado internacional tanto apreciam. Isso não te preocupa?
Niepoort: Não. Desisti. Tenho até sorte de que os críticos gostem dos nossos vinhos, mas eu nunca fiz nada pensando neles."

In Valor Económico em 27/03/2007

segunda-feira, março 26, 2007

Altas Quintas Reserva 2004

Ainda se lembram do Altas Quintas 2004?
Pois bem, agora chega a vez do Reserva.
Um senhor vinho que só de olhar para a forma como é feito, assusta. Paulo Laureano e João Lourenço optaram por fermentar as castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet em grandes balseiros de carvalho, e onde depois, e leiam bem, se fez uma maceração prolongada de mais de quatro meses. Depois de este perpétuo processo,o vinho passou para barricas novas de carvalho Francês e Americano durante 12 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada brilhante e de grande intensidade.
No nariz, profundo e impressionante, há uma panóplia de aromas, todos bem integrados e muito intensos, com uma parte floral muito fresca e elegante, amoras, framboesas, muito chocolate preto, terra molhada, casca de árvore, café, com um toque de baunilha e uma tosta bem presente trazem uma enorme complexidade e uma grande empatia para que o fiquemos a cheirar, sem nos preocuparmos a passar para o próximo passo.

Na boca, embora possante, o vinho é delicado e tem uma textura sedosa que nos camufla o palato, cheio de classe e cheio de requinte. Taninos excelentes, com uma estrutura de betão, bem suportada pela acidez e pela frescura perfumada que nos mostra, permitindo um final único, personalizado, longuíssimo e elegantissimo, com notas da barrica de baunilha e muito tabaco, mescladas com a fruta e o chocolate preto. O vinho tem um final de boca brutal, com um final quase interminável, todos os pontos da boca por onde passou ficam a aclamá-lo.

Grande vinho alentejano, e tendo em conta que é o primeiro reserva que se fez, é de bradar aos céus. Se há quem diga que o marketing desta empresa é fenomenal, eu digo que fenomenal é este vinho.

Nota 18
Preço 29 euros
Produção 6.600 garrafas

sexta-feira, março 23, 2007

Herdade do Portocarro 2003

Em 2006 nasceu mais uma nova marca, a Herdade do Portocarro, liderada por José Mota Capitão, juntamente com o enólogo Paulo Laureano. Para o mercado lançaram um primeiro tinto da colheita de 2003. A Herdade fica nas Terras do Sado, no Torrão, a paredes meias com o Oceano Atlântico.
O principal objectivo deste produtor é tentar transmitir para o vinho o terroir da sua herdade, aliando frescura e elegância.
Este tinto com o nome da Herdade, sure da junção de três castas, Aragonês, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, que estagiaram em barricas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e uma cor rubi de média concentração evidenciando já uma ligeira evolução.
No nariz, aromático qb, o primeiro impacto é de muita fruta vermelha bem madura e notas florais, com ligeiros apontamentos de mel. Nota-se uma boa complexidade, com algumas notas de grafite, cravinho, bolacha e uma tosta muito elegante e envolvente, garantindo um aroma fresco e charmoso sem cair em tons muitos quentes.

Na boca, os 4 anos já se notam, pois o vinho entra com suavidade apesar de volumoso, com os taninos arredondados, embora que ainda com uma boa acidez, não deixando nunca o vinho ficar "mole". Fruta e chocolate fazem um bom par, integrados perfeitamente com as notas do estágio.O Cabernet, maduro, parece aqui muito bem integrado com as duas castas e garante complexidade na prova de boca, e quando assim é vale a pena pelo menos não notei os tais pimentos verdes). As especiarias e o café marcam o final de boca, de qualidade ainda que com persistência razoável.

É um vinho afinado, com uma boa complexidade aromática e que merece ser provado.
Para primeiro vinho está muito bem e promete!

Nota 16,5
Preço 12 euros
Produção 30.000 garrafas

segunda-feira, março 19, 2007

Malhadinha 2005

Nova incursão pela Herdade da Malhadinha Nova, ( já aqui se provou o Pequeno João 2005) provo agora o Malhadinha Branco 2005.

É um branco feito exclusivamente com Antão Vaz fermentado totalmente em barricas de Carvalho Francês e Americano ( 60% e 40%), com um posterior estágio de 8 meses.

Com13,5% e uma cor impressionante amarelo dourado de grande concentração.
No nariz com uma entrada tostada não esconde a passagem pela madeira que sofreu, lembrando pão caseiro torrado, cereal, conjugado com um aroma limpo a pera rocha madura, banana, pólen, mel e as evidentes notas abaunilhadas, tudo muito exuberante e alegre, num conjunto interessante e bem equilibrado. As notas derivadas da madeira notam-se mas estão perfeitamente ligadas com o vinho.

Na boca entra fresco, volumoso e com uma certa untuosidade. Com boa complexidade, dá uma prova muito interessante, irreverente, com o vinho a percorrer toda a boca e perfumando tudo com notas tropicais e deixando uma suavidade torrada, ainda que com a acidez algo espigada, e com a madeira sempre presente a tomar o lugar da fruta. O final é longo, mineral e com ligeira baunilha.
Como diz o Copo de 3 ( e bem), o vinho ainda pode esperar mais uns tempos para ser bebido. O nariz está muito aprumado e equilibrado, mas na boca ainda não está muito arrumado. Mais uns meses portanto e o vinho ganha ainda mais complexidade e concerteza que, com esta estrutura vai dar bom resultado. Este "parece-me" ser um vinho para 17(+) valores, no entanto e para já (Janeiro de 2007) fica com:


Nota 16,5
Preço 12 Euros
Produção 3500 garrafas

Montes Claros Reserva 2004

É o primeiro vinho da Adega Cooperativa de Borba que tem lugar no Vinho da Casa, apesar de os seus vinhos estarem disponíveis em muitos locais, e a preços bem simpáticos.

Este Montes Claros tinto, é feito com quatro castas, Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Tinta Caiada que estagiam 12 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com14%vol e uma cor granada de média concentração quase translúcida.
No nariz, o aroma é elegante e fresco, com notas de morangos, ameixas, groselhas, com alguma borracha, num estilo muito perfumado e afinado. O lado floral também aqui está presente, trazendo alguma complexidade aromática, onde o estágio da barrica está em segundo plano, com uma boa tosta bem casada no vinho.

Na boca, é fresco, tem uma acidez bem viva, dando alegria ao vinho, que enganosamente se mostra musculado e bem estruturado, ( a pouca concentração em nada o previa) com taninos com T grande, onde as notas da barrica, chocolate e a fruta fresca nos dão alguma suavidade neste estilo que tenta ser potente. O vinho mostra-se portanto muito equilibrado na boca, com um bom final, onde sobressai o fumo e as especiarias.
Um vinho muito interessante e curioso, com pouca extracção mas com grande volume de boca.
Elegante no nariz e aguerrido na boca.
Excelente relação qualidade-preço.

Nota 17
Preço 6 euros
Produção 120.000

terça-feira, março 13, 2007

Pontual Touriga e Trincadeira 2004

Depois de provado o Reserva 2004 ( aqui ) e o Syrah 2003 ( aqui ) é provado agora mais um vinho da Companhia de Vinhos do Alandroal.
Este é feito exclusivamente com duas castas plantadas em terrenos xistosos, Touriga Nacional e Trincadeira que estagiam em barricas de carvalho francês e americano durante 10 meses.

Com 14,5%Vol tem uma cor granada de média concentração.
No nariz, o estilo aromático vem no sentido do Syrah, no toque à frescura e finesse e longe dos quentes aromas tradicionais alentejanos. Com complexidade, muito floral, com notas típicas de violeta, fruta vermelha fresca, mentolados e um fundo mineral com a madeira muito bem a envolver todo o conjunto, com uma boa tosta e especiarias.

Na boca o vinho entra delicado, sem excessos, de médio porte, com os taninos finos e uma boa acidez. Aparece ao lado da fruta um ligeiro toque herbáceo, chocolate e torrados, com a madeira uma vez mais aqui em harmonia, com um bom final, ascendente, floral e com notas de café.
Um vinho muito elegante, harmonioso, sem muita extracção, com a parte floral das duas castas em destaque. Muito bem para o preço apresentado.

Nota 17
Preço 10 euros

segunda-feira, março 12, 2007

Muxagat 2005

Depois de provado o tinto, ( ver aqui ) vem agora para cima da mesa o branco.
É um vinho branco feito por Mateus Nicolau de Almeida, de vinhas que rondam os 40 anos e uma altitude média de 350 metros, com 90% de Rabigato e o restante de Gouveio, Códega e Viosinho, com 20% do lote a passar por barricas novas de carvalho francês durante 8 meses.

Com 13%Vol e uma cor amarelo palha com alguma concentração.
No nariz é muito fresco e incisivo, com um mineral intenso, limão e maracujá juntamente com um leve toque fumado. Rapidamente somos transportados logo para o Vale do Côa, curiosamente nesta altura das amendoeiras em flor, pois pode ser sugestão, mas o aroma a amendoas juntamente com as notas florais estão cá presentes. Tem um aroma muito afinado e de bom nível.

Na boca, fresco e de elevada acidez, bem equilibrada pelo bom volume de boca, mostra-nos que é um vinho branco para todo o ano, inclusivé os tempos mais frios. Perfumado q.b. na boca com notas frutadas e ligeiro vegetal fresco, com um final mineral de bom nível e persistente.
Pela mineralidade que apresenta e pela boa acidez, guardá-lo uns tempos em garrafeira não será uma hipótese descabida para ganhar um pouco mais de harmonia.
Um vinho branco muito bem feito.

Nota 16
Preço 8 euros
Produção 10.000 garrafas

O Copo de 3 também já provou este vinho. Vejam aqui.

Solar dos Loendros Cabernet Sauvignon 2003

Mais um vinho ribatejano e de Tomar em prova, desta feita um tinto monovarietal Cabernet Sauvignon da colheita de 2003 do Solar dos Loendros.
Às portas de Tomar e a circundar este solar moderno, estendem-se 30 hectares das castas brancas Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay e as tintas Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon.

Com 13%Vol, de cor granada e com mediana concentração, evidenciando já algum envelhecimento parecendo quase um tinto de Castelão na cor.
No nariz, os aromas iniciais cativam, com algum chocolate e fruto vermelho, mas com o arejamento surgem aromas a leite creme queimado, verdes, algum couro e o nosso bem conhecido pimento verde, ainda que um pouco enjoativo mas não em excesso.

Na boca, a primeira sensação é de rusticidade, com a acidez algo desequilibrada, pois pelo pouco corpo que apresenta, esta vem ao de cima, com notas de lagar, de engaço, muito vegetal, alguma fruta, lembrando-me de casca de maçã vermelha e ameixa. Os taninos estão bem redondos e o final de boca é aceitável, com notas de especiarias e algum tabaco.
Um vinho feito para o seu público, algo desajustado dos padrões modernos e que sinceramente, não faz o meu estilo.

Nota 13,5
Preço 4 euros

quarta-feira, março 07, 2007

Redoma Reserva 2005

Muito haverá para dizer sobre este vinho... Mas pouco de novo haverá para contar.
Posso dizer que é o vinho branco mais pontuado do país... posso acrescentar que o João Paulo Martins o coloca ao nível dos melhores brancos do mundo... posso acrescentar que os consumidores andam sempre malucos para o comprar... posso acrescentar que tem um preço muito inferior aos grandes brancos mundiais...

Ora, para quem não anda distraído no mundo do vinho sabe que este vinho nasce de um sonho de Dirk Niepoort em fazer um grande branco borgonhês, com as castas tradicionais do Douro, aproveitando as vinhas de altitude. Todas as vinhas que dão uva para este sonho têm mais de 60 anos, e estão todas plantadas entre 400 e 800 metros de altitude.
Esta colheita de 2005 é a sétima desde que se produziu Redoma Reseva pela primeira vez em 1995.
As castas do lote são o Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto, que fermentam e estagiam em barricas novas e usadas de Carvalho Francês durante 8 meses.

Com 13%Vol o vinho tem uma brilhante cor amarelo-ouro.
No nariz impressiona-nos, com uma complexidade aromática ímpar, com pólen, fumo e as notas tostadas a ambientarem o aroma intenso de frutos citrinos e uns ligeiros toques de fruto exótico. Para complicar ainda mais este aroma cativante, o traço mineral envolve todo o copo. Tudo aqui está muito aprumado e arrumado, garantindo uma grande frescura, um limpidez aromática, e, não fosse palavra-chave nos vinhos Niepoort, elegância. A barrica bem integrada e de grande nível sente-se ao longo da prova, assim como algumas notas verdes, com hortelã-pimenta, jasmim e algumas folhas de chá.

Na boca, entra harmonioso e com carácter, acidez firme e crispante sem se sobressaír, com bom volume. Conseguindo perfumar toda a boca, nota-se uma vez mais a madeira integrada com o vinho, num tom fresco e amanteigado, mostra mais uma vez grande complexidade, permitindo um final mineral e especiado de luxo, longuíssimo e super equilibrado.

Este vinho é sem dúvida o corolário da expressão "Néctar dos Deuses".
Este é daqueles vinhos que deixa qualquer um de rastos.
Agora que estamos numa de enumerar as 7 maravilhas de tudo e mais alguma coisa, este é para mim umas das 7 maravilhas vinícolas.
Elegância e delicadeza invioláveis e um comprimento infinito.
Espectacular.

Nota 18,5
Preço 30 euros
Produção 10.000 garrafas


Parece que o sonho de Dirk está concretizado... Mas de certeza que não se fica por aqui, pois como disse Bernardo Soares no Livro do Desassossego:
"Viver não é necessário. Necessário é criar."

sábado, março 03, 2007

Gambozinos Reserva 2004

Não, não é nenhuma reserva natural de Gambozinos no Douro...

Este nome peculiar é uma marca de vinhos de um pequeno produtor no Douro, de seu nome Paterno Dias, que tem uma quinta com vinhas velhas no Vale do Rio Torto que tem a seu cargo o énologo Jean Hugues Gros.
Este tinto, reserva de 2004 vem loteado com uma grande variedade de castas, não estivessemos nós a falar de vinhas velhas, onde predominam a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Após a fermentação clássica em lagares, apenas 20% do lote estagia em barricas de carvalho francês, ficando o resto a estagiar em inox.

Além da minha prova, vejam também esta do Saca-A-Rolha
Com 14%Vol. e com grande concentração na cor, bem rubi e retinto.
No nariz, o vinho tem uma entrada muito fresca, irrequieto, transportando-nos logo para um dia primaveril no Vale do Douro, com muitas e muitas notas violetas, muita vegetação fresca, esteva, rosmaninho, ligeiras notas de tinta da china e um fundo balsâmico que ainda ajuda mais a alegrar o conjunto. Nesta frescura imensa, a fruta também dá de si, com as bagas silvestres a predominarem. Bem equilibrado o nariz, apesar do nervo que ainda apresenta. Por vezes dá ideia de se sentir os aromas do engaço. O pequeno estágio em madeira não se quer mostrar, mas talvez tenha sido ponto influente para esta afinação aromática.

Na boca, muito extraído e de acidez elevada, com um bom volume de boca, muito concentrado, quase pastoso, a fruta fresca é predominante, com os taninos bem presentes mas não desconcertantes. Está ainda um pouco novo o vinho, e tem alicerces para dormir mais um pouco, até os taninos arredondarem um pouco mais. O final de boca é afinado, fresco e anisado mas com uma duração e complexidade que poderiam ser um pouco maiores.
É um tinto muito carregado, cheio de garra, um pouco monocórdico e a precisar de acalmar ainda um pouco. No entanto, para o preço está muito bem. Uma boa opção para pratos pesados.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 9800 garrafas

sexta-feira, março 02, 2007

Vinho Português Parkerizado?

Há uns tempos, o país vinícola abanou...
Não se tratou de nenhuma réplica de um sismo, mas a notícia da chegada de um "Wine Taster", Mark Squires, do grupo Robert Parker ( talvez o nariz mais independente e afinado do mundo, pelo menos é o que consta ) com o objectivo de provar o vinho Português.

Pelos vistos, as ondas negativas que se geraram não foram assim tão importantes, pois os produtores não tiveram tempo de fazer vinho à moda americana ( com as castas que eles tanto gostam, com as maturações excessivas, ao estilo novo mundo), e os resultados foram simplesmente os seguintes...

Vinhos acima de 90 ( Mark Squires para já provou só quase Douro's):

2003 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 96
2004 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 95
2001 Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 95
2004 Batuta 95
2004 Abandonado 95
2000 Quinta Do Fojo 95
2000 Quinta Da Manuela 94
2005 Redoma Reserva Branco 94
2004 Curriculum Vitae 94
2004 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 94
2003 Duas Quintas Reserva Especial 94
1999 Barca Velha
94
1994 Reserva Ferreirinha 93
2004 Quinta do Vale Meao Tinto 93
2003 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 93
2003 Quinta do Crasto Tinta Roriz 93
2000 Quinta do Crasto Vinha Da Ponte 93
2004 Chryseia 93
2004 Quinta Vale D Maria 93
2003 Curriculum Vitae
93
2004 Charme 93
2004 Redoma 92
2005 Redoma Branco 92
2003 Casa de Casal de Loivos 92
2001 Domingos Alves de Sousa Grande Escolha
92
2003 Cortes de Cima Reserva 92
2000 Quinta Da Gaivosa 92
2004 Poeira 92
2003 Chryseia 92
2004 Quinta do Crasto Touriga Nacional 92
2003 Quinta Do Vallado Reserva 92
2004 Duas Quintas Reserva Especial 92
1989 Reserva Ferreirinha 92
2003 Xisto 92
2003 Quinta Da Leda 92
2003 Pintas 92
2000 Carm Cm 91
2004 Carm Grande Reserva 91
2003 Quinta de San Joanne Escolha
91
2000 Quinta Da Leda 91
2003 Duas Quintas Reserva 91
2003 Quinta Do Portal Auru 91
2004 Dorado 91
2002 Quinta do Crasto Reserva Old Vines 91
2004 Casa de Casal de Loivos 91
2003 Quinta Vale D Maria 91
2003 Lavradores de Feitoria Grande Escolha 91
1999 Vinha Do Fojo 90
2003 Dona Maria Reserva 90
2004 Herdade de Malhadinha Nova
90
2003 Marques de Borba Reserva
90
2003 Domingos Alves de Sousa Quinta Da Gaivosa 90
2003 Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 90
2004 Incognito 90
2004 Quinta Dos Quatro Ventos 90
2004 Quinta Da Terrugem 90
2002 Quinta Da Terrugem 90
2003 Quinta do Crasto
90
2003 Quinta Do Portal Grande Reserva 90
2002 Quinta de Roriz Reserva 90
2004 Quinta de la Rosa Reserve 90
2005 Quinta de Covela Escolha Branco 90
2001 Casa de Santar Touriga Nacional
90
2001 Casa de Santar Reserva
90
2004 Quinta Da Leda 90
1998 Colheita Ferreirinha 90
2003 Vinha de Mazouco Reserva
90
2004 Duas Quintas Reserva 90
2003 Carm Reserva 90


Que dizer?
Estamos em grande?

As tais castas "esquisitas" que o Douro tem não têm potencial?
É que neste primeiro relato só quase vejo vinhos do Douro!
Parece-me que o Sr. Mark Squires não diria o mesmo agora na entrevista que deu à Blue Wine...

Parabéns a todos os vinhos com estas magníficas pontuações.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Grande Noite do Vinho

E já la vai...
A grande noite do vinho, o jantar da entrega de prémios da Revista de Vinhos este ano foi, como se soube, na Alfândega do Porto, e nós, malta dos blogs lá estivémos.
A noite começou no salão do piso térreo da Alfândega foram servidos vários acepipes com Alvarinhos e Espumantes e houve tempo para cumprimentar muitas personalidades do vinho que já nos vão conhecendo a pouco e pouco.

Quatro elementos do Vinho a Copo, o Copo de 3, o Pingas no Copo, o Saca-a-Rolha e o OsVinhos foram os meus companheiros de uma looooooonga noite.
Lá bem no fundo, na mesa 81 ( afinal eram 84, o que mostra que já subimos 3 lugares!!), e com uma mesa de vinhos mesmo atrás de nós, formámos uma autêntica equipa de Rugby e conseguimos degustar à mesa quase todos os prémios de excelência e/ou os melhores vinhos nacionais.
Enfim, foi uma grande noite, longa e cheia de alegria, e claro onde o mais importante foi saber os prémios entregues. Aqui fica a lista de premiados:

Vinhos de Excelência:
Espumante Murganheira Vintage 2002
Muros de Melgaço 2005
Redoma Reserva Branco 2005
Abandonado 2004
Barca Velha 1999
Batuta 2004
Charme 2004
CV 2004
Pintas 2004
Vinha da Ponte 2004
Vale Meão 2004
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Tinto 2004
Quinta Foz Arouce VV Santa Maria 2003
Pancas Premium 2003
Leo D´Honor 2003
Hexagon 2003
Marques de Borba Reserva 2003
Esporão Private Selection Tinto 2003
Torre do Esporão 2004
Herdade dos Grous Reserva 2005
Pera Manca Tinto 2003
Herdade do Perdigão Reserva 2004
Quinta do Mouro 2003
Dourat 2003
JMF Moscatel Roxo 1971
Dom Rozés 40 anos
Krohn 1966
Blandy Bual 1948

Prémios do Ano:
Escanção do Ano – Ritz
Restaurante tradicional – O Galito
Restaurante do ano – Amadeus
Jornalista – José Quitério
Garrafeira – Veneza
Associação Viticula – Instituto Superior de Agronomia
Produtor Revelação – Altas Quintas
Produtor do ano – Domingos Alves de Sousa
Cooperativa do ano – Pegões
Empresa do ano – Niepoort e Dão Sul
Empresa do ano generosos – Bacalhôa
Viticultura do ano – Real Companhia Velha
Enólogo do ano – Luis Duarte
Enólogo do ano generosos – Charles e Peter Symington
Enoturismo do ano – Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Senhor do Vinho – José Casais

Os meus parabéns ao Chef Hélio Loureiro pelo magnífico trabalho que conseguiu, afinal de contas servir 800 pessoas numa noite não deve ser tarefa fácil, e com a qualidade elevada com que foram servidas mais difícil será. Como tudo na vida, o caminho para a perfeição só está ao alcançe de alguns. O prato de bacalhau e a sobremesa de chocolate estavam divinais... Só faltou mesmo um Vintage para terminar. Não se pode ter tudo. Em nome do Vinho da Casa deixo uma vénia e um "muito obrigado" à Revista de Vinhos pelo belo jantar e cerimónia que proporcionou.


Para o ano haverá mais! Isto se nos quiserem aturar outra vez....

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Vinho no Porto

O Porto este fim-de-semana receberá o momento mais alto do ano no panorama vínico.
Falo-vos do jantar e cerimónia da entrega de prémios d'OS MELHORES DO ANO da Revista de Vinhos. O Vinho da Casa e todos os outros blog's de vinho foram convidados. Acho muito curioso e gratificante que a maior revista da especialidade nos observe e reconheça o nosso trabalho/hobby. Eu certamente serei um dos, senão, o mais novo ali presente. ( a não ser que os produtores levem os filhos de 22 anos :) )

Nesse mesmo dia 16, arranca o outro maior evento vínico nacional, o já bem conhecido ESSÊNCIA DO VINHO, com mais de 2000 vinhos em prova e 250 produtores. Sim, 2000!!!!
O programa está no site da Essência do Vinho, é só um clique aí na lista de links do lado direito.
Como apaixonado pelo vinho que sou, estarei lá sábado e domingo de copo na mão.
Se alguém me quiser pagar um copo é só dar uma apitadela! 916005100
Haverá ainda tempo para um jantar no sábado à noite onde eu e o blog Saca-A-Rolha e mais uns amigos estaremos presentes.


Estes 3 dias vão ser de loucos.
Até segunda-feira!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Arrojo Reserva 2004

Da Companhia de Vinhos do Douro, sai para o mercado pela primeira vez a Marca Arrojo Reserva.
É um tinto feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca, plantadas em terrenos xistosos bem lá no longíquo Douro Superior.
O estágio é feito durante 12 meses em barricas novas de Carvalho Francês.

Com 13,5%Vol e um cor rubi de boa concentração.
No nariz, o vinho mostra-se fresco e cheio de juventude, com a fruta preta e as violetas tão características a darem alegria, as notas de xisto são aqui perceptíveis, com a baunilha e as notas tostadas a darem um claro toque de modernidade ao conjunto. Nota-se ainda um ligeiro vegetal que trás ainda mais à percepção a ideia de um vinho jovem.

Na boca, pronto para ser apreciado, muito equilibrado, estilo moderno e abaunilhado, com os taninos suaves e afinados. De bom volume e afinado, ainda que elegante o vinho é no entanto pouco complexo, preocupa-se mais em agradar do que a mostrar a sua personalidade. Está presente uma vez mais a fruta preta, nada doce, pois a acidez está bem colocada, num final abaunilhado, perfumado e cativante.
Um vinho feito para agradar a quase todos, num perfil pronto para beber, moderno,embora um pouco mais de profundidade não lhe faria mal. É no entanto uma boa relação qualidade preço no que toca a vinhos do Douro no patamar praemium.

Nota 16
Preço - Aprox. 10 euros


quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Pequeno João 2005

A Herdade da Malhadinha Nova, é um projecto recente no país, mas que já está bem implementado no mercado, e dele já retirou muitas mais valias. De recordar os inúmeros prémios que o Malhadinha 2003 ou o Aragonês 2004 conseguiram arrecadar.
Situado a sul de Beja, esta herdade Alentejana aposta na qualidade e modernidade dos seus vinhos. Luís Duarte e Ian Richardson apoiam a família Soares.
Na colheita de 2004, este produtor lançou um novo produto com uma garrafa muito peculiar, de apenas 0,5l, imitando as bem conhecidas garrafas de Sauternes.

Em 2005, sai a 2ª versão deste Pequeno João, feito com Cabernet Sauvignon e Aragonês, 40% cada e 20% de Syrah e com um estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Com 15% e opaco na cor, que denota grande concentração.
No nariz, encontra-se um aroma complexo, bem maduro e com uma envolvência tostada de bom nível. Os aromas químicos surgem no primeiro impacto, onde aparecem depois as notas de fruta bem madura lembrando ameixa preta e algumas pétalas de violetas. Consegue-se perceber também que o Cabernet está aqui muito bem ( sem o tal pimento verde que “só” os portugueses conseguem ter), com muita especiaria, cravinho e canela.

Na boca, acetinado, de baixa acidez, quase doce, perfil torrado da madeira, com baunilha, café, taninos presentes mas bem maduros. Encorpado e quase mastigável, com o álcool bem integrado no conjunto a fruta aparece uma vez mais bem madura e com grande extracção, num final longo e especiado com notas de pimenta verde.
É um vinho com uma grande extracção, com complexidade, encorpado e onde se nota a predominância do Cabernet Sauvignon muito bem trabalhado, embora a parte floral do Aragonês também não esteja esquecida. Mas este vinho marca mesmo pela qualidade do Cabernet.

Nota 17
Preço – 20 Euros
Produção – 4140 garrafas (0.5l)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Dona Maria 2005

De volta ao Alentejo...
Dona Maria, são actualmente os vinhos produzidos por Júlio Tassara de Bastos, na zona de Estremoz onde explora 53 hectares de vinha, distribuídos pelas vinhas de Dom Martinho, Monte do Abreu e Quinta do Carmo.
D. João V esteve em tempos, tremendamente apaixonado por uma artesã, de seu nome Dona Maria, e como prova da sua paixão, adquiriu a Quinta do Carmo e ofereceu-a à sua amada.
Em prova esteve o branco de 2005, feito com 60% de Roupeiro, 20% de Arinto e 20% de Antão Vaz.

Com13,5%Vol, mostra uma boa cor amarelo esverdeado, brilhante e com uma concentração média.

No nariz, não muito exuberante, mas afinado, aparecem as notas frutadas e citrinas em primeiro plano, com limão, folha de limoeiro, ananás, algum chá e uns ligeiros aromas de cápsula de medicamento. Fresco, muito fresco, com um lado vegetal verde e bem primaveril também presente e com um ligeiro fundo mineral dando alguma complexidade ao conjunto bastante equilibrado.

Na boca, o vinho mostra-se uma vez mais um pouco tímido, apesar do bom corpo que tem, com um bom volume de boca, com a acidez bem integrada, mas com os aromas citrinos e algum verde a trazer frescura. Este perfil trás elegância, num final surpreendente, onde as notas tropicais aliadas a um ligeiríssimo fumado se prolongam muito bem no tempo.
Como já disse, é um vinho que prefere ser calmo e pouco falador, conseguindo com isso ter um perfil elegante e bastante equilibrado e sem qualquer desafinação.
Bem capaz de ir para a mesa, pois tem estrutura para isso.

Nota 15,5
Preço 7,50 euros
Produção 17 500 garrafas

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Encosta do Sobral 2005

Tomar foi a cidade que me acolheu até à minha vinda para o Porto em 2001.
O Porto é uma cidade fantástica, moderna e pura, mas Tomar é sem dúvida alguma a cidade mais bonita do nosso país.
Nas encostas xistosas da Serra de Tomar, entre uma sinuosa estrada que todos os anos faço com a minha família até chegar à Albufeira de Castelo do Bode fica a Encosta do Sobral, projecto recente da família Sereno e ajudado pelo enólogo João Melícias.
O branco de 2004, no painel da Revista de Vinhos onde o tema era "Brancos com madeira", ficou num belíssimo segundo lugar.
Este branco de 2005 é feito com Fernão Pires, Arinto e Malvasia, onde 10% do lote vai para a madeira de carvalho francês e americano durante 2 meses.

Com 13%Vol. tem uma cor amarelo palha de ligeira concentração.
No nariz, fresco e um pouco abaunilhado, mostra uma boa entrada citrina, casca de laranja, limão, alperce e com algum vegetal fresco associado, e um ligeiro tostado a trazer-lhe alguma complexidade.

Na boca, de médio corpo, com a acidez crispante, frutado, com as notas limonadas a darem muita vivacidade ao conjunto, sempre com as notas vegatais associados, trazendo-lhe um lado seco na boca, permitindo mesmo um final com ligeiro amargo, com notas de avelã e ligeiras nuances da madeira.
Um vinho algo sui generis, pois tem uma grande frescura e uma acidez alta, que nos pede para ser bebido a solo, mas com algum corpo e um pouco amargo que nos diz que é melhor levá-lo para a mesa. Vai depender do estilo de cada um. Não se pense que é um vinho desequilibrado, antes pelo contrário, tem é o seu perfil. Será dos ares da serra e dos terrenos xistosos escondidos em pleno maciço calcário estremenho?

Nota 15,5
Preço 4 euros
Produção 10500 garrafas

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Apegadas Quinta Velha Reserva 2004

Depois de provado aqui o Apegadas Quinta Velha 2004, aparece para prova o seu irmão, o Reserva.
Este é feito com uma selecçao de diferentes parcelas da Qta. Velha, situada entre a Régua e o Pinhão, onde predominam as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, com um estágio de 12 meses em Carvalho Húngaro e Americano.

Com 15%Vol. e uma cor rubi de boa concentração.
No nariz, a madeira está bem presente, tostado, onde os aromas a folhas de tabaco, a baunilha, a erva seca, algumas especiarias que se sobrepõem à fruta, com compotas de frutos pretos e um toque de grafite muito cativante que lhe trás alguma frescura no aroma. Nota-se aqui um estágio em madeira de bom nível, ainda que não completamente casado com o lado floral e frutado do vinho.

Aveludado na boca, de bom volume de boca, mais espesso que o colheita, com uma frescura trazida pela boa acidez e pelo ligeiro perfil mineral. Nota-se uma excelente maturação das uvas, com fruta muito madura, com bons taninos mas sem desafinarem ajudam a uma boa prova. Aqui já se vê um melhor equilíbrio do vinho, com a madeira bem integrada, que proporciona um final de bom nível com charuto e café a ficarem no palato.
É um vinho mais afinado na boca que o colheita 2004, e mesmo com mais meio grau, o bom volume e a boa densidade não deixam o álcool desequilibrar o vinho. No entanto continue-se tal como o anterior a beber à temperatura correcta.

Nota 16,5
Produção 1800 garrafas
Preço 20 euros

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tokaji Aszú 5 Putonnyos 2000 ( Grof Degendelf )

Pela primeira vez o Vinho da Casa dá a conhecer um vinho de colheita tardia da região Húngara de Tokaj-Hegyalja.
Vindo do produtor Grof Degendelf, é um vinho feito com uvas vindimadas mais tarde do que o normal, com o fim das mesmas poderem ser atacadas por um fungo de seu nome botrytis cinerea que lhe vai trazer grandes níveis de açucar e aromas inconfundíveis.
O nível de açucar residual é depois escalonado de forma ascendente em puttonyos, desde o 3 até ao 7. Este 5 puttonyos provado tem 135 gramas/litro de açucar. Devido a esta doçura, é um tipo de vinho que deve ser apreciado a 10ºC.

Tem 11,5%Vol. e uma bonita cor laranja dourado.
No nariz, os aromas aparecem aqui de forma mais que exuberante, dando vontade de ficar a cheirar o copo por longos minutos... As notas húmidas da terra, o funcho, os figos, o mel, o maracujá, algum tabaco fresco, a casca de laranja, as amendoas... Tantos e tantos aromas que se descortinam de cada vez que se leva o nariz ao copo, demonstrando assim uma enorme alegria e uma boa complexidade.

Na boca, untuoso e quase licoroso, suave e delicado, mas no entanto muito doce, quase parecido com o xarope para a tosse, com o mel, a maça assada a aparecerem bem conjugados com os frutos secos, num final longo e ligeiramente enjoativo, sinceramente estava à espera de contar com mais profundidade, com uma acidez capaz de aguentar o açúcar e por aquilo que mostrou no nariz. Não se mostra tão complexo na boca.
Um vinho muito bom para a sobremesa, mas que tem o seu auge como entrada, ao lado de um foie gras. À falta de melhor, acompanhei com mousse de pato e a ligação foi estupenda.

Nota 16,5
Preço - À volta de 5000 Forits Hungaros ( 20 Euros)


quinta-feira, janeiro 11, 2007

Redoma 2004

Redoma, dizem os dicionários que é uma campânula de vidro, convexa, destinada a guardar do pó objectos delicados. Para mim, uma redoma é uma garrafa bordalesa que envolve um delicado líquido feito pela casa Niepoort, onde em 0,75 l se tenta reflectir o Douro no seu todo.
Na Niepoort, a colheita de 2004 é simplesmente magnífica, super-equilibrada e com vinhos excepcionais. Das vezes que os provei pelos vários eventos e jantares, o Redoma para mim é um vinho fenomenal, e até o prefiro ligeiramente ao Batuta ( mais tarde publicarei a nota de prova). O Charme, claro, é de outro estilo.
Não apenas nesta casa, penso que a colheita de 2003 levará sempre a melhor no que toca a vinhos do Douro, pois o peso da colheita de Porto's de 2003 é algo difícil de transpôr.
Para aqueles que me seguem fielmente ( sim vocês os 3), acreditem, 2004 é um grande ano para os vinhos do Douro e bem melhor que a colheita de 2003.
Este tinto foi a primeira grande marca que Dirk Niepoort implementou na sua casa no que toca a vinhos tranquilos, desde o início dos anos 90. Provém actualmente de variadas vinhas velhas viradas a norte, todas com mais de 60 anos, com castas tradicionais do Douro, algumas menos conhecidas actualmente, tais como o Tinto Cão, a Tinta Amarela, a Tinta Francisca e o Sousão.
O lote estagia durante 18 meses em barricas de Carvalho Francês.

Com 14%vol e uma cor rubi com reflexos púrpura de grande concentração.
No nariz o vinho mostra classe, profundidade, com uma entrada fresca e ligeiramente química, quase lembrando borracha e algum eucalipto. Com o agitar do copo, a excelência da barrica dá de si, com as notas tostadas e o cheiro a móvel encerado a desmultiplicar-se com a esteva e a fruta, com amoras, ameixas pretas e romãs, num fundo mineral com aromas de grafite.

Na boca, carnudo, o vinho tem uma densidade muito boa, quase mastigável, com taninos de grande nível, muita fruta fresca, especiarias e chocolate preto. A capacidade de preencher todos os cantos da boca neste vinho é incrível. Tudo isto numa envolvente suavidade digna de um grande vinho, elegante e com um final muito bom, mineral, onde as notas de baunilha e especiarias se prolongam... e prolongam e prolongam.
É um prazer beber este vinho, completamente afinado e muito bem trabalhado. Aguerrido mas delicado, bruto mas bem-educado, cativante e persuasivo. Quase de certeza que estará cá para ser apreciado durante largos anos.

É um fusão talvez da rusticidade e tipicidade das áridas mãos dos trabalhadores das terras durienses e da elegância e civismo das gentes das terras baixas metidos dentro de uma Redoma, perdão, garrafa.

Nota 18,5
Preço - 25 euros
Produção - 18300 garrafas

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Grou 2 2004

Em Cabeção, na Soc. Agrícola do Vale da Joana, nasceu um novo projecto na colheita de 2004, apesar de naquela localidade o património vitvinicola já existir desde 1836, com registos de vinhas pertencentes à família Nunes Barata.
Nos dias de hoje, Nunes Barata convidou Anselmo Mendes a trabalhar em pleno Alentejo, e o resultado são 56 hectares das mais variadas castas, com predominância na Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Trincadeira, Syrah e outras com menor peso como, Cabernet, Tinto cão, Bastardo e Baga.

Além deste Grou 2 2004, foi feito também o Grou 2004, e na colheita de 2005 apareceu um novo vinho, Grou 2 Reserva. Todos estes vão ser alvo de apreciação pelo Vinho da Casa, ficando este Grou 2 2004 como o primeiro a ser "testado".
É então um vinho feito só em Inox, sem qualquer contacto com a madeira, e que tem no seu lote Aragonês, Trincadeira e Syrah.

Com 13,5%vol apresenta uma tonalidade granada de ligeira concentração, bonita e límpida.

No nariz, mostra-se bem vivo, com notas de ameixa preta a saltar do copo, muitos morangos, algumas especiarias e um vegetal fresco, envolvidos num perfil fresco e balsâmico e com aromas quase lembrando borracha e/ou alcatrão.

Na boca, o vinho volta a mostrar uma vivacidade de se lhe tirar o chapéu, muito fresco, acidez distinta dos "alentejanos", talvez a experiência nortenha de Anselmo Mendes tenha feito a diferença, com um corpo surpreendente para a tonalidade do vinho, pois os taninos estão ainda presentes, mas bem suportados pelo volume de boca, permitindo uma boa prova, com a fruta vermelha a marcar, casca de maçã vermelha e uns toques minerais. Bom final, com a fruta e a borracha a substituirem a madeira que não está cá.
Um vinho diferente, num estilo fresco e "unoaked" e que pela nota que tem merece ser provado.

Nota 16,5
Preço 7 euros
Produção 15000 garrafas

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Rol de Coisas Antigas 2005

Manuel dos Santos Campolargo, apresenta-nos mais um novo vinho, desta forma uma novidade na sua gama, mas que de novo nada tem, pelo menos no nome.
É um vinho feito com um lote de castas antigas da Bairrada:
Touriga Nacional ( Moreto)
Alfrocheiro ( Xara)
Sousão
Tinta Pinheira
Bastardo
Alicante Bouschet
Baga
Castelão

Com este lote, o produtor estagiou o vinho em barricas de carvalho francês durante 10 meses, após fermentação em pequenos lagares.

Tem 13,5%vol e uma cor é quase preta, com ligeiros reflexos púrpura.
No nariz, exuberante, um aroma fresco domina, com aromas de mentol, muito químico, quase tinta, com uma boa componente floral a perfumar o conjunto. A fruta também marca presença mas em segundo plano, com notas de amoras pretas e um ligeiro fundo de couro.

Na boca o vinho mostra-se muito jovem, algo vegetal, frutado e com os taninos a darem alguma austeridade, com um perfil fresco graças à boa acidez que apresenta. A madeira está bem integrada no vinho, sem o marcar, onde o chocolate preto anda bem ligado aos frutos silvestres. Termina bem, com um traço balsâmico e vigoroso. É um vinho fresco, com bom volume de boca e com alguma força.

Nota 16
Preço 10 euros
Produção 10424 garrafas

terça-feira, janeiro 02, 2007

Oboé Grande Escolha 2003

Depois da nota desastrosa e quanto a mim incompreensível atribuída pelo meu amigo e vizinho do Pingas no Copo, chega a vez do Oboé ser tocado aqui no Vinho da Casa.

Este vinho, com um bonito rótulo, é o topo de gama da Companhia de Vinhos do Douro, elaborado com um criteriosa selecção de uvas de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca que adormecem durante longos 20 meses em barricas novas de Carvalho Francês após uma maceracão prolongada.

Tem uns bonitos 13%vol e é quase preto na cor.
Com alguma complexidade no nariz a primeira impressão é um perfil denso e bem frutado, com muita fruta madura, muita fruta silvestre ( amoras, groselhas, compotas). A madeira diz que está presente, com o chocolate e as folhas de tabaco a fazerem um bom conjunto. Ao lado deste fruto, aparecem uns aromas curiosos, lembrando quase engaço, vegetal fresco, a trazer ao vinho um toque rústico.

Na boca, com um volume enorme, bem denso e estruturado, mas com taninos finos, fazem uma boa prova, com garra, onde toda a fruta presente é envolvida por uma suavidade trazida pelo longo estágio, cheio de chocolate e algum licor. Os 13º estão aqui na perfeição, mostrando aos demais que em 2003, foi possível fazer um vinho com uma boa maturação e com pouca graduação. O lado rústico continua aqui presente. Termina com um final com alguma complexidade.

É um vinho interessante, com bom volume, nota-se que houve muita extracção e cuidados ao fazê-lo. Os 20 meses de madeira nova não assustam, pois o vinho não está só marcado pela madeira. O preço é que está um pouco acima...

Nota 16,5
Preço - 40 euros
Produção - 3500 garrafas

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Uma passagem pelas Beiras

Em direção à famosa zona do Leitão, virando para a Anadia, e por uns caminhos apertados, cheguei à Amoreira da Gândara, onde Luís Pato tem a sua adega. Luís Pato, para quem não souber, é o grande homem que revolucionou a casta Baga, e com muito orgulho afirma que é uma casta com semelhanças à italiana Nebbiolo.

Actualmente os vinhos de Luís Pato estão com grande sentido internacional, como é o caso do branco Maria Gomes, que vende muito no Japão por ter o nome “Maria” associado. Ao que me foi dito as japonesas gostam muito que o vinho tenha um nome feminino, talvez estejam finalmente a conseguirem emancipar-se?

As instalações foram recentemente remodeladas, e o grande salão de estágio situado abaixo do solo, está neste momento protegido por uma enorme camada de relva, o que lhe traz excelentes condições de conservação, principalmente em questões de humidade.

Provei amostras de barrica da colheita de 2005 dos tintos, Vinhas Velhas, Vinha Pan e Vinha Formal, os três ainda muito crús, em construção mas já com alguma elegância e acima de tudo frescos, cheios de menta e de frutos silvestres e com uma acidez muito bem colocada.

Com tempo ainda de visitar a enorme sala de guarda, onde Luís Pato tem uma enorme estrutura metálica, onde guarda cerca de 10.000 garrafas de colheitas antigas, seguimos em direcção a um grande caixote branco. Ora pergunto eu, o que faz uma arca frigorífica aqui no meio disto tudo? Pois, se Luís Pato é vanguardista, então que dizer da sua filha, Filipa Pato, que se lembrou de fazer um Icewine em plena Beira Litoral!
Se aqui não há gelo de forma natural, arranjou-se forma de o fazer...
Lá dentro da câmara frigorífica, a cerca de -2ºC estava uma barrica nova, com o tal vinho de gelo. E de 2006! Perfeito, simples e com aromas muito arejados. Foi o primeiro vinho de 2006 que bebi. Com muito medicamento no aroma, com aroma a uva, isso mesmo, uva e alguma mineralidade. Doçura, nem vê-la, tem cerca de 100 gramas de açúcar residual, mas nem se nota.

Com esta visita, deu para perceber a juventude que vai dentro do produtor, a facilidade e frontalidade com que fala do vinho e, acima de tudo, uma enorme simpatia e abertura para com aqueles que o querem visitar.

Depois de muita conversa, o leitão já esperava e lá fui em direcção à Mealhada.
Aqui ficam também algumas notas de prova de alguns vinhos provados, todos engarrafados e da colheita de 2005.

Luís Pato Maria Gomes 2005
Ligeiro na cor, com uma boa entrada citrina, notas de limão, ananás, floral qb, ligeiro medicamento, num tom perfumado e afinado. Bem na boca, com a acidez a dar um toque fresco, ligeiro, mas com uma certa untuosidade que acaba por trazer algum corpo ao conjunto, com alguma doçura de fundo, com um final elegante e perfumado.
Nota 15

Luís Pato Vinhas Velhas branco 2005

Este vinho tem um estágio em barricas de Castanho, 40% e o resto em inox.
Bem na cor, com mais concentração que o Maria Gomes.
Boa entrada tostada, com o vinho a espelhar o seu terroir, pois o fumado e a tosta não provêm do habitual "carvalho" mas sim do solo argilo-calcário. (Ensinamento do próprio Luís Pato, pois eu estava convencido que este aromas era do contacto com a madeira).
Aparecem também aqui espargos brancos e pimenta branca num perfil bastante elegante. Muito floral, com ananás, num tom fresco, com notas de grafite e ligeiro vegetal a trazer-lhe uma boa complexidade aromática.
Com corpo na boca, envolvente e delicado, com a acidez equilibrada e de perfil mineral, com muitas notas citrinas, a madeira presente mas sem desafinar o conjunto, trazendo-lhe elegância na boca, e que acaba num final perfumado e com notas de hortelã.
É um vinho muito bem feito, com a acidez/fruta/madeira em perfeita sintonia e com corpo suficiente para acompanhar uns peixes gordos.
Nota 16

João Pato Touriga Nacional 2005
Negro, com ligeiros reflexos rubi.
No nariz, um bom primeiro impacto floral, com notas de violeta, alguma tinta da china, muita menta, arbustro e bagas silvestres.
Apresenta um aroma muito fresco e enérgico, cheio de força, com um fundo mineral interessante.
Na boca o vinho permite uma prova agradável, com taninos firmes e bem educados, trazendo algum equilíbrio com a boa acidez que apresenta. Com boas notas herbáceas e frutadas, permitindo um bom final de boca, longo e mastigável, lembrando frutos silvestres.
Talvez um pouco mais de garrafa, poderá vir a trazer mais elegância ao vinho, mas para já está muito bem este Touriga Nacional.
Nota 16

Fagote 2005

Novidade na Companhia de Vinhos do Douro, aparece um branco na já bem conhecida marca Fagote.

Este branco da colheita de 2005, é feito com as castas nobres do Douro, Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho, totalmente em inox onde estagiou durante 6 meses.

Com 13%vol. apresenta um bonita cor amarelo-limão com ligeira concentração.
No nariz tem uma boa presença aromática, muito fresco e alegre, com aromas que lembram maças verdes, limão, com algum pendor vegetal, com aquele cheirinho da relva cortada e talo de couve. Neste bom equilíbrio de aromas aparece ainda algum medicamento.

Na boca, o vinho entra quase parecendo que teve algum estágio em madeira, pois tem peso, é untuoso e tem bom corpo, forte no palato, contrabalançado com uma boa acidez que lhe trás alguma frescura com notas citrinas e algum rebuçado, permitindo um bom final, correcto e com algum comprimento.
É um vinho que apesar de muito fresco e limonado, vai precisar de ser bebido à mesa, pois na boca tem um comportamento pesado, que pode enjoar se não tiver acompanhamento.
A conhecer, pelo seu estilo próprio.

Nota 15,5
Preço - 6 euros

domingo, dezembro 10, 2006

Redoma 2005

Este vinho branco, vindo da Niepoort, que na última década tem mostrado que os vinhos das terras de xisto não funcionam só lá em baixo junto ao Douro, mostra agora ao consumidor a sua colheita de 2005.
É um vinho vindo de vinhas plantadas na zona do Cima-Corgo há mais de 40 anos e numa altitude que varia entre os 400 e os 700 metros. Como se tratam de vinhas velhas, muitas castas certamente estarão plantadas, mas as que dominam o lote são a Rabigato, Viosinho, Donzelinho, Arinto e Códega.

Fermentado em barricas de Carvalho Francês, 40% novo durante 9 meses com battonage periódico.
Com 13%Vol. apresenta uma boa tonalidade amarela-palha, com alguns dourados e de boa concentração.

No nariz, alegre e apelativo, sem se esconder nos aromas, o primeiro impacto é um leque de aromas vindos do estágio em madeira, frutos secos, amêndoa, avelã e um toque fumado. Com o arejamento no copo, as notas verdes chegam abraçadas com a fruta para trazer alguma vivacidade ao conjunto, com espargos, pêssego, lima e ananás.

Na boca, com a acidez lá no alto, mostra-se um vinho fresco, com notas citrinas, bastante mineral, mas nada delgado, pois o bom volume de boca dá-lhe um ar aveludado e equilibra o conjunto, ganhando complexidade, e com um final longo e amendoado que teima em persistir, mostrando um excelente equilíbrio entre a madeira e a fruta.
Acaba por ser um vinho que prima pela elegância, muito aromático, encorpado, denso na boca, complexo mas que nunca acaba por pesar, pois a excelente acidez traz-lhe uma harmonia incrível.

Este Redoma 2005, tem o seu auge à mesa com um bom prato e com copos largos para o deixar mostrar o que lhe vai na alma. E olhem que não é pouca coisa...

Nota 17
Preço - 12 euros
Produção - 15.600 garrafas

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Ristorante Degusto

O Vinho da Casa, aproveitou uma jornada de Liga dos Campeões, onde quase toda a gente se fixou nas televisões, e onde 50.000 Portistas se deslocaram até ao Dragão para ver o Porto-Arsenal, para ir até à Rua de Sousa Aroso, jantar no Degusto.

É um espaço com um design especial, muito moderno, com mesas bem simples, sem os guardanapos a fazerem de couve-repolho por cima do prato, tudo prático e arejado, mas em que o cuidado de apresentação é irrepreensível, pois reparei por exemplo que para "pôr" a mesa , os empregados de mesa sentam-se na mesma para colocar a toalha perfeitamente simétrica e ficam a fazer contas trignométricas para colocar tudo no sítio.

Antes de iniciar a refeição, entre duas palavras com o simpático José Espírito Santo, tomei como aperitivo um Grandjó Late Harvest 2002, muito aromático, nariz doce e melado, com notas de laranja cristalizado, pêssego, figos, na boca com uma boa acidez, com frutos secos a trazer um lado diferente e um final doce.

Já à mesa, como couvert, uma manteiga aromatizada, azeite para molhar um pouco de pão e umas azeitonas pretas aromatizadas com alho habituaram o estômago para o início de uma refeição incrível.

Como saberão, actualmente o Chefe é o Vitor Claro, que tem para nos oferecer um menú de degustação simplesmente tentador, com um custo de 45 euros. Apesar de quase me ter persuadido, acabei por pedir à carta, pois também já tinha tido oportunidade de experimentar algumas das brincadeiras do Chefe em Outubro.

Como entrada veio então para a mesa um Carpaccio de Mexilhão, fresquíssimo, com o mexilhão bem escondido com o tomate triturado por baixo duma salada de vários verdes, bastante hidratados. Por cima umas raspas de queijo davam-lhe um toque divinal.
Veio também de entrada um dos pratos que me deixou completamente derretido.
Coscorões de alheira com vinagre balsâmico. Este prato é só, genial, por duas razões:
1º O doce dos coscorões liga mesmo bem com as especiarias/vinagre da alheira.
2º O crocante dos coscorões e a gordura da alheira faz uma ligação incrivel.

Já de prato principal, a minha opção foi Polvo com gnocchi , presunto e pimento de padron.
Há muito tempo que não comia um polvo tão tenro e tão bem confeccionado, com o amargo do pimento a ligar muito bem com o sabor do molusco. Aqui um pequeno reparo, se é que tenho direito ao mesmo. Os Gnocchi estavam ligeiramente secos, e com uma consistência demasiadamente grossa, um pouco ao estilo "plasticina" que acabava por cansar um pouco o prato. Talvez tivessem farinha ou fermento a mais, pois ao que soube pelo próprio chefe, ainda está em fase de experimentação e os Gnocchi são feitos na hora.

A Joana, optou pelo Lombo de bacalhau cozido em caldo verde, que apesar de "tradicional", pelo que me transmitiu, estava excelente e capaz de mandar abaixo muitos bacalhaus nas mesas de Natal. Ou esteve muito tempo em leite (piada ;) ) , ou cada lombo daqueles deve custar uma pipa de massa, pois a suavidade das lascas que se delicadamente iam caindo do lombo era inigualável.

Porque este é um blog de crítica de vinhos, falo-vos agora do vinho que acompanhou a refeição, por sugestão do José Espírito Santo.

Foi um vinho branco da Alsácia, o PAUL BLANCK SOMMERBERG Grand Cru Riesling de 2001. Que grande sugestão, mal o vinho foi servido no copo, toda a mesa ficou perfumada, um nariz incrível, super delicado. A 10ºC mostra-se muito mineral, com notas florais, algum vegetal seco, madeira muito bem integrada com ligeiro fumado e alguns frutos secos. Mas que um pouco mais quente, a 14ºC, e pelo lado positivo, rapidamente se aproximava perigosamente duma Colheita Tardia ou qualquer coisa do género. Começava a ganhar aromas a mel, a casca de laranja. Muito bom. Achei um vinho multifacetado e charmoso acima de tudo. Tanto se bebe no estilo mineral, como na variante mais "pesada".

Serviço de vinhos de primeiro nível, nunca tinha visto o vinho ser tão bem tratado em Portugal. Que felicidade que é poder disfrutar um vinho fora de casa em condições ideais e em Copos Riedel. Aqui não há que ter medo em pedir um vinho a um preço elevado, pois há condições para o apreciar.

Nas sobremesas, sugeri à minha namorada que experimentasse os Peixinhos da horta com tomate, pois eu já conhecia e que é mais uma daquelas ideias geniais que deixa qualquer pessoa estupefacta com a simplicidade do prato, mas que não lembra a ninguém confeccioná-lo.
Eu optei por um clássico mas com muito boa apresentação, um Queijo da Serra com compota de pevides acompanhado por um LBV de 2000 da Niepoort, que foi servido um pouco quente demais, a cerca de 19/20ºC.

Lá para o fim da noite, e já o Porto estava na próxima fase da Champions, chegou alguém ao restaurante em que eu disse, " eu conheço aquela cara de algum lado", pois... Era o Chefe Augusto Gemelli que vinha também jantar.

É um sítio a repetir sem dúvida, que merece todo o cêntimo ali gasto. Agora preciso é tornar a encher a carteira para lá voltar. Mas que vale a pena vale, prefiro jantar aqui de longe a longe, do que gastar 20 euros mal gastos num outro qualquer restaurante em que sou obrigado a beber cerveja ou então vinho em condições deploráveis por vezes.
Foi uma grande noite, e uma das melhores refeições a que já tive direito.
Adorei mesmo. A companhia também era boa, a música de fundo ideal, e todo o serviço brilhante.

Os meus parabéns por este excelente espaço.

Nota 21 :)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Muxagat 2003

Este vinho, oriundo de terras bem lá no Alto Douro, onde o Côa encontra o Douro, é feito pelo neto do grande senhor Fernando Nicolau de Almeida, o pai do Barca Velha.

Mateus Nicolau de Almeida fez então este Muxagat tinto 2003 com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta roriz e Tinta Cão, em lagares de pedra e com um estágio em Carvalho Francês, novo e usado.

Com 13%vol. mostra uma boa cor de média concentração.

Elegante no nariz, com ligeiro químico e alguma menta, com um perfil muito floral, lembrando violetas, muita fruta vermelha de boa qualidade, cerejas, amoras, alguma compota, sempre com as notas de barrica muito bem integradas no vinho, com ligeiros frutos secos e algum chocolate preto e um tom abaunilhado que perfuma o conjunto.
Mostra ainda com um fundo fresco muito interessante que lhe traz um estilo muito próprio e longe dos sobremaduros "Douros" de 2003. Com 13% naquele ano deve ter sido dos poucos casos.

Na boca é isso mesmo que se encontra, frescura, estilo clássico, taninos afinados, de bom corpo, equilibrado, com a ligação madeira/fruta muito bem conseguida, com cerejas, fundo balsâmico e com boa acidez, permitindo um bom final com notas de baunilha.

Está aqui um vinho diferente do actual Novo Douro, longe de excessos de maturação, com pouca graduação, num estilo próprio, sóbrio e acima de tudo equilibrado. Não fala demais, mas também não diz asneiras.

Nota 16,5
Preço 12 euros