quarta-feira, abril 15, 2009

Comer em bom Porto

Não são críticas nem reportagens, são apenas algumas crónicas sobre os tascos que me têm feito sentir bem no (grande) Porto. O Porto é mais que francesinhas e tripas. É mais que cervejarias e marisqueiras.

Pizzaria Casa D'Oro
Fui, num dia solarengo de Março à parte de cima do Casa D'Oro, ali bem perto da da base da Ponte da Arrabida. Está-se bem, o ambiente é informal, barulhento e perfeito para quem quer comer uma pizza de grande nível sem se preocupar com a etiqueta. Mesa corrida, estilo cantina, sem toalhas e outros adereços.
Água San Pellegrino, bons grisinis, acelgas salteadas com alho muito saborosas embora um pouco cozidas demais. Prefiro sentir, tal como no espinafre, um ligeiro "crack" ao trincar. Pedimos duas pizzas, os tamanhos são generosos, massa finíssima, crocante e muito bem trabalhada. De longe a melhor pizza do Porto e arredores. A minha com beringelas e parmesão estava simplesmente divinal. A outra, de cogumelos, estava bastante boa embora os cogumelos (brancos, de Paris) não fossem nada de especial, apesar de frescos.
Pizzas fantásticas, massa leve e muito delicada. A repetir, vezes sem conta. Pela minha parte, perdi vontade de ir a outras pizzarias cá no Porto. Al Forno, San Martin, Toscana e Meidin são boas, mas estas são fantásticas.

Degusto
É o restaurante onde mais vou na cidade do Porto. (Pra mim o Porto é Porto, Matosinhos, Maia, Gaia...) Cada vez mais prático e acessível. Degusto Easy! Se vos disser que por 19,90 comem entrada, prato e sobremesa... a la carte! E não é só aos almoços, é de Segunda a Sábado, non stop. É o restaurante para os wine-freaks, mas também um bom restaurante cosmopolita, bem decorado, capaz de funcionar muito bem para jantares de grupos, onde a farra impera, assim como consegue criar um recanto para dois, intimista e romântico. Já lá fui nas duas situações e é sempre top.
Algumas variações de dias para dias, a fasquia não está alta, mas a comida sabe bem e a apresentação é cuidada. Para quem lá for e não souber ao que vai, peça o Atum Marinado, a Tarte de Caça com palha de alho francês ou o Creme de couve-flor com amêndoa. Entradas muito apetitosas e bem confeccionadas. Se tiver estofo e muita fome, peça a Vitela “de comer à colher” sobre dobrada com feijão branco. A Vitela é simplesmente sublime, muito tenra, de comer à colher, literalmente! Cozinhada a vácuo ou a baixa temperatura, durante horas e horas certamente. Já a dobrada, metendo as tripas de lado, tem o feijão branco no ponto, mas o prato como é óbvio pesa um pouco. A dose é absolutamente pornográfica, como diz um amigo meu.
Serviço de vinhos irrepriensível, como sempre. Copos excelentes, pessoas informadas com o Sérgio Pereira a comandar a tropa. Pena é que os preços de alguns tenham começado a subir, sem razão aparente. Mas também não se pode ter tudo! Vai continuar a ser o meu restaurante. Sinto-me bem lá.

O Pombeiro
Junto à Rua de Vale Formoso, bem perto da Igreja Universal do Reino de Deus fica um dos restaurantes tradicionais mais porreiros que conheço no Porto. Não vamos lá para comer comida requintada, com grandes apresentações e nomes mais compridos que sei lá o quê. Aqui, no Pombeiro tudo cheira bem, tudo sabe bem e tudo é feito com boa matéria prima. Fantástica bola de carne, torrada no momento. Tostada e crocante sabe mesmo bem. Depois nos pratos é deixar-se levar pelas sugestões. Arroz de grelos com entrecosto. Alheira de caça com maçã e migas... Bom porco preto, fantástica costela mendinha... De realçar o site ww.restaurantepombeiro.com com um pop-up diário com a ementa. O vinho aqui não é o forte, o que é pena. Com alguma astúcia lá se leva uma garrafinha quando a mesa é grande. Come-se bem e barato. Nunca paguei mais que 15 euros. E saí de lá sempre bem aviado.

A Casinha
Junto ao Aeroporto. A Casinha é mesmo uma casinha. Sala bem decorada, com copos Schott de grande nível (não tem a linha mais barata, julgo serem da linha Diva). Os preços são um pouco puxadotes para o restaurante, mas também não são nenhum crime. Boas entradas, pãozinho cozido na hora (provavelmente pré-cozido e congelado). Alheira com grelos de fazer inveja a muita gente de Mirandela. Provavelmente a melhor alheira que alguma vez comi foi aqui. O Bacalhau com natas é genial. Pior é o tratamento nas carnes, principalmente no magret de pato. Queimado por fora e bastante passado por dentro, porque foi ao forno. Embora tenha pedido mal passado, veio excessivamente passado. Carta de vinhos muito completa, mas puxadita nos preços. É preciso saber escolher e perder algum tempo a ler a lista. Quinta da Dôna 2003 a um preço "normal" foi a minha escolha. Um bom restaurante, com um atendimento personalizado e muito educado pelo proprietário, Sr.Victor.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Vertical de Vale Meão no Fooding House Wine Bar

Esta Vertical de Vale Meão em Magnum foi um momento único, espectacular e muito marcante. Não imaginam o orgulho e felicidade com que encarei este jantar que organizei no WineBar do Fooding House. A responsabilidade era mínima, apenas tinha que garantir copos e temperaturas adequadas. Os vinhos do Vale Meão e os pratos desenhados pelo Chef Camilo Jaña não me preocupavam minimamente em relação ao sucesso desta noite.

Provei todos os vinhos com calma, ao início da tarde... e depois fui acompanhando a sua evolução ao longo da noite.
Foi notável a frescura e força que alguns vinhos ainda tinham. Em todos eles, obviamente falo dos 2005 para trás, os taninos estavam muito finos e elegantes. Alguns vinhos ainda estão a pedir garrafa, outros dão um belo prazer desde já. Nota-se que nestes vinhos ( ao contrário por exemplo de outros Douro's) a espinha dorsal não são os taninos duros e violentos, mas sim a acidez, equlíbrio e boas maturações é que parecem segurar o vinho na sua evolução.

1999. Quanto ao 1999, houve variações de garrafa para garrafa, explicado pelo Xito Olazabal que na altura não tinha uma linha de engarrafamento em condições. Há garrafas boas e garrafas menos boas. A boa mostrou um vinho num excelente momento de forma. É o Vale Meão de menor concentração na tonalidade. É também o mais "terroso", mais subtil e pronto para se beber. Não me parece que irá ganhar mais em cave.
Nota 17,5

2000. As diferenças de 1999 para 2000 são enormes para apenas um ano. O 2000 ainda está muito jovem para a idade. Fruto q.b., cor impenetrante e acidez e frescura mediana. Está muito fechado de aromas mas muito vigoroso na boca, mas com o tempo no copo vai abrindo e dialogando. Sóbrio e sério. Ainda precisa de uns anos para chegar à meia idade. Muito bem.
Nota 17,5

2001. Para mim, o melhor Vale Meão. Um vinho distinto em qualquer parte do mundo. Muito musculado, estruturado, enérgico e viril. Perfeito nos aromas secundários, a barrica está muito discreta mas ainda mostra a sua elegância. Um vinho brutal. Lógicamente ainda está um pequeno monstro, não está pronto para ser bebido. Impressiona pela fantástica violência vestida de fraque.
Nota 18,5

2002. O ano não é famoso, mas a vontade de o provar era enorme. Mal o decantei, disse logo...Temos vinho. O mais subtil de todos, o mais elegante, o mais feminino(?). Um vinho fresco, com muito menos corpo que os outros em prova. Houve quem aplaudisse depois a excelente ligação com o Bacalhau al Aioli. Super equilibrado em todos os aspectos. Provavelmente vai ter uma lenta evolução tal é o balance. Um dos melhores 2002 do Douro? De certeza que sim.
Nota 18


2003. O ano da trela. 2003 foi um ano excelente no Douro, mas para Vinho do Porto. Os Douro's sempre se mostraram muito maduros, cheios de fruta, repletos de álcool. Neste Vale Meão, a Touriga Nacional marca um pouco o aroma, mas num perfil muito atractivo, lembrando a boa Touriga do Dão. A par deste aroma floral, a fruta aparece em grande quantidade. A boca confirma o previsto, um vinho pronto para beber, cheio e encorpado. Para mim, com fruta a mais.
Nota 17


2004. Um tinto nobre e uma vez mais diferente de todos os outros. Algum aroma de couro, ervas e flores. Muito clássico, com fruta q.b, barrica nova e toques florais de Touriga's. Uma perfeita parceria entre rusticidade e modernidade. Novo, novíssimo, com os taninos ainda presentes. A acidez é perfeita neste vinho. O final é longuíssimo e muito saboroso. Claramente Douro, claramente um grande Vinho.
Nota 18

2005. A bomba. Este Vale Meão está imutável desde o primeiro dia em que o provei (Setembro de 2007). Chocolate preto, químicos, violetas...alfazema. Um vinho exuberante, mineral e muito vaidoso. A boca já não está tão violenta, com acidez alta a segurar aquilo que se poderia tornar preocupante. A fruta, o corpo e os taninos bravos só não enjoam porque o vinho consegue ter um equilíbrio fantástico.
Um vinho que poderá evoluír muito bem e que na altura receba outros adeptos. Para já é para os que gostam de bombas!
Nota 17,5

2006. Um 2005 em diminutivo. Este vinho claramente perdeu face a todos os outros. Menos expressivo, apoiado na tosta da barrica e nas notas florais e expressivas da Touriga Nacional. Este e o 2003 foram os que mais Touriga me lembraram. Um pouco sem alma. É um bom vinho, mas longe de ser um vinhão.
Nota 16,5

Nota +++++ para o projecto Vale Meão 2007 e 2007 Vintage.


O menú proposto foi:

Para o Quinta de Porrais 2007, MUITO melhor que o 2005 e 2006.
Salmão Curado com Espuma de Aneto

Spring Roll de Cogumelos

Sformantino de Parmiggiano Reggiano

Lombinho de Bacalhau com Aioli

Empada de Vitela e Morcela

Panna Cota de Chocolate com Caramelo de Ananás.



Um momento fantástico, para mais tarde recordar... e porque não repetir?

Obrigado a todos pela vossa presença e pelo vosso entusiasmo.

domingo, fevereiro 15, 2009

Revista de Vinhos - Os melhores do ano 2009

Pela terceira vez consecutiva estive presente no Jantar d'Os Melhores do Ano. Este ano o convite azul não enganava. Azul, só podia ser na cidade do Porto. Estacionado o carro mesmo ao lado da Alfândega, dado o nó na gravata cor-de-rosa, lá fui eu para mais uma noite de grande sacrifício. Estar sentado ao lado de 800 maluquinhos do vinho, tudo em real cavaqueira... e ter que beber uns 2500 vinhecos...enfim!

Os prémios, quanto a mim pouco consensuais... mas é de opiniões distintas e bem justificadas que o mercado cresce, amadurece e se motiva para fazer mais e melhor. Estes prémios, são provavelmente os mais importantes a nível nacional.

Novidade foi o anúncio do novo site da Revista de Vinhos e respectivo fórum!
Graças a este anúncio foi possível saber os prémios antes de serem anunciados... através dum PDA com Net se conseguia ver! Resultado: na nossa mesa não havia quem apostasse que era X ou Y. Somos piores que as crianças, não conseguimos esperar...

Assim aqui ficam os Óscares, como alguém da redacção da Revista de Vinhos disse!



PRODUTOR REVELAÇÃO DO ANO (ex-aequo)
Vale d’Algares
Herdade do Rocim

PRODUTOR DO ANO
Soalheiro

COOPERATIVA DO ANO
Adega Cooperativa de Borba

EMPRESA DO ANO
Esporão

EMPRESA DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Sogevinus

ENÓLOGO DO ANO
Rui Reguinga

ENÓLOGO DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Pedro Sá

VITICULTURA
Jorge Böhm

ORGANIZAÇÃO VITIVINÍCOLA DO ANO
Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes

ENOTURISMO DO ANO
Paço dos Cunhas de Santar

GARRAFEIRA DO ANO
Garrafeira Nacional

LOJA GOURMET DO ANO
Club del Gourmet do El Corte Inglés

RESTAURANTE DO ANO
Tavares

RESTAURANTE DO ANO (COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA)
Ribamar

ESCANÇÃO DO ANO
Bruno Antunes

PRÉMIO ESPECIAL GASTRONOMIA
Gabriel e Amor Fialho

SENHOR DO VINHO
Mário Neves

CAMPANHA PUBLICITÁRIA DO ANO
Murganheira


PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA
Espumante

Murganheira Vintage 2004


Vinhos Verdes

Alvarinho Anselmo Mendes Branco 2007
Muros de Melgaço Alvarinho 2007
Quinta do Soalheiro Alvarinho Reserva 2006


Douro

Aneto Grande Reserva Tinto 2006
Barca Velha 2000
Charme 2006
CV - Curriculum Vitae 2006
Duas Quintas Reserva Especial 2004
Poeira 2006
Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Quinta do Noval 2005
Quinta das Tecedeiras Reserva 2005


Dão

Four C 2005
Quinta dos Carvalhais Único 2005
Quinta da Garrida Touriga Nacional Reserva 2005


Bairrada

Encontro 1 Branco 2007
Kompassus Private Collection Baga 2005


Península de Setúbal

Hexagon 2005


Alentejo

António Maria 2006
Avó Sabica 2004
Cortes de Cima Reserva 2004
Esporão Private Selection Garrafeira 2005
Júlio B. Bastos Alicante Bouschet 2004
Vinha de Saturno 2004


Vinhos Generosos

Burmester Vintage 2005
Burmester Tordiz +40 Anos
Kopke Colheita 1957
Offley Barão de Forrester 30 Anos
Quinta do Vesúvio Vintage 2005


Os meus parabéns à Revista de Vinhos por mais uma excelente gala e claro ao Hélio Loureiro, pelo menú apresentado (a cada ano que passa melhora muito a qualidade dos pratos, esperemos que assim continue!). Além dos aperitivos foi servido:

Lombinho de Bacalhau sobre Esmagado de Batata e Alheira de Caça, Emulsão de Tomilho Limão e Azeite.
Lombo de Novilho com Arroz Caldoso de Grelos e Feijão Encarnado
Mini Pão de Ló em Massa de Brick e Colher de Queijo Serra da Estrela e Palito de Queijo de são Jorge
Trilogia - Caixinha de Chocolate com Mousse a 85% de Cacau Michel Cluziel, Tartelete de Amendoas e Framboesas Frescas, Quindim de Côco com Cereja.

Só me lembrei de tirar uma foto logo no início....

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Lavradores de Feitoria Sauvignon Blanc e Viosinho 2007

Se há empresa de que me orgulho de a ver crescer, de criar vinhos e de ser bem recebida por nós, mortais consumidores é esta. Aquilo a que chamávamos Cooperativas, que foi o "ganha-pão" de muitos pequenos lavradores espalhados pelo país nos século anterior, hoje em dia não está na moda... Muito menos no Douro onde apenas um par delas produz vinho, e que nós, enófilos atentos e cheios de "porras" não consumimos. Falo-vos por exemplo da Adega Cooperativa de Alijó, de Murça, de Favaios... Enfim, vinhos de segunda dizemos nós, enófilos!

No entanto, a Lavradores de Feitoria não segue as mesmas linhas orientadoras duma típica Cooperativa, no entanto a sua forma de actuar pode ser encarada como tal. Eu gosto-lhe de chamar a Cooperativa do Futuro. Para perceberem o que estou a dizer, e para não repetir mais uma apresentação igual e repetida a tantas outras já feitas, nada melhor que ver o original em www.lavradoresdefeitoria.pt

Falemos de vinhos.
Mais abaixo, aqui no blog, tenho a nota de prova do topo de gama, o Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2005. Agora, falo-vos do resto da equipa.

Lavradores de Feitoria Três Bagos Sauvignon Blanc 2007
Este branco é pra mim sempre um contrasenso. Não tenho grande empatia com esta casta, no entanto, este Sauvignon é um vinho que me dá muito prazer beber e até me dá vontade de preparar um prato que eleve a frescura e exuberância. Tenho provado "teóricamente" os melhores Sauvignon's em extreme do mundo, e mesmo assim não me dizem grande espingarda.
Nariz muito inebriante, com relva cortada, muito maracujá e fruto tropical fresquíssimo. Com um corpo de realçar, o vinho tem uma acidez média-alta, resistente e muito citrina. As notas de ananás e de alperce são irresitíveis. A madeira está muito leve, mas dá-lhe alguma cremosidade e balance na boca. A frescura quase irritante e a exuberância q.b. fazem-me transportar para um fim de tarde de verão a ver o sol a beijar o mar como prelúdio de uma noite de alegria com uma brisa fresca marítima. Um belíssimo branco do Douro, no seu estilo único.
Nota 17Justificar completamentePreço 8/9 euros

Lavradores de Feitoria Três Bagos Viosinho 2007
Um extreme de Viosinho, coisa rara no Douro. Embora não tenha sido provado lado a lado com o Sauvignon, no nariz é bem mais tímido. Marcado um pouco pela tosta da barrica, envolvida com frutos brancos maduros e flores. Mostra alguma frescura vegetal, mas o carácter deste branco é mais de meia-estação, com alguma complexidade, não tão focado na frescura citrina. Na boca mostra-se sedutor, com toques de baunilha, acidez a segurar e a marcar um perfil intenso, saboroso e de frutos maduros. Para estreia, está muito bem.
Nota 16
Preço 10 euros

Voltarei para falar dos tintos, esta semana... maybe.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Paz e Aliança

Por vezes a ida à garrafeira torna-se um jogo ao estilo one shot. Escolher entre um vinho que sei que se bebe muito facilmente, aromas bonitos e atraentes e que quem está comigo o vai adorar e açambarcá-lo num ápice, ou então escolher um vinho mais clássico, com aromas menos agradáveis, que vai fazer as pessoas pensar antes de os beber. Ambos dão prazer, mas um é imediato e outro é preciso saber procurá-lo. É como uma rapidinha e o sexo tântrico.

Tirei do pequeno sono um Vinha Paz 2006 e um Quinta das Baceladas 2004.
Dois vinhos distintos no estilo, mas com grande nível e relação qualidade preço.

Vinha Paz 2006
No nariz, a presença da Touriga Nacional, bonita e delicada mostra-se logo. Violetas, alfazema, aromas químicos e muita jovialidade. O aroma acorda qualquer nariz mais preguiçoso. A madeira vem-se mostrando aos poucos, com alguma baunilha e ligeiros tostados.
Na boca bebe-se com muito prazer, com uma acidez perfeita, sem deixar o vinho caír num caldo tremendo de frutos bem maduros e flores comestíveis. Equilibrado, perfumado e com um final de boca médio. É esta a razão que faz com que os vinhos do Dão são os mais gastronómicos possíveis. Adoro beber este vinho com arroz de polvo, com bacalhau, com vitela estufada, com tudo!
Nota 16,5

Quinta das Baceladas 2004

Lote típico de Bordéus,Cabernet e Merlot mas temperado com Baga.
No nariz mostra logo uma austeridade e aromas menos bonitos. Pimento verde, pimenta preta e ligeiro toque de cinza. Alguma borracha e fruto vermelho também por aqui andam. É um nariz que lembra perfeitamente Bordéus, que pede tempo no copo. Complexo e profundo.
Na boca, envolvente e muito equilibrado, com uma acidez com carácter vegetal. Muito chocolate preto e ligeiros toques de fumo. Taninos ainda bem presentes, com um perfil que dará mostras de durar pelo menos uns 5 anos. Dá-me muito prazer cheirar estes vinhos e dissecar o seu estilo, não cansam, pedem um prato simples para deixar o vinho falar.
Nota 17

No final, a garrafa de Vinha Paz estava vazia, a de Baceladas estava meia cheia, ainda bem. No dia a seguir soube-me muito bem. Dois vinhos muito equilibrados, que podem evoluir em garrafa, mas que dão muito prazer a ser bebidos desde já. Andam ambos pela casa dos 10 euros.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Dois belos Douro's

Por vezes o estilo do Douro cansa. Por vezes é só fruta, por vezes é só alcoól. No entanto, por vezes encontramos alguns vinhos cheios de estilo, capazes de surpreender e de fazer grande figura à mesa.

Assim foi, escolhi dois grandes Grande Escolha.

O primeiro, o Oboé Grande Escolha Rótulo Preto 2005 é a última novidade da CVD, lá bem em cima em Carrazeda de Ansiães. Um vinho estruturado, cheio de vigor, aroma marcadamente químico e floral, com algum excesso de barrica. Esse excesso é bem amparado pelo aroma vinoso, que acaba por trazer algum equilíbrio.
Vigoroso na boca, potente e musculado, mostra uma boa dose de frescura com taninos muito maduros, presentes e mastigáveis. Acidez alta, fresca e mineral, proporciona um final de boca muito longo, cheio de classe e saboroso. Pede claramente calma e que o deliciem à mesa, com boa gastronomia regional. Uma feijoada ou uma boa posta de vitela no forno...
São pouco mais de 1000 garrafas de ombros largos embrulhadas numa bela caixa de madeira.
Nota 18

Dos Lavradores de Feitoria, o 3 Bagos Grande Escolha 2005 é um vinho sério, austero e muito clássico. Cheio de notas de chá preto, tabaco, alguma tosta da barrica e um profundo aroma a xisto assombram o nariz. Por vezes os aromas fazem lembrar veludo, elegante e cheio de nobreza. Por vezes um ligeiro toque de couro/animal transportam-nos para um vinho sóbrio mas impressionante. Na boca é profundo, denso, muito encorpado com a acidez perfeita, deixando o vinho sempre num registo fresco e refrescante apesar da sua grande estrutura. O final de boca, sedoso, com taninos luxuosos deixa-nos lembranças de fruto preto, algum exotisomo da madeira e ligeiro caramelo torrado.
Ontem ligou muito bem com um bife do lombo, mal passado na chapa, apenas tocado pelo sal. O puré de castanhas com trufa preta foi o acompanhamento. Perfect! Mas que vinho!
Nota 18,5

Para mim, foram ambos feitos para durar... Divirtam-se a beber para já os 2001!

terça-feira, novembro 25, 2008

Sogevinus

Best Value for the Market
A chave de sucesso para qualquer produtor que mande umas caixas lá para fora.
Por 3 euros arranjam algum branquinho melhor que um Curva ou Kopke?
Se a resposta for afirmativa avisem-me.
91 600 51 00

Ah, e o melhor 40 anos que bebi ( também não foram assim tantos, 5 ou 6 no máximo, quantos são afinal?)... Tordiz da Burmester 40 anos. Uma estupidez de vinho. Enormeeeee

Agora bom bom... é o 1900. Sai do ultimo dia da Essencia do Vinho com um cheirinho no copo. Ainda o sinto. Awesome.

Isto é só um aperitivo para os vinhos que vou publicar da Sogevinus (Kopke, Calém, Burmester...Barros, Gilbert's, sim vou provar os Gilbert's... Falta algum?)
António Montenegro, the man behind the scene. É com ele a próxima Grande Entrevista, a minha... não a da RTP.

Aguarde por favor...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Bons vinhos na companhia do costume

São duas e meia da manhã. Cohibas acompanha-me.

Hoje a Joana fez exame de especialidade para Medicina.
Do mal o menos, há que festejar.

Eram 3 da tarde, ela fazia exame, eu stressava, bebericando ao lado do Seminario do Vilar, um Niepoort 80. Bom, perfeito para cortar o stress.

Em casa,
Bebeu-se um fantástico Branco dos Cozinheiros 2002. Mineral, reduzido, cheio de fósforo e pedra lascada. Por vezes lembrava lima e um pouco de toranja. A noite estava virada para o futuro, não para as recordações. Com o risotto de camarão marchou bem.

Em 2002 tudo começou, eu de 84, ela de 83...
Ferreirinha Reserva Especial 1984...
morto, licoroso, apagado, tal como o Cohibas, Forget!!

No forono está um Tournedó Wellington ( este Acer Aspire One tem um teclado lixado!!!)
Bebemos um Esporão Private Selection 2004 ( comprado na GN, thank you Chapim)
Bom, perfeito, madeira untuosa, integrada dizia eu... Cabernet bem maduro, era Alicante e Aragonês!! Fruta qb. equilibrio, esmerado para o momento.

Esmero 2002, ainda crú, virgem, selvagem, duro e puro. Nem o Gruyere, nem o som de Dead Can Dance o salvou. Pena te-lo aberto, um dos vinhos portugueses de 2002 mais brutal que provei.

Ah, esqueci-me de vos contar que mal cheguei a casa abri um Stag's Leap Riesling 1983. Americano, doce, versátil, inóquo, perfeito parao foie Imperia trufado. Obrigado Dirk pelo docinho... Tu tás lá....!

Amanhã, respirar fundo e olhar para o futuro. São só 6 anos de vida.

Como eu sempre ouvi...

"

Vou viver
Ate quando eu não sei
Que importa o que serei
Quero é viver


Amanhã
Espero sempre um amanhã
E acredito que será
Mais um prazer


A vida é sempre uma curiosidade
Que me desperta com a idade
Interessa-me o que está para vir.


E a vida
Em mim é sempre uma certeza
Que nasce da minha riqueza
Do meu prazer em descobrir
Encontrar, renovar, vou fugir ao repetir"



terça-feira, novembro 04, 2008

Lisboa

A Dentista é uma artista
Do Cais do Sodré, há quem vá a pé
Na Junqueira não é prá bebedeira
100 anos do Dão é só para os que lá vão
Do Pé-Franco só não houve vinho branco
No Panascal ninguém esteve mal.
Em Belém tasse bem
Na Madragoa a vida é boa
No Bairro Alto foi um sobressalto
Na Praça de Espanha só não houve picanha
A Encarnação foi a minha salvação
Na Meta da Bairrada foi uma valente barrigada.


Nova Fil - Salão Erótico
Antiga Fil - Encontro com o Vinho e Sabores

A Antiga Fil foi a escolha já que na nova, pagava-se 20 euros e não se provava nada...
Os olhos tambem comem dizem uns, mas um creme de caril e gambas no Eleven por duas senhas de 2,5 euros não é todos os dias.

Muita coisa há a relatar...

O Vinho
Muitos e bons vinhos, espaço suficiente, sem cotoveladas. Não vou realçar nenhum vinho provado, pois seria injusto para outros. É certo que grandes vinhos se estão a fazer cá no país, e os nossos importadores não andam a dormir. Sinal positivo para a Decante Vinhos e Adega Algarvia que nos trazem grandes vinhos.

Os Sabores
Excelente iniciativa, afinal o que foi publicitado não correspondeu ao que se verificou. O estilo de cantina não este cá. Pela primeira vez tive contacto com a cozinha de alguns grandes restaurantes de Lisboa. Tive também contacto com o sabor amargo e desnecessário dos talheres de madeira. Enfim. Provei coisas fantásticas do Eleven, da York House e do Gemelli. Pouco, mas bom. Para comer de borla ia-se dar a voltinha às barraquinhas do Queijo da Beira Baixa e ao nosso amigo dos 5 Jotas.

Os Extras
Grande jantar no A Comenda, no Centro Cultural de Belém provou-se tudo o que há de novo da Burmester. Terminou-se com um grande 40 anos Tordiz e com uma Magnum de D+D debaixo do braço.

Rumo à Madragoa fui ter com gente boa. Bebeu-se Sol Lewitt, Fojo, Chateau Lafitte... Obrigado aos Luises.

Domingo, com a barriga a dar horas a UVA apareceu e salvou-me. Produtos Joselito, BomBons de Foie Gras, excelente bacalhau e um saboroso javali. Tudo isto com magnuns de Primeiras Vinhas. Delicioso.

Já pela A1, a paragem nos leitões foi o apogeu de 4 dias. Alves de Sousa, Quinta do Ameal e Casa de Cello estiveram a meu lado, bem regado a Água do Luso.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Restaurante Casa D'Oro

Sempre tive curiosidade por este restaurante. Fica bem perto da Ponte da Arrábida, cá em baixo na marginal. A vista, virada para o Douro e para o Património Mundial é fantástica.

Felizmente fui salvo pela comida!

Ao entrar sugeriram-me ir para o piso de baixo, onde se situa o restaurante, pois a parte de cima é pizzaria. Disse-me o recepcionista que em baixo era mais romântico e acolhedor.
Ao chegar, preocupou-me a enorme falta de luminosidade nas mesas, uma vez que não havia sequer uma vela para trazer um pouco de romantismo. Pratos de cantina, lamentáveis. Brancos com um risco azul à volta.
Entretanto, já sentados fomos servidos com vários grissinis e focaccias, patés e azeitonas (1,75 por pessoa). Enquanto os empregados falavam alto e porcamente, vimos o menú. Optei pelas Alcachofras Recheadas (6,5) e a Joana pelos Porcini Salteados (7,5), um Fetuccine al Porcini (9) pra mim e uma Torta de Massa Fresca com Ricotta e Espinafres (9) para a Joana.

Depois de mais de 5 minutos à espera e depois de ouvir palavrões vindos da cozinha, com grandes gargalhadas, veio o empregado. A Joana já estava, obviamente, incomodada perguntei:
" Há alguma festa na cozinha?"
resposta - "estão-se a divertir"
Pedi para moderarem o tom de voz, pois afinal de contas disseram que estariamos num restaurante acolhedor e que evitassem os palavrões. O empregado, astutamente disse-me que ninguém disse palavrões... Eu perguntei se queria que eu os repetisse. Pediu desculpa e foi para trás. Qual não é o meu espanto, que o empregado se dirige à cozinha em voz alta a dizer " estão pra li a dizer que tá uma barulheira" Passados 30 segundos ouve-se outra vez um:
"FUODASSE!" seguido duma grande gargalhada geral. Até nós nos rimos.

Bem. Estava o caldo entornado. O que vale é que as alcachofras estavam divinais, com pesto e broa, e um excelente azeite. Os Porcini, carnudos e ultra-saborosos, sem qualquer sabor a alho brilharam. Quando pedi a carta de vinhos, deparo-me com uma grande variedade de vinhos italianos. Pedi um Sangiovese da Emiglia Romagna (18 ), perguntando ao empregado se o vinho era interessante.
Resposta "Bebe-se Bem!" Okey Laughing

O vinho veio a uma temperatura porreira, a uns 14º. Pedi um copo maior e um pouco mais largo, o empregado disse-me que aqueles copos eram para vinhos espessos e que precisassem de abrir. Eu disse que preferia e que gostava de meter o nariz lá dentro.

As pastas estavam muito saborosas, al dente.
Doses generosas. Foi uma excelente comezaina, porque refeição, essa envolve todo um ambiente que não foi proporcionado. Nos galinheiros as galinhas comem, não tomam refeições.

A barulheira lá continuou.
54,5 euros no total, com café Lavazza (1). Preço justo.
A sobremesa ficou para uma segunda vez, preferimos ir de mão dada a passear pela marginal, sempre é mais romântico. Quando lá voltar, certamente muitas vezes mais, já sei ao que vou. Afinal há mesmo trattorias cá no nosso cantinho.

Info
Casa D'Oro
Rua do Ouro 797 {Massarelos} :: t. +351 226 106 012
De quarta a domingo das 12h30 à 01h30; terça a partir das 18h00

terça-feira, outubro 28, 2008

Time is never time at all

O tempo escasseia, o formato descritivo não me surpreende, embora a vontade de escrever seja emergente. Mais light, mais friendly-user assim será... Este espaço continuará a ser de crítica pessoal de vinhos, embora o estilo Fordista nao vingará mais. As notas de prova perderão toda a sua classicidade e artefactos. Falarei de vinhos que provei, mas tentarei descrever a forma como os bebi.


Novidade do Douro, Parceria tinto 2007, do Douro. Um tinto fresco e frutado, com alguma borracha no aroma e onde algumas notas de Touriga saltam alegremente do copo. Na boca, com toda a juventude mostra-se elástico e a pedir comida com alguma rusticidade, pois a acidez com a acidez elevada e a garra dos taninos não perdoam. Ligou muito bem com uma alheira de Vinhais.
Nota 15,5

Vindo de Valença do Minho, este Alvarinho já não é novidade para mim, mas é pena ser um vinho desconhecido pelo país fora... Rolan 2007 rótulo preto é um branco feito à moda dos Albariños Sobre Lias. Esteve longas semanas sobre as borras finas para ganhar corpo, untuosidade e equilibrio. E o vinho mostra isso mesmo! Muito exuberante, com um forte pendor citrino maduro. Sente-se uma enorme harmonia nos aromas, com um perfil mineral muito vincado. O Alvarinho está cá, mas mais maduro, mais complexo. O final de boca é muito prolongado com alguma cremosidade. Por vezes ficamos a pensar que o Alvarinho precisa é de ser bem vinificado, em vez de se recorrer à banal madeira de carvalho... Curioso que este é o Alvarinho que mais gosto cá em Portugal, a seguir aos Soalheiros é claro....
Nota 17

Até as colheitas no Ribatejo são tardias. Em Vale D'Algares alguém se esqueceu de vindimar Viognier. Digo isto porque acho que o Vale D'Algares Viogniner seco de 2007 que provei está mais profundo de aromas, com maior complexidade e com um equilíbrio muito maior. Com muitas notas de pêssego e tangerina, a madeira de boa qualidade mostra-se muito mais integrada que 0 2006. Na altura em que o provei era um pouco perturbadoras as notas fumadas e tostadas. Ora, 2007 é um vinho muito mais clean. Final longo e perfumado. Muito bem este Viognier.
Nota 17

Já o VA Viognier Colheita Tardia, embora mostre alguns aromas interessantes... cogumelos, alguma fruta cristalizada, é na boca que se torna algo chato. Os aromas desaparecem com uma rapidez... Provados lado a lado no final, a persistência na boca do Viognier era maior e mais saborosa que o Colheita Tardia! No entanto, entende-se que este vinho foi uma experiência. E é de aplaudir.
Nota 15,5

E assim é, mais umas notitas de prova. Terminando com uma anedota... "amanhã há mais!"

Esta semana fui duas vezes ao Dragão. E não sou masoquista.


terça-feira, setembro 30, 2008

Os vinhos do meu verão

Durante estes meses de ausência, não por estar de férias, mas por ter arrancado um novo projecto que trocando por miúdos significa começar a trabalhar, provei alguns vinhos, principalmente brancos. Começemos pelos rosés.

Domingos Soares Franco Moscatel Roxo Rosé 2007

No nariz mostra um aroma muito exuberante, cheio de flores e perfume. Fechando os olhos rapidamente me faz lembrar um Gewurztraminer em toda a sua vaidade de aromas. Requintado, muito fresco e sem nada a esconder apenas pedindo para que não suba a temperatura, pois toda esta alegria rapidamente se torna num nariz pesado e alcoólico.
Na boca, vibrante e muito saboroso, com fruto exótico. Acidez equilibrada e revigorante, mostra que é um rosé muito gastronómico mas que se bebe sózinho com grande facilidade tal é a harmonia. Atraente e menos doce do que se esperava, tem um final médio, ligeiramente seco a recordar flores. Dos melhores rosés que por cá provei. O preço pode assustar, mas vale a pena experimentar.
Nota 16
Preço 11 euros
Terras do Sado
100% Moscatel Roxo


Redoma Rosé 2007
No nariz, a primeira sensação é de austeridade, fósforo e de mineral intenso. A ideia de rosé neste vinho engana no aroma, faz lembrar um tinto muito ligeiro. Fruto vermelho muito fresco, algum vegetal e um tom tostado. O aroma com o tempo no copo vai abrindo para um lado mais sedutor e "rosé", com framboesas, toques de algodão doce mas nunca perdendo o nervo vegetal.
Na boca, com grande frescura inicial mostra-se bem equilibrado na elevada acidez, com notas terrosas e fumadas. O perfil é muito seco, estruturado e com algum fruto fresco. Final tostado e prolongado. Um rosé muito duro, que acaba por ser ou de amores ou de horrores. Eu gosto do estilo, mas não é fácil gostar dele.
Nota 15,5
Preço 8,5 euros
Douro
Essencialmente Tinta Amarela



Sobro Rosé 2007
No nariz, os aromas a morangos e framboesas são notáveis. Frutado e exuberante no estilo. O estilo é mais que feminino e certamente para quem gosta de rosé frutado aqui tem uma excelente opção.
Na boca mostra frescura, algum vegetal, mas com o estilo de rebuçado e de morangos a imperar. O final é também muito seco, com alguns pontos de acidez por afinar. Um bom vinho para começar um jantar de amigo(a)s
Nota 15
Preço 6 euros
Alentejo
Aragonez e Cabernet Sauvignon


segunda-feira, agosto 18, 2008

Nova Época - Setembro 2008

Não, não vou de férias.
Não, o blog não vai entrar em manutenção.

Apenas venho "pedir desculpa" pelo estado estático que o blog Vinho da Casa tem atravessado. Infelizmente, ou melhor, felizmente, na vida temos que tomar opções e cumprir com regras de prioridade.
Em Setembro, o blog vai voltar ao activo, com uma cadência de notas de prova muito maior do que o que tem acontecido neste ano.

sexta-feira, julho 11, 2008

Algumas notas curtas

Não tenho tido quase tempo nenhum para poder aqui escrever. Tive que dar um empurrãozinho ao clube online www.winept.com. Já escrevi para lá alguns artigos mas neste momento já estou out. Agora, o clube, volta a seguir um caminho solitário, desta feita com o Rui Falcão ao comando.

Tive uma semana alucinante com a inauguração do Fooding House Wine Bar, ou melhor, Tapas e Vinhos. Vai ser o meu próximo local de trabalho. Sou o responsável pela gestão vínica, ou seja, faço a carta de vinho a copo, aconselho os clientes, organizo provas... Parece pouco, mas não é!
Espero lá por vocês!

Tenho no entanto, tido tempo e vontade de provar algumas coisas, muitas delas interessantes.
Aqui vão em jeito de visita de médico, e por ordem alfabética algumas delas;
Mais tarde, coloco as notas de prova:

Aliança Particular Bruto 2004
Nota 15,5

Apegadas Branco 2007
Nota 15,5

Apegadas Rosé 2007
Nota 15,5

Branco da Peceguina 2007
Nota 16

Casa D'Aguiar 2005
Nota 16

Fagote Branco 2007
Nota 15

Guarda Rios 2005
Nota 16,5

Guarda Rios Branco 2006
Nota 16

Guarda Rios Rosé 2006
Nota 14,5

JM Reserva 2007
Nota 16,5

Malhadinha 2006
Nota 17,5

Marias da Malhadinha 2004
Nota 17,5

Quinta das Baceladas 2005
Nota 17

Quinta da Garrida Reserva Touriga Nacional 2004
Nota 17

Quinta dos Quatro Ventos 2005
Nota 16

Quinta da Terreugem 2005
Nota 15

Roda Reserva 2004
Nota 17

Roda I Reserva 2003
Nota 18

Roma Pereira 2005
Nota 17

Rosé da Peceguina 2007
Nota 15

Saint Gall Brut Blanc des Blancs 1er Cru
Nota 17

Saint Gall Brut Champagne 1er Cru
Nota 16

Saint Gall Rosé Champagne 1er Cru
Nota 17

Vale D'Algares Viognier 2006
Nota 17

terça-feira, julho 01, 2008

Aniversário do Degusto/Vinho&Coisas



Mais um ano passou.
A UVA/Vinho&Coisas soma e segue!


Houve música ao vivo, show cooking, pessoas, vinhos e Hpnotiq!
A bebida azul é realmente um reflexo de glamour e de festa.
E para quem não gosta muito de bebidas doces como eu... Posso dizer que até gostei! Bebi uns 4 ou 5 flutes!

Parabéns!!

segunda-feira, junho 23, 2008

Inauguração do Wine Bar do Cafeína Fooding House

Finalmente vai chegar à Foz um WineBar!


Vasco Mourão, proprietário dos mediáticos restaurantes Cafeína e Terra da Rua do Padrão, decidiu alargar o conceito de Fooding da sua loja Gourmet Fooding House.
A loja, que originalmente era quase exclusivamente um espaço de produtos gourmet, começou a ser invadida pelo vinho.


Agora, com um piso inferior totalmente renovado, abre portas a um WineBar.
Dia 4 de Julho, sexta-feira é já a festa de inauguração.


Eu vou lá estar... e a trabalhar! Vou ser o responsável pelo aconselhamento de vinhos e conduzirei todas os fim-de-semanas, provas temáticas, apresentações de vinhos, pequenas formações, sempre com produtores, enólogos e outros enófilos presentes!


Vinhos, tapas, música, conversa... Fooding!


segunda-feira, junho 16, 2008

Herdade da Malhadinha


Estive num destes fim-de-semanas de Primavera, infelizmente bastante chuvoso, na Herdade da Malhadinha Nova. Este é um dos produtores do Alentejo que sigo com bastante atenção e já quase há dois anos que tencionava pisar o terroir da Malhadinha. Definir a Herdade da Malhadinha numa única palavra é muito difícil. Arrisco o termo Novo-Mundo. Para quem vê o Travel Channel, ou para quem já visitou produtores na Austrália, Estados Unidos facilmente perceberá porquê.


Passsei 2 dias sempre com o sol dentro de mim, ainda que São Pedro teimasse em não dar espaço a um único raio de sol. A família Soares irradia felicidade e alegria. Ainda hoje me recordo de ver o Pequeno João a pedir ao pai para conduzir a empilhadora, com um sorriso de criança estampado na cara.

O Country House, moderno e novíssimo espaço de alojamento turístico rapidamente conquistou a imprensa, facto que é merecido. (Foi chave de Ouro na mais recente dição do BoaCamaBoaMesa do Expresso). A casa é um mix de ruralidade e vanguarda. Todos os quartos são mobilados com peças antigas, com roupeiros toscamente pintados de cores básicas. O chão é de tijoleira clássica, mas aquecida. A cama é nada mais nada menos igual às camas do grupo Sheraton, tamanho XXL e ultraconfortáveis. O pequeno almoço, imperial e cheio de pormenores deliciosos.

Aqui, é possível fazer todo e qualquer tipo de actividade, o céu é o limite. Como é normal cada desejo tem o seu preço, desde a simples prova de vinhos ao excêntrico passeio de balão. Voltando uma vez mais ao jeito tosco e delicioso da Herdade, ao ver uma Renault 4L ao fundo, perguntei se podiamos dar uma voltinha nela para voltar aos tempos em que a minha mãe me levava à estação de comboio naquele fantástico bólide. A resposta da Rita foi qualquer coisa assim:
"Claro que sim! Ainda há uns tempos, tivémos aqui um grupo de pessoas citadinas, que pensavam que vinham para aqui sem sujar os sapatos, eu meti-as na 4L e eles adoraram!"


Quanto ao restaurante da Herdade, liderado pelo jovem Chef Artur Carneiro que trabalhou 4 anos com Aime Barroyer no Valle Flor. A cozinha tem duas vertentes. Tradicional alentejana, com cuidado na apresentação e primor na escolha da matéria prima, funcionando melhor para o almoço. Para o jantar, e com a luz a meio gás, é inevitável a viagem ao mundo mágico de qualquer Chef, ou como está em voga se dizer, ao mundo da Cozinha Gourmet. Comi ao jantar, porque a palavra é mesmo essa, a melhor carne de vaca da minha vida. Tenra e com um sabor único. Estou disposto a encontrar uma melhor. A marca do Novilho é Malhadinha, 100% Alentejana que pasta nas encostas da Herdade. Os preços dos vinhos no restaurante são iguais aos PVP's. É possível beber um Malhadinha 2006 tinto por 29 euros. Foi-me dito, e as garrafas já estavam a chegar, que a carta vai ter nomes de peso como Chateau Margaux, Cheval Blanc, Mouton Rothschild...


A adega, moderna e arejada tem um processo de vinificação por gravidade, onde as uvas são descarregadas na parte de cima, sendo depois desengaçadas, fermentadas todas em grande cubas de inox, indo depois, dependendo do que se queira fazer para barricas. Provei os lotes de tinto de 2007, todos vinificados em separado. (à boa maneira Novo-Mundo) Ficaram-me na memória a nobreza e distinta força do Alicante Bouschet, caixinha de surpresas do Syrah, muito complexo e com o aroma a mudar a cada volta que o vinho dava no copo. Lembro ainda um excelente Aragonez, com garra, muito fino e notas muito curiosas de banana.

A Malhadinha merece uma visita atenta e se possível na presença de toda a família. Com eles, o fim de semana é certamente energético e bem capaz de carregar baterias para muitas semanas de lixo urbano. A eles, agradeço o facto de ainda ter bastante combustível para enfrentar a vida dura da cidade. Foi um fim de semana fantástico.

PS - Em breve publico as notas de prova dos novos vinhos da Malhadinha

Anima L5

Depois do sucesso que foi o Anima L4, o seu sucessor, o L5 que representa a ano da colheita, tinha uma grande responsabilidade. Ainda por cima 2005 foi um ano mais equilibrado no geral, menos excessivo e que tem originado vinhos muito interessantes.
A história deste vinho nasce da paixão do produtor, José da Mota Capitão, pela casta italina Sangiovese. Essa paixão levou-o a plantar nos solos tórridos do Torrão, paredes meias com o Alentejo esta casta.

Com 14%Vol mostra um cor rubi avermelhada, com pouca concentração.
No nariz, o aroma distinto e sedutor é impossível de resistir. Especiarias, algum couro novo, aromas exóticos e madeira encerada. Fruta muito nobre e na quantidade certa. A tosta da barrica mostra-se muito elegante. Este nariz, embora não tão complexo como o L4, é soberbo e é uma autêntica flecha ao coração. Se se pudesse metaforizar, este aroma é como uma linda mulher latina, vestida por Yves Saint Laurent, que recentemente nos abandonou.

Na boca, o vinho mostra-se uma vez mais bastante delicado e com alguma cremosidade. Embora tenha ainda alguns taninos presentes, a harmonia não se perde. Mostra-se com muita garra e com uma acidez muito equilibrada. Algum vegetal mesclado na tosta fresca da barrica e da cereja. Final longo e ligeiramente seco. Está um vinho sério, que dá mostras de evoluír muito em garrafa. Menos quente que o seu antecessor, menos aberto e menos pronto para beber. Dá muito mais prazer provar este L5, pela sua personalidade, mas o L4 é um mimo para se beber. Beba-se o L4 e guarde-se o L5. Vai ser um grande vinho. Esta segunda colheita é a confirmação de uma certeza. Já vos disse que estas vinhas foram plantadas só em 2002?

Nota 17,5
Preço 25 Euros

quarta-feira, junho 11, 2008

Viva Portugal


Ontem, dia de Portugal, tive um dos dias mais perfeitos da minha vida. Não tenho capacidade de tecer grandes textos ou poesias para descrever o que ainda sinto. Cheguei às 10:30 a casa de Dirk Niepoort, com pão para todos e dois vinhos velhos. Almoçei com amigos, com grandes vinhos e com uma refeição fantástica preparada pelo Vitor Claro. Apanhei sol, joguei futebol com raparigas e levei uma paulada do Luís Seabra (o homem dos Batutas.) Jantei rodeado dos mesmos amigos, bebi coisas fenomenais e deliciei-me ao som de uma música excelente.

Parceiros deste dia (alguns deles jogadores da bola):
Dirk Niepoort drink Port
Joana cara-metade
Rita Ferreira com Contraste
Nina pé descalço
Tom Marthisen da terra do Bacalhau
Helge Hansen Fotódependente
Luís Seabra Caceteiro
João Rico das Sardinhas de Peniche
Nick Delaforce, coleccionador de Mouchão
Vítor Claro Nazareno
Luís Ferreira com Cãibras
Nuno Gonçalves dorme-a-sesta


Provou-se até ao almoço:

Brancos
Douro
Marquis de Soveral 1967
Marquis de Soveral 1964
Ermida 1965
Ermida 1967
Marquis de Soveral 1958
Pérola Garrafeira 1980
Lamego 195?

Dão
Real Vinícola 1980
Centro de Estudos de Nelas 1994

Colares
Colares Visconde de Salreu 1933
Colares Chitas 1974

Tintos
Bairrada
Luís Pato 1980
Luís Pato 1985
Luís Pato 1988
Luís Pato Vinhas Velhas 1990
Luís Pato Vinhas Velhas 1992
Luís Pato Vinhas Velhas 1995
Sidónio Sousa Caves Valdarcos 1985
Valdarcos Garrafeira 1985
Grupo dos 8 1988
Caves Montanha 1967
Souselas 1965

Bairrada/Dão
Buçaco Reserva 1983
Buçaco Reserva 1970
Buçaco Reserva 1962
Buçaco Reserva 1959

Palmela
Periquita 1970

Colares
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1968
Viúva José Gomes da Silva Reserva Velho 1965
Chitas 1968
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1967

Dão
Dão Pipas (63 ou 67, rótulo indefinido)
Dão Cabido 1967
Dão Cabido 1970

Alentejo
Mouchão 1962
Mouchão 1970
Quinta do Carmo Garrafeira 1986
Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Douro e Trás os Montes
Evel Garrafeira 1964
Real Vinícola Granleve 1965
Vinha Grande 1962
Montaria 1966 (Taylor's)
Gramtom Garrafeira 1958
Marquis de Soveral Garrafeira 1958
Ferreirinha Reserva Especial 1974
Quinta do Côtto Bastardo 1973
Quinta do Côtto Bastardo 1974
Valle Pradinhos 1986

Depois, entre grandes vinhos provados durante o almoço e jantar que estão na lista mais abaixo, houve um vinho que me deixou sem palavras e quase que chorava ao ver o vinho a rodar no copo. Um dos vinhos mais míticos de todo o mundo, de onde já só restam no máximo duas dezenas de garrafas. Grande Grandjó 1925.
Portugueses
Branco dos Cozinheiros 2004
Luís Pato Vinha Formal 2006
Luís Pato Vinha Formal 2007
Casa Agrícola Horácio Simões Moscatel Roxo Excellent
Delaforce Corte 1997 Vintage
Smith Woodhouse 1980 Vintage
Niepoort (Vinho de Família) 1927

Estrangeiros
Weingut St. Johannishof Erderner Pralat Riesling Auslese 1979
Egly-Ouriet Blanc de Noir Grand Cru
Giacomo Conterno Monfortino Barolo Riserva 1995
Domaine de la Romanée-Conti La Tâche 2002
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2004
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2005
Chateau Grand-Puy-Ducasse 1966
Coche-Dury Mersault 1999
Duplessis Chablis Les Clos 2000
R&L Legras Cuvée St Vincent 1996
Keller Westhofen Kirchspiel Trocken 2004
Macforbes Riesling RS9 2006
Donnhoff Niederhauser Hermannshohle Riesling Auslese 2001
Vega Sicilia Unico 1986


No final do dia, fui com a Joana até ao Coliseu do Porto ver um fantástico concerto de Feist. Foi uma óptima forma de digerir o dia. Cheguei a casa feliz e consciente que a vida é quase perfeita.
Entretanto, fiz 2 anos de blog, com quase 250 vinhos publicados e 100.000 visitas atingidas. Infelizmente não tenho conseguido escrever tanto como queria. Obrigado a todos os que por aqui vêm passando.

quinta-feira, maio 29, 2008

Azamor 2005

De Vila Viçosa chegam novidades. Depois dos bons momentos que os Azamor 2004 proporcionaram a quem os provou, chegam agora os vinhos resultantes da colheita 2005. A receita continua a mesma. Um Azamor, um Azamor 100% Petit Verdot e um Azamor Selected Vines.

Azamor 2005
No nariz, muito limpo e aberto, mostra aromas de fruto silvestre e algumas flores. A presença de Touriga Nacional é evidente, num perfil bem maduro desta casta. Compotado e com algumas notas tostadas da madeira. Com um perfil aromático de bom nível, com uma frescura que nos remete para uma comparação com a colheita de 2003, ao invés do 2004.
Na boca, com corpo médio, está muito elegante e com taninos bem macios. Algumas notas fumadas aparecem, assim como compotas de frutos pretos. Acidez refrescante, que surpreende e dá alegria ao vinho. Final de boca persistente e convidativo, com o fruto guloso a marcar.
Continua a ser uma excelente aposta, mantendo a qualidade ano após ano, ainda que com diferenças de estilo. Um refúgio para um bom Alentejano a um preço sensato.
Nota 16
Preço 7,5 euros

Azamor Selected Vines 2005
No nariz, austero e com aromas muito intensos de bons aromas vegetais, muita erva aromática. A fruta, delicada e em boa dose, mistura-se com boas notas tostadas da barrica. Muito envolvente e sedutor, com belo nível de complexidade.
Na boca, com um corpo muito redondo, com a acidez mediana, acaba por tornar o vinho muito guloso. Consegue, graças a boas notas de menta e mesmo de tons químicos, ter uma passagem de boca fresca e elegante. Final de boca longo com intensas notas de madeira e de chocolate preto.
Um vinho sério, muito prazenteiro, algo guloso, mas sem enjoar. Muito bem.
Nota 17
Preço 18 euros

Azamor Petit Verdot 2005
No nariz, muito fino e elegante. Fruto delicado, boas notas tostadas, é o aroma mais elegante e complexo, dos vinhos que provei desta casa. Apesar de ser só de uma casta, o copo vai soltando uma complexidade de grande nível. Muita especiaria no aroma e fruto silvestre, num fundo fresco e mineral. Sedutor e profundo.
Na boca, com muito vigor, mostra força e garra. Envolvido em notas tostadas e cremosas da barrica, volta a trazer a elegância ao de cima. Com uma acidez elevada e taninos ligeiramente secos, fazem crer que precisa de mais algum tempo para se compôr. Final de boca muito longo, balsâmico e com muitas notas de fruto preto com uma certa mineralidade refrescante. Um vinho muito persuasivo, que desde o primeiro momento nos faz apaixonar por ele.
Nota 17,5
Preço 20 euros


Além dos novos 2005, tive oportunidade de provar aquele que passará a ser o ícone da marca, o topo de gama. Ikon D'Azamor nasceu de um cuidado extremo na vinha e na vinificação. Apanhadas as uvas manualmente, e por ordem de maturações, primeiro o Alicante Bouschet (55%), depois a Syrah(35%) e por fim a Touriga Franca(10%). Estagia 16 meses em barricas de Carvalho Francês e Americano.

Ikon D'Azamor 2004
No nariz, o impacto é muito violento, com muitas notas de extracção exagerada. Alcatrão, muita borracha, tabaco e fruto muito maduro. Muito generoso, outra vez especiado e com muito cacau, com notas de madeira bastante presentes. Aparece algum aroma mais clássico, como couro e um tom herbáceo.
Na boca, o estilo "puxado" confirma-se. Muito encorpado, muita extracção e alguma dose de fruta madura a mais. Foge um pouco ao estilo Azamor, onde a elegância parece ter sido deixada de parte. Tenta impressionar, mas acaba por ter um comportamento bruto e guloso demais. Os taninos muito maduros e finos, a boa acidez e o final de boca muito longo acabam por trazer alguma vida ao vinho, mostrando que não é só extração que por aqui há. Há boa matéria prima, boa profundidade e intensidade de aromas. Ainda assim, o preço não me parece justificado. Guarde-se, pode ser que se saia daqui um grande vinho. Para já, é muito cedo.
Fez me por vezes lembrar um Cortes de Cima Reserva. As palavras Novo Mundo perseguiram-me durante toda a prova.
Nota 17
Preço 59 euros