quarta-feira, Abril 02, 2008

Quinta das Marias

Volto novamente a este produtor do Dão... Em tempos, quando apresentei aqui no blog os dois Touriga Nacionais, de 2003 e 2004, arrisco-me a dizer que quase ninguém conhecia a Quinta das Marias. Hoje é uma das marcas Top of Mind do Dão... Apareceu então na Revista de Vinhos com grande reportagem... Apareceu com grandes notas... Apareceu com um Encruzado Fermentado em Madeira com nota 17,5 do JPM... Ah, e apareceu como Produtor Revelação do Ano no guia do mesmo autor.

Quinta das Marias Alfrocheiro 2004

Apresenta uma cor granada de média concentração.
No nariz mostra-se muito generoso, com muita especiaria doce (cravinho), canela, chocolate de leite e terra molhada. A fruta e barrica estão muito bem integradas neste conjunto complexo e alegre, sempre com alguma austeridade.
Na boca, muito, mas muito elegante na suavidade. Taninos bem finos e uma camada de fruto vermelho que nos forra o palato, lembrando ameixa muito madura. Chocolate preto, algum balsâmico e uma tosta bem presente mostram-se completamente encruzadas na fruta, tudo muito redondinho. Final de boca uma vez mais apoiado nas especiarias, com um toque exótico sui generis. Belo vinho. Dá muito prazer a ser bebido, e não cansa. Muito, muito afinado.
Nota 17

Quinta das Marias Touriga Nacional 2005

Apresenta uma tonalidade rubi concentrada, com laivos púrpura.
No nariz, exuberantíssimo, uma autêntica bomba de cheiro! Flores e mais flores bailam no copo. Alfazema, violetas, alguma menta e uma incrível sensação de bolacha. Chocolate e muita baunilha ajudam a seduzir durante a prova. Apesar de toda esta alegria e boa dose de vaidade no aroma, a matiz é bem complexa e com um perfil mineral que traz classe.
Na boca, vigoroso e bastante encorpado, traz-nos fruto preto e notas mentoladas com fartura. Taninos finos, acidez perfeita, o vinho tem uma frescura perfumada ímpar e uma profundidade notável. O final de boca, muito marcado pela madeira, traz alguns taninos secos. Para já está um pouco enjoativo ao fim de algum tempo com ele no copo. Culpa da capacidade exuberante da Touriga.... Mais tempo de garrafa só lhe fará bem... Díficil será guardá-lo, o vinho é generoso, sedutor e perfeito para quem gosta de vinhos novos cheios de aromas para dar e vender.
Nota 17


Quinta das Marias Cuvée TT(Tinta Roriz e Touriga Nacional) 2005

Cor rubi concentrada.
No nariz, mostra o nariz mais austero dos três em prova, apesar de estar marcado pela tosta da madeira. Baunilha, floral q.b., e uma boa componente frutada. O perfil é também alegre, não muito exuberante, o que por si só poderá dar uma prova mais atenta e que pede tempo de antena. Sem sombra de dúvida que o lote, neste caso, fala por si. Nota-se um aroma elegante, mineral e aristrocrata, com muita frescura e de boa complexidade.
Na boca, fresco e afinadíssimo, tem um conjunto delicado e ao mesmo tempo muito enérgico. Cremoso e sedutor, taninos finos e acidez muito bem vincada. Este factores escondem um corpo musculado e uma mineralidade vincada, cheios de vontade de se mostrar. O final de boca, tostado e com alguma baunilha, é recompensado por um fundo floral refrescante e por um comprimento longuíssimo. Bendito seja o lote, conseguiu-se domesticar a Touriga com a Tinta Roriz, trazendo profundidade, austeridade e sobretudo capacidade de dar prazer à mesa durante umas belas horas.
Nota 17


Eu, sinceramente, em jeito de conclusão, reconheço muita qualidade neste produtor... As notas reflectem isso mesmo, e se ler com atenção as notas de prova, perceberá porque têm as 3 a mesma nota, apesar de o Cuvée TT seja mais o meu estilo. No entanto preferi os vinhos de 2001, 2003 e 2004 que tive oportunidade de provar o ano passado. Acho que não eram tão marcados pelas notas de madeira nova, menos vaidosos, mais austeros e com um perfil de guarda mais sério. Em 3 palavras, estão mais modernos. Bebi ainda este mês o Colheita 2001 e o vinho estava pleno de juventude. Mas isto das opiniões pessoais tem muito que se lhe diga.

4 comentários:

  1. Existe um novissímo vinho, igualmente bom, designado Garrafeira

    Cumprimentos
    JF

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  2. Caro JF,

    Se tiver oportunidade de o provar, colocarei aqui no blog a nota de prova.

    só por curiosidade, é um Garrafeira de que ano? 2003?

    abraço

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  3. É de 2005 e isso dá que pensar...

    Não consigo gostar do alfrocheiro e menos ainda do TT. Os tourigas (2004 e 2005) são óptimos. Melhor, só os encruzados, com e sem barrica.

    N.

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  4. Como foi dito é de 2005 e eu acho óptimo, o preço, 11€, muito em conta para a qualidade.

    Cumprimentos
    João Freitas

    PS. Já saíu o encruzado de 2007, sem barrica

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