sábado, Dezembro 12, 2009

A Obsessão de Altas Quintas e o seu Branco

Finalmente chegou (e finalmente cheguei eu outra vez) o topo de gama do "novo" produtor de São Mamede. Desde há 3 anos que pergunto sempre ao João Pilão (team Altas Quintas) sobre o tal Garrafeira. Estava sempre a dormir, a melhorar este a aquele aspecto. É visto como uma Obsessão das Altas Quintas. Se estava a melhorar? Estou em crer que sim, mas que criou um efeito de expectativa e de ansiedade por vê-lo no mercado lá isso criou.

Antes de provar o tinto provei o Altas Quintas Branco 2008.
Um branco Alentejano, de topo também, mas com uma particularidade. Sem castas interenacionais e sem Antão-Vaz! Arinto e Verdelho são as duas castas do lote. Fermentou em barricas novas de carvalho francês, com um estágio posterior nas mesmas, de 6 meses. Tem 13,5% e mostra uma bonita cor amarelo-palha.
No nariz mostra um primeiro impacto exuberante mas com alguma profundidade. Um misto de tropicalidade, frutos cristalizados com algum fumo e frescura de bom nível. A barrica está presente e com boas notas tostadas a tapar um pouco a fruta.
Na boca a acidez média/alta surpreende, pois o vinho mostra-se fresco e nada pesado, apesar de toda a gulodice da barrica e da fruta madura. Bebido em copos estilo Borgonha o vinho acaba por se mostrar um pouco melhor. Final de boca de boa persistência ainda que muito focado nas notas adocidadas de fruto e tosta. Bem melhor que outros brancos da gama.
Nota 16,5

Já o Obsessão 2004 no nariz mostra um ataque complexo, cheio de austeridade e uma forte componente mineral, lembrando grafite. A fruta silvestre refinada e muito delicada quase me faz lembrar as bagas acabadas de colher ainda com aquele pó da terra por cima. Excelentes notas de tabaco e de especiarias frescas. Nariz intenso, profundo e com um lado vegetal que lhe piada e frescura.
Na boca o vigor, a força e a densidade são enormes mas completamente equilibrados num perfil de taninos presentes mas finíssimos e madeira em excelente casamento com a fruta. Apesar dos 3 anos de garrafa, entende-se perfeitamente que a boca ainda está num estado puro e cheio de juventude. Final muito longo, a pedir paciência. A provar sem dúvida, mas temos aqui um vinho para mais 3 anos em garrafa, a crescer, seguramente.
Nota 17,5


Este produtor já não é o "novo" produtor do Alentejo. Já mostrou trunfos e armas para afirmarmos que é um "dos" Produtores do Alentejo.

2 comentários:

  1. Bons olhos te vejam... Olha, vou abrir o obcessão no primeiro fim de semana de Janeiro...Vai-se lá saber porquê.

    Forte Abraço,

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  2. Uma pergunta: gostava de saber porque razão mais produtores do Alentejo e do Douro não se aventuram em dar tempo aos vinhos em garrafa?! O Obsessão é enorme.

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